A origem do Rosário, segundo a tradição, está no costume dos antigos monges, de fazer suas preces, contando-as com o uso dos dedos das mãos ou mediante pedrinhas ou grãos. Na Idade Média (séculos X-XII), os fiéis costumavam rezar vários “Pais-Nossos” ou várias “Ave-Marias” consecutivos, quando não conseguiam recitar os 150 Salmos. Essa prática foi-se codificando e regulamentando aos poucos, chegando a sua forma atual no século XVI sob o Papa São Pio V (1566-1572), dominicano. Foi esse Pontífice quem determinou tanto o número de “Pai-Nosso” e “Ave-Maria” como o teor dos mistérios que os devem acompanhar.

O nosso Catecismo diz: “A piedade medieval do Ocidente desenvolveu a oração do Rosário como alternativa popular à oração das horas”. (n.2678)

São Pio V atribuiu a eficácia dessa prece à vitória naval de Lepanto, que, aos 7 de outubro de 1571, salvou de grande perigo a Cristandade ocidental contra a invasão dos turcos otomanos, muçulmanos, que pretendiam dominar a Europa e acabar com o cristianismo. Por isso, o Papa São Pio V instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário em 7 de outubro. A devoção foi mais e mais favorecida pelos Papas seguintes, destacando-se Leão XIII, que determinou fosse o mês de outubro dedicado, em todas as paróquias, à reza do Rosário.

Rosário como arma para a conversão

Uma forte tradição na Igreja diz que São Domingos de Gusmão, enviado pelo Papa Gregório IX (1227-1241), para converter os hereges cátaros na França, recebeu a visita de Nossa Senhora, que lhe apresentou o Rosário como a arma para a conversão dos hereges. São Domingos caminhava rezando o Rosário e pregando a sã doutrina da fé.

Há muito tempo, os papas valorizam e recomendam, vivamente, a oração do Rosário, especialmente os últimos papas, sobretudo a partir das aparições de Lourdes (1858) e Fátima (1917). Em Fátima, Nossa Senhora disse aos pastorinhos que “não há problema de ordem pessoal, familiar e nacional que a oração do Terço não possa ajudar a resolver”.

Leão XIII (1878-1903), em tempos difíceis, dedicou ao Rosário 16 documentos, sendo 11 encíclicas e uma constituição apostólica; Paulo VI dedicou três documentos ao Rosário; uma encíclica: Mense (29 de Abril de 1965), a qual recorda que “Maria é caminho para Cristo, e isso significa que o recurso contínuo a ela exige que se procure nela, para ela e com ela, Cristo Salvador, ao qual nos devemos dirigir sempre”.

Na carta apostólica de João Paulo II Rosarium Virginis Mariae, ele declara: “Percorrer com ela [Maria] as cenas do Rosário é como frequentar ‘escola’ de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender a sua mensagem”. É a minha oração predileta, disse João Paulo II.

“É a oração mais querida pela Mãe de Deus”

Em 10 outubro 2010, o Papa Bento XVI disse que o Rosário é “a oração mais querida pela Mãe de Deus, e que conduz, diretamente, a Cristo”. “O Rosário é uma oração bíblica, totalmente tecida pela Sagrada Escritura. É uma oração do coração, em que a repetição da ‘Ave-Maria’ orienta o pensamento e o afeto para Cristo. É oração que ajuda a meditar a Palavra de Deus e a assimilar a Comunhão Eucarística sob o modelo de Maria, que guardava, em seu coração, tudo aquilo que Jesus fazia e dizia, e sua própria presença. A “Virgem do Rosário” recomendou, com insistência, a oração do Rosário todos os dias, para alcançar o fim da guerra.

O Catecismo diz: “A oração cristã procura, de preferência, meditar os mistérios de Cristo, como na lectio divina ou no Rosário”. (n.2708)

São João Paulo II

São João Paulo II disse, na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, em 16 de outubro de 2002, no Ano do Rosário: “Em momentos em que estivera ameaçada a própria cristandade, foi à força dessa oração que se atribuiu a libertação do perigo, tendo a Virgem do Rosário sido saudada como propiciadora da salvação. O Rosário da Virgem Maria (Rosarium Virginis Mariae), que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando, gradualmente, no segundo Milênio, é oração amada por numerosos santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no Terceiro Milênio recém iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor”.

“Desde a minha juventude, essa oração teve um lugar importante na minha vida espiritual. A ele confiei tantas preocupações; nele, encontrei sempre conforto. Vinte e quatro anos atrás, no dia 29 de outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha eleição para a Sé de Pedro, quase numa confidência, assim me exprimia: «O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade. […] Hoje, no início do vigésimo quinto ano de serviço como Sucessor de Pedro, desejo fazer o mesmo. Quantas graças recebi, nesses anos da Virgem Santa, por meio do Rosário. Com efeito, recitar o Rosário nada mais é senão contemplar com Maria o rosto de Cristo”.

Canção Nova

 

Muitos pais levam os bebezinhos à Igreja. Eles são belos, quietinhos, dormem a maior parte do tempo. Mas assim que começam a crescer, engatinhar, aprender a andar e a correr, muitos pais acabam desistindo. Argumentam que dá muito trabalho, pois as crianças não querem ficar paradas, gastando muito tempo da Missa por andarem de um lado para outro, então, sentem-se tentados a concluir que não estão, realmente, participando da celebração.

Ao perceber que a criança está muito irrequieta, é aconselhável convidá-la e sair com ela para escutar a celebração do lado de fora (no hall, por exemplo). Com crianças muito pequenas, fica mais difícil mantê-las em silêncio por muito tempo: é preferível sair um pouco da Igreja e ir para onde as crianças não irão atrapalhar os outros. Brinquedos e aparelhos como celular, smartphone, tablets devem ser evitados. Uma sugestão é levar livros e lápis de cor para pintar ou deixá-las folhear algum livro ilustrado sobre a vida de Jesus.

A Missa é para todos

Em algumas comunidades, há uma prática de separar as crianças na hora da Missa e levá-las para um lugar à parte, onde são cuidadas por voluntários que cantam, rezam, brincam, evangelizando-as. Dessa maneira, acredita-se que os pais podem participar melhor da Missa. Certamente, a intenção de promover iniciativas como essa é boa, porém, corre-se o risco de criar uma ideia de que Missa não é coisa para criança.

A Missa é para todos, inclusive para crianças. Outros pais ficam o tempo todo pedindo para os filhos fazerem silêncio porque querem se concentrar. Devemos sempre nos lembrar de que a Missa do domingo com a família é um momento de oração comunitária, familiar. Além desse momento de celebração comunitária, devemos buscar outras oportunidades de oração pessoal, talvez durante a semana, oportunidades para rezar a sós, cultivando nossa relação pessoal com Deus.

A Exortação Apostólica Amoris Laetitia orienta que as pessoas que “têm desejos espirituais profundos não devem sentir que a família os afasta do crescimento na vida do Espírito”.

Texto extraído do livro “Como participar da Missa com crianças?“, de Rodrigo Luiz e Adelita Stoebel.

Deus nos dá o poder e a autoridade sobre os três tipos de espíritos imundos que agem sobre nós, para que possamos usar essas autoridades e encontrar a cura de todas as doenças físicas da alma, das lembranças, dos pensamentos, da memória que trazemos e a cura interior.

Eu quero proferir um oráculo profético em nossa vida, porque Deus está nos dando um novo envio, estamos vivendo um tempo sobrenatural da manifestação do Espírito. Deus nós dá, em nome de Jesus Cristo, para a glória de Deus Pai, a autoridade sobre todo o espírito imundo de doenças malignas e enfermidades físicas.

O que são os espíritos imundos?

São os demônios que agem na nossa vida por trabalhos, pactos, consagrações, brechas, pecados, heranças malditas que trazemos de nossos antepassados, mas temos a autoridade de mandá-los embora da nossa vida depois de curar todo o mal das doenças espirituais como o medo, a depressão, os vícios, a tibieza, a contaminação e os caminhos errados.

Portanto, meus irmãos, quais são as curas que Deus pode realizar em nós? Podemos encontrar a cura física quando tomamos posse da autoridade que temos sobre todo o espírito do mal e enfermidades.

Como acontece a cura?

Ela acontece pela fé! Nós encontramos, na Bíblia, vários textos que pela fé fostes curados. “Vá em paz que a tua fé te salvou; vá em paz que os teus pecados foram perdoados”. A fé é uma fonte inesgotável de bênçãos, prodígios e milagres, mas também encontramos a cura pela medicina.

A medicina, a ciência e os remédios, como fala o livro dos eclesiásticos, são fontes inesgotáveis de bênçãos e cura de Deus para a nossa vida. Eu tenho encontrado a graça de testemunhar e ver Deus realizar muitos milagres pela fé, mas também, por ela Deus vai levando as pessoas a fazerem um tratamento e a passarem por um processo cirúrgico, para que seja eliminada toda doença física.

Quando tomamos conhecimento de que temos a autoridade sobre todos os espíritos imundos e autoridade de curar todas as doenças malignas e enfermidades também encontramos a cura da alma.

Como alcançar a cura espiritual?

Essa cura acontece pela confissão, pois ela é o remédio para a cura da alma. Nós precisamos frequentar a graça que Deus nos concedeu com imensa assiduidade, que são os sacramentos: a Eucaristia e a confissão.

Se queremos a cura da alma, precisamos confessar e receber a absolvição dos pecados. Muitas pessoas ficam doentes do corpo e da alma, tornando-se, muitas vezes, possessa de diversos demônios, porque ficam muitos anos afastados da confissão.

De uma maneira muito simples, podemos dizer que não aguentaremos, no máximo, mais que um dia ou dois sem tomar um banho ou sem lavar o nosso corpo. A sujeira que vamos adquirindo diante de tantas contaminações do ar, dos ambientes e dos lugares que passamos vai cansando e tirando a nossa resistência, assim também é com a nossa alma. Quanto mais tempo passamos longe do confessionário, mais doentes ficamos espiritualmente.

Precisamos buscar essa cura da alma, por meio do sacramento da confissão. A Igreja recomenda o sacramento da confissão uma vez por ano, em preparação à Páscoa, mas será que conseguimos ficar um ano sem tomar banho?Quando entramos no confessionário para buscar a cura da alma, entramos na beira do inferno e saímos pela porta de entrada do Céu, pois entramos condenados e saímos absolvidos.

Busque a cura física pela fé e medicina, mas não deixe jamais de procurar a cura da alma e do espírito por meio da confissão.

Curando o interior

Temos a cura das lembranças, dos pensamentos, das memórias e daquelas histórias de dor e sofrimento que passamos, mas encontramos a restauração pela vida de oração, pois esse é o nosso remédio.

O mais importante é quando entendemos que temos autoridade sobre todos os espíritos imundos e autoridade para curar toda doença maligna e de enfermidade. Portanto, busquemos a cura interior dos ressentimentos, dos ressentimentos que trazemos pela história negativa da nossa genealogia e por aquilo que os nossos antepassados fizeram ou que entrou na nossa vida pelas atitudes erradas que possamos ter praticado.

Oração

Eu quero orar, em nome de Jesus e pelo poder das chagas, pelo sangue aspergido e por cada uma dessas chagas como fonte de exorcismo de cura e libertação. Ordeno que seja quebrada toda ação de miséria, doença física e espiritual dos males que possam entrar em sua vida e de sua família.

Eu, em nome de Jesus, ordeno a satanás que ele se retire da vida desses filhos, e, sobre eles desça, agora, a graça da unção e do poder que cura e liberta. Que seja derramado a unção de um novo e sobrenatural Pentecostes.

Radio Vaticano

No Novo Testamento, o ministério de intercessão é centrado em torno de dois advogados supremos – Jesus e o Espírito Santo. A intercessão é a oração ao Pai por meio de Jesus, conduzida e fortalecida pelo Espírito Santo. Aquilo que, normalmente, nós pensamos ser uma oração de intercessão é, na verdade, uma oração de petição. Sou eu dizendo a Deus o que eu gostaria que Ele fizesse. Mas quando intercedemos, nós deveríamos ser conduzidos e dirigidos pelo Espírito Santo quanto ao que rezar e como rezar.

Jesus prometeu aos Seus discípulos que Ele mandaria o Espírito Santo: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco” (Jo 14,16). Sendo esse “outro advogado” dado a nós, o Espírito Santo advoga por nós em nossa oração de intercessão. Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus. (Rm 8,26-27)

Muitas vezes, nós não sabemos como rezar, porque não temos compreensão plena da situação, as causas escondidas, a complexidade do problema etc. Não conseguimos prever o futuro. Não entendemos bem o que é melhor para nós ou qual o plano de Deus para nós. O Espírito Santo é o nosso parceiro orante interior, que vem em nosso auxílio na intercessão.

O Espírito nos ajuda a rezar

Precisamos ser abertos ao Espírito Santo em nossa intercessão, porque Ele nos ajuda a rezar estrategicamente. Existem muitas situações complexas na intercessão, que não temos como compreender na totalidade. Deveríamos permitir que o Espírito assuma o processo da intercessão.

Num sentido mais profundo, se nos questionarmos: “O que é a intercessão?”, a resposta seria: é a oração pelos outros conduzida e energizada pelo Espírito Santo. O Espírito é o ator principal da intercessão. “Orai em toda circunstância pelo Espírito” (Ef 6,18). Em nossa intercessão, nós precisamos ser conduzidos e dirigidos pelo Espírito Santo.

“Quanto a vós, a unção que dele recebestes permanece em vós. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine, mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei nele, como ela vos ensinou.” (1Jo 2,27) A nossa intercessão se torna eficiente por meio da força e da direção dada pelo Espírito Santo. Na intercessão, é importante saber para o que Deus quer que rezemos e, ao mesmo tempo, experimentar o poder do Espírito Santo, para que a oração seja efetiva.

A importância dos carismas

Os carismas vêm em nosso auxílio na intercessão. Os carismas, ou dons espirituais, existem para “o perfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo” (Ef 4,12). Uma boa maneira de explicar os dons espirituais é dizer que eles são como ferramentas ou recursos que transmitem poder para o nosso ministério. Tem hora que o Senhor revela ao intercessor situações de emergência, como uma tendência suicida de alguém, uma calamidade natural, um acidente, uma doença fatal etc. Essencialmente, a intercessão é um dom do Espírito Santo.

Existem outros carismas que podem ser usados durante o processo de intercessão, tais como: o dom de línguas, o dom de interpretação de línguas, palavra de ciência, palavra de sabedoria, discernimento dos espíritos, dom de profecia etc. Muitas vezes, não sabemos o que rezar nem como rezar. Outras vezes, quando estamos em um grupo, existem situações nas quais não podemos explicar em detalhes tudo a todos. Em todas essas ocasiões, o dom de oração em línguas vem como um poderoso meio de intercessão. O dom de línguas ajuda a pessoa a ficar focada na intenção e a não sair dos trilhos. A intercessão se torna muito mais eficaz quando ela é conduzida pelo poder do Espírito Santo.

Canção Nova

 

Antes de saber como vai a família, é preciso ter claro o que é família, ou seja, um projeto do amor de Deus. Ele a criou. Ele a ama e sustenta. Desde que criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança, Deus os quis em família.

No mistério profundo da encarnação de Jesus, vemos que Deus escolheu nascer e crescer em uma família, para nos dar um modelo, um exemplo a seguir.

A presença de Jesus nas Bodas de Caná da Galileia, junto com Sua Mãe, significa que o Senhor quer estar no meio da família, ajudando-a a vencer todos os seus desafios. E quantos são os desafios da família nos dias de hoje!

Temos assistido ao triste espetáculo do desmoronamento de nossas casas. São lares confiados a nós por Deus, mas construídos sobre a areia. São famílias construídas na sabedoria do mundo. Quando olhamos para a sociedade, vemos muitos casais separados e sofridos, filhos abandonados e carentes, que buscam a compensação do seu vazio nas drogas, no álcool, na violência, no sexo, no crime, na pornografia, no consumo. São verdadeiros filhos “órfãos de pais vivos”. E a família é destruída, porque não foi construída sobre a rocha. “E grande será a ruína da casa construída na areia” (Mateus 7,24-27).

A família é um projeto de amor e deve ser construída sobre a rocha, que é Deus

Hoje, é difícil uma família que não seja assolada por esses males de alguma forma. Quanta perseguição a esse projeto do Amor Divino, que é a família. Somos extremamente influenciados pelos meios de comunicação, pelas mídias e redes sociais, as quais, em sua maioria, apresentam a família como uma instituição falida. Daí o aumento cada vez maior de depressão, solidão, doenças psicológicas, suicídio e tantas outras realidades.

O cenário atual é bem angustiante, mas não muda a essência do que é a família, o seu fundamento e asua importância em nossa vida.

Rubens e eu somos casados há 20 anos e temos três filhos abençoados (Isaac de 19 anos; Miguel de 13 anos e Mariana de 9 anos). Somos membros da Comunidade Canção Nova há 24 anos. Entramos solteiros e bem jovens na comunidade. Aqui, nós nos conhecemos, namoramos, noivamos, casamos e constituímos uma família. Somos realizados na nossa vocação à vida na Comunidade Canção Nova e no nosso matrimônio. Embora nossas famílias de origem tivessem muitos problemas (o Rubens, por exemplo, foi abandonado pelo pai com meses de vida), nós as amamos e não paramos nas tendências que herdamos, mas decidimos construir uma família nova segundo os valores cristãos.

A família na Palavra de Deus

A Palavra de Deus é um dos fundamentos da nossa família. Por ela, orientamo-nos para formar a nossa família. É sempre na Bíblia que buscamos luzes para os desafios do dia a dia. E uma passagem que nos ensina muito sobre família é a do “Filho Pródigo” (Lucas 15,11-32).

Nesta parábola, vemos claramente uma família com muitos desafios como as nossas. Podemos nos identificar e identificar os nossos familiares com algum desses personagens, no entanto, gostaríamos de ressaltar a pessoa do pai. Ele, na verdade, é o pródigo dessa história. Pródigo, além de significar esbanjador e gastador, também significa magnânimo e generoso ao dar, e é nesse sentido que vemos esse pai.

Ele se encontra diante de muitos desafios dos quais destacamos três:

Esse pai, com certeza, recorda-nos, e muito, a pessoa de Deus Pai. E dentre os ensinamentos dessa Palavra, aprendemos que não existe uma receita pronta de como agir com os nossos filhos. Ele trata cada um como único e irrepetível. O que ele faz com um é diferente de como age com o outro, porque cada um tem uma necessidade, uma história, um jeito de ser. Esse pai não é paternalista nem superprotetor, mas nos mostra que, em cada situação, na nossa família, devemos agir com amor. É o amor que deve permear os nossos relacionamentos familiares.

Amemos nos detalhes

A nossa vida em família é feita de detalhes, pois, como dizia o saudoso padre Léo, “ninguém tropeça em montanha, mas nas pedrinhas ao longo do caminho.” São João Paulo II já dizia que “educar é conquistar o coração”. Papa Francisco, na sua Catequese de 27 de abril de 2016, diz-nos que vivemos no mundo do automático, do superficial. Ele diz: “Não é automático que quem frequenta a casa de Deus e conhece a Sua misericórdia saiba amar o próximo. Você pode conhecer toda a Bíblia, toda a teologia, mas do conhecer não é automático o amar”.

Vivemos no mundo do automático! É só apertar um botão e tudo acontece. Vivemos na superficialidade, onde o exterior passa a valer mais do que o interior, o que é um sério problema. O Papa, no entanto, diz-nos que o amor não é automático. É preciso aproximar-se! Às vezes, estamos tão perto um do outro em nossa casa, mas tão distantes. Como diz o ditado popular: “perto dos olhos, mas longe do coração”. Precisamos sair da superficialidade nos relacionamentos, principalmente entre nós marido e mulher, pais e filhos. Temos que sair do automático. Só me torno próximo daquele de quem me aproximo. Se eu não me aproximo do meu esposo, da minha esposa, dos meus filhos, no dia a dia, com gestos efetivos e afetivos, eu não me torno próximo.

Aproxime-se da sua família

O convite é para aproximar-se, pois a família é o lugar do encontro, da comunhão e da intimidade. Adelicadeza, a atenção, o carinho, a cerimônia, tudo isso é muito importante. Eu preciso ser melhor dentro de casa do que fora!

Nossa missão específica, na família, é cuidar daqueles que Deus nos confiou. E Ele diz para não medirmos esforços nem economizarmos nesse cuidado, pois, quando voltar, nos pagará o que tivermos gasto a mais (Lucas 10,30-35).

Nós não somos padres nem religiosas, e, com certeza, quando chegarmos no Céu, o Senhor nos perguntará: O que você fez do seu matrimônio? O que você fez da sua família?

Esperamos que tanto nós quanto você ouça do Senhor: “Obrigado, meu filho! Obrigado, minha filha, porque você cuidou daqueles que Eu lhe dei, com amor, carinho e paciência. Vem, entra para o gozo do teu Senhor!”.

a sua família, como vai?

Tânia e Rubens Sabino são missionários da Comunidade Canção Nova há 24 anos, casados há 20 anos e pais do Isaac, do Miguel e da Mariana.

Canção Nova

Ler a Palavra todos os dias! Esse precisa ser um propósito a ser alcançado em nossa vida. Bom, pode não ser tão fácil, pode parecer algo longe de nossa realidade, pode parecer coisa de beata, de gente fanática etc., mas não é. Na Palavra de Deus, há a orientação para tudo que precisamos, tudo mesmo.

Padre Jonas escreveu um livro que nos ajuda a ler a Bíblia numa sequência que é acessível a todos: ‘A Bíblia no meu dia a dia’! Se você puder ter o livro, ele pode ajudá-lo, mas, de qualquer forma, você pode ler a Bíblia, rezar com ela e fazer dela seu alimento diário.

A Palavra de Deus é alimento para nossa alma e nos direciona em tudo o que precisamos no dia a dia

Talvez eu esteja falando com quem já lê a Bíblia todos os dias – louvado seja Deus! –, mas quero que essa mensagem chegue também, e principalmente, a quem não o faz ainda, e acha impossível fazer. Não é impossível.

Existem inúmeras passagens que você pode ler se não tiver uma sequência pronta.Veja:

Salmo 24 – O Senhor é meu pastor;

Salmo 91 – A Proteção do Senhor;

Efésios 6,10 -20;

Romanos 8 – inteiro ou dividido em partes;

João 6 – Jesus deixa claro para nós sobre a Eucaristia. Isso pode sustentar sua fé;

Efésios 2 – É por graça que fostes salvos;

João 17 – A linda oração que Jesus faz por Seus discípulos e por nós antes de ser crucificado;

João 15 – A videira e os ramos;

João 3, 16 e seguintes;

Lucas 1 e seguintes – Nossa Senhora tão presente;

Mateus 1 e seguintes – São José presente;

O Evangelho de Marcos, que é mais curto, você pode se propor a lê-lo inteiro, cada dia uma parte;

Atos 2 – Pentecostes;

Enfim, os Salmos, todos, para rezar. Quanta riqueza!

Se você gasta muito tempo com redes sociais ou com TV, passe a gastar parte desse tempo com a Palavra de Deus. Fará uma grande diferença! Depois, conte-me!

Canção Nova

 

“E ensinava-lhes muitas coisas em parábolas.” Essa é uma constatação apontada no Evangelho de São Marcos (Mc 4,26-34), que revela o jeito próprio de Jesus ensinar. Como um verdadeiro Mestre, essa era Sua pedagogia. Utilizava-se de elementos do cotidiano do Seu povo para expressar realidades mais profundas.

Inúmeras são as histórias e comparações feitas por Ele que podemos lembrar: filho pródigo, lírios do campo, ovelha perdida, bom samaritano, fermento na massa, as dez virgens entre outros. Além de trazer traços históricos da sociedade daquele primeiro século, uma parábola é um recurso eficaz de aprendizado, pois é capaz de atingir os sentimentos, o raciocínio, os cinco sentidos e a alma de quem ouve.

O modo de ensinar de Jesus

Na cultura daquele tempo, a oralidade era o instrumento mais usado para a transmissão do conhecimento. Por meio dela, fixavam-se os conteúdos a partir de imagens, símbolos e situações do dia a dia. O que Cristo fazia não era apenas uma simples narração de “historinhas”, mas revelava Seu modo de ir ao encontro daquelas pessoas, de fazer-se um com elas e dizer da importância da vida de cada uma. Ou seja, as experiências diárias seriam lugar de encontro com Deus e com as realidade espirituais.

Como no Evangelho, ao ouvir que “o Reino de Deus é como um grão de mostarda”, seria muito mais fácil, por exemplo, para uma pessoa que tivesse contato com a semente, como um semeador ou alguém que visse essa árvore, lembrar das palavras de Jesus e fazer essa ligação entre o cotidiano e as verdades reveladas pelo Mestre.

Para nós, na atualidade, esse também é um importante aprendizado. Nossa vida diária, cultura, costumes, culinárias, situações, angústias e preocupações são a matéria-prima para Deus falar e agir em nós. Como o grão de mostarda, nossa vida pode ser a mais simples ou com diversos desafios, mas se permitirmos que o grande Semeador, Cristo Jesus, cultive em nós a fé e a Sua vontade, os frutos serão abundantes. Temos potencial para isso! Como a árvore de mostarda, nossa vida poderá crescer muito nas graças, até o ponto de servir de abrigo, consolo e alimento para o outro.

 

Radio Vaticano

 

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos, porque, pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo! Que bela esta oração! Que forte esta oração!

Tenho uma cruz na cabeceira da cama. Ali, é um lugar de refúgio para mim, muitas e muitas vezes. Parar ali, quietinha, só eu e Jesus, olhar para Ele, para Suas chagas e, ali, entregar minhas dores e angústias, meus cansaços e até sentimentos que, às vezes, não sei nem dar nome. Estar ali e dizer para Ele: Estou aqui. Toma-me, Senhor! Ama-me, Senhor, e dá-me a graça de te amar!

Neste lugar, já me refiz muitas vezes, quando tudo parecia perder o controle. Neste lugar, já adorei, já chorei, já agradeci, já entrei em comunhão com o Céu.

Pela Cruz, podemos enxergar o amor de Jesus por nós

Olhar para Jesus e saber que Ele olha para mim. Ali, só uma pequena imagem, mas é sinal de que Ele mesmo está a me olhar, a cuidar de mim, a tomar para Si tudo que trago, os fardos pesados, e me dar o Seu Jugo, que é leve e suave. Aliás, este é um versículo que já rezei muitas vezes, ali, diante do crucifixo:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas, porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mateus 11,28-30)

Como é bom ser cristã! Como é bom ser católica! Como é bom ter um crucifixo para me lembrar do grande amor de Jesus por mim, e ali reencontrar a razão de viver, de lutar, de seguir sem desistir. Como é bom adorar Cruz de Cristo, sinal da Vitória d’Ele sobre a morte! Sinal também da minha vitória!

Na rotina de mãe, esposa, dona de casa e trabalhadora, saiba: estar diante da Cruz faz toda diferença!

Diante desta Cruz, já rezei assim e partilho com você se quiser fazer o mesmo: “Senhor, suga de mim agora, tudo que não é Teu, tudo que não é bom, tudo que é pecado. Suga minha impaciência, cansaço, ira, descontrole, tristeza; e enche-me da Tua Graça. Eu amo o Senhor, Jesus, mas me ensina a amá-Lo mais!”

Desafio da semana: Amar Jesus na cruz e deixar-se amar por Ele!

Canção Nova

 

Que alegria poder falar-lhe de paz! Todos nós que experimentamos a presença de Cristo em nossas vidas e nos tornamos portadores dessa paz que vem do coração de Deus e encontra fecundidade em nosso coração.

Na presença de Cristo, nossa atitude é de despojamento, de silêncio, adoração, admiração e contemplação. É a mais bela situação ante o mistério de Deus, deixando-se atrair, deslumbrar, envolver-se. Cada segundo na presença desse Deus permite que o nosso ser se transforme em um instrumento de paz, pois nos sentimos atraídos por Ele e, assim, enviados a falar do seu amor e da sua paz ao coração de muitos homens e mulheres que ainda não ouviram falar da sua presença amorosa entre nós.

Abramos o coração para viver a experiência de amor diante dos mistérios do Senhor

Somente o amor é capaz de tocar o mistério de Jesus, só o coração de pobre, humilde, é capaz de ver o mistério de Deus manifestado em Jesus. Só o coração puro, limpo, alegra-se ante o mistério de Deus. Que alegria poder dizer ao seu coração dessa experiência! Trazendo as palavras da Sagrada Escritura: “Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo repito: alegrai-vos!”, essa é a alegria que deve contagiar nosso coração, nossa face, nosso sorriso. Somos portadores da maior alegria do mundo, uma alegria que se espalha na simplicidade, no amor e na doação.

Nessa simplicidade, não procuramos comprovar o mistério, mas provamos esse mistério de amor, deixando-nos envolver pela presença real de Cristo em nosso meio. Assim, cada atitude nossa, em cada olhar, em cada acolhida, em cada irmão que se aproximar de nós, o amor de Deus será o motivo de espalhar a paz. Seremos sinais e portadores de Deus no coração e na vida de muitas pessoas que, também contagiadas, se tornarão outros discípulos dessa corrente de paz.

Seja você também um adorador de Cristo e permita que o seu coração se torne uma casa de fé e testemunho dessa paz que vem de Deus.

Padre Silvio César, sdb

Canção Nova

A palavra “servo” se dirige, em primeiro lugar, a Jesus, pois Ele é o Servo: o Servo Javé, o Servo de Deus, o Servo do Senhor. Essa palavra também se aplica a todos aqueles que são de Jesus e fazem parte do Seu Corpo: “Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda minha afeição, faço repousar sobre Ele meu Espírito, para que leve às nações a verdadeira religião” (Is 42,1).

Jesus compreendeu que o Pai O enviou, mas que não realizaria Sua missão sozinho. Por isso, Jesus escolheu os apóstolos e os discípulos, conviveu com eles e, assim, fundou uma Igreja sobre Pedro.

O Pai foi revelando o Seu plano aos poucos, até Jesus homem entender a Sua vontade. Jesus não estava sozinho, estava com aqueles que o Pai escolheu para ser um com Ele.

O Senhor te escolheu e te elegeu Seu servo para ajudá-Lo na Sua missão. Assuma essa identidade e aja!

Lúcifer, um anjo de luz, foi escolhido por Deus para preparar esta terra para a vinda do Filho de Deus, para que Ele viesse e a governasse. Porém, ele não o fez nem quis fazer. Então, somos os servos do Senhor que estamos preparando a terra, a humanidade para que Jesus venha e governe. Nossa posição é a de servo.

Afirme para si mesmo: “Eu sou servo. Minha identidade é ser servo! O Senhor me escolheu para servir. Vivo para servir o Senhor”.

Somos servos e nos encaixamos bem na Palavra de Jesus: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi a vós e vos constituí para que vades e produzais fruto” (Jo 15,16). O Senhor nos escolheu gratuitamente, por amor.

A palavra “eleito” nos dá a conotação de amor. Você nunca chama uma mulher de “minha eleita”, se não a ama; nunca chama um homem de “meu eleito“, se não o ama. O “eleito”, aqui, traz a conotação de amor. Deus é amor e derrama este amor sobre você.

Esta é a nossa identidade: somos servos eleitos do Senhor, sobre quem Ele põe toda a Sua afeição.

O força do Espírito Santo em nós

Eu sempre ficava atrapalhado com esta expressão: “… faço repousar sobre Ele meu Espírito” devido a palavra “repousar”. Num outro trecho, ela aparece novamente: “O Espírito do Senhor repousa sobre Mim, porque o Senhor consagrou-Me pela unção” (Is 61,1).

O termo “pairar” em hebraico e utilizado em Gênesis: ” E o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2), é o mesmo usado em Isaías com o sentido de “repousar”. O mais interessante é que, tanto em Gênesis como em Isaías, era um termo comum, conhecido por todas as pessoas. Era um verbo usado no hebraico para indicar a ação da galinha que está chocando os ovos. A galinha abre as asas, paira e faz pousar o corpo inteiro sobre os ovos; com o seu calor é que os ovos são chocados.

O mais interessante é que a galinha não quebra os ovos para que os pintinhos saiam. É o próprio pintinho que, dentro do ovo, bate com o bico e quebra a casca! Tudo acontece a partir do calor que o ovo recebe da galinha.
É isto que o Senhor está dizendo:

“Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda minha afeição, faço repousar sobre ele meu espírito.”

Consagrado ao Senhor

Imagine um ovo que começa a ser chocado mas não chega ao fim do processo. Dentro de cada um de nós há um caos, algo malcheiroso. Mas o Espírito de Deus, pousando sobre nós, transforma todas as coisas; formando o homem novo à imagem de Jesus Cristo. Essa é a nossa consagração!

“O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção” (Is 61,1). É necessário proclamar: “Eu sou um consagrado!”.

Às vezes, pensamos que consagrado é alguém que toma a iniciativa de se entregar ao Senhor. É o contrário: é o Senhor quem nos consagra; é Ele quem nos escolhe e nos faz Seus eleitos; é Ele quem toma a iniciativa. “Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi a vós e vos constituí para que vades e produzais frutos”.

Somos consagrados ao Senhor. Somos os levitas, aqueles que o próprio Senhor consagrou e cuja missão é levar a arca da aliança a qual somos nós! Dentro dela repousa o Espírito Santo que está vivo, ativo, agindo com Seus dons.

Constatamos um intercessor pelo fato de ser alguém batizado no Espírito Santo. Não podemos pensar que “batizar no Espírito” é uma ação que ocorre num determinado momento e pronto. Jesus nos disse: “Vós sereis batizados no Espírito Santo” (At 1,5).

Em outras palavras: “Vós sereis mergulhados, encharcados no Espírito Santo”. Imagine um lenço branco, seco, limpinho: se o mergulharmos na água, ele ficará tão encharcado que, ao apertá-lo, sairá água.

Orgulhe-se de ser batizado

Quando somos batizados no Espírito Santo, o que comunicamos é o Espírito: quando tocamos alguém, o Espírito toca; quando oramos, o Espírito ora; quando pedimos, o Espírito pede, age e faz. Assim acontece a realização dos dons.

Muitas pessoas têm receio de cair em orgulho espiritual. Temos de buscar sempre a humildade, mas a humildade está nesta verdade: não sou eu quem realizo prodígios é o Espírito do Senhor! E, se Ele quer que eu O leve e há tanta gente precisando, eu só posso levá-Lo.

Eis o que diz o Senhor Deus que criou os céus e os desdobrou, que firmou a terra e toda a sua vegetação, que dá respiração a seus habitantes, e o sopro vital àqueles que pisam o solo. “Eu, o Senhor, chamei-te realmente, eu te segurei pela mão, eu te formei e designei para ser a aliança com os povos, a luz das nações; para abrir os olhos aos cegos, para tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão aqueles que vivem nas trevas. Eu sou o Senhor, esse é meu nome, a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra. Realizaram-se os primeiros acontecimentos anunciados, eu predigo outros; antes que aconteçam, Eu vos-los faço conhecer” (Is 49,5-9).

Agora assuma diante do Senhor: “Eu sou um consagrado! Sou, hoje, um levita! O Senhor me escolheu e consagrou, para que eu leve em mim mesmo a Arca da Aliança, a Arca da Salvação.

Canção Nova

Quando fazemos planos para o futuro e desejamos, para nós e para aqueles que amamos, muitas coisas boas para vivermos nos próximos dias, nem passa pela nossa mente que, em um daqueles dias, nós ou alguém próximo a nós poderá morrer. Isso porque a morte é um tabu para a sociedade moderna, e sempre diz respeito aos outros, é algo distante, não queremos pensar nela, muito menos falar sobre ela.

Pensando nessa realidade da irmã morte, como dizia São Francisco de Assis, quero partilhar o ensino que tive com a morte, em 2016, de cinco pessoas que eu amava: minha alegre Tia Laura (julho); o humilde Zezinho da Canção Nova (agosto); uma das minhas mães espirituais, a Delizete (agosto); a Aline, uma mulher de valor, que faleceu com apenas 33 anos (outubro); e a minha caridosa prima Bete (dezembro). Como foi bom ter podido expressar o meu amor por eles!

Não deixe para depois os abraços, sorrisos e gestos de amor, porque pode ser tarde

Eram parentes e amigos antigos, exceto uma, a Aline, que conheci só há um ano e meio, mas foi o suficiente para sermos muito amigas, pois, como disse Santa Catarina de Sena, “a amizade, cuja fonte é Deus, nunca se esgota”. A minha amizade com a Aline foi por pouco tempo, mas com muita manifestação de amor.

“Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro. Amigo fiel é bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo. Quem teme o Senhor, orienta bem sua amizade: como ele é, tal será o seu amigo” (Ecl 6,14-17).

Agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de escrever o livro ‘Mulher de Valor’, e à Editora Canção Nova por tê-lo publicado, pois ele foi o motivo do nosso primeiro encontro. A partir daquele dia, cada encontro nosso era um marco, nós nos despedíamos com o gosto de quero mais estar na sua presença. Falar de Deus, dos nossos sonhos e da nossa missão de resgatar os valores da “mulher de valor” era tão radiante e motivador, que nem víamos a hora passar.

Tesouros

“Uma mulher de valor, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. (Prov 31,10)” Obrigada, Senhor, por eu ter conhecido a Aline, uma mulher de valor! Encontrar uma amiga como ela é como encontrar um tesouro cheio de pérolas.

No nosso último Chá da Tarde, uma semana antes da sua morte, vivemos nossas últimas expressões de amor, última oração, último Terço da Misericórdia, e rezado juntas. No último abraço, mesmo sem saber, ficou mais uma vez a certeza de que o amor de Jesus Misericordioso havia unido duas apóstolas da Misericórdia para uma mesma missão: resgatar almas para Deus, sobretudo, as almas femininas.

Não permitamos que a falta de tempo, a distância, o ressentimento ou o dinheiro sejam impedimentos para a manifestação do amor. Não deixemos de manifestar o amor! Vamos escolher amar todos os dias?

Marina Adamo

Canção Nova

Todos temos um ou muitos impossíveis pelos quais rezamos a Deus constantemente. Existem impossíveis que até desistimos de rezar ou de pedir a Deus, de tão impossível que nos parece. Pode ser a conversão de um familiar, a reconstrução de um casamento em pedaços, uma cura física ou psicológica. Pode ser a quitação de uma ou mais dívidas. Pode ser uma causa na justiça. Meu Deus, são tantas coisas! A Palavra de Deus, no entanto, nos garante: “Para Deus nada é impossível!”.

Precisamos, então, de mais fé. Para aumentar a fé, é preciso pedi-la, pois a fé é um dom de Deus (Efésios 2). A oração, a Palavra de Deus, o conhecimento dos dogmas e dos milagres já registrados em nossa Igreja, com certeza, alimentam nossa fé. Sabe outra coisa que alimenta a nossa fé? O testemunho!

Tocar no testemunho de alguma pessoa que experimentou um impossível se realizando reabastece a fé dos cristãos, reabastece a nossa fé.

Em um retiro interno da comunidade em que vivo, Canção Nova, ouvi um testemunho de um irmão sobre tocar no impossível.

Ele estava na adolescência, seus 14 anos, uma vida conturbada, cheia de erros e vícios. Subiu em uma árvore, alcançou um fio elétrico de alta tensão. A força o puxou e ele estava à beira de ser eletrocutado, indo em direção à caixa elétrica mais acima, sem poder voltar. Mas acredite, ele viu, neste momento, uma mulher de roupa preta. Ao vê-la, foi solto imediatamente da força elétrica que o puxava. Caiu, teve alguns danos físicos, porém, foi salvo do mal maior.

Ele nunca tinha visto aquela mulher. Ficou intrigado e o tempo passou. Conheceu pessoas que o levaram para Deus, teve um encontro pessoal com Jesus Cristo em sua vida, deixou os vícios e o caminho errado. Começou a ir para a Igreja. Entrando em uma sala na paróquia que começou a frequentar, viu uma imagem de uma mulher vestida de preto. Perguntou: “Quem é esta?”. Responderam-lhe: “Santa Rita de Cássia”.

Ali, naquele momento, ele a conheceu. Lembrou: “Foi essa mulher que apareceu para mim quando fui salvo de ser eletrocutado”. Ele não a conhecia, não sabia nada a respeito dela, mas ela sabia a respeito dele. Ali, naquele momento, ela foi enviada por Deus para socorrê-lo.

Todos temos questões que achamos impossíveis de acontecer, mas precisamos lembrar que para Deus nada é impossível

Esta foi uma intervenção de Santa Rita de Cássia, considerada a santa das causas impossíveis ou, como podemos chamar na linguagem das crianças, a santinha das causas impossíveis. Não importa a idade, se na infância, adolescência ou na fase adulta, o Céu sempre se manifesta a nosso favor.

Penso, às vezes, como seria se tivéssemos olhos espirituais para ver o que acontece ao nosso redor no dia a dia. Veríamos o nosso Anjo da Guarda nos livrar de inúmeros perigos do corpo e da alma. Veríamos os santos e santas de Deus intercederem por nós em tantas e tantas situações. Veríamos a luta do bem contra o mal, e veríamos que Deus tem a vitória. Precisamos é confiar.

Se não vemos ainda, precisamos então crer. O Céu está ao nosso lado agora. Creia, tome posse e se arme de olhos espirituais para combater o combate de cada dia. Afinal de contas, “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”.

Santos e santas de Deus, rogai por nós!

Desafio da semana: Procure conhecer a história de algum santo ou mais da nossa Igreja e descubra que eles não viveram num mar de rosas, porém, acreditaram, verdadeiramente, no Deus do Impossível, que age a todo momento. Se tiver filhos, conte a eles as histórias dos santos. Com certeza, isso fará uma grande diferença em sua vida!

Canção Nova

Se você está com sede, não basta colocar água na boca e não engolir. Chega um momento em que é necessário engolir. Se não der um gole, você não mata sua sede. Então, será absolutamente inútil ter água na boca.

Com a decisão é a mesma coisa, pois decidir é uma coisa totalmente pessoal. É você quem se decide por amar, perdoar, fazer as pazes… Tudo depende de você. Na hora em que se decidir, o Senhor lhe dará a graça e a possibilidade.

A graça vem de Deus, mas a decisão depende de você. A graça é acionada por sua decisão de amar e de perdoar. Para que você compreenda, explico: é como o padre na hora da Missa, que para converter o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, pronuncia as palavras da consagração: “Isto é meu Corpo… Este é o cálice do meu Sangue…”. Cabe ao sacerdote pronunciar essas palavras e cabe ao Espírito Santo, com Sua graça, fazer o milagre para que se tornem presentes sobre o altar o Corpo e o Sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo.

A raiz da cura está no perdão e, mesmo que não este não seja fácil, precisamos escolhê-lo

Se o sacerdote não diz as palavras, não há como o Espírito Santo agir. Na hora em que ele as pronuncia, o Espírito Santo age e a maravilha de Deus acontece. É um milagre. Em resumo: com amor e perdão Deus entra com a graça, mas se não há decisão, não há como a graça de d’Ele agir.

É claro que nenhum padre por si só é capaz de mudar a substância do pão e do vinho nem perdoar os pecados de ninguém. Mas que beleza! Ao pronunciar as palavras, tudo muda pela ação do Espírito Santo. No amor, no perdão é o mesmo: você decide e Deus opera.

Decida-se a perdoar!

Oremos: “Vem, Espírito Santo, arranca do meu interior toda a raiz da amargura, da decepção, da tristeza, do abatimento e do desânimo. Quero perdoar minha mãe, meu pai, meus irmãos, minhas irmãs. Quero perdoar meus parentes e amigos. Eu me decido a perdoar. Eu me decido a amar. Derrama, Senhor, sobre mim o Espírito Santo e dá-me a graça da decisão de perdoar, de amar. Quero perdoar a pessoa com quem me casei, apesar de tudo aquilo que fez. Quero perdoar todas as pessoas que agora vêm a minha mente. Aqueles que me prejudicaram e me ofenderam ou que falaram mal de mim, da minha família… Derrama, Senhor, Teu Espírito Santo, para que meu coração seja profundamente curado e possa dizer com a vida: ‘Eu quero amar, eu quero ser aquilo que Deus quer, sozinho eu não posso mais’. Eu me decido a amar. Eu me decido a perdoar”.

Onde há vontade, existe um caminho. Deus espera sua decisão.

Canção Nova

Caro internauta, quero iniciar este artigo com uma passagem bíblica muito conhecida por todos nós: “Caminhando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e o irmão deste, André, lançando as redes ao mar, pois eram pescadores. Então, disse-lhes: ‘Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens’. Imediatamente, deixando as redes, eles o seguiram” (cf. Mc 1,16-18).

Estamos diante de uma das passagens bíblicas que melhor traduz a expressão latina “vocare”, a qual, comumente, é traduzida para o português como “vocação”. Expressão que, em latim, significa também “chamado”. Essa narrativa que se passa à beira-mar, certamente, faz parte da vocação de muitos homens e mulheres que, ouvindo o chamado de Deus, ofertaram sua vida pela causa do Evangelho.

Quero, mais uma vez, chamar à atenção para o local em que essa narrativa aconteceu: uma praia. É justamente nesse ambiente que acontece algo impressionante. Você já reparou que o traje de banho usado na praia por um rico diretor de uma multinacional é muito semelhante, se não o mesmo, usado por um morador de uma comunidade mais carente?

Na praia, a diferença entre ricos e pobres, pelo menos no aspecto visual, fica bastante reduzida. É um ambiente em que as roupas de gala, as joias caríssimas e o status social não são levados em consideração. Ricos e pobres disputam o mesmo espaço na areia e buscam mergulhar no mesmo mar. O mar não é mais quente ou mais frio para o rico ou para o pobre, não privilegia ninguém.

A vocação é um chamado gratuito de Deus que alcança a todos. Não podemos ter medo de dizer sim

Fiz essa breve reflexão para afirmar que o chamado de Deus não está baseado em condições prévias. Deus não chama uma pessoa porque é rica ou pobre, tem bens ou não. Ele não chama pessoas tendo em vista sua eloquência na fala ou em sua capacidade intelectual. Deus simplesmente chama. O chamado é gratuito, é pura graça.

Já ouvi, em atendimentos, pessoas afirmarem que Deus chama apenas os mais preparados, aqueles que são especiais. Trata-se de um grandíssimo equívoco! A título de exemplo, cito um fascinante personagem do Antigo Testamento, o profeta Amós.

Amós era um homem extremamente simples, de origem rural. Era um modesto pastor de ovelhas, um boiadeiro, alguém que colhia sicômoros, um tipo de figo de baixa qualidade. Esse homem sequer almejava ser profeta, aliás, sequer havia recebido qualquer formação para tal. No entanto, Deus o chamou.

Por meio da profecia e da autoridade que Deus dava a ele, Amós censurou a condição social, moral e religiosa de sua época. Ele viveu num período em que os ricos procuravam enriquecer ainda mais, a imoralidade estava num nível abominável e a idolatria era considerada algo corriqueiro, enquanto que os verdadeiros fiéis a Deus eram ridicularizados por sua prática religiosa. Em suma, estava acontecendo, naquela época, o que ainda acontece hoje.

Da mesma forma que Deus suscitou o boiadeiro Amós, o jovem Davi, o gago Moisés, o medroso Elias, o desconfiado Tomé, o imaturo Jeremias (…), Ele também quer levantar no nosso meio verdadeiros e destemidos profetas, profetas de todos os tipos: jovens, estudantes, professores, advogados, industriais, padeiros, religiosos, você.

Aprendamos a ouvir Deus e a dizer sim a Ele

Pode acontecer de nós termos uma ideia errônea da missão de um profeta. Tendemos, talvez, a pensar que o profeta é alguém que adivinha o futuro, que usa roupas estranhas, mas isso não é uma verdade. Profeta é aquele que se coloca como um instrumento para que Deus, por meio dele, possa falar ao seu povo. Profeta, portanto, é aquele que intermedeia o que Deus quer dizer.

Portanto, caro internauta, se você sente que Deus o chama, não tenha medo de dizer ‘sim’. Já imaginou se João Batista tivesse dito ‘não’ ao chamamento de Deus? Já imaginou se Ezequiel não tivesse denunciado, em sua época, a rebeldia e os graves pecados que o povo de Deus estava cometendo? O Senhor está dizendo para você no dia de hoje: “Não Temas, eu estou contigo” (cf. Jer 1,8).

Deus abençoe você e até a próxima!

Canção Nova

A oração de louvor liberta, pois ela é agradável a Deus. Vejamos a passagem do apóstolo Paulo e seu companheiro Silas: estavam presos na cadeia por terem pregado o Evangelho de Jesus aos filipenses; foram açoitados e lançados na prisão junto com os outros prisioneiros. Qual foi a reação deles? Antes de falarmos da reação deles, qual seria a sua reação? Você vai a uma cidade, fala do amor de Deus, prega a Palavra, cura os enfermos, fala da vida, da graça de Deus aos moradores dessa cidade e recebe em troca açoites e cadeias. Qual seria a sua reação?

A reação de Paulo e Silas foi bem diferente à reação que eu e você teríamos; eles não questionaram Deus nem se revoltaram contra Ele. Eles oraram e cantaram. Não foi um louvorzinho qualquer; eles oraram e cantaram a ponto de os companheiros de prisão ouvirem o clamor profético deles. Quando estamos sendo perseguidos ou passamos por lutas e dificuldades, é assim que reagimos? As pessoas que estão ao nosso redor também ouvem nossas orações e louvores? Ou ouvem nossas reclamações e murmurações? Independentemente das situações que passamos, precisamos aprender que é no louvor que Deus age. Quanto mais nós louvarmos, mais Deus derramará Suas graças e bênçãos sobre nós.

Se você está passando por uma situação complicada, se você, em sua vida, vive algo que está fora do seu alcance, não fique tentando procurar entender e procure fazer o que Paulo e Silas fizeram: ore a Deus! Louve a Deus, e o milagre não tardará! Não sei o que você está vivendo hoje, mas uma coisa eu sei: Deus não faz acepção de pessoas. Da mesma forma que Ele abriu as portas e as cadeias de Paulo e Silas, Ele pode fazer o mesmo por você. Se você fizer o que eles fizeram, certamente Deus virá em seu auxílio.

As noites foram tão intensas, que atingiram até mesmo a vida daqueles que estavam com eles naquela prisão. Quem sabe, as pessoas que estão com você, também presas, algemadas, não estão esperando para ouvir a sua oração de clamor e o seu louvor? Elas poderão ser alcançadas através da sua reação diante dos problemas.

Aquilo que está em Atos dos Apóstolos, 16,25-26 diz assim: “Por volta da meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão, abriram-se todas as portas, soltaram as cadeias de todos”.

Vejam, o Senhor quer libertar você e toda a sua casa, toda a sua família, de toda a cadeia, toda prisão, de tudo aquilo que é condenação! Mas o louvor é primordial para isso. A oração, o louvor têm de estar presentes na sua vida. Mude o foco! Não fique mais olhando, reclamando, murmurando sobre a miséria da sua vida. Erga louvores, erga clamores ao Deus Todo-poderoso, que, do Alto Céu, abençoa você, derrama o Espírito Santo e o fortalece.

Cancao Nova

Um provérbio popular diz que “quem semeia ventos, colhe tempestade”, e há a sua razão de ser. Na verdade, esse ensinamento está na Bíblia. O profeta Oseias alertou o povo, quando este praticava a idolatria, para a invasão dos assírios por volta do ano 732 aC., que levou as tribos de Israel para o exílio.

“Visto que semearam ventos, colherão tempestades, não terão sequer uma espiga, e o grão não dará farinha; e, mesmo que a desse, seria comida pelos estrangeiros.” (Os 8,7)

Nós podemos semear o que quisermos, mas teremos, obrigatoriamente, de colher o fruto do que semeamos.

São Paulo alertou os gálatas: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé.” (Gal 6,7-10)

Podemos semear coisas boas e ruins por pensamentos, palavras e obras. A Palavra de Deus nos alerta muito sobre isso.

“Não semearás a difamação no meio de teu povo, nem te apresentarás como testemunha contra a vida do teu próximo.” (Lv 19,16).

Quando alguém diz o que não deve, escuta o que não quer. Quando ofende alguém, logo recebe o troco. É melhor pensar antes o que devemos falar. “Em boca fechada não entra mosca”.

Devemos medir nossas palavras

Jesus nos alerta severamente sobre as nossas palavras lançadas ao vento: “Eu vos digo, no dia do juízo, os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado”(Mt 12,36).

E São Paulo disse aos efésios: “Nenhuma palavra má saia de vossas bocas, mas só boas palavras que sirvam para edificação e que sejam benfazejas aos que a ouvem” (Ef. 4,29).

São Tiago chega a dizer que “se alguém não cair por palavras, este é um homem perfeito, capaz de refrear todo o seu corpo. Quando pomos o freio na boca do cavalo, para que nos obedeça, governamos também todo o seu corpo. Vede também os navios, por grandes que sejam e embora agitados por ventos impetuosos, são governados por um pequeno leme à vontade do piloto”.

Os frutos que colhemos são consequência dos nossos atos, pensamentos e palavras que semeamos. São Paulo pergunta aos romanos e a nós hoje:

“Que frutos produzíeis, então? Frutos dos quais agora vos envergonhais. O fim deles é a morte. Mas agora, libertos do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a vida eterna, porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rom 6,21-23).

Vigiai os pensamentos

Precisamos vigiar muito os nossos pensamentos, porque eles preparam as nossas ações. É preciso guardar o coração. Jesus disse que “é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e loucura” (Mc 7, 21).

Ensina-nos a sabedoria do Eclesiástico: “Feliz o homem que não pecou por palavras” (Eclo14,1).

“Muitos homens morreram pela espada, mas não tanto quantos morreram pela língua” (Eclo 28,22). O provérbio popular diz que “o peixe morre pela boca”. Então, é preciso vigiar nossa língua e nossos pensamentos para que não gerem maus atos. “Dirão os meus lábios palavras de sabedoria, e o meu coração meditará pensamentos profundos.” (Salmo 48,4)

“Os pensamentos dos justos são cheios de retidão; as tramas dos perversos são cheias de dolo.” (Pr 12, 5)

São Paulo insiste com os filipenses: “Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos”. (Fil 4,8).

Conduza sua forma de pensar para Deus

Nossos pensamentos e ações nem sempre são os de Deus:

“Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos” (Isaías 55,8-9). Portanto, cabe a nós semearmos “boas sementes”, não como aquele joio inócuo que o inimigo lançou no meio do trigo para confundir. Devemos semear o amor de Deus e boa Palavra do Senhor:

“Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” (Isaías 55,10-11).

Jesus disse que aquele semeador da parábola lançou quatro tipos de sementes, mas apenas uma vingou, porque as três primeiras caíram à beira do caminho, nas pedras, e nos espinheiros e não deram fruto, mas uma caiu em terra boa e deu muitos frutos. (Mateus 13, 4ss).

Então, além de semear boas sementes, devemos preparar e escolher os bons terrenos nas almas, para que deem frutos. Não jogar a boa semente de qualquer jeito; “não dar pérolas aos porcos”, disse Jesus. E ele compara a nossa vida a uma sementeira:

“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12,24-26).

Vivendo com Deus e para Deus, morrendo para nós mesmos, é que faremos a boa sementeira de nossa própria vida e daremos bons frutos para Deus e para os irmãos.

Canção Nova

Antes de explicar alguma coisa sobre como devemos orar, uma pergunta se faz pertinente: O que é a oração?

São Tomás de Aquino, utilizando São João Damasceno, responde com perfeição: “É a elevação da mente a Deus para louvá-Lo e pedir-Lhe coisas convenientes à eterna salvação”.

Veja a importância dessa definição: não se trata de pedir bens temporais apenas, ou curas, milagres, solução de problemas e de sofrimentos, mas antes, elevar a mente a Deus para louvá-Lo. Quando estamos afastados do pecado, precisamos ter um submisso agradecimento a Deus pelas coisas que Ele nos dá, mesmo que, em meio a isso, esteja algo de que não gostamos, pois tudo serve para a nossa conversão.

Ao nos dirigirmos a Deus, precisamos pedir tão somente aquilo que convém à nossa salvação. Se algum bem temporal pode nos conduzir ao apego, à distração das coisas de Deus, e o melhor é não pedir. Pense: Deus vai nos dar aquilo que vai nos afastar d’Ele? Como importa, portanto, pedir somente aquilo que pode nos conduzir à salvação!

Quando sabemos orar corretamente, construímos uma vida de oração que nos aproxima de Deus

Agora, mesmo estando em pecado, convém nos aproximarmos de Deus, especialmente para Lhe pedir ajuda para ter uma vida mais próxima d’Ele!

Existe um livro que se chama “Teologia da Pefección Cristiana”, de um padre dominicano chamado Fr. Antonio Royo Marin. Na última parte desse livro, há um tratado sobre a oração que se chama “Os Nove Graus da Oração”. Temos ali a explicação do passo a passo de como construir uma vida de oração e como progredir nela.

No primeiro grau de oração, temos a oração vocal. É o primeiro grau, o mais simples, acessível a todo cristão. Nela, estão as orações da Igreja, assim como a Santa Missa, a recitação do Santo Terço e as jaculatórias. Na oração vocal também estão as orações espontâneas, quando falamos a Deus como falamos a qualquer pessoa, partilhando nossas alegrias, tristezas, dificuldades e batalhas.

Quem está no primeiro grau de oração tem a sensação de que, se não falar nada, não há oração. Não cabe ainda ao entendimento dessa pessoa que a oração se passa também na mente, enquanto meditamos na vida de Jesus, nas coisas que Ele fez ou em alguma verdade de fé que a nossa Santa Igreja Católica nos ensina.

Não imagine que Deus esteja longe

Pensemos que Ele está o tempo todo conosco. Mesmo que estejamos cheios de pecado, Ele permanece conosco, sustentando-nos na existência. Portanto, comecemos exercitando a oração vocal, conversando com Deus, partilhando o que se passa no nosso coração, no nosso dia a dia. Não fiquemos quietos como quem diz: “Ele já sabe de tudo”. Não! Ele quer que paremos, que nos concentremos n’Ele, que falemos, de todo coração, aquilo que está guardado, das coisas que não temos coragem de falar para mais ninguém. Façamos isso, mesmo nos sentindo indignos de olhar para o céu. Foi pensando em nós que Cristo deu Sua vida. É com cada um de nós que Ele quer se relacionar.

Sim, nós precisamos ter um relacionamento com Deus. Além da Santa Missa, separemos um tempo para irmos à capela. Ao entrar, devemos nos ajoelhar, cumprimentá-Lo e, se pudermos nos ajoelhar em algum local ou sentado, falemos com Ele sobre nossas alegrias, dificuldades, desejos, medos e vitórias.

Certamente, Ele vai se mostrar a nós, vai mostrar o quanto nos ama. Quem sabe surge a coragem e a decisão de procurar ajuda para largarmos as coisas que ofendem Deus de alguma forma. É muito melhor o arrependimento, a confissão e a permanência longe dos pecados. Nesse caso, começaremos um caminho de aproximação com Deus. Isso nos garantirá permanecer o tempo todo sob o cuidado divino.

Senhor, aumenta nossa fé

É também extremamente importante, para aquele que quer falar com Deus, pedir o aumento da fé. Peçamos com fé o aumento da fé! Parece até uma contradição, porque, como vou pedir com fé para ter fé? Acontece que Deus dá o mínimo para todo ser humano crescer espiritualmente, até mesmo uma pequenina fé. Quando pedimos o aumento da fé, Deus não pode se recusar a nos dá-la. É o melhor e mais verdadeiro pedido de socorro e ajuda. Mesmo para o maior dos pecadores, se este pedir, com sinceridade, o aumento da fé, todos os dias, em algum tempo será possível experimentar que a coragem de ficar longe do pecado vai aumentando, a disposição de lutar também; e logo será possível, com a ajuda da graça, com os ensinos da Igreja, dos escritos dos santos e de um desenvolvimento da oração, largar o pecado de vez!

Viu como é fácil? Quer começar a ter vida de oração? Peça a Deus todos os dias, várias vezes ao dia, o aumento da fé! Fale com Ele como um amigo.

Procure conhecer Jesus pelas Sagradas Escrituras, vá à Santa Missa, procure ler sobre a vida dos santos, sobre a doutrina cristã. São pequenos passos que, pouco a pouco, vão nos conduzindo a uma vida de fé mais profunda.

Coloque essa decisão no centro de sua vida. Pense que nada é mais importante do que já ter os olhos fixos na salvação eterna! Melhor não deixarmos para depois, pois não sabemos do dia de amanhã.

Radio Vaticano

Quando estamos cheios do Espírito Santo, estamos, na realidade, recebendo o abraço de Deus. Quando temos uma experiência com o Senhor, tudo em nossa vida muda. É impossível receber o Espírito sem que aconteça uma mudança radical dentro de nós. Ele nos vê como um amigo.

Conheça o amigo que não decepciona e o conduz a ser uma pessoa melhor

Duas coisas ficaram para trás em minha vida: o medo e a solidão. A primeira libertação que recebi de Deus foi a libertação de meus medos. Percebi que eu tinha medo do Único de quem eu não deveria ter: o Senhor. Não era Deus a quem eu precisava temer, porque Ele sempre me amou. Às vezes, a nossa própria consciência nos tortura por causa de nossos erros. Ter consciência deles, muitas vezes, chega a nos travar, mas quanto a essa situação, a Palavra de Deus nos ensina que contra toda acusação Ele está conosco.

Quando reconhecemos nossas fraquezas, Deus vem nos defender. É aos necessitados que Ele atende e acolhe. Não tenhamos medo. O que você fez de errado importa? Sim, importa, mas não é o suficiente para o afastar do Senhor. Deus não só perdoou o pecado, mas perdoou também a pena deste pecado. Pena é a consequência, fruto do mal que fizemos e que se levanta contra nós. Mas o Senhor nos tirou até mesmo essa pena, essa consequência.

Conheça o seu amigo

Devemos invocar o Espírito Santo, pois quando O acolhemos, começamos a nos entusiasmar com Sua presença. Precisamos nos admirar da presença do Senhor, que está no nosso meio, pois Ele é o nosso Amigo! Ele é seu Amigo antes mesmo de você existir. Antes mesmo que sua mãe o conhecesse, Ele já o conhecia.

Qualquer amigo que você encontre, neste mundo, um dia, vai decepcioná-lo. Talvez ele o engane, negue socorro, mas o Espírito Santo nunca vai decepcioná-lo! Aliás, toda amizade é fruto do Espírito Santo, é Ele quem a dá.

Aqueles que são cheios do Espírito Santo de Deus possuem dons de cura, têm a coragem de dar a vida por Jesus e morrer por Seu Evangelho. É a força d’Ele que dá ao homem a capacidade ver além de suas dificuldades. Homens e mulheres de Deus não são comuns, pois são cheios deste Espírito. Ele é o Paráclito, palavra grega que para ser entendida em nosso idioma, o Português, é preciso que seja traduzida em três palavras: intercessor, defensor e consolador.

A consolação d’Ele é verdadeira, é perfeita e proporcional. Verdadeira, porque Ele nos consola onde realmente precisamos: a nossa alma. Esse consolo se escreveu em nós para que aqueles que estão à nossa volta pudessem vê-Lo em nós.

Canção Nova

 

No alvorecer da esperança, venho Te pedir, Senhor,
a paz que restaura os corações aflitos.
Desejo a paz, que cura as feridas
e tranquiliza as emoções agitadas
das falas precitadas.

Cubra-me com o manto da serenidade,
ilumina-me com a luz da bondade
e acalma minhas tempestades interiores.

Ensina-me, Senhor,
a lição das flores, que, silenciosamente,
desabrocham espalhando a beleza da vida
e o perfume suave da delicadeza
sem nada pedir em troca.

Que minha vida irradie a paz das manhãs
e o acalento findar das tardes serenas.
Que meu silêncio não seja apenas ausência de palavras,
mas sim uma oferta de amor a ti.

Fala, Senhor, através do meu olhar!
Que eles possam ver além das aparências,
e que meus pensamentos de condenação
se convertam em prece pela conversão
para aqueles que antes de me roubarem a paz,
já furtaram de si próprios a dádiva do amor.

Que os ventos contrários da maldade alheia,
não ofusquem a beleza da caridade;
que os espinhos do julgamento,
sejam professores para aqueles que ainda precisam
aprender a graça de se deixarem florescer de bondade.

Em tuas mãos, depósito minha esperança
de ser para todos o que tu és para mim:
uma fonte inesgotável de misericórdia
na qual, agora, adentro para alvejar com Teu amor
minha alma aflita e cansada.

Amém!

 

FONTE: Canção Nova

“Pai nosso que estais no céu… perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”.

Imagine que, ao rezarmos o Pai-nosso, pedimos para que Deus nos trate exatamente como tratamos o outro, pedimos para que Ele nos perdoe como perdoamos os outros.

Alguém pode dizer que “Deus é misericórdia, e vai me perdoar mesmo eu não perdoando, porque Ele sabe que sou fraco e não consigo”. Nesse caso, colocamos a Misericórdia de Deus em oposição à Sua Justiça. Seria pôr Deus contra Ele mesmo. Isso, infelizmente, não é possível. Nós, seres humanos, somos um todo, que vive de modo fragmentado. Não somos obrigados a ser assim, mas infelizmente é como a maioria hoje se comporta. Queremos agir do modo mais fácil e prazeroso, sem ter consequências ou armamos contradições assim, desde que nos beneficie. É exatamente isso que fazemos, ao querermos permanecer no erro, fazendo tudo o que não agrada a Deus, e, ao mesmo tempo, esperando d’Ele todo amor que queira. Queremos continuar maus, achando-nos merecedores de bens.

Não perdoar nem alimentar a mágoa e o ressentimento cortam a relação que temos com a graça de Deus

Deus não é assim. Ele não é fragmentado desse jeito. Ele nos ama sim, mas se não nos arrependermos do mau, se não voltarmos atrás, se morrermos subitamente sem tempo de arrependimento, não iremos nem para o céu e nem para o purgatório, senão somente para as penas eternas. E sabe por quê? Porque nós nos afastamos d’Ele por livre vontade e continuamos longe por meio das maldades que praticamos e não nos arrependemos.

Aqui é que entra o livre-arbítrio. Não somos controlados por Deus, mas sim livres. Se nós escolhemos nos afastar de Deus por meio do mau cometido, Ele sofrerá muitíssimo com isso, mas não deixará de respeitar a nossa liberdade de querer estar e permanecer a caminho do inferno.

Querer sempre perdoar

Falando de perdão, é fundamental deixar claro que não se trata de deixar de sentir dor para assim saber que perdoou, mas sim, se decidir em perdoar aquele que nos fez o mal, no entendimento. E isso começa a partir do momento em que rezo por quem me machucou. Sim, aqui está o caminho: rezar!

Muitas vezes, aquilo que fizeram contra nós é tão grave, foi tão dolorido, que só com a ajuda de Deus para conseguir perdoar. Sim! Isso é verdade! Mas é preciso, primeiro, entender que se não houver de nossa parte o desejo de se desvencilhar dessa mágoa, Deus permanecerá esperando, sem fazer nada para tirar a falta de perdão, por nos respeitar.

Quando rezamos, pedindo a Deus que abençoe aos que nos ofenderam, queremos que eles alcancem aquilo que há de melhor para uma pessoa: a salvação eterna. Se os sentimentos ainda se encontram feridos, comece pedindo a bênção àquele que o ofendeu. Com o tempo, Deus vai curar também as suas feridas. Isso sim será um ato de misericórdia e justiça, tanto de sua parte, quanto da parte de Deus.

Não desejemos o mal àquele que nos feriu

Muitos, infelizmente, querem que o outro sofra as consequências do mau que cometeram. Imagine se Deus nos perdoasse somente quando sofrêssemos todas as consequências do mal feito a Ele? Não caberia a nenhum ser humano suportar tanta injúria, pois o mal cometido a Deus é muito maior que o cometido a outro, pelo grau de santidade de Deus, que não merece nem o mais mínimo mal, ao contrário de nós.

Como já dissemos, a Oração Dominical (o Pai-nosso) é recitada em nome da Igreja universal. Por onde, quem a rezar, não querendo perdoar os pecados do próximo, fica privado do fruto da oração. Mas, às vezes, certos pecadores estão dispostos a perdoar aos seus devedores: e por isso são ouvidos nas suas orações, conforme ao dito da Escritura: Perdoei ao teu próximo o mal que te fez e, então, deprecando tu, serão perdoados os teus pecados” (São Tomás de Aquino Q. 83 Art. 16).

Portanto, pare e pense bem se compensa continuar alimentando a mágoa, o desejo de vingança, e até o ódio pelo mal que nos cometeram. Imagine que Deus está disposto o tempo todo a lhe ajudar, desde que se volte, inteiramente, a Ele! Queira abandonar o mau caminho, e todo o prejuízo que você teve poderá se tornar um caminho lindo de volta a Deus, de união a Ele, de alegrias tão sublimes que nenhuma injúria lhe poderá roubar.

Radio Vaticano

Espírito Santo Consolador,
concedei-me o dom da fortaleza.
Fortalecei minha alma para superar as dificuldades de cada dia,
os tormentos das perseguições e as insídias do maligno.
Ajudai-me a ser forte em meio às fraquezas espirituais,
para que eu seja sinal de Teu amor e bondade.

Espírito Santo de Luz,
concedei-me o dom da sabedoria.
Que eu tenha o discernimento necessário
para distinguir o mal do bem,
a mentira da verdade,
a guerra da paz.
Que Tua santa sabedoria ilumine
os espaços confusos de minha alma.

Espírito Santo Paráclito,
concedei-me o dom do entendimento,
para que eu compreenda corretamente
a vontade do Pai Celestial para minha vida.
Dai-me entender o próximo com amor,
misericórdia e paz.
Que eu compreenda, com todo meu ser,
o amor de Cristo Jesus por mim e pela humanidade.

Espírito Santo, Advogado Celestial,
concedei-me o dom da ciência.
Que, iluminado pela Tua luz divina,
eu compreenda corretamente
os planos de Deus para minha vida,
e seja obediente aos ensinamentos divinos.
Sendo assim, um sinal permanente
da misericórdia do Mestre Jesus no mundo.

Espírito Santo, Conselheiro Divino,
concedei-me o dom do conselho.
Ilumina meu entendimento,
para que eu busque em Deus as respostas
para minhas dúvidas e inquietações humanas e espirituais.
Colocai em meus lábios palavras que restabeleçam a paz no mundo,
e ajudai-me a levar sempre um conselho que devolva
às almas aflitas a serenidade em Deus.

Divino Espírito Santo,
concedei-me o dom da piedade.
Que minhas orações sejam pontes de amor,
que unam meu coração ao coração
de Deus Pai e do Cristo Senhor.
Que meu fervor espiritual se renove sempre,
para que minha alma frutifique na fé e na esperança.

Espírito Santo, Consolador dos aflitos,
concedei-me o dom do temor de Deus,
para que eu tenha sempre frente meus olhos,
a bondade divina,
e que meus pensamentos, palavras e ações,
não sejam uma ofensa ao amor misericordioso
do Pai Celestial.

Assim seja!

FONTE: Canção Nova

 

Na Canção Nova, aprendemos a oração ao ritmo de vida, aprendemos a estar em oração em todos os momentos. Na simplicidade do que estamos fazendo ou vamos fazer, oferecemos a Deus, clamamos a Ele e Lhe agradecemos. Estamos, constantemente, em contato com Ele, que nos ama.

É uma oração que se aplica a cada um de nós, porque, por exemplo, ao lavar a louça, rezo por aquilo que me preocupa, oro em línguas, canto. Ao tomar banho, eu louvo, choro, suplico, entrego.

Oração ao ritmo da vida é estar em contato com Deus em todos os momentos do nosso dia

Ao sair de casa, na hora das refeições, na hora de alguma dúvida sobre o que fazer: “Senhor, ilumina-me, dá-me Tua sabedoria nesta hora, nesta situação”. Uma oração verdadeiramente ao ritmo do que vivo, do que faço; e Deus está sempre presente e quer ser buscado.

De Dom Bosco se dizia: “Dom Bosco tem tantas atividades, não para. Quando é que Dom Bosco reza? Responderam: Quando é que Dom Bosco não reza?” Que seja assim, para você e para mim: “Quando é que não rezamos?”.

Rezo pelos meus filhos quando lembro deles várias vezes no dia. Rezo pelo meu trabalho, pelos meus familiares. Rezo por quem não conheço e vejo passar por mim na rua, numa situação que parece exigir um socorro do Alto. Rezo pelas pessoas que vêm a minha mente, por pessoas que amo, mas também por aquelas pessoas que não amo, que só tenho julgamento a respeito delas. Paro o pensamento de pecadora que sou e já digo a Jesus: “Abençoa, Senhor, essa pessoa, essa situação! Mesmo com a raiva que estou, não deixe chegar, Senhor, até essa pessoa a minha raiva, mas que chegue até ela a Sua bênção!”.

Vai valer a pena! Vamos tentar?

Desafio da semana – Treinar esta oração ao ritmo da vida!

Se não souber como fazer, use pequenas jaculatórias e as repita várias vezes no dia;

Diante de uma dificuldade, em vez de reclamar, diga: “Jesus, eu confio em vós!”;

Quando estiver alegre, agradecida, reze como Maria: “Minha alma Glorifica ao Senhor”;

“Se Deus é por nós, quem será contra nós” (Romanos 8);

Quando tiver de tomar uma atitude ou decisão, ou até corrigir os filhos: “Nossa Senhora, Mãe Rainha, põe Tua mão no lugar da minha”.

E, assim, tantas outras orações curtinhas que podem nos ajudar.

FONTE: Canção Nova

É necessário sempre retomar este ensinamento de Jesus na vida pessoal, na vida conjugal e na vida familiar:

“Não ajunteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, ajuntai para vós tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

A lâmpada do corpo é o olho: se teu olho for simples, ficarás todo cheio de luz. Mas se teu olho for ruim, ficarás todo em trevas. Se, pois, a luz em ti é trevas, quão grandes serão as trevas! Ninguém pode servir a dois senhores: ou vai odiar o primeiro e amar o outro, ou aderir ao primeiro e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro! Por isso, eu vos digo: não vivais preocupados com o que comer ou beber, quanto à vossa vida; nem com o que vestir, quanto ao vosso corpo. Afinal, a vida não é mais que o alimento, e o corpo, mais que a roupa? Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem guardam em celeiros. No entanto, o vosso Pai celeste os alimenta.

Será que vós não valeis mais do que eles? Quem de vós pode, com sua preocupação, acrescentar um só dia à duração de sua vida? E por que ficar tão preocupados com a roupa? Olhai como crescem  os lírios do campo. Não trabalham, nem fiam. No entanto, eu vos digo, nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje está aí e amanhã é lançada ao forno, não fará ele muito mais por vós, gente fraca de fé?

Portanto, não vivais preocupados, dizendo: Que vamos comer? Que vamos beber? Como nos vamos vestir? Os pagãos é que vivem procurando todas essas coisas. Vosso Pai que está nos céus sabe que precisais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá sua própria preocupação! A cada dia basta o seu mal (Mateus 6,19-34)”.

Ao longo dos dias e diante das situações, outras coisas podem se tornarem o centro da nossa vida. É engano pensarmos que Jesus ensina a despreocupar-se. Ele nos orienta a mudar o foco: a nossa confiança precisa estar centralizada em Deus. Pensar que as riquezas são o ponto de apoio para a existência, nos faz acreditar que não somos necessitados do maior valor que é Deus. É prudente e sensato fazer uma previsão econômica sem excesso, mas empreender a vida acumulando coisas, pensando somente na vida terrena, sem pensar nos valores do Céu, mostra onde está centralizado o nosso coração; portanto, cada valor precisa estar no seu devido lugar.

Precisamos cuidar sempre do nosso olhar, porque a inveja entra pelo olho. Ora o nosso olhar é bom, ora é mau; ora é um olhar generoso, ora é um olhar mesquinho. O olhar bom ilumina toda a pessoa, o olhar mau deixa a pessoa às cegas. O olhar simples enxerga brilhantemente e faz a pessoa ter um  olhar generoso.

Quando o nosso coração vai se harmonizando com o Pai do Céu, que ensina a dar, cresce em nós a generosidade. O
dinheiro, em muitos momentos, levanta-se como o deus da nossa vida. Ele pode gerar em nós o desejo excessivo pelo poder e bens materiais. Não podemos nos deixar encantar pelo deus dinheiro, ao contrário, precisamos aderir Àquele que está acima de tudo. É preciso ter cuidado para não ser possuído pelos bens e desejos, o melhor jeito para não se confundir é olhar para o Deus verdadeiro, que é o doador generoso. Diante dos propósitos que fazemos, um ideal de vida é essencial: a confiança em Deus!

Radio Vaticano

A devoção ao Sagrado Coração, de um modo visível, aparece em dois acontecimentos fortes do Evangelho: no gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a Última Ceia (cf. Jo 13,23); e, na cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34).

Em um acontecimento, temos o consolo de Cristo pela dor na véspera de Sua morte. No outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade. Esses dois exemplos do Evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus feito, em 1675, a Santa Margarida Maria Alacoque:

“Eis este coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios e indiferenças. Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu coração, comungando, neste dia, e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares. Prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino amor sobre os que tributem essa divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”

São João Paulo II e a devoção ao Sagrado Coração de Jesus

São João Paulo II sempre cultivou essa devoção e sempre a incentivou a todos que desejam crescer na amizade com Jesus. Em 1980, no dia do Sagrado Coração, ele afirmou: “Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do mistério do Coração de Cristo. Quero, hoje, dirigir, juntamente convosco, o olhar dos nossos corações para o mistério desse coração. Ele falou-me desde a minha juventude. A cada ano, volto a esse mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja.”

Conheça agora as 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:

1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;

2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;

3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;

4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;

5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;

6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;

7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;

8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;

9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;

10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;

11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;

12ª Promessa: “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

 

A humanidade padece de graves adoecimentos. Ao mesmo tempo, tem ao seu alcance o caminho que leva à cura: cultivar laços e fortalecer vínculos construídos a partir do amor, do gosto pela solidariedade. Distanciar-se desse caminho traz sérias consequências para as pessoas e prejuízos para a sociedade. A vida se torna menos saudável. Mesmo assim, observa-se gradativa desconsideração sobre a importância de se constituir laços. Na ilusão de que as riquezas garantem o domínio sobre tudo o que existe, ganha mais centralidade a busca pelo acúmulo de bens. O resultado é o desequilíbrio, que só traz perdas – inclusive, no campo econômico com o aumento de custos para o funcionamento da sociedade, o comprometimento das produções e o crescente desperdício. Por isso, é tão importante a valorização dos laços fraternos.

Reconhecer-se como parte de um grupo maior, cultivar o sentimento de pertença é o ponto de partida.  Desse modo, o olhar dirigido ao outro muda. As diferenças não mais são vistas como motivo de brigas e passam a ser consideradas riquezas. As mentiras deixam de ocupar o lugar da verdade. Corrige-se a conduta dos que buscam somente garantir vantagens pessoais ou para pequenos grupos, impondo sacrifícios a toda sociedade. Assim, cultivar laços é também fator importante no combate aos desequilíbrios que envergonham a sociedade. Nesse horizonte, a mensagem do Papa Francisco para o 53º Dia Mundial das Comunicações Sociais ilumina o entendimento de todos. O texto sublinha um trecho da Carta de São Paulo aos Efésios: “Somos membros uns dos outros”.

Somos parte de um todo e para viver bem precisamos cultivar nossos laços com amor

A metáfora do corpo e dos membros, apreciada por Paulo Apóstolo, guarda a lição fundamental que deve ser verdadeiramente aprendida pela humanidade. As muitas desarmonias que trazem sofrimento ao mundo têm raiz na perda do sentido de reciprocidade entre as pessoas. Quando se perde o encantamento em relação ao semelhante, o coração enrijece, adoece gravemente e junto adoece todo o corpo, ou seja, toda a sociedade. Assim, o alicerce para a vida saudável e uma sociedade com mais harmonia é o reconhecimento de todos como parte de um único corpo. Mas antes é preciso se despir da mentira e ter coragem para viver na verdade.

Preservar a verdade é exigência para relações autênticas, que fortaleçam a comunhão, explica o Papa Francisco, pois a mentira é sinal do egoísmo, da recusa de se tornar “parte” do “corpo”, de ser servidor dos outros. Sem o compromisso com a verdade, perde-se o único caminho possível para reencontrar o sentido da própria existência. Por isso, quando se pensa nas muitas reformas necessárias e urgentes para toda a sociedade, deve-se privilegiar a solidariedade, buscar a comunhão, respeitar a alteridade. E para desempenhar bem essa tarefa, vale retomar importante referência humanística destacada pelo Papa Francisco: na medida em que um se reconhece membro do outro, no único corpo cuja cabeça é Cristo, cura-se do risco patológico de ver as outras pessoas como potenciais concorrentes, inimigos. Consegue-se superar o vício de enxergar no outro um inimigo.

A competição desenfreada por estar certo nos distancia do bem

É importante perceber as graves consequências que surgem a partir da competição desenfreada e do acirramento das polarizações. Em vez de relacionamentos marcados pela fraternidade, sustentados pelo amor que vem de Deus, prevalece a incompetência para administrar os próprios sentimentos. Um cenário que alimenta confusão, pois muitos acreditam, cegamente, serem donos do pensamento correto. Não percebem que estão distantes da verdade e do bem.

A humanidade precisa, a partir do exemplo de Cristo, cultivar um olhar de inclusão, de empatia, capaz de lidar de modo distinto com a alteridade. Essa é a direção indicada pelo amor que vem de Deus, fonte a ser buscada cotidianamente para a vida em comunhão.

É preciso cultivar laços, recompor as relações a partir de qualificada competência humana e espiritual que leve a escolhas assertivas, transformadoras. Dessa maneira, torna-se forte o sentido de pertencimento, cada um se percebe como parte do “corpo” que é a humanidade. Exercita-se a capacidade de perdoar e de repartir, de ser justo e de ser bom, em todas as circunstâncias. A saída para este tempo de tantos e graves problemas é investir nos laços de humanidade.

Radio Vaticano

Santo Antônio é representado com o lírio, símbolo da sua pureza, ou com o Menino Jesus no colo, em recordação de uma milagrosa aparição mencionada por algumas fontes literárias. Santo Antônio foi prodigioso em santidade e dotado de rara inteligência e qualidades cristãs mais excelsas: equilíbrio, zelo apostólico e fervor místico.

Durante seus sermões, Antônio falava uma só língua, porém, frequentemente, era entendido por pessoas de outros países que falavam outros idiomas. Seu Provincial aproveitou-se desse fato miraculoso e o encarregou da ação apostólica contra os hereges na região da antiga Romagna e no norte da Itália. Ele se tornou, então, um extraordinário pregador popular.

Santo Antônio propõe um verdadeiro itinerário de vida cristã. É tanta riqueza de ensinamentos espirituais contida nos “Sermões”, que o venerável Papa Pio XII, em 1946, proclamou Antônio como Doutor da Igreja, atribuindo-lhe o título de “Doutor evangélico”. Desses escritos, sobressai o vigor e a beleza do Evangelho, os quais, ainda hoje, podemos ler com grande proveito espiritual. Observamos, nesses Sermões, que Santo Antônio fala da oração como uma relação de amor, a qual estimula o homem a dialogar docilmente com o Senhor, criando uma alegria inefável que, suavemente, envolve a alma em oração.

Santo Antônio nos ensina a rezar

Santo Antônio nos recorda que a oração precisa de uma atmosfera de silêncio que não coincide com o desapego do rumor externo, mas é experiência interior, cuja finalidade é remover as distrações causadas pelas preocupações da alma, criando o silêncio na própria alma.

Para Antônio, a oração é articulada em quatro atitudes indispensáveis, como abrir, com confiança, o próprio coração a Deus. É esse o primeiro passo do rezar, não simplesmente colher uma palavra, mas abrir o coração à presença de Deus; depois, dialogar afetuosamente com Ele, vendo-O presente comigo; a seguir, muito naturalmente, apresentar-Lhe as nossas necessidades; por fim, louvá-Lo e agradecer-Lhe.

Quando Santo Antônio pregava, as multidões acorriam ao local aonde seria a pregação. Até os comerciantes fechavam seus estabelecimentos e iam ouvi-Lo. As cidades onde ele pregava paravam e a região em torno delas também parava. Houve caso de se juntar até 30 mil pessoas num só sermão! Os locais de culto tornavam-se pequenos para conter a multidão que vinha ao encontro de Santo Antônio. Então, ele ia falar nas praças públicas. E, quando terminava, “era necessário que alguns homens valentes e robustos o levantassem e protegessem das pessoas que vinham beijar-lhe a mão e tocar-lhe o hábito”. O número de sacerdotes que o acompanhavam era pequeno para ouvirem as confissões daqueles que, tocados por seu sermão, queriam confessar-se e mudar de vida.

Ensina a historiografia católica que, praticamente, não havia coxo, cego nem paralítico que, depois de receber a sua bênção, não ficasse são. Foi grande o número de convertidos por ele. Em certa ocasião, converteu 22 ladrões que, apenas por curiosidade, tinham ido ouvi-lo.

Ensina-nos a crer

Num mundo secularizado como o nosso, vale relembrar o famoso milagre de Santo Antônio: para poder crer na presença real de Jesus, na hóstia consagrada, quero um milagre, era o que dizia um ateu por todos os cantos onde andava. Para ele, o Santíssimo Sacramento era uma burla, uma chantagem.

Numa ocasião, diante de toda a cidade, fez a Santo Antônio uma proposta arrogante: “Deixo minha mula sem comer durante três dias. Depois disso, trago o animal até essa praça e ofereço feno e aveia. Enquanto isso, Frei Antônio, o senhor vai mostrar a ela a Hóstia Consagrada. Se a besta deixar a comida de lado e der atenção à hóstia, se ela a reverenciar como se a adorasse, aí eu passo a acreditar. Passo a crer na presença de Jesus na Eucaristia! Santo Antônio aceitou a proposta”.

Três dias depois, na praça repleta, chega o homem puxando seu faminto animal. Santo Antônio também chegou. Respeitosamente, o Santo trazia uma custódia com o Santíssimo Sacramento. O incrédulo colocou o monte de feno e aveia próximos de onde estava Frei Antônio e, confiante, soltou o animal. Conforme haviam combinado, a mula deveria escolher sozinha entre o alimento e o respeito à Hóstia Consagrada. O suspense geral foi quebrado quando o animal, livre de seus cabrestos, calmamente dobrou seus joelhos diante da Custódia com o Santíssimo Sacramento. Um milagre suficiente para converter até hoje aqueles que repudiam a presença real de Jesus na Eucaristia.

Santo Antônio nos ensina o crer. Crer, mesmo num mundo secularizado como o nosso! Crer e testemunhar Jesus Cristo ressuscitado!

Neste mês, eu proponho que tenhamos em Santo Antônio, timoneiro da santidade, a graça de pregar aquilo que vivemos, testemunhando a santidade de Cristo que Antônio testemunhou a todos os homens e mulheres de boa vontade. Santo Antônio nos dá o exemplo da confiança em Deus. Pela sua palavra, ele nos conduz ao coração da Santíssima Trindade.

Santo Antônio, intercedei por nós!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.

Canção Nova

Como é bom, como é agradável cantar este salmo: “Do coração atribulado está perto o Senhor”, porque ele é nossa força e vitória, Ele é, realmente, Aquele que está sempre conosco. Se o seu coração anda atribulado, dê glória a Deus!

Amados, o Salmo 33 traz uma grande verdade do que é ser seguidor de Cristo. O Salmo nos diz que do coração atribulado Ele está perto. Então, se o seu coração está atribulado, glória a Deus, pois o Senhor está perto e conforta os de espírito abatido.

Esse Salmo é uma palavra de ordem para nós, para vivermos, verdadeiramente, o que é ser homem e mulher sarados de corpo e alma para enfrentar as lutas do dia a dia, para viver a dimensão das perseguições que nos são apresentadas.

Bendito aquele que sente o coração atribulado, pois a força de Jesus estará com ele

Somos convidados a lutar contra os prazeres que o mundo nos oferece. Será que a minha vida, a minha busca pela santidade, tem incomodado as pessoas? Se não está incomodando, eu preciso rever o meu ser cristão, porque a minha atitude como homem de Deus precisa incomodar as pessoas. A Palavra de Deus diz: “Se, de fato, o justo é filho de Deus, Este o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos”.

O mundo quer imprimir muitas falsas verdades, e nós somos convidados, na determinação da nossa vida, a viver esse combate. O livro da Sabedoria diz: “Vamos pô-los à prova com ofensas e torturas para ver sua serenidade e provar sua paciência, vamos condená-los à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”. Tais são os pensamentos dos ímpios, mas é maravilhoso quando diz: “Mas se enganam, pois a malícia os torna cegos, não conhecem o segredo de Deus, não esperam recompensa para santidade e não dão valor ao prêmio reservado à vida pura”.

É esse incomodar da luz que nós somos convidados a transmitir ao mundo. Meus irmãos, por onde passarmos, o ar de santidade e o desejo de Deus precisam também passar. Precisamos ter o cheio de Deus, precisamos mostrar com a nossa própria vida que nossa força e vitória estão em Jesus.

Ser cristão é fácil, mas ser discípulo é um desafio. É tempo de decisão

Não podemos ceder, precisamos voltar a apertar e alinhar nossa vida de oração. É tempo de decisão, é tempo de vestir a camisa que expressa o nosso desejo de Deus, é tempo de vestir a camisa da santidade e mostrar para o mundo o que é ser discípulo e levar a Palavra com ousadia, com determinação. Esse é o desafio.

Quero pedir que seja impregnada em nosso coração essa certeza: precisamos lutar sempre, não vamos baixar a cabeça, vamos combater esse bom combate e pedir forças ao Senhor para lutar contra o mal.

Nós não sabemos a dimensão da luta que travamos diariamente, por isso, muitas vezes, fazemos o mal que não queremos e deixamos de fazer o bem que queremos. Nós não sabemos a dimensão do combate, das flechas que vão e que vêm.

Sejamos homens e mulheres de têmpera, de vibração. Peçamos ao Senhor que renove a nossa fé, a nossa esperança, o desejo de sermos do exército de Cristo. Peçamos essa graça ao Senhor. Todo joelho se dobrará, pois Jesus é nossa força e vitória.

Padre Bruno Costa no livro ‘Lutar Sempre Desistir Jamais’

Canção Nova

 

Maria é o modelo de Mãe que concebe o corpo e também cuida para que o filho alcance a plenitude da vida espiritual. O gênero humano possui duas naturezas: a corporal e a espiritual. (CIC 2337). Uma bonita característica dessa realidade é que tudo aquilo que somos, neste mundo, têm como finalidade última revelar a nossa identidade eterna, como disse o Papa João Paulo II em uma de suas catequeses: “O corpo, de fato, e só ele, é capaz de tornar visível o que é invisível. Foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério oculto desde a eternidade em Deus, e assim ser sinal d’Ele (Teologia do Corpo, nº 19, de 20/02/1980).

Até a essência humana do Homem-Deus teve esse propósito: “a pessoa humana do Cristo pertence in proprio à pessoa divina do Filho de Deus; Sua vontade e inteligência têm como primazia a revelação do ser espiritual da Trindade (CIC 470).

Maria, obediência da fé

Podemos identificar uma mostra disso ao checar a vida dos santos, aqueles que já alcançaram a glória junto ao Altíssimo, mas que, desde sua vida terrena, enquanto peregrinos neste mundo, demonstravam habilidades, carismas e dons que faziam parte da identidade eterna a respeito deles.

Perceba que aqueles que foram elevados aos altares, os mais conhecidos, são tidos como padroeiros e intercessores de causas específicas conforme suas experiências vividas em sua passagem aqui na terra. Dom Bosco, hoje no céu, continua intercedendo pelos jovens; São Lucas, médico (cf.Cl 4,14), é padroeiro desses profissionais da medicina; Santa Cecília, musicista, é auxiliar espiritual dos músicos, e assim por diante.

Nesse contexto, destacamos Maria Santíssima. Ela foi a pessoa humana que realizou, da maneira mais perfeita, a obediência da fé (CIC, 148), por isso está acima de todos os santos. Ela teve, em sua humanidade, a dádiva de ser Mãe como maior incumbência, e a mantém na eternidade. Tudo nela diz respeito à maternidade.

Aquilo que conhecemos a respeito dela, proclamado pela Igreja em seus títulos, já tinham um traço, uma característica que ela desenvolveu em sua vida neste mundo. A personalidade, a alegria, o silêncio, o serviço, a feminilidade, a prontidão, o ser educadora, a intimidade, o modo particular de ser mãe, correspondem ao cuidado que Cristo desfrutou e que, ainda nos tempos de hoje, nós também podemos obter de Maria. Nisso tudo, ela antecipava o ser “Auxiliadora”, “Rainha de Paz”, distribuidora de “Graças”, “Medianeira”, Mulher “das Dores” etc. Nela, o “dom da maternidade” atinge seu significado mais profundo e perfeito desde sempre e para sempre.

Maria, Mãe da Igreja

Maria, a Mãe de Jesus, é e sempre será a Mãe de toda a Igreja. Sem nenhuma exceção, aqueles que são gerados no Cristo herdam a filiação do Pai das Misericórdias e também dessa Mãe Dulcíssima, que nos acolhe e ama, pois somos membros do Corpo Místico de Jesus, no qual Sua dimensão física foi gerada por Maria.

Ela é o modelo de Mãe que concebe o corpo e também cuida para que o filho alcance a plenitude da vida espiritual e da vontade de Deus a seu respeito.

Devoção a Maria

Ao vislumbrar o rosto humano da Virgem de Nazaré, seremos impulsionados a aumentar nosso amor, nossa devoção e entrega a Nossa Senhora, como também será uma provocação, partindo dos exemplos de Maria, a encontrar a iniciativa do Senhor no sentido de nossa própria existência, conhecer o que Deus pensou a nosso respeito para esta vida e para a eternidade.

Maria, Mãe da ternura, rogai por nós!

Canção Nova

 

Tudo pode ser mudado pela força da oração! Essa frase está escrita a muitos anos, na parede de uma de nossas capelas, aqui na Canção Nova. Numa primeira impressão, ela traz esperança: Tudo pode ser mudado! Meu esposo, minha família, problemas financeiros, saúde… Tudo!

Mas quando seguimos a vida no dia a dia, pode trazer desalento: “Na minha vida não funciona. Já rezei, não mudou. Meu marido não mudou, minha família, e tudo o mais não mudou”. Mas olhando mais profundamente, com as lentes de Deus, enxergamos a mudança. Pois, quando aprendo a rezar com o coração; quando começo a entender que Deus é Deus e que Ele vê onde não vejo, age de formas que não entendo e tem o tempo que não é o meu, então, a mudança acontece em mim.

A força da oração vem quando sabemos rezar verdadeiramente

Quando proclamo que tudo pode ser mudado pela força da oração, preciso proclamar como quem sabe rezar. Rezar rendendo-se a Deus que tudo pode; rezar submetendo minha vontade à vontade d’Ele; rezar confiando que o caminho pode ser diferente daquele que pensei.

Li num livro que quando a nossa fé é forte como as promessas do nosso batismo, não importa o que esteja acontecendo, estaremos em paz! Dizia assim: “Senhor, minha vida é para glorificar-Te. Se para isso preciso de saúde, dai a mim. Agora, se tens outro plano para mim, para minha santificação e dos outros, e queres usar da doença para isso, assim seja. Com saúde ou doença,quero glorificar-Te”.

Pode ser que não tenhamos alcançado ainda essa fé, esse tipo de oração que pode mudar tudo. Mas podemos começar hoje. Porém, é preciso desejar. E desejo de verdade, Senhor, chegar à essa oração que está em comunhão com a Tua grandeza e que pode mudar tudo, porque mudou o meu jeito de enxergar tudo. Uma oração que confia em Ti, sem vacilar.

Eu sou a primeira que preciso mudar pela força da oração! E você?

Desafio da semana: Reze o terço todos os dias!

Rezar amando Maria! Rezar amando Jesus e tudo o que Ele passou por amor a você! Rezar mesmo se outros inúmeros pensamentos passarem pela sua cabeça. Como faço inúmeras vezes, diga: “Te entrego Jesus e Maria tudo o que pensei e todas as pessoas e situações que estão rondando minha mente enquanto rezo”. Desse modo, tudo vira oração.

Deus nos abençoe!

Fonte: Canção Nova

Meditando sobre os mistérios do rosário, percebi como a vida de Nossa Senhora foi uma entrega ininterrupta. Quando abordada pelo anjo, prontamente disse sim; imediatamente após, por amor a Deus, foi servir à sua prima velha e grávida; depois, entregou todas as suas posses e família quando teve de fugir para o Egito. Nascendo o Menino, foi ao templo entregá-Lo, e assim aconteceu por toda a sua vida.

Nossa Senhora entendeu corretamente que o sim que damos a Deus se renova em todos os momentos da nossa vida. Foi um eterno “Faça-se em mim segundo a tua palavra”, que, na verdade, mais que a palavra do anjo, era a Palavra de Deus, a vontade d’Ele. Fico pensando como essas palavras se parecem com as de Jesus: “Seja feita a vossa vontade!”. Também com Maria, Jesus aprendeu a Se entregar, e a oração que ensinou aos Seus discípulos, em boa parte, aprendeu-a dos lábios de Sua mãe. Maria quer nos ensinar que a sua força veio do amor, de seu grande amor pelo Senhor.

Convide Nossa Senhora

Convide Nossa Senhora a tomar parte em sua oração, para que ela ensine você a rezar; convide-a a participar de tudo o que for fazer, e ela estará com você em seus empreendimentos e o afastará de tudo o que for mau e arriscado para a sua salvação.

Se a tentação o assola, se a tristeza o oprime, invoque Maria! Se o medo de ser condenado ao inferno o desespera, olhe para ela, pois ela não o abandonou. Pense em Nossa Senhora, chame pelo seu nome. Que ela não se afaste de seus lábios, não se afaste de seus pensamentos e não se afaste de seu coração. Maria tudo pode quando intercede por nós junto de Deus. Não há caso de alguém que, tendo recorrido a Nossa Senhora, fosse por ela desamparado.

São Luís Maria G. de Monfort dizia que as graças que, ao receber de Deus, depositamos em Maria não se perdem, pois ela não o permite; também diz que o Inimigo está atento, à espera de poder roubar essas graças ou mesmo de esvaziá-las. Desde que soube isso, tenho guardado em Maria os meus tesouros, tenho colocado à sua disposição os meus esforços para que ela disponha deles como quiser. Confio nela! Sei que qualquer coisa que ela fizer com os poucos méritos que eu venha a ter será sempre muito melhor do que qualquer coisa que eu faria.

“Se o meu redentor, por causa de meus pecados, me atirasse longe de Si, lançar-me-ia aos pés de Sua Mãe e, prostrado, não me levantaria enquanto ela não me obtivesse o perdão. Ela não deixaria de fazer violência ao Coração de Jesus para que me perdoasse” (São Boaventura). Com esses fervorosos santos que descobriram o grande tesouro que é Nossa Senhora, rezemos:

Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que recorrem à vossa proteção, imploram vossa assistência, reclamam vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado, eu, com igual confiança, a vós, Virgem entre todas singular, como Mãe recorro; de vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Amém.

(São Bernardo)

Texto extraído do livro “Quando só Deus é a resposta”.

Jesus chamou para apóstolos “aqueles que Ele quis”, depois de passar a noite em oração. A Igreja viu nisso o chamado ao sacerdócio e também às outras formas de vida religiosa. É Jesus quem chama o jovem à vida sacerdotal, o que não é fácil. A vida religiosa exige muitas renúncias para ser “todo de Deus”, estar a serviço do Seu Reino para a edificação da Igreja e a salvação das almas.

A palavra “vocação” vem do latim vocare, que quer dizer “chamar”. Deus põe, no coração do jovem, esse desejo de servi-lo radicalmente, indiviso, full time, em tempo integral, sem divisão.

Confira alguns sinais indicativos da vocação

Para discernir esse chamado divino, o jovem precisa, sem dúvida, de um bom orientador espiritual, um padre ou um leigo experiente para ajudá-lo. Penso que alguns sinais indicativos da  vocação de um jovem ao sacerdócio ou à vida religiosa sejam esses:

1 – Ter vontade de entregar a vida totalmente a Deus sem guardar nada para si; ser como Jesus, totalmente disponível ao Reino de Deus. Ser um outro Cristo – alter Christus. Abraçar o celibato com gosto, oferecendo a Deus a renúncia de não ter esposa, filhos, netos, vontade própria etc. É um casamento com Jesus. Ele disse que receberá o cêntuplo nesta vida e a vida eterna depois quem deixar tudo por causa d’Ele e do Seu Reino.

Jesus disse que as raposas têm seus ninhos, mas que Ele não tinha nem mesmo onde reclinar a cabeça. Isso é sinal de uma vida despojada de tudo. Nada era d’Ele, nem a gruta onde nasceu, nem o burrinho que O levou a Jerusalém. O barco de onde pregava e viajava, o manto que os soldados sortearam também não eram d’Ele. Nem a casa onde vivia em Cafarnaum pertencia ao Senhor. Tudo Lhe foi emprestado. Cristo era despojado de tudo; a Ele só pertencia a cruz.

Dom Bosco disse que não pode haver graça maior para uma família do que ter um filho sacerdote. É verdade. O padre faz o que os anjos não podem fazer: perdoar os pecados, realizar o milagre da Eucaristia, tornar presente o Calvário em cada Missa para a salvação do mundo.

2 – A vocação religiosa exige que o candidato tenha o desejo de trabalhar como Jesus pela salvação das almas, sem pensar em um projeto para a sua vida. Exige entrega total nas mãos de Deus, desejo de viver mergulhado no Senhor. Tem de gostar de rezar, de estar com Deus, de meditar Sua Palavra e participar da liturgia, pois sem isso não se sustenta uma vocação sacerdotal.

O demônio tem muitas razões para tentar um sacerdote ou um religioso, pois este lhe arrebata as almas. Então, o religioso consagrado tem de viver uma vida de extrema vigilância, muita oração e mortificação, como disse Jesus.

3 – Amar a Igreja de todo o coração, tê-la como Mãe e Mestra, ser submisso aos ensinamentos do seu Magistério. Ser fiel à Igreja e a seus pastores, nunca ensinando algo que não esteja de acordo com o Sagrado Magistério da Igreja. Viver o que diziam o Santos Padres: sentire cum Ecclesia. Amar o Papa, os bispos, Nossa Senhora, os anjos e santos, os sacramentos, a liturgia e tudo o que faz parte da nossa fé católica. Amar a Bíblia e gostar de meditá-la todos os dias. Desejar estudar Teologia, Filosofia e tudo o mais que o Magistério Sagrado da Igreja nos recomenda e ensina. Gostar de fazer meditações, retiros espirituais e uma busca permanente de santidade. Almejar, como disse São Paulo, atingir a estatura adulta de Cristo; ser um bom pastor para as ovelhas.

4 – Desejar viver uma vida de penitência, na simplicidade, na pobreza evangélica, na obediência irrestrita aos superiores, aberto a todos por um diálogo franco. Ser tudo para todos. Estar disposto a obedecer sempre o seu bispo ou seu superior a vida toda, qualquer que seja a decisão dele sobre você.

5 – Estar disposto a dar até a vida pela Igreja, pelas almas e por Jesus Cristo.

Talvez, eu tenha sido um pouco exigente, mas para aquele que deseja ser um “sacerdote do Deus Altíssimo”, creio que não se pode pedir menos do que isso. Quem opta pela vida sacerdotal deve se entregar de corpo e alma a ela; não pode ser mais ou menos sacerdote ou religioso. Seria uma frustração para a pessoa e para Deus. É melhor ser um bom leigo do que um mal religioso.

Canção Nova

Vivemos numa sociedade que tem grande necessidade de escutar de novo a mensagem evangélica a respeito da humildade. A corrida para ocupar os primeiros lugares, quem sabe esmagando a cabeça dos outros, a competição desenfreada, o arrivismo e outras expressões de desequilíbrio, todas originadas no orgulho, são atitudes, por um lado, desprezadas e por outro, infelizmente, seguidas. O Evangelho tem força social quando fala de humildade e modéstia: “Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e voltou ao seu lugar”. Disse aos discípulos: “Entendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais de Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque sou. Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros” (Jo 13,12-14). Tal espírito de serviço é destinado a fermentar as relações sociais com sadio realismo e coragem para estabelecer novos parâmetros no relacionamento humano.

Em tempo de intensa competição por cargos políticos, pode parecer estranho falar de humildade, pois a ordem do dia é mostrar as próprias qualidades em detrimento do comportamento “do outro lado”. Ao cristão cabe a coragem de nadar contra a correnteza, propondo e experimentando em si um comportamento diverso. A palavra “humildade” tem parentesco com “homem” e as duas derivam de “húmus”, que significa “solo”, “fecundidade”. Humilde é aquele que está embaixo, perto do solo e, justamente por isso, se arrisca menos a perder o equilíbrio. Tem os pés firmes na terra! É, pois, humano ser humilde! A pessoa humilde não pretende ser maior nem menor do que realmente o é. A fecundidade de sua existência depende de se oferecer, em espírito de serviço, para realizar o que é capaz na direção do bem dos outros. A modéstia faz mais belos os dons que foram concedidos a cada um. Mas humildade e modéstia só combinam com o amor de caridade! Quem escolheu viver para amar na medida do amor de Deus aceita ser apoio para os outros com humildade, sem humilhação.

Ser humilde não é ser menor, mas faz relação com o amor, que é algo grandioso

Para um pai ou uma mãe de família, humildade pode ser debruçar-se para escutar histórias de um filho, ir ao encontro do outro que faz mil perguntas desconcertantes, ou fecundar com um sorriso o fim de um dia. No trabalho, essa virtude pode significar iniciativa e criatividade. Uma pessoa descobrirá, na capacidade de escuta, seu caminho de humildade. Outra, no campo desafiador da política, poderá diminuir a arrogância de muitos dos discursos e tornar-se mais realista e mais simples, abrindo-se para a colaboração dos outros, propondo com realismo os passos em vista de uma mudança social mais consistente.

Jesus foi ao encontro de todos. Nós O vemos conversando com jovens e velhos, publicanos e prostitutas, justos e pecadores ou convidado a tomar refeição em casa de um fariseu (Cf. Lc 14,1-14). Já nas bem-aventuranças começavam os convites aos pobres, aflitos, mansos de coração, famintos, perseguidos! Ao contar os detalhes daquela refeição, o Evangelista São Lucas abre o horizonte da compreensão do grande banquete escatológico a que Deus convida todos os homens e mulheres.

É ocasião para duas pequenas parábolas. Aos convidados, Jesus parece ensinar normas de etiqueta social, mas, na realidade, desnuda as intenções com as quais ali se encontravam, propondo-lhes a entrada da festa do Reino de Deus pela estrada do serviço, já que muitos queriam entrar com os privilégios de eventuais indicações privilegiadas. Ao dono da festa, Cristo esclarece que um gesto aparentemente magnânimo pode esconder interesses! Dá muito trabalho ” a prática da virtude”, entender que será feliz quem fizer as coisas por absoluta gratuidade: “Serás feliz, porque eles não te podem retribuir” (Lc 14, 14).

Se existe entre nós muita competição e egoísmo, por outro lado, são muitos os testemunhos de pessoas gratuitas em seu relacionamento, gente alegre e feliz que dá tudo de si para o bem dos outros. Olhando ao nosso redor, veremos florescer esta magnífica espécie! São flores da virtude da humildade, daquela humildade das flores, que tiram da terra apenas e só aquilo que precisam para serem vivas e bonitas, como Deus nos quer!

Equipe de colunistas do Formação

Canção Nova

Empresas buscam produtividade, e a capacidade de produção está associada ao esforço oferecido por cada funcionário. Empresas crescem à medida que seus colaboradores também crescem interiormente. Quanto menor for a capacidade de crescimento interior de cada um, menor será sua produtividade.

Como a espiritualidade cristã pode ajudar as companhias a serem locais de alta produtividade gerada a partir da humanização? Jesus Cristo conhecia Seus discípulos, Ele sabia o nome de cada um, conhecia a história de vida deles. Cristo trilhou um caminho fazendo deles não funcionários do Reino de Deus, mas amigos que poderiam difundir, para outros cantos da Terra, a mensagem de amor que Ele anunciava.

Claro que, em uma empresa de grande porte, essa realidade de conhecer cada colaborador é praticamente impossível de ser aplicada no dia a dia. Grandes empresas, no entanto, possuem equipes responsáveis por seus diversos setores. Por isso, o primeiro passo é que o empresário conheça aqueles que estão em contato direto com ele. Essa rede de conhecimento deve ser criada na base e estender-se de modo mais amplo aos diversos setores da empresa, a fim de saber quem está ao seu lado, suas dificuldades, limites e potencialidades. Conhecer os dons de cada um que com ele convive diretamente é o primeiro passo para uma equipe de base, na qual o crescimento é prioridade a ser buscada e não meta a ser imposta.

Conhecer os dons de cada pessoa eleva o seu potencial de produtividade

Conhecer aqueles que colaboram para o bom andamento da empresa é fundamental para que a ideia principal desse conhecimento interpessoal chegue a todos. Essa rede de amor não é impossível de ser realizada; no entanto, ela só funcionará se for vivenciada por todos aqueles que acreditam na verdade de seus princípios.

Uma rede de amor, na qual o conhecer e a acolhida são eficazes, é fruto de um processo nascido na verdade dos sentimentos de quem busca um jeito novo de vivenciar as relações no ambiente de trabalho. Ao buscar apenas o resultado financeiro, essa rede terminará, mais cedo ou mais, no fracasso.

O projeto inicial deve nascer da convicção de que as relações entre empresário e colaboradores seja fruto de um processo que busque, em primeiro lugar, superar as divisões existentes na empresa onde os funcionários não mais sejam vistos apenas como meros executores de funções, e passem a ser vistos e conhecidos como pessoas. Para o crescimento de uma empresa, o empresário terá de ter consciência de que ele, primeiro, deverá buscar o crescimento interior. Não há como exigir mudanças se antes elas não acontecerem, verdadeiramente, em sua própria vida.

Radio Vaticano

A liturgia do tempo quaresmal é, sem dúvidas, dentre as liturgias celebradas no ano, a mais rica e profunda que a Santa Igreja oferta aos seus fiéis. Além disso, é o convite mais amoroso de um Deus apaixonado por Sua criação e, de modo particular, pela obra-prima da criação: o ser humano. É o Senhor nos atraindo a adentrar os santos mistérios da Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Trata-se de um período profundo para fazer de nós, homens e mulheres, profundos na espiritualidade e humanidade.

Todo e qualquer convite feito por Jesus e por Sua Igreja não é para assistirmos, como se o que estamos lendo, vendo ou celebrando só servisse para mera observância. Definitivamente, não! Em matéria de vida cristã, somos convidados ao pleno envolvimento com o Reino de Deus.

Se, na Quarta-feira de Cinzas, você entrou na fila para receber as cinzas pelas mãos de um sacerdote ou um ministro destacado por ele, além de marcar sua fronte com o sinal da cruz, você ouviu uma dessas frases: Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1,15) ou “Lembra-te, homem, que és pó e ao pó hás de voltar” (Gn 3, 19), tanto uma quanto a outra nos chamam a relembrarmos nossa fragilidade humana e a urgência de nosso retorno à vontade de Deus.

Nossas fragilidades não nos impedem de avançar na vida da graça

Sim, somos comprovadamente limitados. E por maiores que sejam nossas conquistas nesta Terra é, justamente, porque temos limites que dependemos do favor divino. Deus faz uso também da generosidade humana para nos mostrar que sozinhos pouco avançamos. Você já deve, como eu, ter ouvido monsenhor Jonas dizendo: “ninguém é bom sozinho”. Que saudável limitação.

Porém, quantas vezes nos detemos em avançar quando nossas fragilidades nos confrontam? Pare um pouco para pensar se tuas fragilidades tem lhe motivado a prosseguir ou se te estagnaram. Se te estagnaram, você precisa reconsiderar o significado delas em sua vida. Porque nossas limitações existem, mas usar delas como desculpa para não evoluirmos, soa como covardia. E covardia não combina com quem se declara ser de Deus!

Certa vez, o Apóstolo Paulo identificando uma de suas fragilidades, ergueu um pedido ao Senhor: “Tirai esse espinho de minha carne. Mas o Senhor respondeu: Basta-te a Minha Graça, pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente.” (cf.2Cor.12,8-9).

Tal pedido Paulo o fez por três vezes ao Senhor e a resposta nas três vezes foi a mesma. Era Cristo fazendo seu Apóstolo enxergar que há uma força interior que nos coloca em movimento mesmo com nossas debilidades. Caro irmão, a mesma Graça que sustentou Paulo, sustentará você. Em cada um de nós existem “espinhos”, mas a dor não consegue parar os agraciados.

Quando Deus criou o homem fez uso do pó, mas introduziu Sua essência ao soprar nas narinas do homem. Isso significa que nascemos sim do pó e a ele voltaremos, mas entre o nascer dele e o voltar para ele existe um intervalo. Então, é justamente esse intervalo o período mais importante da nossa existência. É nele que decidimos quem seremos, o que faremos, se queremos ser participantes da Igreja triunfante. Esse intervalo para nós é um convite divino aguardando nossa resposta, e no vocabulário do céu ele se chama: vida no Espírito Santo!

O intervalo é o tempo mais precioso que possuímos. É ele que comprova se você está atingindo a estatura de Cristo ou não. O que você está fazendo em seu intervalo?

Temos na vida dos santos a inspiração que precisamos para buscar viver no Espírito. Encerro este artigo na certeza de que você aceitará a santa proposta de viver por Cristo, como Cristo e em Cristo para que, ao fim de sua Quaresma, no terceiro dia, ressuscite com Ele.

Canção Nova

A humanidade precisa ser banhada por um novo bálsamo, o bálsamo da misericórdia, que é muito antigo, mas sempre atual. Antigo por ter suas raízes plantadas na eternidade; novo e necessário, porque a humanidade depende dessa fonte inesgotável, que é o amor de Deus. O rosto desse amor misericordioso está próximo de cada pessoa, é Jesus Cristo. Nele, o Filho de Deus, a Misericórdia Divina se torna visível, mostrando que o seu Pai é o Pai de todos, o Deus amor. Eis, pois, a direção que deve ser seguida pela humanidade, para encontrar novo rumo após tantos descasos com a vida e o planeta, a Casa Comum: a via da misericórdia.

Esse caminho está na contramão da perversidade e da indiferença. Envolvendo corações e mentes, esses males marcam os tempos atuais com os frutos da insanidade e da ignorância, insensíveis às muitas possibilidades para os avanços humanitários, sociais e políticos. A misericórdia é, assim, remédio indispensável, lição inigualável.

Quando um coração é forjado pela misericórdia, torna-se base para uma mente límpida, orientada para a fraternidade solidária, repleta de uma luz que inspira a inteligência e a sabedoria, qualidades indispensáveis em qualquer momento da história. Afinal, a desastrosa percepção dos mais diferentes processos é um tipo de cegueira que causa confusões, leva a decisões equivocadas, à falta de senso crítico sobre as próprias atitudes.

Percorrer a via da misericórdia é necessário treinamento para se conquistar a competente compreensão a respeito de si e do outro. Permite reconhecer a vida de cada pessoa como dom.

Aproximando-se do amor misericordioso de Deus

É, pois, atitude fundamental para se administrar, com equilíbrio, a própria vida. Caminho que consolida a justiça, pois conduz ao compromisso com a verdade, o bem comum, a honestidade. Quem se aproxima do amor misericordioso de Deus, revelado em Jesus Cristo, desenvolve o gosto pela honestidade, não alimenta qualquer tipo de orgulho ou ilusória concepção sobre si.

Sem a via da misericórdia, tudo se enfraquece. A religiosidade deixa de contribuir para que a sociedade alcance nova etapa de seu desenvolvimento. As famílias, que deveriam ser ambiente para muitos aprendizados, ficam desfiguradas. Buscar a misericórdia não é, pois, um passeio sem propósito. É experiência renovadora, a partir do encontro com Jesus Cristo, o rosto misericordioso de Deus-Pai. Um acontecimento capaz de corrigir muitos descompassos, a exemplo do costume de se alegrar, perversamente, com o fracasso dos outros. As lições de Jesus Cristo salvam a humanidade também de males que afligem a alma, tornando-a suscetível a sofridas depressões.  Quem segue o Mestre, rosto da misericórdia divina, não desiste de viver, pois passa a reconhecer a própria existência como dom. Cultiva especial apreço à vida de todos, acima de qualquer interesse egoísta que possa levar a disputas insanas.

Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo

Nesse horizonte, compreende-se a oportunidade singular oferecida na Semana Santa: buscar a misericórdia seguindo os passos do Mestre, na Sua Paixão, Morte e Ressurreição a partir das celebrações e da escuta da Palavra de Deus. A Semana Santa condensa lições essenciais que, se aprendidas por todos, permitem o surgimento de uma humanidade nova, solidária. Jesus é único e seus ensinamentos são a verdadeira sabedoria. Todos aproveitem a chance de fixar o olhar em Cristo, para percorrer com Ele a via da misericórdia. Assim, cada pessoa tem a oportunidade de unir-se a Deus, abrir o próprio coração para o amor, que transforma, produz sabedoria, permite discernimentos e escolhas acertadas.

Os atos de Jesus são permeados de compaixão, que não pode ser confundida com fraqueza. Trata-se de corajosa fidelidade à verdade e ao bem de todos.  Acolher Suas palavras, silenciar ante Seus sofrimentos e Sua morte expiatória, refletindo sobre os preciosos ensinamentos reunidos na Bíblia, a exemplo dos que estão concentrados no Sermão da Montanha, é passo importante para percorrer a via da misericórdia junto com Cristo. A humanidade precisa, com urgência, trilhar esse caminho. Seja, pois, compromisso de todos, percorrer a via da misericórdia para aproximar-se de Deus e aprender com o Seu amor.

Canção Nova

 

Você costuma dizer sempre ‘sim’ quando o solicitam, não por uma preocupação com o outro, mas por não saber como se expressar diante daquela pessoa? Sente-se culpado ou irritado depois disso? Quantas vezes você deixou de expressar suas dificuldades, aumentando a pressão sobre você? A verdade é necessária em qualquer relação humana. No entanto, muitas vezes, temos medo de expor nosso ponto de vista, nossa dificuldade.

Por exemplo, será que é possível ser sincero com pais, companheiros ou filhos, em todas as situações? Será que é possível viver uma relação transparente no nosso ambiente de trabalho, de estudo? Mais do que responder a essas perguntas com um ‘sim’ ou ‘não’, viver essa proposta é um desafio que pode ser extremamente edificante para qualquer um de nós.

Postura passiva

Para auxiliar nesse desafio, talvez possamos lançar mão de algumas ferramentas, buscando conhecer nossas dificuldades. Por exemplo, existem situações em que temos dificuldade em contrariar os outros. Aceitamos as imposições, as solicitações dos outros, mas nunca falamos uma parte significativa da verdade, que, nesse caso, se refere àquilo que sentimos, que pensamos. Ignoramos a nós mesmos em função do medo de críticas, de broncas ou por medo de perder o afeto, a admiração, o respeito do outro. Essas são características que definem uma postura passiva.

Uma coisa importante para mudar essa condição é avaliar o que, realmente, valemos: Será que só somos dignos de ser amados se formos perfeitos, se não dermos margem para críticas? Deus tem paciência conosco! Será que, uma vez que temos propósitos firmes, concretos, de buscar viver segundo sua vontade, não podemos também ter paciência conosco e transferir isso para o dia a dia? E a partir daí, não mais nos culpar ou esconder nossas imperfeições, mas lidar com elas de forma clara, transparente, e procurar a correção?

Postura agressiva

Existem outras situações em que apresentamos uma postura agressiva diante de qualquer exigência ou solicitação. Falamos a nossa verdade, aquilo que sentimos ou pensamos, mas desrespeitando o outro, não levando em consideração os sentimentos ou a realidade daquele próximo. Impomos nossa vontade, nossa opinião, nossas necessidades.

Nesse momento, fechamo-nos em nós mesmos, tendo nossa visão de mundo como correta, não ouvimos o outro, e quando fazemos isso, fazemos para desqualificar o que fala ou agredi-lo com seus próprios argumentos. Às vezes, isso acontece por uma certa comodidade, que avança para arrogância, autossuficiência; outras vezes, é apenas uma outra maneira de nos defendermos das críticas. Vale a pena lembrar que não somos obrigados a dar respostas imediatas. Podemos respirar fundo, avaliar o que é dito, encarar a correção (Deus corrige a quem Ele ama), aprender com os mais simples (revelastes aos pequenos, e ocultastes aos sábios).

Postura assertiva

Existe uma terceira forma de agir, que poderíamos chamar de assertiva ou afirmativa. Nessa atitude, não negamos parte nenhuma da verdade: Nem a nossa verdade nem a verdade do outro. Não ignoramos a realidade que vive, mas também não atropelamos aquilo que o outro vive. E mesmo quando essas realidades são incompatíveis, busca-se sempre o acordo; busca-se identificar qual o compromisso viável que cada um dos dois pode firmar para que a relação cresça a partir daquela situação. É a busca por um ponto de equilíbrio.

Se você quiser se observar, a cada situação difícil que enfrentar, pergunte a si mesmo:

– Há alguma forma de falar a verdade?
– Estou respeitando a mim mesmo?
– Estou respeitando ao outro enquanto falo aquilo que é necessário?
– Se calo, faço isso por renúncia, ao invés de fazê-lo por comodidade?
– Estou colocando como prioridade o acordo, a conciliação, o crescimento mútuo, em vez de procurar me autoafirmar, provar que estou certo ou fazer prevalecer minha autoridade?

Se você for capaz de responder ‘sim’ a todas as perguntas, você está no caminho. Ser assertivo implica buscar viver bem com os outros, falando a verdade, respeitando a sua realidade, suas necessidades, por mais difícil que seja, mas sem jamais perder de vista a necessidade de respeitar o outro. Na maioria das vezes, isso pode ser vivido atento à forma como se fala com o outro. Na entonação de voz, na capacidade de olhar no olho do outro, de olhar para o outro antes de falar algo, na postura. Enfim, é hora de praticar a ternura, a caridade, a compreensão, a bondade, a brandura, a humildade. Vamos viver esse desafio: Por hoje, buscar a forma mais adequada e mais terna de falar a verdade que precisamos dizer.

Cláudia May Philippi – Psicóloga Clínica – CRP 2357/1
Kleuton Izidio Brandão e Silva – Psicólogo Clínico – CRP 6089/1

Canção Nova

“Mas agora, diz o Senhor, convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas e gemidos. Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em Misericórdia” (Jl 2,12-13).

O ponto de partida para toda a realidade cristã está na mudança de vida, na transformação necessária para pertencer a Jesus e fazer parte do Seu discipulado. O primeiro chamado que Cristo faz para o homem é o apelo à conversão, pois sem ela não podemos aderir a Cristo. O abandono do caminho velho é necessário para fazermos uma experiência nova que sem conversão não tem como seguir.

“A conversão é o sim total de quem entrega a própria existência ao Evangelho, respondendo livremente a Cristo, que foi o primeiro a oferecer-se ao homem como caminho, verdade e vida, como o único que liberta e salva”. (Bento XVI, 17 de fev. 2010).

A conversão é esse processo de mudança que acontece pela transformação de vida, de mentalidade interior e, além de tudo, do caminho. E voltar para o bom caminho é deixar uma realidade vazia e voltar para Aquele que preenche totalmente a nossa existência: Deus. Abraçar um novo estilo de vida; sair da superfície e aprofundar-se em Cristo. A conversão se dá pela adesão a Cristo e Seu Evangelho: “Completou-se o tempo e o reino de Deus está perto: Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.” (Mc 1,15).

Não existe conversão sem o sim total a Deus. É fazer a experiência pessoal, marcante e determinante com Cristo. É a metanóia – o arrependimento, a conversão, abertura da porta do coração para a Graça de Deus. Essa transformação exige mudança radical, forte decisão em seguir a Cristo e abandono da vida velha.

Canção Nova

 

Oração, palavra e ação são maneiras de praticar a misericórdia para com o próximo

A devoção à Divina Misericórdia respira com dois pulmões: o primeiro é o da confiança; o segundo, das Obras de Misericórdia. De fato, Jesus disse a Santa Faustina: “se, por teu intermédio, peço aos homens o culto à minha misericórdia, por tua vez deves ser a primeira a distinguir-te pela confiança na minha misericórdia. Estou exigindo de ti atos de misericórdia, que devem decorrer do teu amor para comigo. Deves mostrar-te misericordiosa com os outros, sempre e em qualquer lugar. Tu não podes te omitir, desculpar-te ou justificar-te. Eu te indico três maneiras de praticar a misericórdia para com o próximo: a primeira é a ação; a segunda, a palavra; e a terceira a oração. Nesses três graus repousa a plenitude da misericórdia, pois constituem uma prova irrefutável do amor por mim. É desse modo que a alma glorifica e honra a minha misericórdia. Essa imagem deve lembrar as exigências da minha misericórdia, porque mesmo a fé mais forte, de nada serve sem as obras (D. 742). Se a alma não praticar a misericórdia de um ou outro modo, não alcançará a minha no dia do juízo (D. 1317).”

Como podemos praticar as obras de Misericórdia? A Igreja nos indica catorze formas pelas quais podemos praticar obras de misericórdia, dividindo-as em corporais e espirituais.

Corporais:

1. Dar de comer a quem tem fome;
2. Dar de beber a quem tem sede;
3. Vestir os nus;
4. Visitar os presos;
5. Visitar os doentes;
6. Enterrar os mortos;
7. Acolher os peregrinos.

Espirituais:

1. Dar um conselho;
2. Suportar com paciência as fraquezas do próximo;
3. Perdoar quem nos ofendeu;
4. Rezar pelos vivos e pelos mortos;
5. Ensinar os ignorantes;
6. Consolar os aflitos;
7. Corrigir os que erram.

Deves mostrar-te misericordiosa com os outros sempre e em qualquer lugar.

Fonte: Canção Nova

 

O que é o jejum?

O jejum consiste em fazer uma só refeição forte ao dia. A abstinência consiste em não comer carne. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são dias de abstinência e jejum. A abstinência é obrigada a partir dos 14 anos, e o jejum dos 18 aos 59 anos de idade.

Com esses sacrifícios, trata-se de que todo nosso ser (alma e corpo) participe em um ato onde reconheça a necessidade de fazer obras com as quais reparemos o dano ocasionado com nossos pecados e para o bem da Igreja. O jejum e a abstinência podem ser trocados por outro sacrifício, dependendo do que ditem as Conferências Episcopais de cada país, pois elas têm autoridade para determinar as diversas formas de penitência cristã.

Por que o jejum?

É necessário dar uma profunda resposta a essa pergunta, para que fique clara a relação entre o jejum e a conversão, isto é, a transformação espiritual que aproxima o homem a Deus. O abster-se de comida e bebida tem com como fim introduzir na existência do homem não somente o equilíbrio necessário, mas também o desprendimento do que se poderia definir como ‘atitude consumística’.

Tal atitude veio a ser em nosso tempo uma das características da civilização ocidental. O homem, orientado aos bens materiais, muito frequentemente abusa deles. A civilização se mede então segundo quantidade e a qualidade das coisas que estão em condições de prover ao homem e não se mede com a medida adequada ao homem.

Essa civilização de comum fornece os bens materiais não somente para que sirvam ao homem em ordem a desenvolver as atividades criativas e úteis, mas cada vez mais para satisfazer os sentidos, a excitação que deriva deles, o prazer, uma multiplicação de sensações cada vez maior.

O homem de hoje deve abster-se de muitos meios de consumo, de estímulos, de satisfação dos sentidos, jejuar significa abster-se de algo. O homem é ele mesmo quando consegue dizer a si mesmo: Não. Não é uma renúncia pela renúncia: mas para melhor e mais equilibrado desenvolvimento de si mesmo, para viver melhor os valores superiores, para o domínio de si mesmo.

Radio Vaticano

Quaresma é tempo de conversão. É um tempo especial de graças que devemos aproveitar ao máximo para fazermos uma renovação espiritual em nossa vida. São Paulo insistia: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5,20); “exortamos-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: ‘Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação’ (Is 49,8)”. “Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2 Cor 6,1-2). Eis algumas práticas que podem nos ajudar a viver bem este tempo:

1- Quarta-feira de Cinzas

Comece bem a Quaresma recebendo as Cinzas e meditando o seu significado: “voltamos ao pó” que as cinzas lembram. “És pó, e ao pó tu hás de tornar” (Gen 2,19). Esse sacramental da Igreja lembra-nos de que estamos de passagem por este mundo, e que a vida de verdade, sem fim, começa depois da morte; portanto, devemos viver em função disso.

2 – Oração

Intensifique a oração, seja ela pessoal ou comunitária. Orar é entrar em comunhão com Deus, é tornar-se intimo d’Ele, que é nosso Pai. Marque um tempo para rezar e obedeça o previsto.

3 – Palavra de Deus

Medite a Palavra de Deus, sobretudo as leituras que a Igreja coloca na Liturgia da Missa neste tempo. Decida, com um ato de vontade, a fazer o que Deus lhe pede na meditação.

4 – Jejum

Faça o jejum conforme as próprias condições, para que o corpo seja sujeito ao espírito. Pode ser um jejum a pão e água, um jejum só de líquidos, um jejum parcial, etc., especialmente nas sextas-feiras.

5 – Esmola

Dê uma boa esmola aos pobres. Pode ser de muitas formas: ajudar uma família necessitada, um pobre necessitado etc. “Tenhamos caridade e humildade e façamos esmolas, já que estas lavam as almas das nódoas dos pecados” (S. Francisco).

6 – Visitar os doentes

Visite os doentes que precisam de ajuda, sobretudo os velhos e abandonados. “Aqueles que têm saúde não precisam de médicos, mas sim os doentes” (Mt 9,12).

7 – Confissão

Faça uma boa confissão geral, depois de um bom exame de consciência, revendo toda a vida passada. Não omita nada, lance em Deus todas as suas misérias. Perdoe todas as pessoas que o ofenderam.

8 – Santa Missa

Participe da Santa Missa sempre que puder e comungue bem. Faça uma boa ação de graças após a comunhão, colocando toda a sua vida para Jesus. Louve-O, adore-O, interceda pela Igreja, pela sua família etc.

9 – Via-sacra

Participe da via-sacra sempre que puder ou a faça você mesmo, em uma Igreja, acompanhando os quadros que a compõem, meditando o sofrimento de Jesus na Sua Paixão.

10 – Exercício de mortificação

Faça algum exercício de mortificação. Por exemplo: cortar um doce, deixar a bebida, o cigarro, os passeios e churrascos, a TV, a internet, o celular, alguma diversão, para vencer as fraquezas da carne.

11 – Liturgia das Horas

Reze a Liturgia das Horas com toda a Igreja neste tempo forte de orações. Ao menos, as Laudes e as Vésperas se tiver condições.

12 – Peregrinação

Faça uma peregrinação, ao menos uma vez na Quaresma, a um Santuário Mariano ou outro Santuário, participando da Santa Missa.

13 – Moderar as palavras

Esforce-se para moderar suas palavras, fale com discrição, evite a maledicência, o julgamento dos outros, o falar mal dos outros, prefira elogiar a criticar.

14 – Perseverança

Procure identificar se você tem algum vício ou mal comportamento; lute para evitá-lo e reze pedindo a Deus a graça de vencê-lo. Pratique a virtude da perseverança.

15 – Humildade

Evite falar de você mesmo, de exibir-se, de querer aparecer, defender seus pontos de vista de maneira acirrada. Procure o último lugar, viva a humildade.

 

Cancão Nova

Aceitar a vontade de Deus em todas as circunstâncias, durante todo o dia, é uma grande prova de amor

Jesus afirmou: “Não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5,30). Aliás, na Agonia no Horto das Oliveiras, Ele assim orou: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; contudo, não se faça como que quero, mas como tu queres” (Mt 16,39). Deixou magnífico exemplo para Seus seguidores. Santo Agostinho, sabiamente, ensinou que “a vontade é a potência pela qual se erra e se vive com retidão”. Daí a necessidade da atenção para com essa faculdade da alma que pode ser prejudicada pela indecisão ou falta de resolução firme para aderir às inspirações divinas.

Todo progresso espiritual consiste em desejar firmemente seguir os ditames celestes. A egolatria pode sutilmente levar o cristão a não querer se sujeitar à voz de sua consciência. Daí a necessidade da maleabilidade nas mãos do Divino Espírito Santo, para que todas as intenções sejam verdadeiramente retas e não meros caprichos humanos. Eis porque advertia São Paulo aos Filipenses sobre aqueles que buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo (cf. Fl 2,21). Donde ser preciso solicitar sempre a graça da constância para que se fuja da precipitação, da volubilidade, não sendo nunca o discípulo de Cristo irresoluto e instável, conforme advertiu de São Tiago (cf. Tg 1,8).

Para isso, mister se faz equilibrar o coração com a inteligência. Estando esta iluminada, cabe à vontade executar com sumo amor e total disposição o que deve ser realizado em cada momento. Aliás, a finalidade última de toda oração deve a total conformidade com os desígnios do Ser Supremo.

Essa imolação da vontade própria é sumamente agradável a Deus. Tudo depende do domínio de si mesmo, o qual torna o cristão imune aos desvios que impedem sua adesão ao bem a ser praticado. Nunca se pode esquecer que a fidelidade, mesmo nas pequenas atitudes, cerra a porta a quase todos os males das potências superiores da alma, pois treina a vontade para o total autodomínio, levando a uma tranquilidade absoluta no falar e no agir, graças ao valor das virtudes internas do espírito. Chega-se então àquela moderação de que fala São Paulo a Timóteo, levando cada um “uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e decoro” (1Tm 2,2). É que aceitar a vontade de Deus em todas as circunstâncias, durante todo o dia, é uma grande prova de amor.

Ato de vontade constante

Convém, porém, notar que, sendo Deus luz e amor, Ele se comunica com a pessoa humana de vários modos. São João da Cruz, sem querer, evidentemente, fazer um jogo de palavras diz que “às vezes, percebe-se mais conhecimento do que amor; outras, mais amor do que inteligência, só conhecimento e nada de amor ou só amor sem nenhuma informação do Espírito Santo”.

O que vale, contudo, na prática, é a reta intenção de fazer o que Ele quer e não o que cada um desejaria fazer. É que um ato de vontade constante, feito com total dileção para com Deus, vale muito mais do que os grandes heroísmos passageiros, esporádicos. É desse modo que a vontade humana vai se tornando livre e generosa, como era a de Cristo, o qual pode dizer ser Seu alimento fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4,34). É lógico que essa conformidade absoluta com os desígnios de Deus leva o cristão a suportar com paciência todas as incongruências de uma passagem por este “vale de lágrimas”, como é o presente exílio nesta terra. Essas provações, então, purificam o coração como o ouro no crisol.

Querer humano e querer divino

Quantos cristãos, infelizmente, quando Deus permite qualquer desgosto, por pequenino que este seja, chegam até a se revoltar contra Ele! Ainda bem que o Onipotente é paciente, pois poderia punir imediatamente esses insurgentes. Por tudo isso, o acatamento de tudo que Deus permite se torna fonte maravilhosa de merecimentos. A dependência filial em todas as circunstâncias da vida, este abandono amoroso nas mãos da Divina Providência, este oferecimento habitual nas dificuldades que surgem, esta paciência inalterável atraem o beneplácito do Todo-Poderoso Senhor.

É quando o cristão deve se lembrar das palavras de São Paulo aos Coríntios: “Realmente, o leve peso de nossa tribulação no momento presente, prepara-nos, além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória; não que nós olhemos as coisas visíveis, mas para as invisíveis; é que as coisas visíveis são transitórias, ao passo que as invisíveis são eternas” (I Cor 5,417-18). Além do mais, a imperturbabilidade é o venturoso resultado da aceitação de tudo como vindo da mão de Deus. Tudo é, deste modo, contemplado pelo prisma da Divina Sabedoria.

É dessa maneira que o querer humano vai se transformando no querer divino. Pensar, desejar, aspirar, sentir em tudo conforme a adorável Vontade Divina deve ser sempre o grande intuito do verdadeiro imitador de Jesus Cristo.

Equipe de Colunistas do Formação/ Canção Nova

Se quero ser feliz, preciso conservar o que é bom, em primeiro lugar, com relação a mim mesmo

Olhe para você mesmo. Você já aprendeu a conservar aquilo que é bom em você? Tente escrever algumas páginas de algumas coisas boas em sua vida e coisas boas que você tem. Alguns vão encontrar dificuldade, porque parece mais fácil conservar o que é mau, o que é negativo. Por isso somos infelizes, mas é preciso ser feliz.

Como viver sempre contente? Conservando o que é bom e se apartando do mal; e apartar é separar. Será que eu separo o mal de minha vida ou parece que tenho um arquivo onde registro tudo aquilo que é negativo?

Como discernir se estou conservando o mal?

O que é discernir? É o dom do discernimento que o Espírito Santo nos dá, é a capacidade de partir ao meio, é saber tomar o lado bom e o lado ruim. Lembre-se do discernimento feito por meio de uma palavra de sabedoria de Salomão. Quando duas mulheres brigavam por uma criança, ele mandou partir a criança ao meio. Aquela que não aceitou a terrível decisão era a verdadeira mãe.

Então, o que é discernir? Discernir é partir, examinar, estudar, olhar as coisas por outro lado. Isso é o difícil da vida, porque sempre achamos certo o nosso lado.

Discernir é não julgar pelas aparências. Todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto, ou seja, é olhar de todos os ângulos possíveis, com todas as possibilidades. Por que brigamos? Porque aprendemos a conservar, no coração, aquilo que é ruim, e nisso existe um grande especialista, o pai de toda essa escola: o encardido. Aquele que é de Deus dá fruto de Deus. Conhecemos uma árvore pelos frutos e não pela casca. E o grande fruto do Senhor é aprender a guardar, no coração, as coisas boas. Esse é o primeiro ponto. E o segundo é afastar-se do mal.

Veja a pedagogia de São Paulo. Alguns salmos usam essa jogada de palavras: apartai-vos do mal, apegai-vos ao bem. Nesse texto, ele faz o contrário. Se você quer ser feliz em Deus, a primeira coisa a fazer é guardar, dentro do coração, as coisas boas. Primeiro o bom, depois afastar-se do mal. Nós queremos consertar uma pessoa combatendo seus defeitos. Coitado, vai combater defeitos a vida inteira! Se quisermos ser felizes em Deus, a primeira coisa a fazer é encher-nos do bem, conservar no coração e na vida as coisas boas.

Qual é o segredo da felicidade de Maria?

Segundo o Evangelho, ela conservava a Palavra em seu coração. Conservar tem dois aspectos. O primeiro deles é fazer conserva. Na região sul, por exemplo, é muito comum, na época de colheita, na qual as coisas são baratas, colocá-las na conserva. O segundo aspecto de conservar é guardar com cuidado, com sabedoria. Conservar significa que o que estava estragado já fora descartado antes. Imagine se você colocasse, em sua cozinha, um caixote onde seriam depositados todos os restos de comida estragados. O que aconteceria? Primeiro, iria apodrecer; depois, cheirar mal; em seguida, apareceriam moscas, ratos e baratas; por último, o caixote apodreceria. E por que fazemos assim com as coisas da vida? O coração de algumas pessoas é como um caixote desses, cheio de coisas que não prestam. Algumas pessoas tem o dom de guardar coisa ruim no coração. Se quero ser feliz, preciso conservar o que é bom, em primeiro lugar, com relação a mim mesmo. O que eu tenho de bom? Minhas qualidades, as coisas boas que já fiz, as coisas boas que sinto.

O encardido não quer que nos convençamos de nossas qualidades. Ele fica feliz quando achamos que não valemos nada, porque ficamos parecidos com ele. Qual é a grande característica de Deus na Bíblia? Ele sempre vê o lado bom. Primeiro capítulo da Bíblia, sete vezes: “E Deus viu que tudo era bom…” E nós vemos que tudo é ruim. As pessoas ganham o dom de reclamar, a oração de lamúria, o louvor ao encardido.

Percebem a importância de conservar aquilo que é bom? E como devemos conservar as coisas que vem de Deus? Os nossos olhos estão sendo educados para enxergar o quê? Aquilo que é ruim.

Trecho extraído do livro “Buscai as coisas do Alto”, do padre Léo, scj

Canção Nova

Como o texto bíblico nos leva a refletir sobre a vida e os sentimentos

Nos artigos anteriores da série “As palavras da Palavra”, falamos sobre ser receptor e emissor da mensagem de Deus, tomando por exemplo a passagem do pecado original. No segundo artigo, falamos sobre a missão evangelizadora da Igreja e como somos participantes dela; no terceiro artigo, sobre o ministério da palavra. Agora, ao falarmos da reflexão particular, o exemplo é a parábola do filho pródigo, que poderá ilustrar de forma adequada como o texto bíblico nos leva a refletir sobre a vida e os sentimentos, além de uma simples leitura.

Na parábola do filho pródigo, Jesus narra um pai que tinha dois filhos. O mais novo, pediu sua herança e saiu de casa, gastou tudo que lhe pertencia, passou fome, necessidades e desejou a lavagem dos porcos como alimento. Após tanto sofrimento, lembrou-se da bondade de seu pai e decidiu retornar. Não ansiava retomar o lugar de filho, mas servir aquele pai que era benevolente com os servos lhe era suficiente. Ao retornar, foi recebido com misericórdia e foi celebrada a sua volta. Apenas seu irmão mais velho não se agradou com o retornou e tentou justificar-se com o pai: “Eu te sirvo há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua; e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, matas pra ele um novilho gordo!” (Lc 15, 29-30).

Vamos à reflexão

A atitude do pai misericordioso simboliza a misericórdia divina em contraposição ao filho mais velho, que se considera “justo”, porque não infringe nenhum preceito da Lei. Há um comportamento interessante na reflexão particular do texto bíblico, que deve ser divido em dois momentos. O primeiro que nos leva à prática da fé, é uma leitura constante e organizada, visando o entendimento da Palavra de Deus. O segundo é aquele consolador, quando em um momento de tribulação procuramos amparo na Bíblia. Contudo, o segundo sem o primeiro pode nos levar à ilusão.

Vamos considerar um sofrimento que nos ocorre no trabalho, quando um colega recebe uma promoção ou algum tipo de vantagem que não entendemos como justas e nos julgamos mais merecedores. Certamente, muitas passagens bíblicas virão até nós, dos falsos profetas, dos últimos que serão os primeiros e até mesmo de servir a Deus e não ao dinheiro. Note que todas essas passagens indicam que aquela promoção fará mal ao outro e nós estamos protegidos. Mas porque, nesse momento, não lembramos da parábola do filho pródigo?

Amor e misericórdia

Ao refletir sobre essa passagem, nesse momento de nossas vidas, nos veríamos como o filho mais velho, e a parábola se torna uma lição dura demais. Em outras palavras, na reflexão particular, os textos que demonstram o amor e a misericórdia de Deus foram escritos “para mim” e as duras lições e acertos de conduta foram escritos “para o outro”. Esse comportamento – que não é raro – nos afasta da lição que a Palavra quer nos transmitir. A parábola do filho pródigo, além da misericórdia divina, trata da inveja, do egoísmo e da arrogância. Condena a atitude daquele que não reconhece mais como irmão o filho marcado pelo pecado. Veja que ao falar com o pai o filho mais velho menciona “esse teu filho”, demonstrando que já não o considera mais o pecador como da mesma família.

O filho mais velho, por mais que cumpridor das Leis, faltou com o mais importante dos mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Lc 10, 27). Na reflexão particular das Sagradas Escrituras não fechemos os olhos para as lições mais importantes, pois assim estaremos apenas procurando subsídios para nossas falhas e imperfeições. Pelo contrário, busquemos as lições mais duras, que formam o caráter e moldam nosso espírito à imagem e semelhança de Deus. Não julgue, não condene nem critique. Compreenda, acolha e aconselhe. Que Deus nos acompanhe e nos ilumine. Que assim seja.

REFERÊNCIAS

BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB, 18 ed. Editora Canção Nova.

Canção Nova

A nossa vida tem um propósito escolhido por Deus

Eu acredito que Deus tem um chamado especial para a vida de cada um de nós, justamente porque somos únicos, e Ele não nos teria criado assim por um acaso. O problema é que nem sempre conseguimos discernir e aceitar esse chamado, e aí está uma das maiores fontes de tensão para muita gente em nossos dias.

Alguns não querem nem saber qual seria a proposta de Deus para sua vida, pois estão ocupados demais com seus afazeres ou envolvidos demais na busca de riqueza e fama, por isso, simplesmente, não têm tempo para ouvir Deus. Existem outros que até escutam o chamado, mas têm medo que Deus lhes peça algo insignificante, fora do seu projeto pessoal e, por isso, preferem a indiferença. Há ainda quem escute, claramente, a vós do Senhor, mas têm uma opinião tão negativa de si próprio, que não acredita que Ele lhe escolheria para algo grande, por isso acredita que o chamado é para outra pessoa, e não responde.

O problema é que enquanto não paramos para, pelo menos, pensarmos no sentido de Deus ter nos enviado a este mundo, corremos o risco de “vivermos por viver”, sem acharmos o nosso lugar de fato. Isso gera uma sensação constante de vazio e insatisfação com a vida, o que aliás, em nossos dias, têm levado muita gente, principalmente os jovens, a perderem completamente o sentido de viver. É algo sutil que pode se tornar grandioso se não aprendermos a lidar com a situação desde o início.

Os planos de Deus

Recordo-me de que, quando eu era criança, mesmo sem compreender o que seria um chamado de Deus, eu acreditava que Ele havia me criado para algo maior do que meus planos. Hoje, porém, olhando para minha história, percebo claramente como a mão de Deus sempre conduziu minha vida. O interessante é perceber também que Ele me chamou e deu-me a opção de segui-Lo ou não. Graças a sua Misericórdia, escolhi segui-Lo, e cada vez mais percebo que fui criada justamente para estar onde estou sendo quem eu sou e fazendo o que faço, o que, aliás, é sempre uma consequência do que sou. Porém, percebo que se eu tivesse parado nos meus medos, nos meus projetos pessoais e nas minhas incapacidades, jamais teria dito sim ao chamado de Deus. Portanto, se você também percebe que Ele lhe chama para algo maior, independente da sua condição, tenha a coragem de dizer sim de todo coração, pois Ele mesmo irá providenciar o necessário para que a vontade d’Ele se cumpra em sua vida, e assim sua alegria seja completa.

Vamos rezar pedindo essa graça?

Oração: Senhor, eu sei que tens um propósito para minha vida, porque eu não sou fruto de um acaso. Eu sei que o Senhor pensou em mim mesmo antes do meu nascimento, como diz Sua Palavra. Por isso, peço: coloca o meu coração em sintonia com Teu coração e ajuda-me a ouvir o Teu chamado. Se minhas expectativas e planos não estão alinhados com os Teus propósitos, eu quero submetê-los a Tua autoridade; e comprometo-me a andar contigo. Quero que a Tua vontade se cumpra em mim e desejo que, com a minha vida, eu possa glorificar o Teu santo nome. Amém!

Canção Nova

Para entender a mensagem de Deus é preciso uma leitura consistente da Palavra

“Ouvindo o homem e sua mulher os passos de Deus, que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se de Sua presença entre as árvores do jardim. Mas Deus chamou o homem, perguntando: “Onde está você?” (Gn 3,9). Esse trecho do livro de Gênesis pode nos inspirar, em um único versículo, a refletir sobre a relação íntima entre o homem e Deus. A leitura nos leva a questionar: por que seria necessário que Deus, Onipotente, Onipresente e Onisciente, perguntasse onde estaria Adão? Já não deveria Ele saber? Vamos refletir sobre a passagem.

O trecho narra o primeiro contato do homem com Deus após o pecado original. Note que a primeira reação do homem pecador diante de Deus é esconder-se. É, então, que o Senhor chama pelo homem, perguntando onde ele está. Mas não é o local físico, Ele não questiona o esconderijo do homem, mas procura, em Adão, a Sua obra, o ser puro e livre do pecado. Esse questionamento se traduz no fundamento da vontade de Deus para conosco: que o homem seja Sua imagem e semelhança, livre do pecado.

A leitura e interpretação da Bíblia não pode ser superficial. É necessária a reflexão, palavra por palavra, para que possamos entender o sentimento de cada uma das pessoas e o momento na história da criação em que se passa a narrativa. No trecho que analisamos, é preciso compreender um homem que não tem consciência do pecado, não havia, até então, nada que decepcionasse a vontade de Deus. Esse homem, consciente de sua desobediência, tenta se afastar do Criador. Deus, por Sua vez, procura aquele a quem deu a vida, o homem a quem deu Seu jardim, para que cuidasse e cultivasse. Mas há ali um homem pecador e envergonhado. Onde estaria a criação pura? Esse é o questionamento de Deus para Adão.

No livro de Neemias, no Antigo Testamento, lemos que o povo se reunia, louvava a Deus e ouvia a leitura da Palavra. Mas não era uma leitura superficial: “liam o livro da Lei de Deus, traduzindo-o e dando explicações, para que o povo entendesse a leitura” (Ne 8,8). Isso porque cabe ao homem de coração sereno receber a mensagem de Deus através da leitura bíblica. É preciso acalmar os ânimos, afastar os pensamentos tribulados do cotidiano, louvar a Deus e fazer a leitura, como receptor da Palavra e não mero ouvinte.

Esse é o primeiro artigo da série “As palavras da Palavra”, com a singela missão de despertar nos cristãos o sentimento íntimo de tornar-se receptor e emissor da mensagem de Deus. A missão evangelizadora da Igreja, o ministério da Palavra, a reflexão particular do texto bíblico e a reflexão por grupos de oração serão temas dos próximos artigos.

Deus nos acompanhe e ilumine. Assim seja!

Canção Nova

No dicionário da Língua Portuguesa, saudade é sinônimo de solidão. É lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhadas do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las. Mas, sinceramente, só consegue explicar o que é saudade quem já a sentiu, não é mesmo?

O que é sentir saudade?

Sabe aquela sensação de vazio interior quando se pensa em alguém que está longe? E aquele sentimento de ausência, de estar sozinho por causa de quem se foi? Isso pode ser sintoma de saudade.

E quem nunca sentiu saudade? Saudade da comida da mãe, saudade de brincar na rua quando era criança, saudade de um colega de escola que você nunca mais encontrou, saudade de uma época boa da vida.

Bem escreveu diácono Nelsinho Corrêa da Comunidade Canção Nova: “…só se tem saudade do que é bom! Se chorei de saudade não foi por fraqueza, foi porque eu amei”. É a pura verdade!

Só sentimos saudade do que é bom?

Sentimos saudade de coisas boas. Acredito ser impossível existir alguém que tenha sentido saudade da época em que ficou desempregado ou do dia em que sofreu um acidente e teve que ficar no hospital, por exemplo.

Logo, sentir saudade é uma coisa boa! Isso mesmo! Vou tentar explicar.

Esses dias, vivi algo interessante. Meu namorado viajou por quatro dias. Era a primeira vez, em quase seis meses de namoro, que passávamos vários dias sem nos encontrarmos por causa da missão. Nossa, como foi difícil! Tudo me fazia lembrá-lo. Bateu certa tristeza e melancolia, mas depois pensei: por que ficar triste? É um ótimo sinal do quanto ele é importante para mim, do quanto ele faz diferença em minha vida.

Não tenha medo de sentir saudade

Quis partilhar isso para dizer a você que não tenha medo, e não esconda suas saudades! Procure encontrar nelas um sentido para sua vida. Se a saudade é de um familiar que se foi, busque não parar nesse saudosismo, mas pense nas lembranças boas que ele deixou (seus exemplos) e tente encontrar nisso forças para continuar a caminhada.

Se a saudade é de um tempo, de uma coisa, de outro alguém, busque os meio de “matar essa saudade”. Se possível, vá ao encontro desse alguém ou desta coisa. Ao contrário, se isso não é possível, fale para Jesus de suas saudades, daquilo que sente falta, que lhe faz sentir aquele vazio interior. Peça para que seus sentimentos e emoções sejam purificados, e o equilíbrio e a harmonia interior alcançados.

A letra da canção que citei acima continua assim: “… e se eu amei, quem vai me condenar? E se eu chorei, quem vai me criticar? Só quem não amou, quem não chorou, só quem já morreu e se esqueceu de deitar”.

Sentir saudade nos faz mais humanos, faz-nos pontualizar quem somos e quem são as pessoas que vivem a nossa volta.

Um ditado popular diz: “Só damos valor às coisas quando a perdemos”. Não espere perder alguém para descobrir o quanto ela significa para você. Valorize sua família, seus colegas, seu trabalho, seu namorado, noivo, esposo.

E se depois de ler essas linhas perceber que nunca sentiu saudade, penso que é hora de você rever seus valores, sua postura em relação à vida.

Quando senti saudade de meu namorado, tive a certeza de que eu o amava. Não que eu não tivesse essa certeza, mas percebi o quanto a presença dele me fazia falta, o quanto ele era importante para mim.

Canção Nova

Desejar o batismo no Espírito Santo é querer ter sua vida transformada por Ele

Em 2014, Papa Francisco falou que a Renovação Carismática Católica é uma grande força no serviço do Evangelho, na alegria do Espírito Santo. No início, o Papa afirmou que não era simpatizante do movimento, mas quando começou a conhecê-lo, entendeu o bem que a RCC faz à Igreja. Assim, abordarei sobre “por que desejar o batismo no Espírito Santo”, pois a falta de conhecimento pode ser o motivo de preconceitos, ainda hoje, sobre o assunto.

Destaca-se que o efeito mais comum do batismo no Espírito Santo é de o próprio Espírito passar a ser um fato vivenciado e não mais somente um objeto de fé intelectual. Padre Raniero Cantalamessa ainda diz que, antes da manifestação dos carismas, Ele é percebido como Espírito que transforma interiormente, que concede o gosto de louvar a Deus, que leva à descoberta de uma alegria nova, que abre a mente à compreensão das Escrituras e, sobretudo, ensina a proclamar que Jesus “é o Senhor”.

Certa vez, visitei um grupo de oração e um servo orou por mim. Lembro que senti algo indescritível e lágrimas surgiram dos meus olhos. Muito mais do que isso, foi uma fé viva que brotava do meu coração, uma transformação de vida. Não posso negar que foi um batismo no Espírito. O teólogo Karl Rahner explica:

“Não podemos negar que o homem possa ter, nesta vida, experiências da graça que lhe possam proporcionar uma sensação de libertação, que lhe abram horizontes totalmente novos, que o marquem profundamente, que o transformem e plasmem, mesmo por muito tempo, a sua atitude cristã mais íntima. Nada impede de chamar tais experiências de batismo do Espírito”.

O que é o batismo no Espírito Santo

O batismo no Espírito Santo, que ouvimos dos movimentos da Renovação Carismática Católica é um dos modos com que Jesus ressuscitado continua Sua obra essencial, que é a de batizar a humanidade “no Espírito” (At 1,5). É uma renovação do acontecimento de Pentecostes, bem como uma renovação do sacramento do batismo e da iniciação cristã em geral, mesmo sendo certo que ambas as realidades coincidam e nunca devam ser separadas ou contrapostas, afirma Raniero Cantalamessa.

João Paulo II diz que “graças ao Espírito Santo, o nosso encontro com o Senhor acontece no tecido ordinário da existência filial, no face a face da amizade, fazendo experiência de Deus como Pai, Irmão, Amigo e Esposo. Este é o Pentecostes!”.

É certo que o batismo no Espírito Santo, como diz K. Ranaghan citado por Yves Congar, não substitui o batismo e a confirmação. Ele se apresenta como reafirmação e uma renovação adulta desses sacramentos, uma abertura de nós mesmos para todas as suas graças. Para não confundir, a CNBB propõe termos como “efusão do Espírito Santo”, “derramamento do Espírito Santo”.

Desejar o batismo no Espírito é querer ter sua vida transformada por Ele, é viver a alegria de uma fé viva, que se renova a cada sacramento. É proclamar que Jesus é o Senhor e ter uma atitude cristã nova, como em Pentecostes.

Rezemos

“Vinde Espírito Criador, a nossa alma visitai
e enchei os corações com Vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o Intercessor de Deus Excelso, dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.
Sois o doador dos sete dons e sois poder na mão do Pai,
por Ele prometido a nós, por nós seus feitos proclamai.
A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli e concedei-nos a Vossa paz;
Se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás.
Ao Pai e ao Filho Salvador, por Vós possamos conhecer
que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer.
Amém!”

 

Radio Vaticano

Com o texto de hoje, vamos iniciar uma nova fase em nossa série sobre o “Sacramento da Confissão”. Vamos tratar diretamente dos três primeiros mandamentos. Esses se referem ao nosso relacionamento para com Deus: amar a Deus sobre todas as coisas; não tomar seu santo nome em vão; guardar domingos e festas.

O objetivo de nossa vida, o fim último para o qual fomos todos criados, é a união com Deus. É o que acontece após a morte àqueles que estão sem o pecado grave. E como diz da finalidade da nossa vida, isso deve ser alcançado o quanto antes, sem precisar experimentar a morte. Manifesta-se pela contemplação das coisas de Deus.

Reflita com o pensamento de Santo Agostinho

Para ilustrar o que queremos dizer, vamos à história de Santo Agostinho. Desde sua juventude, Agostinho queria ser um retórico. Era uma profissão que existia em sua época, onde esses eram contratados para falarem ao povo, bem ou mal, de alguma coisa ou alguém. Era para convencer os outros de algo, mesmo que fosse mentira. Dependia de quem os pagasse. Nesse período, ele era um pagão que estava em busca de sucesso mundano.

Havia um autor que ele admirava muito, chamado Cícero. Em uma narrativa foi dito que Agostinho ficou chocado ao ler que Cícero, cuja profissão também era a retórica, dizendo que, o que era belo e sublime não era a retórica, mas sim a filosofia. Ela era a ciência da busca da verdade. E procurar a verdade era mais nobre que a mentira na retórica.

Agostinho, então, seguiu a sugestão de Cícero e debruçou-se no estudo da filosofia.

Ele descobriu, então, no estudo filosófico de sua época, várias verdades sobre o mundo, o ser humano, o relacionamento, natureza, política, metafísica etc. Foi lembrando que sua mãe, Santa Mônica, o havia contado histórias da Bíblia, enquanto ele era ainda um garoto, onde continha essas mesmas verdades que ele estava descobrindo. E ele ficou assombrado pela quantidade de verdades, grandes e profundas, que haviam lá, de modo que passou a acreditar na Bíblia e que Deus de fato existe. Percebeu que a Sagrada Escritura não era de origem humana e que se pode conhecer a Deus por ali.

Como Agostinho tinha uma vida intensa de estudos, foi nítida a percepção de que, assim que ele passou a crer em Jesus, na Bíblia e na religião, começou a entender muito melhor a vida e as grandes questões de sua época.

Conversão

Normalmente, as pessoas se convertem após ter levado uma vida moralmente má. Encontram no cristianismo e em Jesus um modelo elevado e mais pleno de conduta, e querem viver como Ele e para Ele. No entanto, Santo Agostinho se converteu a partir de um trabalho intelectual. Não que tivesse uma vida moralmente má, mas sim uma busca incessante intelectual, pela verdade. Sua mente passou a funcionar melhor!

No início do Evangelho de São João diz: “No início era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Nela estava a vida e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la” (Jo 1,1-5).

Isso significa que, na hora que cremos, surge uma luz sobrenatural, o próprio Cristo, que nos faz ver melhor, superando às trevas do entorpecimento do pecado! A luz da graça nos ilumina. E essa luz é uma participação do Cristo ressuscitado. Ao crer, a luz nos ilumina e daí crescemos na fé.

Algo semelhante aconteceu na narrativa da Paixão do Senhor (Lc 23,39-43), onde um dos criminosos crucificados ao lado de Jesus zombavam d’Ele, enquanto o outro O via como O Senhor.

A coisa mais importante no cristianismo é o crer em Jesus. Quando cremos, estamos em contato direto com Ele!

Como ocorre de a graça de Deus nos iluminar a partir do fato de crer?

No texto “A Eucaristia é o início de uma vida de comunhão com Deus”, tratamos com bastante detalhes sobre esse ponto. No entanto, para chegar onde queremos, vale retomarmos resumidamente. No momento da criação de todas as coisas, não existindo nenhuma outra substância a não ser o próprio Deus, portanto além d’Ele somente o nada, a primeira coisa criada, para permanecer existindo, era preciso que Deus a mantivesse na existência o tempo inteiro. Todos nós e todas as coisas que existem necessitam absolutamente de que Deus as mantenha existindo, mesmo que seja por incontáveis causas segundas. No caso das pessoas em especial, há a alma que é criada também do nada, no ato da concepção. Portanto, Deus está presente nas coisas, sustentando tudo na existência, e em nós, de modo especial, sustentando a nossa alma na existência. Ele está mais próximo de nós do que imaginamos. O primeiro passo então, para ter um contato com Deus, é crer nessa luz que vem de Deus e que está perto e dentro de nós!

Sendo assim, devemos amar a Deus, percebendo Sua presença tão íntima em nós, pela fé. Quando cremos, estamos em contato com o Cristo ressuscitado assim como Maria, a irmã de Marta, (Lc 10, 38-42) estava aos Seus pés.

E para aumentar essa fé, é preciso pedir diariamente, vezes sem conta, que o Senhor aumente nossa fé!

A Eucaristia

Jesus também criou uma “ferramenta” para aumentar e aprimorar a nossa fé, pois Ele é bom e quer se unir a nós. basta comungar bem! Graças a Eucaristia!

Jesus, na substância da hóstia, está com seu corpo ressuscitado. Seu corpo inteiro. Assim como no vinho, na sua substância, está o sangue de Cristo inteiro. Ao recebê-Lo, nós temos a presença física do Corpo de Cristo em nós enquanto durarem as suas espécies, para que, em cerca de 10 minutos após a comunhão, nós possamos aprender a amá-lo tanto o mais possível! (10 minutos significa o tempo em que a hóstia consagrada permanece intacta em sua aparência de pão, dentro de nosso estômago. Ao ser corrompida, se ausenta a pessoa de Jesus dali.) Na Eucaristia, nós fazemos uma experiência de fé e amor. É um treino, um ensaio do jeito que nós devemos crer e amar em todos os momentos que estamos longe da Eucaristia. Desse jeito, essa presença íntima de Cristo que habita em nossos corações vai se tornando mais intensa e nítida!

Quando a mulher, que padecia de fluxo de sangue (Lc 8,43-48), tocou no Cristo, por causa de sua fé, foi curada. E para provar que não era uma autossugestão dela, Jesus, que estava comprimido pela multidão, sentiu uma força sair d’Ele por ter sido tocado com fé. Assim, quando exercitamos a fé no Cristo Ressuscitado e Eucarístico, nós recebemos, cada vez mais, a luz da graça para o amarmos mais e melhor. Aqueles que comungam com frequência, e em estado de graça (isso é fundamental) conseguem perceber que vão sendo aos poucos transformados. Ou seja, para aprender a rezar, é preciso comungar bem! Em estado de graça, amando o objeto do seu amor, que está em contato com você na hóstia consagrada comungada.

Daí, na oração, em momento diverso à Eucaristia, nós procuramos reproduzir aquela mesma experiência. Embora nossa oração ordinária seja sempre menos profunda que a Eucaristia.

Uma vida de oração

Para ter união com Cristo, é preciso ter vida de oração, todo dia, cada dia mais.

A partir da semana que vem, vamos iniciar a meditação dos três primeiros mandamentos, porém, de forma diferente, vamos de trás para frente. Na ordem de importância, o primeiro é maior que o segundo e o segundo que o terceiro.

Iniciaremos, propositalmente, pelo terceiro, pela didática que estamos abordando para explicá-los.

 

Canção Nova

O Espírito Santo foi derramado, porque Jesus orou

“Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando Ele a orar, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: “Tu és o meu filho bem-amado; em ti ponho minha afeição” (Lc 3,21-22).

Eu já tinha lido esses versículos inúmeras vezes, mas, até então, não havia despertado para esta verdade: “…estando Ele a orar, o céu se abriu”. É a oração de Jesus que rasga o céu. Dessa vez, o raio parte da terra, fulgurante, atravessa o céu rompendo-o; e uma vez aberto, o céu derrama o que tem de mais precioso: o Espírito de Deus. O Espírito Santo foi derramado, porque Jesus orou. Quando oramos em nome do Senhor, Ele mesmo apresenta nossa oração ao Pai.

O Espírito Santo se derramou, em Pentecostes, porque também a comunidade orou e sua oração atingiu em cheio o céu. Dia e noite, o Reino dos Céus é arrebatado pelos violentos. Nossa oração violenta os céus! Santo Afonso de Ligório dizia que quem reza faz violência a Deus, mas é uma violência que Lhe agrada. Se quisermos ser cheios do Espírito Santo, precisamos ser violentos na oração, o que também quer dizer: rezar mais.

Oração pessoal

A vida de Jesus foi marcada pela oração. A multidão O cercava, mas Ele se retirava para rezar. Quando o tempo era escasso, Ele se levantava na madrugada para fazer Sua oração. Não tomou as grandes decisões de Sua vida sem antes ter dobrado os joelhos ante Aquele que O amava. Se a oração foi necessária a Jesus, ela é muito mais a nós. Reclamamos que a vida é dura conosco e que nos fere, mas isso acontece com todas as pessoas; também foi assim com o Senhor, e foi na oração do Horto que o Pai O consolou e curou. Toda a nossa salvação está na oração.

Um dia, quando São Boaventura terminava a pregação, um homem o tomou pelo braço – era São Tomás de Aquino – e foi lhe dizendo: “Não te deixarei até que me digas de que fonte bebes, qual a tua biblioteca, onde buscas tanta sabedoria, pois até hoje tudo o que falaste, falaste muito bem. Não te largo até que me contes”.

Então, Boaventura o conduziu à sua cela e, correndo uma cortina, pôs-se a dizer: “Aqui está a fonte em que bebo e minha sabedoria. Eis a minha biblioteca”. Tomás replicou: “Mas é tão parecida com a minha!”. Atrás da cortina havia apenas um crucifixo e um genuflexório. Quem deixa a oração por causa do estudo não busca a Deus, mas a si mesmo. Deus ensina muitas verdades a quem se deixa instruir por Ele na oração. Se quisermos ser cheios de Deus, precisamos estar a Seus pés.

Lembro-me de Maria sentada aos pés de Jesus enquanto Marta, sua irmã, ocupava-se dos afazeres da casa. Marta queria que Jesus estivesse numa casa agradável, com cheirinho de limpeza, e comesse uma bela refeição, mas não tardou muito a se indignar com sua irmã esparramada aos pés do Senhor, enquanto ela se matava de trabalhar. Foi tanta a sua irritação, que pôs de lado Maria e virou-se para Jesus: “Não te importas que eu esteja aqui a tentar te agradar e minha irmã fique sentada a falar contigo?”.

Ao que Jesus responde sorrindo: “Marta, Marta, tu te preocupas com tantas coisas e não te preocupas com o necessário. Maria escolheu a melhor parte e isso não lhe será tirado”. Penso que Jesus, muitas vezes, nos vê perdidos entre tantos pedidos, uns mais, outros menos necessários, e sorri a dizer o nosso nome: “Se tu soubesses… Ocupas-te com tantas coisas e te perdes em tantos pedidos que te esqueces de pedir o essencial: o Espírito”.

Quem está cheio do Espírito Santo tem tudo, mas o que dele está vazio, ainda que tenha muito, nada tem. Tempo é uma questão de prioridade. Vemos quanta importância damos a Deus pelo tempo que Lhe dedicamos. As desculpas acabam por ser sempre as mesmas: cansaço, pouco tempo, trabalho, marido, filhos etc. É estranho! Temos tempo para tudo, exceto para Aquele que nos deu todo o tempo. Na verdade, não é falta de tempo, mas de amor.

Este é e será o maior desespero no inferno: o poder ter alcançado a salvação com facilidade, pedindo as graças necessárias. E agora os que foram condenados não têm mais tempo de rezar. Seja fiel! Nunca negligencie o seu tempo de oração e verá, em pouco tempo, os resultados. O Senhor nos ama, quer nos consolar e derramar generosamente Suas bênçãos sobre nós. Se nos aproximarmos Dele pela oração, mais ainda Ele se aproximará de nós. Santa Teresa d’Ávila ensina: “Quem pede recebe, mas quem não pede não recebe…”. Há momentos em que Deus está apenas esperando que, pela oração, venhamos a aderir à Sua vontade para nos socorrer.

A oração comunitária

O objetivo da vida cristã é a aquisição do Espírito, dizia Serafim de Sarov, mas o “Espírito Santo gosta de se derramar no meio da comunidade” (Santo Afonso). Rezar em casa não é a mesma coisa que rezar na Igreja. A oração pessoal é importante, mas não basta. Há graças que Deus nos concede mediante nossa oração pessoal, mas há outras que Ele nos quer dar quando estamos rezando em comunhão com outras pessoas, no seio da comunidade.

Basta observar que, quando o Espírito foi derramado em Pentecostes, os discípulos se encontravam reunidos e perseveravam unanimemente em oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os parentes d’Ele. Jesus ensina que o que pedirmos em comum acordo ao Pai do Céu, em Seu nome, Deus no-lo dará.

Precisamos estar de acordo, unidos de coração e com o mesmo ânimo, saber o que quer nossa comunidade e o que queremos também nós. “Se alguém de vós quer sabedoria, peça-a a Deus – que a todos dá liberalmente, com simplicidade e sem recriminação – e ser-lhe-á dada. Mas peça-a com fé, sem nenhuma vacilação, porque o homem que vacila assemelha-se à onda do mar, levantada pelo vento e agitada de um lado para o outro. Não pense, portanto, tal homem que alcançará alguma coisa do Senhor, pois é um homem irresoluto, inconstante em todo o seu proceder” (Tg 1,5-8).

Não ponha em dúvida se é ou não verdade, aceite com fé as Palavras do Senhor, porque Ele, que é a verdade, não mente. Outra necessidade é perseverar em comunidade, na oração, pedir, procurar, bater à porta de Deus. Ele quer que sejamos insistentes.

Você tem um poder sobre Deus, sobre o Espírito Santo: o poder de pedir. Num primeiro momento, pode parecer pouca coisa, mas não é. A oração é uma arma poderosa. O homem que reza é um homem poderoso, pois faz seu o poder que é de Deus. O Senhor se apressa em ouvir a oração do justo, e vale a pena dizer que, aqui, o justo se identifica com o homem e a mulher de fé, com aqueles que aceitaram Jesus como o Senhor de sua vida e foram por Ele justificados.

 

Radio Vaticano

A libertação da nossa vida acontece por meio da Palavra de Deus. Foi assim desde o início da missão de Jesus. Ele veio para curar todas as doenças que trazemos dentro da nossa genealogia, dos nossos antepassados, da nossa árvore genealógica e, até mesmo, do ventre materno. Jesus vem curar todas as doenças que entraram na nossa vida por conta do nosso pecado.

Vejamos, como exemplo, a cura da hemorroíssa: essa mulher sofria há doze anos de uma doença para a qual ela tinha procurado a cura e gastado todo seu dinheiro com os médicos e, esses, não a tinham curado. Agora, ela encontra a Jesus. E ela vai ver Jesus. E, ao ver Jesus, ela é curada. Jesus sente que sai uma força d’Ele. E essa força é o que cura essa mulher. Ela, pela fé, tomou posse; e a maldição que pesava sobre ela foi quebrada. Essa é a pior doença relatada na Sagrada Escritura, porque o livro do Levítico (cf. Lv 15, 25-27) diz que quando uma mulher estava com sangramento, ela tornava-se maldita, e tudo o que ela viesse a tocar tornaria-se, também, maldito.

Muito maior do que o sangramento, do que a doença dessa mulher, era exatamente a humilhação de viver isolada, longe dos seus filhos, longe do seu marido, longe da sociedade e sem poder tocar em nada, porque, tudo o que ela tocasse, se tornaria maldito.

No caminho, Jesus estava indo à casa de Jairo, onde a filha de Jairo estava morta. Ela tinha doze anos, e Jesus chega e diz: “Talitá, cum!” (Menina, levanta-te!); e a menina levanta imediatamente. A doença leva à morte. Jesus leva à vida!

Jesus é a cura. O nome de Jesus já diz: “Ele é o Salvador”. E a palavra “salvador”, no grego, significa “aquele que vem trazer a cura”. Cura do corpo e da alma. Jesus é Aquele que vem para quebrar toda a maldição de doença que se encontra no ser humano.

Essa hemorroíssa representa todas as gerações antes de Jesus Cristo, ou seja, as doze tribos de Israel. A filha de Jairo, por sua vez, representa todas as gerações até a última vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, a geração apostólica. Então, a cura em Jesus é para todos aqueles da nossa família que nos antecederam. É, também, para todos aqueles que virão depois de nós até à última vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Bíblia deixa isso muito claro!

Oração

Eu estendo as minhas mãos sobre você agora e, em nome de Jesus, pelo poder de todas as chagas do Senhor, pelo poder do Sangue de Jesus aspergido em cada uma dessas chagas, eu ordeno que toda doença física, toda célula cancerígena, toda bactéria de infecção, todo tumor, toda doença degenerativa, toda e qualquer doença que esteja no seu corpo, nos ossos, nos músculos, na pele, na carne, na corrente sanguínea, toda doença diagnosticada, em tratamento ou desconhecida, que ela se retire agora da sua vida e vá aos pés da Cruz de Cristo, e que você receba o milagre. Nesse ato de fé eu ordeno, a toda central de distribuição de células cancerígenas, que ela seja agora cancelada em nome de Jesus. Que você receba o milagre em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Deus o abençoe. E que por essa graça da Palavra de Deus, você encontre a cura e a libertação que tanto necessita.

Radio Vaticano

A conquista da plenitude do ser humano só se faz quando se encontra e se percorre o caminho da bondade

A reconhecida maestria de Jesus nos Seus ensinamentos, com a particularidade de Sua presença, com Sua força incomparável de interpelação, tocava sempre os espaços mais recônditos dos corações. O evangelista Marcos narra um diálogo de Cristo com Seus discípulos que causou grande espanto. Jesus descreve a cena de alguém que corre na direção d’Ele e, quando se aproxima, pergunta: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?”.

O diálogo se desenvolve aprofundando o que é ser bom e o que fazer para ser bom, admitindo convictamente que a conquista da plenitude do ser humano só se faz quando se encontra e se percorre o caminho da bondade.

Depois de falar dos mandamentos para aquele que estava interessado em ganhar a vida eterna, Jesus, fitando-o com amor, afirma: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. O interessado na vida eterna ficou pesaroso e foi embora cheio de tristeza, pois possuía muitos bens, conta o evangelista Marcos que, também, descreve o espanto dos discípulos ao ouvirem essas palavras de Cristo. Pedro, então, intervém dizendo: “Olha, nós deixamos tudo e te seguimos”.

Jesus não estava fazendo contas de números naquele diálogo. Sua maestria não se prendia, na verdade, à quantidades de bens. Ele tocou no núcleo central interior que rege os rumos dados à vida: a capacidade de discernimento e escolha; a competência para produzir sentido; a convicção simples e determinante de que é bom ser bom.

Ser bom é ser honesto

Ser bom é alavancar projetos que produzem vida e fecundam a cidadania com valores que não se reduzem às posses. Trata-se de princípios que alargam horizontes. O desafio maior, em todos os tempos, inclusive agora, na cultura contemporânea, é superar uma compreensão da vida que a reduz aos números e aos bens materiais. Aliás, esse desafio é ainda mais urgente no tempo em que vivemos, porque há uma avalanche de mudanças, intensificada pelo universo virtual da informação.

Manter a serenidade indispensável e alavancar-se na sabedoria necessária não são atitudes fáceis. Fácil é perder o rumo. Vive-se uma oscilação entre a impotência da crítica e a onipotência da opinião. Essa oscilação provoca inevitavelmente a perda de referências e de valores. O Papa emérito Bento XVI adverte aos fiéis de que a cultura contemporânea corre riscos de excluir Deus, fonte única e inesgotável de princípios, dos próprios horizontes. Assim, a humanidade segue caminhos equivocados, receitas destrutivas. Sem Deus no horizonte, o que se constata é a primazia da instabilidade no lugar da verdade. A informação, com sua fluidez, passa a ser fonte de todas as fontes.

“O encontro com Jesus nos dá um novo horizonte à vida”

É preciso saber que não basta estocar, organizar e distribuir informações múltiplas. Mesmo diante dessa grande oferta de conteúdo, pergunta-se: “O que no mundo de hoje é justo, bom, verdadeiro?”. Não encontrada a resposta, experimenta-se o peso da existência. A vida fica à mercê de relatos sobre relatos, prostrando os humanos na insatisfação, tornando-os insaciáveis, porém, ávidos; mas não dos valores que sustentam e devolvem a serenidade.

Entra em cena, de novo e sempre, a necessidade da permanente busca e do reger-se por princípios. Um movimento que dá sustentação à cultura e caminha na direção da correção de descompassos. É a saída na superação da violência, a correção para a ganância que gera o veneno da corrupção e a loucura da posse.

Esse é o permanente desafio diante de um cenário que causa medo e que mina a convicção simples de que é bom ser bom. Vale lembrar, mais uma vez, o Papa emérito Bento XVI quando diz que o encontro com uma Pessoa, Jesus Cristo, dá novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva. É hora do diálogo com Jesus, para iluminar gestos que fazem a diferença.

Equipe de Colunistas do Formação Portal/Canção Nova

A virtude teologal da fé

Atualmente, vivemos em um mundo cada vez mais secularizado e ateu. Por causa disso, a fé se encontra também com seu significado desfragmentado. Contudo, o risco maior é que muitos crentes sofrem também por essa secularização e perda de sentido da fé. Por isso, convido você a examinar sua vida e questionar-se se, verdadeiramente, você sabe o que é fé. Você se considera alguém que acredita plenamente em Deus e no Seu amor providente?

A fé é uma das três virtudes teologais, juntamente com a esperança e a caridade. Essas três virtudes dão condições para que as virtudes humanas se desenvolvam. O Catecismo da Igreja Católica n° 1814 define a fé como “a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer, porque Ele é a própria verdade. Pela fé, ‘o homem livremente se entrega todo a Deus’”. Dessa forma, percebemos a importância da fé na vida do cristão como aspecto fundamental para a sua salvação.

A figura exemplar do crente

É em Abraão que enxergamos a figura arquétipa daquele que crê. Abraão estava fadado a morrer sem deixar descendência, porque sua mulher Sara era considerada amaldiçoada por não poder gerar filhos. Mas Deus honrou a fé desse homem e concedeu não somente um filho, mas o transformou em pai de uma geração tão numerosa como a areia do mar e as estrelas do céu. Deus honra a fé do Seu povo, por isso você não pode deixar de acreditar.

Abraão, pelo seu exemplo, torna-se para toda a Igreja o pai da fé. Ele dá prova da sua fé com o que tinha de mais sagrado, recebido do próprio Deus, o seu filho Isaac. Façamos o itinerário deste homem que foi conduzido até as últimas consequências para depois receber a glória de Deus. O livro do Gênesis capítulo 22 narra o sacrifício de seu filho, mas descreve também o juramento de Deus por Abraão não ter negado o seu unigênito.

O Senhor se comunica com o seu servo Abraão e pede que ele suba até o monte Moriá para sacrificar seu único filho (cf. Gn 22,1-2). Abraão não mede as consequências, e bem cedo prepara tudo e vai ao lugar indicado para oferecer Isaac em sacrifício. Com essa atitude, o homem de Deus já demonstra que, em primeiro lugar, está a confiança no Senhor e que Ele está disposto a realizar o que Deus pediu, não em um ato de loucura, mas numa ação de fé. A fé faz com que toquemos na dimensão do abandono em Deus, ela nos impulsiona a uma confiança extrema no Senhor.

Deus sempre proverá

O homem que crê tem em seu coração a certeza de conhecer o seu Deus intimamente. Por isso, manter um relacionamento com Deus torna você capaz de esperar em Deus e experimentar seu amor providente. Enquanto Abraão e Isaac subiam para o local do holocausto, o menino perguntou ao pai onde está o cordeiro que será oferecido.

O pai responde como alguém que tem fé: “Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho”. Nessa resposta, percebe-se a confiança plena e uma atitude de fé em meio a provação. São nos momentos de mais dificuldade, de crise, que você precisará dar respostas de fé; nesses momentos, não poderá improvisar. Você só dará o que tiver, por isso, cultive a sua fé. Você não conseguirá dar respostas próprias de quem crê se você não treina a sua fé todos os dias.

Depois de chegar ao lugar indicado, Abraão prepara o altar, a lenha, e coloca Isaac sobre a lenha. Estava tudo pronto para o holocausto, o filho único daquele homem de Deus será sacrificado, mas, antes de ser consumado, o anjo do Senhor gritou do céu para que Abraão não matasse o menino. O Gênesis narra que, com essa atitude, o anjo sabe que ele teme o Senhor e não pouparia o seu filho (cf. Gn 22,12). Deus providencia para o sacrifício um carneiro que aparece preso pelos chifres num espinheiro.

Meu caro, assim como Abraão, a confiança o fará experimentar a manifestação de Deus e sua abundante providência. Aquele que tem a coragem de entregar o que é mais valioso para Deus receberá do Senhor muito mais.

Na confiança nasce o novo

Abraão não chega a matar seu filho, mas o gera em outra dimensão. A atitude daquele homem realiza o novo na vida dele, quando ele entrega o filho da promessa e o recebe de volta, mas, dessa vez, gerado na fé. Porque com olhos espirituais sobre o fato, perceber-se-á que o filho oferecido não é o mesmo que retorna para o pai. Isaac nasce na dimensão da fé experimentada pelo pai. Também Abraão se torna um outro homem a partir daquela experiência de fé. O que salvou aquele menino foi a atitude de Abraão, porque ele não o reteu. Este é o segredo, não reter nem o outro, nem as coisas, nem Deus e nem a si mesmo. Ofereça a Deus tudo o que você tem e receberá de volta o novo do Senhor, pois Ele também não retém o amor.

O abandono em Deus atrairá sobre você o amparo do Senhor. Não tema se lançar no amor do Senhor, porque Ele sabe o que você precisa e não poupará em lhe dar o melhor no tempo oportuno. O desfecho da narrativa do Gênesis acontece uma vez mais com a promessa de Deus para com Abraão de fecundidade. Deixe-se surpreender pelo Senhor, Ele só espera que você creia e confie totalmente n’Ele.

 

Canção Nova

A virtude teologal da esperança se fortalece quando há derrota e dificuldades

Nesta série de artigos sobre as Virtudes Teologais, vimos como a fé cresce e se fortalece gerando a esperança. Vencidos os pecados que podem acabar com essa virtude, veremos, agora, como crescer nesta virtude teologal.

Embora a esperança humana, confundida com otimismo, esteja baseada em conjecturas e pensamentos “positivos”, essa virtude teologal está fixada e direcionada para Deus. Ela não se baseia na crença em capacidades ou qualidades humanas, em anos de estudo, trabalho ou especialização, mas, unicamente, numa firme convicção e confiança em Deus.

Afinal, Aquele que sabe de cor a quantia dos fios dos cabelos de seus filhos, Aquele que diz para confiar que tudo proverá (Mt 6,34), Aquele que é verdadeiro e fiel, é a verdadeira esperança. Diferentemente do vício da presunção, que estudamos no artigo anterior, a confiança em Deus sabe que nada merece. Melhor ainda, percebe que seu verdadeiro merecimento, por intermédio da justiça, seria a punição por ser tão frágil e relapsa, mas espera na misericórdia e confia que ela virá.

Santa Teresinha do Menino Jesus relatava uma confiança absurda, fruto de uma virtude da esperança sem igual: conseguia alegrar-se com seus erros e defeitos, pois entendia e esperava que a misericórdia de Deus deveria se derramar ainda mais sobre ela. Essa esperança, verdadeira virtude, consegue compreender que quando se é fraco perante Deus, verdadeiramente Ele vem em socorro e fortalece aqueles que O amam (2Cor 12,10).

Diferentemente da esperança-otimismo humano, que só existe quando tudo se encaminha bem, a virtude teologal da esperança se fortalece quando há derrota e dificuldades. Essa é a prova da verdadeira virtude da esperança! Embora o mundo todo sofresse com a aparente derrota do Messias na cruz, a Virgem esperava. Diante de tudo que possa dar errado, o Salmo repete “fortifique-se o teu coração e espera no Senhor!” (Sl 26).

Terapia da esperança

Papa Francisco, em suas recentes catequeses sobre as virtudes teologais, propõe uma terapia da esperança. Pede para que se esteja atento, pois, no fracasso, na derrota, Deus mesmo se aproxima para nos escutar como fez com os discípulos a caminho de Emaús. Deve-se colocar os medos e fracassos nas mãos d’Ele, e perceber que, através dos exemplos das Escrituras, Deus constrói a esperança.

Este é um traço fundamental de quem tem uma esperança viva: o conhecimento da Palavra de Deus. Somente por meio do estudo e da compreensão da ação de Deus na história pode-se perceber sua atuação e crescer em esperança. São João da Cruz insiste que a virtude da espera está ligada à faculdade da memória. Realmente, somente ao se trazer, pela memória, a ação de Deus onde havia aparente derrota, pode-se compreender e esperar a ação do Senhor. Aquele que preenche sua memória com a Palavra de Deus tem combustível suficiente para esperar no momento em que todos desistem.

São inúmeras as referências bíblicas à espera e à memória das ações de Deus, que sustentam a esperança. Para citar apenas dois: “Ó Jacó, recorda-te, pois, destes fatos; sim, ó Israel, lembra-te tu destes acontecimentos” (Is 44,21) e “Espero no Senhor, minha alma espera na tua palavra. Minha alma aguarda o Senhor mais que as sentinelas a aurora” (Sl 130,5-6).

Confiar em Deus

A visão do mundo através dos olhos da fé possibilita o surgimento da esperança. Assim, o deserto e o desterro tornam-se lugar de encontro (Os 2,14 e Gn 39,1); a morte não vem para a aniquilação, mas para a realização do plano de Deus (Jo 11,4), e o Egito não é mais lugar da opressão, mas se torna lugar de proteção (Mt 2,13). Esse novo olhar, fruto da fé e sustentado pela esperança, provoca um desprender-se do mundo e de sua lógica material. Aquele que faz crescer a virtude da esperança em si, obrigatoriamente, desenvolve uma nova atitude perante a vida e os acontecimentos.

Como a consequência natural do desenvolvimento da vida de  é o crescimento da virtude da esperança, esta traz, à medida que se estabelece, a verdadeira caridade. Este amor a Deus e a todos, por serem vistos através do amor a Deus, só pode se desenvolver a partir deste desprender-se do mundo e da confiança absoluta no Senhor.

No próximo artigo, começaremos a entender melhor a maior de todas as virtudes e o dom por excelência: a virtude da caridade.

 

Radio Vaticano

Não se afaste de Deus, e sim experimente Seu amor

Quando estamos distantes de alguém ou de algum objeto, geralmente pedimos para alguém chamar a pessoa ou alcançar o objeto para nós, isso quando não vamos nós mesmos ao seu encontro. Na história da salvação, podemos dizer que mesmo estando o homem distante de Deus (cf. Gn 3). Este sempre o alcançava por meio dos profetas, até que o Senhor, pessoalmente, veio ao seu encontro e revelou Seu amor de Pai.

Em Romanos 8,15, Paulo mostra que nossa relação com Deus não pode ser de escravidão, mas de filhos, porque recebemos o espírito de Aba Pai. Podemos contemplar o amor dos pais para com Seus filhos, e percebemos até mesmo o sacrifício de amor que muitos deles fazem para seus filhos e para que a família tenha harmonia. É belo, mas se comparado ao amor de Deus, torna-se pequeno. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a linguagem da fé se inspira, assim, na experiência humana dos pais (genitores), que são, de certo modo, os primeiros representantes de Deus para o homem. Essa experiência humana, no entanto, ensina também que os pais humanos são falíveis e podem desfigurar o rosto da paternidade e da maternidade. Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Ele não é nem homem nem mulher, é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas, embora seja a sua origem e a medida: ninguém é pai como Deus o é.” (239)

O amor de Deus

Embora supere, podemos pensar para compreendermos que o amor de Deus é paterno e materno. Significa que seu amor paterno nos dá segurança, proteção e nos coloca numa atitude de superação. Já seu amor materno é carinhoso, acolhedor e sabemos que jamais nos abandona apesar dos nossos erros. Ele sabe a medida certa para cada um de nós, porque Ele é amor e nos precede. Em 1 Jo 4,10 encontramos: “Nisso consiste o amor: não fomos nós que amamos Deus, mas é ele que nos amou.”

O rosto desse Deus, que é Pai das misericórdias, é Jesus. Ele é a voz inteira da Escritura quando diz: o Pai vos ama! (Jo 16, 27). Ele veio para salvar o homem do pecado, mas, sobretudo, para revelar o Pai. Santo Afonso Maria de Ligório diz que Cristo podia nos redimir sem passar pela cruz. Por que o fez? Para mostrar seu amor: Amou-nos e se entregou por nós. Ele diz que Cristo não via a hora de dar a última prova do seu amor, morrendo na cruz, consumido de dores. Se olharmos para o filme Paixão de Cristo, podemos perceber a determinação na doação de Jesus. Ele é a manifestação do amor do Pai.

Volte para perto do Senhor

Sendo assim, independentemente dos nossos pecados, o Pai nos alcança; e se temos a coragem de abrir as páginas, seu amor escreve uma nova história em nossa vida. Quem ama deseja estar perto, e o Pai deseja ser próximo do homem, morar no seu coração. Ele não poupa esforços para nos mostrar seu amor (Rom 8, 32). Por isso, mesmo como filhos pródigos, se arrependidos, podemos voltar para casa, porque somos alcançados pelo Pai.

 

Radio Vaticano

Os símbolos e tradições pertencentes ao Natal

As origens de muitas tradições que caracterizam as celebrações modernas do natal perdem-se nos tempos. No entanto, é possível identificar algumas raízes pagãs e romanas da festa católica do Natal.

Os povos primitivos tinham rituais marcados pelas estações do ano e em Dezembro era a altura do solstício de Inverno, ou seja, o período mais frio do ano chegava a meio e, a partir daí, os dias ficam maiores e mais quentes. Para comemorar essa data, era organizada uma grande festa que poderia durar vários meses. Os países nórdicos vieram acrescentar alguns traços importantes a essa celebração como a figura do Pai Natal, cujas origens remontam a esse período.

O Natal

A influência dos romanos faz-se sentir através de outra celebração em honra do deus romano Saturno, cujas festas eram um dos pontos altos do ano. A bebida, a comida e os divertimentos abundantes caracterizavam este período em que os rigores do Inverno eram esquecidos por alguns dias.

celebração religiosa do Natal só foi iniciada no século IV quando o Papa Júlio I levou a cabo um estudo exaustivo sobre a data de nascimento de Jesus Cristo e acabou por estabelecer oficialmente o dia 25 de Dezembro para as comemorações. Posteriormente, outras celebrações que tinham por base rituais pagãos ou romanos foram adaptadas e transformadas para se inserirem no âmbito das comemorações cristãs.

Elementos natalinos

Uma das tradições mais marcantes do natal é a Árvore de Natal. O culto da natureza dos tempos pagãos está sem dúvida na origem da celebração da árvore, embora esta só tenha sido adaptada oficialmente para as celebrações na Alemanha em 1539. Mais tarde, a árvore passou para todo o mundo, principalmente através dos casamentos celebrados entre famílias reais e que levaram a uma propagação do costume a outros países europeus e depois ao resto do mundo através da colonização.

O elemento religioso foi introduzido através da escolha de motivos piedosos para a decoração das árvores como as velas (atualmente luzes elétricas), os anjos e a estrela, que é de costume colocar no topo e que representa a Estrela de Belém que terá guiado os Reis Magos. Na maioria dos países, a árvore utilizada é um abeto, uma árvore de folha perene que se mantém viçosa no Inverno, mas, em Portugal, o pinheiro é mais utilizado por ser mais vulgar no nosso tipo de clima.

O Pai Natal é uma figura importante em qualquer celebração de Natal e a sua origem é bastante antiga. Nos países nórdicos, era costume alguém vestir-se com peles e representar o ‘Inverno’. Essa figura visitava as casas e ofereciam-lhe bebidas e comidas, pois acreditavam que se o tratassem bem a sorte iria abençoar a casa. Mais tarde, o Pai Natal, velhote, boémio, alegre e robusto foi associado à figura de São Nicolau. Este bispo turco teve um percurso característico, tendo ajudado os pobres e as crianças, oferecendo-lhes presentes e dinheiro. A sua generosidade deu origem a lendas segundo as quais ele visitaria a casa das crianças no dia 6 de Dezembro para lhes deixar presentes.

Mais tarde, as duas figuras foram associadas, embora apenas no século XIX é que tenha surgido uma imagem definida do Pai Natal. O norte-americano Clement Moore escreveu um poema em 1822 intitulado «Uma Visita de São Nicolau» em que descrevia em pormenor a figura e, desde então, tem sido essa a imagem utilizada: um velhote gordinho e alegre, que se desloca num trenó puxado por oito renas e que entra em casa pela chaminé. Um aspecto curioso da figura é que a cor definitiva dos trajes
do Pai Natal é bastante, mais recente do que se imagina e tem uma origem pouco ortodoxa. Nos anos 30 do século XX, a Coca-Cola contratou um publicitário para criar a imagem da marca para a campanha de Inverno. Deste modo, as cores da empresa ficaram associadas para sempre à figura do Pai Natal, o encarnado e o branco.

Os presentes de Natal já se tornaram um ritual obrigatório. E embora sejam apontados motivos religiosos para a oferta de prendas, ela tem raízes mais antigas. Em Dezembro, estando já passada a primeira metade dos rigores do Inverno, a celebração era pontuada por um grande consumo de alimentos. Como cada agricultor tinha uma especialidade própria, surgiu a tradição de trocar produtos, de forma a que todos pudessem consumir alguma variedade. Os romanos reforçaram este hábito, aumentando o volume e o valor das ofertas. Mais tarde, os cristãos adaptaram este costume, simbolizando a oferta de presentes o altruísmo do ideal católico, patente nos presentes trazidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus.

O presépio de Natal é uma tradição antiga, surgiu no século XIII, e ainda hoje se cumpre na maior parte dos lares. As primeiras imagens que representam a Natividade foram criadas em mosaicos no interior das igrejas e templos, remontando ao século VI. São Francisco começou a divulgar a ideia de criar figuras em barro que representassem o ambiente do nascimento de Jesus. O primeiro presépio foi construído por São Francisco em 1224, tendo sido celebrada uma missa que foi descrita como tendo um ambiente verdadeiramente divino. A partir dessa altura, a ideia foi-se propagando para os conventos e casas nobres, onde as representações se tornavam cada vez mais luxuosas.

Os cartões de Natal são outro dos aspectos importantes da quadra natalícia e foram criados há relativamente pouco tempo. Foi um inglês, Henry Cole, que foi responsável pela criação desta forma original de enviar votos de boas festas pelo correio. A inovação surgiu devido à substancial redução que os custos do envio de correio sofreram em meados do século XIX. Desta forma, era acessível a todos o envio das felicitações. Embora a tradição religiosa tivesse demorado algum tempo a habituar-se a este costume, ele é bastante popular hoje em dia.

Equipe de Colunistas do Formação/Canção Nova

Apresentamos 25 sugestões simples e práticas para que, este Natal, seja verdadeiramente cristão

É Natal! Novamente, estamos na época mais esperada do ano, pois, o mês de dezembro, se apresenta para nós com uma disposição para tudo o que é bom, edificador e alegre. O nascimento de Cristo é a razão para nossa alegria.

Que tal vivermos esse tempo de um modo ainda mais cristão? Algumas dicas são:

1- Comece seu dia com uma oração, refletindo no sentido do tempo de Advento, que é a preparação imediata para a celebração do Natal;

2- Faça um pequeno propósito que o leve a pensar nos demais;

3- Escreva uma mensagem natalina a uma pessoa que esteja distante;

4- Deixe uma mensagem natalina debaixo dos travesseiros dos teus filhos;

5- Pense que pessoa pobre e necessitada está precisando de um gesto de carinho seu;

6- Se você tiver uma empregada, não espere o Natal para dar a ela um presente. Diga-lhe, agora mesmo, o quanto você aprecia o trabalho que ela está fazendo para você;

7- Inclua em sua lista de presentes, a sua paróquia, uma comunidade de religiosas, um asilo e a sua empregada doméstica. Faça algo especial para eles junto com os seus filhos pequenos;

8- Se você trabalha e haverá uma festa em sua empresa, escolha umas fotos sobre o nascimento de Jesus e escreva nelas: “Não se esqueça de Jesus neste Natal”. Presenteie, no dia da festa, todos que puder;

9- Você teve um ano difícil com um empregado, um amigo ou com seu filho? Seria bom que você pedisse perdão e fizesse as pazes;

10- Há em seu coração alguma mágoa contra alguém que não o tenha valorizado, que tenha lhe ferido ou ignorado? Seria maravilhoso recomeçar;

11- Fale com os teus filhos menores sobre o que é perdão e procure saber se eles guardam algum ressentimento contra alguém, para que com amor de criança perdoem;

12- Fale, também, aos seus filhos adolescentes sobre o perdão, aprofundando-se nas formas que podem deformar a personalidade e causar danos nos relacionamentos, motivando-lhes a ação do perdão;

13- Convide um amigo que está só para almoçar;

14- Asse biscoitos natalinos para cada um dos seus vizinhos e dê-lhes de presente;

15- Procure, nesses dias, dar mais atenção ao presente da paz do que aos materiais que você tem de presentear;

16- Controle-se para não exceder nas comidas;

17- Trate de viver a pobreza material quando for às compras;

18- Procure controlar a visão ao caminhar pelos centros comerciais;

19- Faça um orçamento prévio;

20- Compre, sempre que possível, presentes que contenham um significado natalino;

21- Faça uma lista dos teus defeitos de caráter que não devem mais o dominar;

22- Dedique mais tempo para apreciar mais a sua família e evoque momentos felizes;

23- Além da árvore de Natal, monte, também, um presépio;

24- Leia, em família, a passagem do nascimento de Jesus no Evangelho de São Lucas;

25- Se alguém da sua família não vive a fé como deveria, não o obrigue e nem se aborreça. A melhor maneira de fazer apostolado é por meio do seu comportamento.

Boas festas!

 

Radio Vaticano

Neste Natal, deixe que a luz do Menino Jesus resplandeça no seu coração

No Natal, festejamos o nascimento de Jesus Cristo, o dom que o Pai nos faz. Quanto bem, Deus Pai, faz para seus filhos e suas filhas! Tudo, e o melhor de tudo, Ele dá a nós, como se nada reservasse para si mesmo. Deus abre o seu coração, seu tesouro e seu segredo. Deus se aproxima de nós, de cada um de nós para nos amar, cuidar de nós, dar-se a nós e nos salvar. Mais: Ele oferece a Sua própria vida para ser nossa vida. Fomos criados para viver vida divina. Pelo próprio Deus, fomos feitos para abrigar em nosso viver o Filho, que no Natal nasce. Ele é a nossa vida, é a festa que o Céu nos dá. O que cabe a nós? A nós cabe abraçar essa vida e vivê-la. Cabe a nós deixar o Filho, que nos é dado, viver em nós, para nós e por nós.

O Natal é o acontecimento central de nossa história, pois o Verbo de Deus assume a carne humana. Agradeçamos, pois, ao Altíssimo pelo dom do seu Filho, “nascido por nós à beira do caminho e deitado numa manjedoura”. Nele, nós somos chamados a ser filhos, abençoados com toda a bênção, escolhidos para sermos santos. Alegremo-nos e exultemos, bendigamos ao Pai que tanto amou a humanidade a ponto de, na plenitude dos tempos, enviar-lhe o próprio Filho que, “no seio da santa e gloriosa Virgem Maria, recebeu carne da nossa humanidade e fragilidade”.

Viva a noite de Natal

No Natal, a noite fica clara como o dia. Nessa noite, somos chamados a cantar a simplicidade, louvar a pobreza e recomendar a humildade, e a celebrar a gratuidade divina, manifestada no Primogênito de todas as criaturas. Compreendemos que tudo vem de Deus e tudo a Ele deve retornar. Deus vem a nós para nos libertar de toda forma de escravidão, sem nada exigir, sem impor condições. Tudo fez por amor, para restaurar em nós a identidade original de filhos e filhas de Deus. Assim, livres, expropriados e interiormente pacificados, já não vemos a criação como objeto de conquista para saciar nossa ambição de poder, prazer, aparecer e ter. Seremos novamente capazes de vê-la como manifestação da gratuidade de Deus. Aqui começa a civilização do amor, vivida como fraternidade universal. E qual será nossa resposta? Nossa resposta é dar o que somos e o que recebemos como dom: misericórdia, amor, alegria e paz.

A encarnação de Jesus Cristo não só torna possível a plena comunhão com o Pai, mas também nos envolve na missão confiada ao Filho. Quem foi atingido pela beleza do amor encarnado, essas pessoa não pode viver sem o difundir. Não existe mais vocação sem missão. Somos chamados a ficar com Jesus para com Ele construir a civilização do amor, a fraternidade universal, para encher a Terra com o Evangelho de Cristo. O convite é abraçar e acolher, com todo o nosso ser, a Palavra, e fazer da missão a razão de ser de nosso existir: sejamos para os outros o que Jesus Cristo veio ser para nós.

A tarefa de nós cristãos não consiste em acumular riquezas para resolver os problemas das pessoas. Nossa tarefa consiste, sobretudo, em estar com as pessoas, e estar ali com simplicidade e humildade. Nossa missão não consiste tanto em falar de Jesus ou em transmitir alguma doutrina menos ou mais inspirada, mas testemunhar a própria vida de Jesus, refletida como num espelho e tornada sensível em nossa vida.
Feliz nascimento de Cristo na sua vida e na sua família. Feliz Natal 2018!

 

Canção Nova

A fé é a força do ser humano

Embora o ato de fé tenha características de racionalidade, não há dúvida de que, por ele, entramos no âmbito do sobrenatural. Vale dizer que a fé nos introduz no mundo do mistério, não muito fácil de ser explicado. Só um ser racional pode ter fé, pois isso envolve uma qualidade divina, que apenas os seres constituídos à “imagem e semelhança de Deus” podem ter: a liberdade.

Como explicar esse ato, que está no fundo do coração humano, de confiar, de maneira livre e inabalável, numa pessoa? A fé, antes de ser esforço e busca do ser humano, é dom gratuito, oferta do Grande Ser de toda a criação. Com isso, fica claro que a nossa resposta é o ato segundo, porque o ato primeiro é a graça que nos vem do Ser Amoroso.

Crer no Espírito Santo

Crer não é aderir a verdades. É aceitar uma Pessoa, Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, vejam bem, na oração do Credo rezamos, primeiro, o “creio no Espírito Santo”, para só depois dizermos que “creio na Igreja Católica”. Assim estamos dizendo que cremos na Igreja, por ser obra Espírito Divino.

No ato de acreditar está sempre embutida, com mais força ou menos, a dúvida. Essa é tanto maior quanto menos tivermos a humildade de rezar e também de estudar. No entanto, além das dúvidas, pode aparecer um problema muito maior, que é o abalo de nossa confiança em Deus. A isso podemos ficar expostos nas grandes tribulações.

Numa grande enchente, num cruel terremoto, numa seca interminável, nos horrores da guerra, na miséria extrema, só ainda o coração fiel é capaz de se agarrar ao Senhor e exclamar: “Olha para mim, Senhor”  (Jer 18,19).

Creia sempre em Deus

Quem não acredita que Deus é capaz de fazer brotar o bem de um grande mal corre o risco de abandonar a sua fé. Como também podem ocorrer males dentro da comunidade católica: desentendimentos com os líderes religiosos, desavenças dentro da paróquia, injustiças reais ou imaginárias, desprezo pelos pobres. E aí vem a grande tentação: não crer mais na Igreja Católica, e aderir a outras denominações religiosas (como se nessas não acontecessem problemas). “Sede pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rom 12, 12). Apesar disso, quantos no Brasil abandonaram a sua fé na Igreja e buscaram outros grupos de fiéis. Isso nos entristece.

Equipe de colunista do formação/Canção Nova

A oração transforma a alma

Quando um cristão mantém uma vida de oração constante e ela se torna eficaz na sua vida, os efeitos são transformadores na alma dele. Essa mudança começa a ser verificada nos impulsos que a sua própria alma a leva ter. Dessa forma, mais um vez, podemos entender o que é a oração para então verificarmos os seus efeitos. A santa da pequena via, Terezinha do Menino Jesus, expressa claramente que a oração “é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao Céu, um grito de reconhecimento e amor em meio a provação ou no meio da alegria”.

Podemos, tranquilamente, parafrasear Santa Terezinha e dizer que a oração é um grito da alma na alegria ou na provação, que é um olhar da alma para Deus, para o Céu, é um movimento de amor. Algumas são as características vistas em uma pessoa que se mantém constantemente em oração, vejamos estas características a seguir.

A confiança da alma

A confiança é experimentada, de maneira mais própria, quando nos deparamos com uma tribulação. Essa é a primeira qualidade da alma orante, a confiança. Uma criança confia plenamente nos seus pais, porque, ela, durante sua vida, experimentou que pode lançar-se numa confiança filial por conta das atitudes dos pais. Essa é a confiança que devemos ter com Deus, pois precisamos confiar da mesma forma com que uma criança entrega-se aos pais.

O que podemos nos perguntar é o porquê do Pai não ter atendido ao nosso pedido no momento de dificuldade. E, isso, acabou prejudicando a nossa confiança em Deus. Antes de pensarmos pelo único lado de que Deus não nos atendeu, precisamos ter em mente o que a Carta aos Romanos (cf.: Rm. 8,26) nos diz: ‘Pois não sabemos o que pedir nem como pedir”. Deus sabe o que precisamos, da forma que precisamos e no momento que precisamos. Isso é uma verdade!

É por isso que: a alma que ora, mesmo quando não é atendida na sua oração, não perde a confiança. Porque sabe que Deus conhece as suas necessidades. Deus é Pai e como Pai não daria algo que não fosse levar seu filho à salvação. A Carta de Tiago continua a nos ensinar quando diz que não possuímos, porque não pedimos. E, quando pedimos e não recebemos, é porque pedimos mal (cf.: Tg 4,2-3). A oração deve lançar a alma ao abandono confiante à vontade do Pai.

A esperança da alma

Uma alma alimentada pela oração é cheia de esperança, mesmo quando aos olhos humanos não há esperança alguma. Isso é fruto da oração, porque quem ora sabe em quem deposita a confiança que gera a esperança. A Carta aos Romanos (cf.: Rm 5,5) ajuda-nos a entender o porquê dessa característica surgir na pessoa orante: “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nosso corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. É fruto do amor do Pai, Deus nos ama e, por isso, nos enche de esperanças. O Espírito Santo é quem age na alma orante.

Quando Adão e Eva pecaram, eles deixaram de escolher pelo amor de Deus e ficaram presos em um amor egoísta, voltados para eles mesmos. A oração nos convence de quem somos: filhos amados! E, por isso, podemos esperar de Deus, porque Ele nos Ama. Ele prometeu, Ele há de cumprir. O Catecismo da Igreja Católica, no n° 1821, traz o seguinte: “Podemos esperar, pois a glória do céu prometida por Deus aos que o ama e fazem sua vontade. Em qualquer circunstância, cada qual deve esperar, com a graça de Deus, ‘perseverar até o fim’ e alcançar a alegria do céu como recompensa eterna de Deus pelas boas obras praticadas com a graça de Cristo”.

A humildade da alma

A humildade é o fundamento da oração, pois a alma humilde reconhece a sua necessidade e a sua pequenez. Santo Agostinho chega a dizer que o homem é um mendigo de Deus. Ele é e sempre será necessitado de Deus. A parábola daqueles dois homens que subiram ao templo para rezar, retrata bem a diferença da oração humilde e da oração soberba.

Enquanto o fariseu batia no peito e exclamava que não era como os outros, ladrões desonestos, adúlteros e nem como aquele publicano. Ao contrário, o publicano nem tinha coragem de levantar os olhos e batia no peito pedindo perdão pelos pecados. Jesus diz que o último voltou para casa justificado e o outro não, pois aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado (cf. Lc 18,9-14). Somente os humildes estão abertos para receber algo, porque os soberbos já estão cheios e não precisam de nada. O humilde é sempre mendigo de Deus e de seus dons.

A vigilância da alma

A alma orante é dominadora de si mesma, por isso, não se deixa possuir pelos desejos desordenados da carne. Quem contribui para esse domínio é a vigilância, essa, também alcançada pela oração. O Catecismo da Igreja Católica, n° 2730, compara a vigilância com a sobriedade do coração.

O evangelho de Mt 26,41 nos ordena: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. A vigilância, também, está associada à vinda de Cristo, pois, a alma que ora espera a plenitude da manifestação de Deus na segunda vinda de Jesus, assim como as virgens que se mantiveram vigilantes à espera do noivo que viria no meio da noite.

Alimentados pela oração, que Deus conceda a cada cristão cultivar, cada vez mais, as características da alma que é apaixonada pelo seu Senhor, por isso, se mantém em oração sem desanimar. Vivamos sempre na confiança, na esperança, na humildade e na vigilância à espera do Senhor que vem.

Canção Nova

A oração de cura e libertação deve sempre ser ministrada

A oração de cura e libertação é uma oração preciosíssima e muito importante para o nosso dia a dia. Ela tem o poder pela fé, de nos ajudar em nossa cura física. Além disso, nos fortalece em nossa saúde mental, trazendo paz ao espírito. A oração de libertação é importante para fundamentar a cura interior e é importante, também, para que seja visível o sinal da cura do milagre de Deus em cada um de nós.

Ela é um combate contra nós mesmos diante das nossas fraquezas, das nossas misérias, limitações. Diante, até mesmo, das heranças negativas que trazemos em nós, seja na mente, no coração, no consciente, no inconsciente ou pelo mal que os nossos antepassados praticaram.

É, também, uma oração contra os embustes do inimigo, que tudo faz para desviar o homem da oração e da união com Deus. Por isso, a oração da libertação deve sempre ser ministrada. Não pode ser  ministrada só quando participamos de encontros ou quando vamos a um retiro, aprofundamento ou acampamento. A oração de cura e libertação ela tem de ser ministrada todos os dias da nossa vida.

Onde ela se faz necessária?

São muitas as situações onde a oração de cura e libertação se faz necessária. Como a princípio, dificilmente sabemos os motivos que originaram os problemas que estamos vivendo, seja da ordem que for, então, precisamos ter sempre, ao nosso alcance, uma poderosa oração de cura e libertação espiritual a nos auxiliar. Podem ser: oração de quebra de maldição dos antepassados, oração de renúncia, oração de invocação das Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

As Santas Chagas são potentíssimas. Papa Francisco nos ensina a invocação das cinco Chagas: a Chaga da mão esquerda, do pé esquerdo, da mão de direita, do pé direito e do coração perfurado. Sempre com a seguinte jaculatória: “Pela potentíssima Chaga da mão esquerda, sei que podes purificar, libertar e curar a mim e a minha família, livrando-nos de todo o mal físico e espiritual”. E, reza um Pai-Nosso, assim, faz com cada uma das Chagas.

Papa Francisco nos recomenda essa oração todas as noites antes de dormir

Faça em seguida a mesma jaculatória para a oração das outras Chagas. Então, teremos, durante à noite, a graça de dormirmos bem. A graça de não sofrermos pela insônia, pela opressão, pelo cansaço físico, pelo cansaço mental. Mas, tem a oração que ensinamos no livro “Por suas feridas fostes curados”, a oração que se chama “Via Sangres”, que é a invocação das sete Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesse livro você verá que, cada uma dessas Chagas: Chaga da circuncisão; Chaga da agonia; Chaga da flagelação; da coração de espinhos; do caminho doloroso do calvário; da crucificação de Morte do Nosso Senhor Jesus Cristo; e do coração perfurado. O sangue aspergido de cada uma dessas Chagas, como fonte de exorcismo de cura e libertação, livra-nos de todos os males físicos e espirituais, dos antepassados, da gestação, do ventre materno e da nossa história de vida após o nosso nascimento.

 

Radio Vaticano

Como a Igreja impulsiona a dignidade da pessoa humana?

Por meio da Liturgia da Palavra e da Comunhão, a Igreja impulsiona a dignidade da pessoa humana, orientando-nos em nossas ações diárias para que alcancemos significados mais profundos. Apesar da crença na providência divina, não podemos aguardar do plano de Deus um projeto engessado e definitivo. Antes de tudo, somos testemunhas das mudanças sociais que nos fazem parte integrante de um grupo de pessoas que necessita, à cada tempo, mais daqueles que buscam pregar a justiça e a solidariedade. Então será engessado e definitivo, exclusivamente, nossa busca cotidiana pela realização pessoal como cristão.

A Igreja, sinal e tutela da transcendência da pessoa humana

Como cristão é preciso estar atento, primeiramente, a missão que o próprio Cristo nos deixou: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensina-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado” (Mt 28, 19-20).

Com isso, o desígnio da Igreja oferece, ao homem, o caminho de formar uma sociedade mais humana, uma comunidade tão próxima quanto uma verdadeira família. Encontra-se, então, a verdadeira vocação do povo de Deus de cumprir o preceito eleito por Jesus Cristo como o mais importante: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e teu próximo como a ti mesmo!” (Lc 10, 27).

Por essas razões, o exercício da fé cristã vai além do próprio indivíduo, mas revela-se pela dedicação para salvação das almas e pelo amor ao próximo, como membro efetivo da comunidade que se apoia na Igreja.

Igreja, Reino de Deus e renovação das relações sociais

As transformações que precisam ser realizadas na sociedade não são tiradas de um roteiro concreto e autoritário. Na verdade, é uma tarefa confiada à comunidade cristã, que deve realiza-la por meio da reflexão inspirada no Evangelho.

O amor ao próximo e a participação no amor infinito de Deus é o autêntico fim histórico e transcendente da humanidade. Portanto, embora seja necessário distinguir, com cuidado, o progresso terreno do crescimento do caminho em Cristo, a forma como conquistamos as coisas mundanas é a medida de nossas obras cristãs.

Novos céus e nova terra

A promessa de Deus e a ressurreição de Jesus Cristo acendem, nos cristãos, a esperança de que para todas as pessoas é preparada uma nova e eterna morada, uma terra em que habita a justiça e a paz. Essa esperança deve impulsionar a dedicação às boas obras realizadas no presente.

A prática dos ensinamentos de Jesus Cristo garantem, ao cristão, a recompensa por antecipar, neste mundo, no âmbito das relações humanas, o que será realidade na vida eterna, empenhando-se em dar de comer, beber, acolher, vestir, cuidar e visitar o Senhor que bate à porta (Mt 25, 35-37).

Maria e o Seu fiat ao desígnio de amor de Deus

A primeira dentre os discípulos de Jesus Cristo é Maria, Sua Mãe, cuja fé manifestou com o seu fiat (faça-se ou aceito) ao desígnio de amor de Deus: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Em nome de toda a humanidade, Maria acolhe, na história, o enviado do Pai, o Salvador dos homens.

A vida prometida e proporcionada a cada homem [pelo Pai em Jesus Cristo] é o complemento final da vocação. É, também, o cumprimento do destino que Deus preparou à humanidade desde toda a eternidade. Esse destino divino torna-se o destino do homem de forma definitiva. Como o Santo Papa Paulo VI proclamou a Mãe de Cristo, também, Mãe da Igreja, o exemplo de Maria deve sempre ser lembrado em nosso caminhar pela doutrina da Igreja.

Desígnio de Deus e missão da Igreja

Muitos de nós, diante das dificuldades do caminho de Deus e das tentações do mundo, tem vontade de voltar atrás na missão de evangelização. Há, também, as provações que encontramos dentro da própria comunidade de fé. Esses desafios provocam a confusão de ideias em relação aos nossos irmãos e podem nos levar ao desânimo. Faz bem que, ao nos depararmos com tais opiniões, tenhamos a oportunidade de expressar nossos receios. No entanto, é necessário manter-se dentro dos devidos limites, escolhendo bem as palavras, o momento e o ouvinte.

É claro que, a vida de Igreja exige de nós uma fé particularmente consciente, profunda e responsável. A verdadeira comunhão requer entrega, aproximação, disponibilidade para o diálogo e busca constante da verdade no pleno sentido evangélico e cristão. E, a verdade divina, constantemente confessada e ensinada pela Igreja, está no amor, no próximo e em como a vontade de Deus sempre nos guia pelo bem maior de todos os Seus filhos.

Que Deus nos ilumine e nos preencha do Espírito Santo, para que, com os ensinamentos de Jesus Cristo e ao exemplo de Maria, possamos dizer sim à nossa missão como cristãos. Buscando, assim, o nosso próprio crescimento espiritual nas ações de amor para com o outro e para o bem maior da sociedade.

Canção Nova

Deus nos ensina que comungar bem é a primeira chave para a castidade

Em nossa série de textos sobre a confissão, apontamos alguns erros que estão velados, mas que são latentes em nosso dia a dia. Logo em seguida, procuramos trazer alguns remédios para superar esses erros e nos colocar no início de uma vida de comunhão com Deus.

Espero que, mais do que aprendendo alguma coisa, você já esteja colocando em prática o que sugerimos. É experiência vivida e testemunhada dos ensinamentos da Santa Igreja de Deus que, como mãe, nos quer ensinar a estarmos próximos do nosso Senhor.

O caminho espiritual

Com o texto de hoje, daremos mais uma dica, um norte, uma luz para que seu caminho espiritual torne-se mais concreto e fecundo.

Nós não somos acostumados a pensar que, quando Deus criou todas as coisas, Ele não as criou do nada e as deixou sozinhas. Não era possível tirar alguma coisa do nada absoluto e deixá-la existindo sem uma força que a mantivesse existindo. Deus era o único que estava na existência e, Ele, não tinha matéria.

Portanto, para a primeira coisa permanecer na existência, Ele precisou e precisa mantê-la na existência. Assim se fez desde a primeira, até a última coisa criada. E essa obra de criação está acontecendo até hoje. Cada vez que existe a fecundação de um óvulo, por um espermatozoide, Deus cria do nada uma nova alma. A nossa alma é mantida na existência por Deus, exatamente como ocorre com as coisas. Somente que, em nossa alma, Ele a mantém de um modo todo especial: habitando nela. Toda a Santíssima Trindade habita em nós!

O primeiro ente, na escala natural, que é capaz de ouvir a Deus e ter um relacionamento com Ele, somos nós. Ele nos chama todos os dias para participarmos da Vida d’Ele. Nós não conseguimos O ouvir, por conta do pecado original e dos nossos pecados e paixões. Esses tantos pecados nos torna cegos e surdos à presença e à voz de Deus em nossa vida.

Em Gênesis está claro como Deus se comunicava conosco antes do pecado original. Era um relacionamento direto e claro.

Uma vida plena de oração

Como fomos nos afastando d’Ele, Ele passou a se revelar a nós para nos ajudar. Revela-se a nós tanto pelas Escrituras, como no coração do homem. Fez mais, o Verbo se fez carne e habitou entre nós! (Jo 1, 14). Ele mesmo, como pessoa, resolveu transmitir- Se pessoalmente! Ao se revelar, Jesus deu-Se de modo que fosse possível fazer uma experiência com Ele. É mais do que entender o que Ele está querendo dizer, permanecer em Sua Palavra é o mesmo que permanecer Nele!

Ele comunica-Se conosco falando em nosso interior, que é onde Ele habita. E essa experiência só é possível com uma vida de oração: como Maria que estava aos pés de Jesus, ao contrário de Marta que trabalhava bastante pelos outros, mas não se colocava aos pés do Mestre (cf.: Lc 10, 38-42).

Tudo o que Jesus ouviu do Pai, Ele nos deu a conhecer no Novo Testamento. E para entender o que o Senhor nos revelou, precisamos abandonar o pecado, praticar as virtudes, pedir a graça da fé e meditar na Palavra de Deus. Esse foi o caminho que viemos comentando até aqui.

Devido a nossa natureza decaída, Jesus redistribuiu as graças de Deus, pelos méritos de Sua morte. E, por meio de Sua natureza humana, voltamos a merecer Suas Graças.

Ele ressuscitou e está fisicamente presente, em algum lugar do universo, distribuindo Suas graças para toda a humanidade. Toda e qualquer graça nós recebemos pela humanidade de Cristo.

Isso tudo para nos facilitar o acesso as coisas espirituais. A encarnação foi para nos dar mais facilmente essas coisas e Sua morte e ressurreição para que O amássemos mais.

Com uma só palavra, Jesus poderia liberta- Se imediatamente de todos os flagelos pelo qual passou. Mas Ele fez o contrário, aguentou uma flagelação maior do que as outras sem dizer nenhuma palavra. Era tudo para nos provar o tanto que nos ama. Na história humana, não teve nenhum outro relato de alguém que tenha sofrido tanto por outra pessoa, especialmente por alguém que, por muitas vezes, nem lhe queria bem.

Instituição da Eucaristia

Porém, Ele fez algo a mais e tão espetacular quanto a Sua morte e ressurreição. Ele fez-Se ainda mais próximo! Ele, na última ceia, instituiu e nos deu a Eucaristia, pois até ali, éramos servos. Na instituição da Eucaristia, nos tornamos seus amigos, porque não tem maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos (cf.: Jo 15, 13).

Quando o pão é tornado o Corpo de Cristo, ali não está uma cópia do Corpo de Cristo, e sim o Seu próprio Corpo ressuscitado. Assim acontece, também, com o vinho, que é o próprio Sangue de Cristo. É um toque que fazemos no Corpo ressuscitado de Cristo. Exatamente no mesmo Corpo ressuscitado que está num ponto específico do universo, e que está, também, ali no pão consagrado. Ali estão o Corpo, a Alma e a Divindade de Cristo.

Essa presença Eucarística de Cristo está na hóstia enquanto durarem as aparências do pão. Ou seja, se diluímos a hóstia, ali não estará mais a presença real de Cristo Eucarístico. O mesmo se dá quando nosso estômago corrompe as espécies consagradas do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Cristo. Por aproximadamente dez minutos (tempo que leva para nosso estômago corromper a hóstia consagrada), o Senhor está unido fisicamente a nós! Isso é para que, nesses dez minutos, possamos amar, de todo o coração e com todas as forças, o Senhor Jesus Cristo que está ali, dentro de nós, esse 10 minutos nos leva a fazer uma experiência de fé.

O efeito próprio da Eucaristia é o de levar o amor ao ato, o amor de união. E, esse amor nos dá uma castidade infusa imbatível em pouquíssimos dias! Recebemos todas as virtudes infusas de uma só vez!

Ele quer que creiamos nisso tudo, o que já terá sido um efeito da Sua graça e, com isso, O amemos com fé.

Eucaristia: a ligação entre nós e Deus

Se nos aproximamos com fé e devoção da Eucaristia, assim como aquela mulher que padecia de um fluxo de sangue, e uma força vinda de Jesus a curou, também, uma força sairá da Eucaristia e nos dará uma força de amor. Uma força para levar o nosso amor ao ato. Não é somente um amor para a cura física, mas antes, uma força para nos fazer amar mais e melhor e a ter uma proximidade ainda maior do Senhor.

Cada vez que fazemos isso, nós nos aproximamos ainda mais do Senhor. Muito melhor que somente por meio da oração, com a repetição da Eucaristia, será cada vez mais claro que ali tem algo de sobrenatural.

Porém, há algo muito importante: é preciso estar em estado de graça! Caso contrário, não funciona como estamos descrevendo. Leia os textos anteriores dessa série para que você entenda o que é o pecado, perceba quando o cometeu, o deteste, se confesse do jeito certo e só então essa experiência será real.

Eucaristia é um momento de fé

A experiência de fé que fazemos com a Eucaristia, precisamos repetir em oração pessoal. Escolha um momento durante o dia para se unir a Cristo pela fé, em oração, procurando sentir a mesma presença de Cristo, ainda que mais suave. Estando em estado de graça, pela fé, é possível sentir a presença de Cristo que habita em nós e nos sustenta na existência. A Eucaristia é o meio de aprendermos a fazer isso.

Peça o dom da fé todos os dias! Para pedir já é preciso crer e,  para crer é preciso pedir. É passar de uma fé menor, para uma maior.

Na mesma proporção que o coração for percebendo e sentindo cada vez mais esse crescer da fé, é necessário reservar mais e mais tempo para a oração. Crescer cada vez mais nessa experiência e intimidade com Nosso Senhor Jesus Cristo.

Semana que vem, começaremos a tratar mandamento por mandamento da lei de Deus.  E, você poderá ver, ao termino da série, como eles englobam absolutamente toda a nossa vida moral e espiritual.

 

Canção Nova

Primeiro, é bom lembrarmos que toda oração quando a fazemos com o coração e com a mente abertos à vontade de Deus, torna-se eficaz, porque Deus sempre ouve a nossa voz.

A oração eficaz não resulta de seguirmos fórmulas ou certos princípios. Pelo contrário, a oração eficaz baseia-se na Palavra de Deus . Ela é simples, sincera e cheia de fé e não tem nada a ver com regras e formas. Mas, ela precisa vir de um coração sincero e dependente, porque ela é o elo entre nós e Deus; e precisa ser feita em nome de Jesus.

Nossas orações devem ser feitas em harmonia e de acordo com a vontade do Senhor. Devem ser feitas com o coração aberto e não com respostas prontas ou com pedidos fechados. Devemos sempre estarmos abertos à vontade de Deus para que Ele nos ouça e nos atenda.

Perseverantes na oração

Tenho vivido muitas experiências com relação a Deus. Com isso, percebo que, para uma oração eficaz, precisamos ser perseverantes. Vejamos o exemplo de Moisés: somente quando ele perseverava, em oração e com suas mãos erguidas a Deus, foi que os israelitas venceram a batalha.

A oração eficaz é aquela na qual levantamos as mãos, como o livro do Êxodos nos mostra: eles levantaram as mãos e venceram. O povo já sentia-se derrotado pela força de Amaleque, o próprio demônio, porém, a oração eficaz de Moisés, sustentada pelas mãos de Arão e Ur, deu àquele povo a vitória.

Então, a oração eficaz não é aquela que fazemos sozinhos, e sim a que fazemos apoiados nos irmãos e sustentados por eles. Sobre a oração, na Bíblia, lemos muitas outras situações de perseverança. Temos de nos manter vigilantes à oração e estarmos sempre prontos para escutar a Deus, isso é uma oração.

A vontade de Deus na nossa vida

“Meu Deus, curai e libertai a todos aqueles que tomam a decisão de manterem suas mãos levantadas e de orar sem cessar. Curai aqueles que tomam a firme decisão de não querer o seu próprio interesse e nem o que os outros querem, e sim o querer de Deus.

Eu levanto minhas mãos, Senhor, sobre a vida de cada um desses filhos, sustentadas pela Sua Palavra que diz: ‘Orai sem cessar’ e, em todas circunstâncias, apresentai a Deus as vossas preocupações.”

Uma oração eficaz é aquela que temos um pé nas nuvens e o outro no chão, ou seja, é aquela que caminhamos determinadamente, mesmo sem sentir, sem ver o resultado. Mesmo sendo olhado como alguém derrotado, perdido na visão humana, porém, jamais desiste. Pois, sabe que a vitória de Deus é certa na sua vida.

A oração eficaz é sua “escravidão” absoluta ao Espírito Santo. Todos os dias, ao acordar, devemos dizer: “Bom dia, Espírito Santo, o que vamos fazer juntos hoje?”. A cada passo da sua vida pergunte ao Espírito Santo que palavra, atitude ou decisão tomarão juntos. À noite, antes de dormir, devemos nos ajoelhar e pedir perdão ao Espírito Santo por tudo o que fazemos sem consultá-Lo, sem pedir um novo Pentecostes. Que quando o dia raiar, em todas as situações, possamos caminhar com Ele.

Radio Vaticano

Confira dois pontos fundamentais a serem exercitados para que, em família, o amor cresça e fortaleça

O documento do Concílio Vaticano II chamado “Gaudium et Spes” (Alegrias e Esperanças) traz a seguinte afirmação sobre a família: “A família é uma escola de enriquecimento humano” (GS 52). Como tornar nossas famílias em um  ambiente onde todos se enriquecem?

Talvez, a resposta mais coerente seja: “Para existir riqueza, precisa ter coisas preciosas”. Mas, no caso da família, a riqueza é o amor. Nesse sentido, há a necessidade de cada um, no ambiente familiar, contribuir para que os laços de amor se fortaleçam. É uma tarefa diária de cada um de nós.

Proponho dois pontos fundamentais a serem exercitados, em família, para que o amor cresça e a fortaleça.

Rezem em família

Em primeiro lugar: a oração em família. A família por si só não consegue viver o amor se não estiver conectada, ligada totalmente à fonte do amor que é Deus. E a forma de se entrar em contato com Deus é por meio da oração. Rezar em família é fundamental. Buscar a luz do Santo Espírito em cada situação, reservar momento de ir à Igreja, participar da Santa Missa, que é a oração maior e mais perfeito ato de louvor ao Senhor.

Invistam no relacionamento humano

Depois é preciso investir no relacionamento humano, por meio da mudança de comportamento nas relações. Os casais devem cultivar um diálogo conjugal, onde o respeito e a forma de falar demonstrem o carinho e o afeto entre si.

Desterrar das famílias as acusações, brigas, discussões sem sentido. Trazer a harmonia, o bom humor, o perdão e a reconciliação para dentro de casa. Os pais respeitem os filhos e se tornem amigos uns dos outros e, que pelo exemplo dos pais, os filhos aprendam o amor por meio dos gestos e palavras.

Que os filhos tenham profundo respeito pelos pais e os honrem com atitudes de diálogo respeitoso e amável. O amor é sempre possível se, no cotidiano, formos introduzindo pequenos gestos de amor, de compreensão e dedicação ao outro.

O amor cresce e fortalece se existe disposição interior para buscar a Deus e investir no relacionamento. Comece hoje mesmo e verá como todos se enriquecem quando o amor é a fonte e o centro da nossa vida e da nossa família.

FONTE: Comunidade Canção Nova

Aprenda a abandonar o seu nada nas mãos de Deus

O Catecismo da Igreja Católica, do número 296 ao número 298, traz-nos o seguinte ensinamento: “Cremos que Deus não precisa de nada preexistente nem de nenhuma ajuda para criar […] A fé na criação a partir “do nada” é atestada na Escritura como uma verdade cheia de promessa e de esperança […] Uma vez que Deus pôde criar do nada, pode, pelo Espírito Santo, dar a vida da alma a pecadores, criando neles um coração puro, e a vida do corpo aos falecidos, pela ressurreição”.

Deus pode criar tudo a partir “do nada”. Anteriormente, refletíamos a respeito de que a glória de Deus é o homem vivo e, a partir da ação de Deus em nossa vida, nos tornamos vivos de verdade. Deus infunde a vida em nós. Agora, o Catecismo da Igreja nos atesta essa realidade: Deus que cria a ordem de todas as coisas a partir do caos, do vazio existente.

Talvez, meu irmão, hoje, você esteja se sentindo exatamente assim: um nada. Pode ser que seu coração encontre-se num vazio muito grande. Lembro-me de uma antiga canção que cantávamos, principalmente, durante o momento da apresentação das ofertas nas celebrações eucarísticas. A letra da canção diz o seguinte: “Eu não sou nada e do pó nasci, mas Tu me amas e morrestes por mim. Diante da Cruz, só posso exclamar: Teu sou, teu sou”.

Essa música retrata bem essa verdade: somos criados a partir do nada e do pó nascemos. Portanto, meu irmão, o que Deus precisa criar a partir desse nada em seu coração? O que Ele precisa realizar diante desse nada existente na sua alma por causa da tribulação, da perda, de um sofrimento tão grande?

Não se desespere, meu irmão! A partir desse nada que você se sente hoje, é que Deus pode e quer criar algo de maravilhoso. Afinal, como nos assegura o Catecismo da Igreja, o Senhor é capaz de “dar a vida da alma a pecadores, criando neles um coração puro, e a vida do corpo aos falecidos, pela ressurreição”.

Clame o Espírito Santo sobre você agora. Peça a Ele que transforme esse seu nada no tudo da vontade divina.

Quero ser uma bolinha nas mãos de Jesus

Há um ensinamento de Santa Teresinha do Menino Jesus, no qual ela se utiliza da imagem de uma criança brincando com uma bolinha. Essa pequena criança se diverte com essa bolinha, porém, em alguns momentos, ela também põe essa bolinha de lado, deixando-a esquecida. Outras vezes, a criança pega algo para furar essa bolinha. Enfim, essa criança faz o que quer com essa bolinha.

Santa Teresinha gostava muito dessa imagem e ensinava: “A alma, como a bolinha, se faz o brinquedo do Menino Jesus. Eu sou a bolinha do Menino Jesus, que Ele faça de mim o que quiser. Brinque à vontade com a sua bolinha. Se me quiser atirar a um canto, abandonada, serei feliz, contanto que Ele o queira. Eu me ofereço ao Menino Jesus para ser o seu brinquedo, uma bolinha que Ele pode pisar, ferir, atirar ao canto ou apertar contra o coração. Enfim, eu quisera divertir o Menino Jesus e entregar-me aos seus caprichos infantis”.

Santa Teresinha, no seu nada, quis se fazer essa bolinha nas mãos do Senhor, para que Ele agisse conforme a Sua santa vontade com ela. Que belo ensinamento! Hoje, vamos fazer isso? Vamos, também, ser essas bolinhas nas mãos do Senhor? Precisamos aprender a abandonar o nosso nada nas mãos de Deus e deixar que Ele faça em nós segundo a Sua vontade.

Eu lhe digo, meu irmão: se você se abandonar com confiança na soberana vontade de Deus, você começará a experimentar, já aqui nesta vida, o antegozo da eternidade reservada a nós, no Céu. Afinal, esse Deus que cria todas as coisas a partir “do nada”, pode muito bem pegar esse nada do nosso coração e transformar no tudo da Sua soberana vontade.

Sejamos dóceis a Deus! Sejamos bolinhas nas mãos de Jesus.

Um forte abraço!

Radio Vaticano

Quais os desafios dos jovens da nossa sociedade? O que eles buscam?

Muitos jovens esperançosos se aventuram em exames que lhes possibilitem o acesso à Universidade. Outros, ainda jovens, concluem seus cursos e buscam o lugar na sociedade, procurando encontrar trabalho e emprego. Pelas ruas, rostos carregados da sofreguidão e passos, muitas vezes, agitados de quem procura pagar suas dívidas, comprar uma casa, recolocar-se no mercado de trabalho, ansiedades, dificuldades financeiras ou as lutas pela própria saúde e da família.

Nas curvas da vida, a morte de pessoas queridas, acidentes, crises no casamento e na convivência familiar, escândalos. Para todos nós, a insegurança gerada pela violência de cada dia ou pelos desacertos administrativos que percorrem, de alto a baixo, a prática política brasileira.

E como administrar (agora é conosco) esses e outros tantos desafios que se apresentam?

Nosso tempo traz consigo perigos a serem superados pelo cristão. De um lado, uma fuga das responsabilidades que a vida oferece, mas também um risco à mundanização: fazem as pessoas mergulharem de tal forma no seu dia a dia, que elas perdem o rumo e a esperança. O equilíbrio se chama vigilância (Cf. Mt 25,1-13), prontidão para enfrentar com serenidade e seriedade todos os desafios, sem esquecer o Senhor e Suas promessas. Também reconhecer as muitas “visitas” do Senhor, certos de que Ele virá. Prontos para acolher as demoras de Deus, sabedores de que ele é o Senhor da história.

A seriedade do momento presente exige preparação, prontidão, envolvimento pessoal, responsabilidade. Um dia, o Senhor virá para consumar as bodas com a humanidade. Poderão participar da festa as pessoas que se encontrarem preparadas. Não podem faltar a dedicação, o óleo para manter acesa a lâmpada; e para que a fé, a esperança e o amor permaneçam acesas: fidelidade e perseverança. Vamos por passos.

O que buscar?

Não esquentar a cabeça, contar de um até dez, acalmar-se, alguns até recomendam um chá de camomila! São recomendações bem populares e práticas, a serem elevadas a um nível inigualável, quando as pessoas se abrem para aquela sabedoria que vem do alto, e essa é um dom do Espírito Santo, que nos possibilita descobrir o gosto que Deus pôs nos acontecimentos alegres ou tristes. A Palavra de Deus (Sb 6,12-16) aponta para a Sabedoria resplandecente e sempre viçosa! Madrugar por ela, contemplá-la por amá-la, meditar, exercitar-se na prudência. Acolher a sabedoria que é um dom do Espírito Santo, para viver nesta terra com os critérios que vêm do alto.

Há que se procurar a sabedoria, desejá-la e amá-la. Como? Na oração, na leitura da Bíblia, na partilha de nossa vida cristã, no conselho de pessoas mais experimentadas nos caminhos de Deus, saber perguntar a respeito de Sua vontade! E Ele quer sempre alguma coisa de nós, mas sempre o bem e o que constrói a vida com dignidade!

Olhar ao nosso redor, identificar as pessoas que têm o mesmo sonho de fidelidade a Deus e anseiam pelo seu Reino, gente que ama a Igreja e quer percorrer um caminho diferente, para compartilhar experiências positivas de vivência do Evangelho. São muitos os grupos de cristãos comprometidos, nas Comunidades, Paróquias e Movimentos Eclesiais que significam verdadeiros oásis, nos quais é possível rezar juntos, alimentar-se da Palavra de Deus, encontrar companhias autênticas, socorrer os que se encontram fragilizados, estabelecer parcerias inteligentes com quem quer fazer o bem. Talvez essas pessoas não falem tanto, mas agem, utilizam critérios novos, são verdadeiros tesouros escondidos a serem descobertos e valorizados. São incontáveis aquelas que tenho encontrado e aprendido a valorizar.

Vigilantes e preparados

Vigilância significa também a coragem para tomar posições corajosas, diante da mentira e das muitas ideologias correntes. Cada pessoa, no campo que lhe é próprio, pode e deve perguntar-se se pode fazer algo mais para defender a verdade e viver os valores do Evangelho. É hora ainda de apelar a muitos que agora se encontram em posições importantes na sociedade e na política, a fim de que sejam coerentes com suas raízes cristãs e católicas. Vigilância significa lutar contra o torpor e a negligência para alcançar a meta.

A conclusão de Jesus, ao final da parábola das dez virgens, cinco previdentes e cinco imprevidentes, serve para compreendermos o que o Senhor disse, ao contar uma história ambientada numa festa de casamento: “Vigiai, pois não sabeis o dia, nem a hora” (Mt 25,13). Deus pode vir a qualquer momento da nossa vida. Todos devemos estar preparados, como as jovens virgens prudentes. Precisamos estar prontos ao serviço a sermos oferecidos a Deus e ao próximo.

Dá para rezar e até cantar: “Vigia esperando aurora, qual noiva esperando o amor, é assim que o servo espera, a vinda do seu Senhor. Ao longe, um galo vai cantar seu canto, o sol no céu vai estender seu manto, na madrugada eu estarei desperto, que já vem perto o dia do Senhor. A minha voz vai acordar meu povo, louvando a Deus, que faz o mundo novo. Não vou ligar se a madrugada é fria, que um novo dia logo vai chegar. Se é noite escura, acendo a minha tocha, dentro do peito, o sol já desabrocha, filho da luz, não vou dormir: vigio! Ao mundo frio vou levar o amor!” (Padre Jonas Abib).

Radio Vaticano

Deus nos mostra a sacralidade da vida humana

O ser humano é obra-prima das mãos de Deuspois cada pessoa é querida pelo Criador. Ensina o salmista que nós fomos tecidos por Deus no ventre de nossa mãe (cf. Sl 138, 13). Ele nos mostra, desse modo, o carinho de Deus ao nos criar. Como somos tecidos no seio materno, o ventre torna-se um lugar sagrado, lugar de vida e não de morte. É um jardim onde a vida floresce; jamais pode ser um cemitério onde a vida é desfeita.

O autor do livro do Gênesis, de forma poética, descreve como o homem foi criado por Deus. Todas as coisas criadas não tem um arquétipo, são criadas “segundo a sua espécie” (Gn 1,21; 24;25). Por sua vez, o ser humano se distingue desta realidade, Deus o fez olhando para si mesmo, isto é, sua própria imagem e semelhança (cf. Gn 1,26). Logo, a dignidade do ser humano é superior a todas as outras coisas criadas.

Um outro aspecto que pode ser visto é que todas as coisas criadas são postas no mundo; o ser humano, por sua vez, além de ser colocado no mundo, pode dominar o que nele existe. “Os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todos os animais selvagens e todos os animais que se movem pelo chão”. (Gn 1, 26-27). O domínio sobre a criação faz com que o homem participe da glória de seu Criador. O homem, enquanto imagem de Deus, é seu representante.

Valorização da vida

Portanto, a vida humana é sagrada e inviolável. São João, no seu Evangelho, diz sobre a missão de Jesus para com a humanidade: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância (Jo 10,10). A partir dessas palavras de Cristo, entendemos que ninguém tem o direito de atentar contra a vida de ninguém, sobretudo, dos inocentes. A vida deve existir sempre de forma abundante.

Precisamos superar essa visão equivocada do mundo atual, onde o deus-dinheiro tem tido mais valor que a pessoa humana. Assim como o bem-estar da mulher tem valido mais do que a criança que ela carrega em seu ventre. Isso mostra uma inversão total de valores, e por esse motivo o ser humano tem sido, até mesmo, descartado.

Esse descarte do ser humano é fruto de uma compreensão equivocada do valor da pessoa. Ninguém pode ser substituído, assim como nenhum ser humano é mais importante que o outro. Cada vida é única, exclusiva e insubstituível. Cada pessoa possui valor próprio, pois é criada pelas mãos de Deus.

Partindo do princípio que o ser humano é obra-prima das mãos de Deus, ele é, portanto, o que de mais nobre e valioso existe no universo. Somente conhecendo o verdadeiro valor de cada pessoa é que seremos capazes de nos valorizar, assim como, dar o devido valor aos demais. Esta consciência é fundamental para defendermos a vida desde a concepção a sua morte natural.

Sacralidade da vida humana

Vivemos numa sociedade, não raramente doente e adormecida, diante do valor da vida. As pessoas, muitas vezes, são valorizadas não pelos que são em si, mas sim pelo papel que desempenham na sociedade. Isso é absurdo! Pois ninguém deve ser valorizado, em primeiro lugar, pela função que exerce na sociedade, pelo seu poder aquisitivo, pelo tanto de dinheiro ou privilégio que possui. Sem faltar com o devido respeito pela sua profissão e posição social o valor e o respeito que antecede é o de ser pessoa. A pessoa é sempre o mais importante! Quem compreender essa lógica jamais será desrespeitoso com quem quer que seja.

Vivemos em uma época onde o óbvio precisa ser explicado. Por isso mesmo, a necessidade de falarmos sobre a beleza, o valor e sacralidade da vida humana. Ela que deveria ser protegida, tem sido ameaçada. Cabe a todos, porém, em primeiro lugar, a nós cristãos salvaguardar o maior dom de Deus, a vida, em particular, dos inocentes que ainda não nasceram.

O ser humano é obra-prima das mãos de Deus. A vida humana é sagrada e inviolável. É por isso que, mesmos nadando contra a correnteza, não podemos desanimar e muito menos desistir. Precisamos caminhar com a esperança e certeza, como afirma São João Paulo II, que a vida vencerá, “sim, a vida vencerá, porque do lado da vida estão a verdade, o bem, a alegria e o verdadeiro progresso. Do lado da vida está Deus, que ama a vida e a doa em abundância” (Dignitas Personae, n. 3).

Radio Vaticano

Estaremos sempre em luta, mas, ao final, cantaremos vitória

Começamos este quinto e último artigo da nossa série “sobre santidade” com uma tríade que o nosso querido Papa Francisco nos deixa de maneira emblemática: Luta, Vigilância e Discernimento. O Papa enfatiza com isso a importância da luta, mas também da vigilância e do discernimento no processo de santidade do cristão. É notório que, na nossa vida de homens e mulheres que buscam atingir a vontade de Deus, andam lado a lado a luta contra o demônio e o anúncio do Evangelho.

Então, nesta derradeira parte da exortação apostólica Gaudete et Exsultate, o Santo Padre nos alerta sobre a existência do demônio, quando ele escreve: “Não pensemos que seja um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia” (n. 161). É fato e não podemos negligenciar aquele que é contrário a Deus, o demônio. Um dos maiores equívocos que cometeríamos é imaginar que o demônio não existe. Nota-se a sua presença na Sagrada Escritura desde as primeiras páginas até o livro do Apocalipse.

Contudo, fiquemos certos da vitória de Deus sobre as forças do mal, pois a mesma Sagrada Escritura nos garante que, no fim, Deus triunfará sobre o demônio. Na sociedade em que nos encontramos, que é de certa forma cética e só acredita no que a ciência pode comprovar, o Catecismo da Igreja Católica, documento que consta a Santa Doutrina, deixa claro a existência do Mal, como podemos ler: “o Mal não é abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O ‘diabo’ (diabolos) é aquele que ‘se atira no meio’ do plano de Deus e de sua ‘obra de salvação’ realizada em Cristo.” (CIC, 2851).

A resistência acontece por meio da vigilância

É com a palavra da Carta aos Efésios que o Papa Francisco nos exorta a respeito da vigilância: “revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do diabo.” (Ef, 6,11). Para que possamos lutar necessitamos de armas e para que não sejamos pegos de surpresa, precisamos estar vigilantes e atentos, pois o diabo anda como um leão procurando a quem devorar (Cf. 1 Pd 5,8).

Não podemos permitir que nos corrompamos espiritualmente, porque a corrupção da nossa alma impede que percebamos os erros que cometemos, sejam eles leves ou graves. A corrupção espiritual é uma espécie de entorpecente das almas, de um anestésico. O perigo encontra-se no fato que se não percebemos que estamos em erros, não sentimos a necessidade de mudarmos e, cada vez mais, caímos nas sutilezas do diabo.

O pecado, por mais venial que ele seja, pode ser comparado ao bolor. Aos poucos, ele vai embotando a nossa consciência e, como cegos, vamos caindo no engano e no erro, achando que estamos caminhando com Deus e na luz. Contudo, o Papa Francisco nos lembra que também Satanás se disfarça em anjo de luz (Cf. 2 Cor 11,14).

Espírito de Deus, do mundo ou do maligno?

Como saber se o que vem até mim, nas mais variadas formas como pensamentos, vontades, lembranças, situações e até oportunidades, são de Deus ou não? A maneira para saber a origem de tais situações é o que chamamos de “discernimentos dos espíritos”. E o que é o discernimento dos espíritos? Respondo dizendo que não é simplesmente a capacidade que temos de usar a razão para entendermos as realidades que chegam até nós, mas é um dom de Deus. E todo dom é graça, carece que se peça.

Papa Francisco escreve sobre o uso do discernimento: “O discernimento não é necessário apenas em momentos extraordinários, quando temos de resolver problemas graves ou quando se deve tomar uma decisão crucial; mas é um instrumento de luta, para seguir melhor o Senhor.” (n. 169). Se queres seguir melhor a Deus, ter êxito e eficácia na busca pela santidade, use do dom do discernimento. Coloque sua vida sob o crivo de Cristo e da Sua Igreja, assim não correrás o risco de errar.

A intimidade com o Senhor, os momentos de oração, a reflexão, assim como uma leitura, ajudará a você a crescer em sabedoria e nas suas capacidades espirituais. Para ajudar nesse itinerário rumo à santidade, o Papa, no último capítulo da Gaudete et Exsultate, faz um pedido a todos os cristãos: “[…] não deixem de fazer, a cada dia, em diálogo com o Senhor que nos ama, um sincero exame de consciência.” (n. 169). Meus amigos, a relação que cada um tem com Deus será o termômetro dos seus discernimentos. Por isso, tenhamos os ouvidos bem próximos do coração de Nosso Senhor.

Deus nos fala ao coração

Alguém só poderá obedecer se antes tiver escutado a ordem dada. É com essa afirmação que findamos este itinerário de santidade, meio que descobrimos o nosso chamado à santidade, a vontade de Deus para cada um, e a maneira pela qual atingimos esse fim. Contudo, o Senhor Deus, que é o Autor de todas as coisas, deseja nos comunicar a Sua vontade; e para que possamos escutá-la é necessário nos colocarmos à disposição.

Primeiramente, Ele nos comunica o Seu Espírito, para que, munidos com esse dom maior, compreendamos as demais locuções de Deus. O Senhor nos fala diretamente por meio da Sagrada Escritura, por isso é indispensável a sua leitura e meditação para quem deseja ser santo. Vejamos a orientação do nosso querido Papa: “Quando perscrutamos na presença de Deus os caminhos da vida, não há espaços que fiquem excluídos. Em todos os aspectos da existência, podemos continuar a crescer e dar algo mais a Deus [..].” (n. 175).

Por fim, não esqueçamos a Santíssima Virgem Maria, pois foi ela quem mais soube escutar, obedecer e trilhar em perfeição esse caminho de santidade. Peçamos a intercessão de Maria, busquemos também a proximidade com ela. “Conversar com ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para lhe explicar o que se passa conosco. É suficiente sussurrar uma vez ou outra: ‘Ave Maria…’”. (n. 176).

Que a santidade nos una numa alegria eterna!

 

Radio Vaticano

A inveja foi um dos primeiros pecados da humanidade

Dando continuidade à nossa série de estudos sobre os pecados capitais, tomemos conhecimento, agora, sobre o pecado da inveja e o remédio para combatê-la: a benevolência. Professor Felipe Aquino nos ensina que “a inveja é companheira daquele que não suporta o sucesso dos outros nem se conforma em ver alguém melhor do que ele mesmo. O invejoso está sempre com aquelas pessoas soberbas, que querem sempre ser melhores do que os outros em seus negócios e nas suas atividades; fica torcendo pelo mal do outro, e quando este fracassa, diz em seu interior: “bem feito!”.

Santo Agostinho dizia que “a inveja é o pecado diabólico por excelência”. E se referia a ela como “o caruncho da alma, que tudo rói e reduz a pó”. A inveja foi um dos primeiros pecados da humanidade. O Livro do Gênesis nos relata que Caim matou seu irmão Abel por inveja. (Gn 4,8). De lá para os dias atuais, infelizmente, algo de semelhante tem acontecido.

Vale também recordar a inveja dos filhos do Patriarca Jacó. Por inveja, foram capazes de vender seu irmão caçula para os mercadores, que o levaram para o Egito. Jacó amava José mais do que os outros filhos, porque era “o filho da sua velhice ” (Gen 37,3).

Ainda outro relato bíblico para ilustrar a gravidade do pecado da inveja, vale recordar a inveja por parte do Rei Saul em relação a Davi. Depois que Davi venceu o gigante aterrorizante, Golias, todo o povo o aclamava e lhe tinha grande admiração. Diz o relato bíblico que o rei Saul ficou enciumado, a ponto de não mais suportar a presença de Davi. A situação chegou a tal ponto, que o rei procurava Davi para lhe tirar a vida (ISm 18,8;19,1).

O invejoso é infeliz e, além do mais, não gosta de ver a felicidade do outro. Santo Agostinho nos ajuda a entender a gravidade da inveja quando este diz: “Terrível mal da alma, vírus da mente e fulminante corrosivo do coração, é invejar os dons de Deus que o irmão possui, sentir-se desafortunado por causa da fortuna dos outros, atormentar-se com o êxito dos demais, cometer um crime no segredo do coração, entregando o espírito e os sentidos à tortura da ansiedade; destroçar-se com a própria fúria!”.

Percebamos algo de suma importância recordado por Santo Agostinho. Jamais podemos invejar o dom do outro recebido por Deus. Em vez disso, devemos no alegrar pelo dom do irmão. Devemos compreender que o dom que falta em nós é completado pelo dom que existe no outro. A inveja nunca edifica, pelo contrário, mata o que de melhor tem no outro.

A virtude da benevolência

Resta-nos perguntar: o que fazer para combater a inveja de nossa vida? Os padres da Igreja vão ensinar que a virtude oposta à inveja é a benevolência. Concretamente, o que devemos fazer? Ensina o Professor Aquino: “Quando o triste sentimento de inveja quiser se aninhar em nosso coração, é preciso, de imediato, ‘agir-contra’ isto é, reagir com benevolência, desejar o bem da pessoa invejada, fazer o bem a ela e falar bem dela”.

Dizia São Leão Magno que, “quando todos estivermos cheios de sentimentos de benevolência, o veneno da inveja há de desaparecer inteiramente”. O mesmo santo doutor e papa ensinava que ardem de inveja da perfeição dos outros; e, como os vícios desagradam as virtudes, armam-se de ódios contra aqueles cujos exemplos não seguem.

São João Crisóstomo, o grande patriarca e doutor da Igreja, chamado de “boca de ouro”, mostra bem o perigo da inveja para a vida cristã: “Nós nos combatemos mutuamente, e é a inveja que nos arma uns contra os outros. Se todos procurarem, por todos os meios, abalar o Corpo de Cristo, onde acabaremos? Nós estaremos enfraquecendo o Corpo de Cristo. Declaramos devoramos como feras. É acaso por meio de vós que quereis ver Deus glorificado? Pois bem, alegrai-vos com o progresso do vosso irmão e, imediatamente, Deus será glorificado por vós.”

Em suma, ficou claro que o pecado da inveja, se não for arrancado de nosso coração, pode levar a morte do irmão. Portanto, como nos ensinou os santos da Igreja, por meio da benevolência, arranquemos a inveja de nosso coração. Em vez da inveja, possamos cultivar, em nosso coração, a alegria pelo sucesso e pelo o dom dos outros.

Cancão Nova

Reflita, passo a passo, como unir-se a Deus pelo sacramento da confissão

“Eu quero ter uma vida unida a Deus, mas  como faço isso?” É exatamente isso que vínhamos tratando, há duas semanas, nessa série de textos voltados para a meditação sobre o sacramento da confissão. Inclusive, nós não concluímos o assunto dos elementos da confissão. Escrevemos que há um modo de se libertar, de uma vez por todas, do pecado grave. Tem jeito! Só que existem alguns pontos cruciais que devem ser vividos com intensidade e sinceridade para dar certo. No texto anterior, nós já demos algumas chaves para isso, os “pulos do gato”. Precisamos terminar esse assunto para seguir adiante.

Nós já tratamos, rapidamente, do exame de consciência, do arrependimento e do propósito para fazer uma boa confissão. Vale a pena dar uma olhada lá, porque colocamos alguns detalhes sobre essas ações cruciais para libertar-se do pecado grave gradativamente e em definitivo. São esclarecedores!!

Acusação

Agora vamos ao quarto passo: a acusação.

Contar os pecados ao sacerdote. É preciso ser específico na acusação das faltas e colocar, ao máximo, a quantidade de vezes que as cometeu. Não precisa contar a história nem os detalhes, basta dizer qual foi a falta e a quantidade de vezes. Se você não se confessa há muito tempo, precisa dar, pelo menos, uma ideia da quantidade de vezes que foi cometido o pecado. Por exemplo: “Passei tantos anos sem ir à missa dominical”. Com relação à gravidade do pecado, isso sim é importante especificar ao máximo. Por exemplo: “Cometi adultério uma vez com uma mulher casada”. Nesse caso, foram dois adultérios, o próprio e o que foi induzido à mulher casada. Outro exemplo: “Cometi um roubo, e nele houve assassinato ou violência”.

Lembrando que você se encontra em um tribunal, onde o réu confessa os pecados; no entanto, será perdoado pelo juiz, na pessoa do sacerdote. Falamos disso no primeiro texto.

“Ah, mais vou me sentir envergonhado, constrangido…” Quando erramos com alguém, e pedimos perdão, o fazemos por quê? Justamente por ser uma pessoa cara a nós, e não quereríamos a ter ofendido. Essa humilhação é já parte do remédio contra o mal, pois é uma pedagogia de autocorreção nossa frente Àquele que deve ser o mais importante em nossa vida, e do qual não queremos nos afastar.

“Deus é misericórdia. Ele não precisa de nos humilhar assim”. De fato, ele não precisa mesmo, somos nós que precisamos reconhecer que não somos iguais a Ele, mas sim criaturas limitadas e dependentes da Sua ajuda. Isso só se faz assumindo a humildade como virtude.

Penitência

O quinto passo trata-se da penitência: “A penitência que o confessor impõe deve ter em conta a situação pessoal do penitente e procurar o seu bem espiritual. Deve corresponder, quando possível, à gravidade e natureza dos pecados cometidos. Pode consistir na oração, num donativo, nas obras de misericórdia, no serviço do próximo, em privações voluntárias, sacrifícios e, sobretudo, na aceitação paciente da cruz que temos de levar. Tais penitências ajudam-nos a configurar-nos com Cristo, que, por Si só, expiou os nossos pecados uma vez por todas. Tais penitências fazem com que nos tornemos co-herdeiros de Cristo Ressuscitado, «uma vez que também sofremos com Ele» (Rm 8, 17)” (CIC 1460).

Por obrigação moral, é bom reparar o que for possível da falta cometida: devolver o que foi roubado, desfazer a calúnia proferida, indenizar por ferimentos etc.

A penitência, às vezes, pode parecer leve demais. Ela existe para nos fazer meditar no mal cometido, e nas suas consequências morais. No entanto, quem pagou o preço foi Cristo, com Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Não somos capazes de expiar nenhum pecado, nem mesmo o mais leve.

Absolvição

Por fim, a absolvição: Trata-se da oração, feita pelo sacerdote, de absolvição dos pecados confessados e dos esquecidos; não dos omitidos. Lembrando: se houver omissão de pecados, a confissão torna-se inválida. O nível da graça dada por Deus, no ato da absolvição, varia de pessoa para pessoa, pois depende do grau de devoção do penitente. A devoção não produz a graça, mas é como que o caminho para ela. Logo, a pessoa perceberá o seu efeito suavemente: firmeza de propósito, aumento da fé, força gradativa contra o pecado, aumento do horror pelo mal cometido. Vamos ficando mais fortes na luta contra o pecado.

Permanecendo em estado de graça, é possível, por meio da oração, e principalmente da Eucaristia, receber de Deus as virtudes infusas que nos ajudam a permanecer firmes na luta contra o pecado. Também vamos nos tornando pessoas melhores, realizadas, voltadas para as realidades mais essenciais que nos levam a uma união com Deus.

Temos de Deus a ajuda necessária para permanecer perto d’Ele.

Semana que vem, vamos tratar, brevemente, sobre o pecado, justamente para nos ajudar no exame de consciência.

 

Radio Vaticano

A Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do batismo, é confiado ao seu próprio anjo da guarda

Os anjos são nossos companheiros diários. Não podemos perder a oportunidade de contar com a intercessão desses espíritos puros, pois eles nos guardam e protegem. Cada um de nós vive essa graça: existe o anjo da guarda ao nosso lado.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Oração para todos os dias

Santo Anjo da Guarda, guardai-nos de todas as ciladas do inimigo astucioso. Deus, vinde em meu auxílio. Apressai-vos, Senhor, em socorrer-me.
(Rezar: 1 Glória ao Pai)

Ó Santo Anjo da minha Guarda, dou-vos graças pelos cuidados que tivestes comigo desde os primeiros dias de minha vida, livrando-me dos perigos espirituais e corporais. Ajudai-me com suas santas aparições, para que, sendo fiel a elas, consiga viver santamente, neste mundo, e gozar, depois, de vossa companhia na pátria celestial. Amém.
(Rezar: 1 Pai-Nosso, 1 Ave-Maria)

Primeiro dia
Intenção: Para que o Senhor nos torne dignos de sermos abrasados de uma perfeita caridade.

Segundo dia
Intenção: Para que o Senhor nos conceda a graça de fugirmos do pecado e procurarmos sempre a perfeição cristã.

Terceiro dia
Intenção: Para que o Senhor derrame em nossos corações o espírito de verdadeira humildade.

Quarto dia
Intenção: Para que o Senhor nos conceda a graça de dominar nossos sentidos e nos corrigir das nossas más inclinações.

Quinto dia
Intenção: Para que o Senhor nos conceda a graça de crescer e fortalecer as virtudes de , esperança e caridade.

Sexto dia
Intenção: Para que o Senhor não nos deixe cair em tentação, mas que nos livre de todo o mal e, de modo especial, dos vícios contra a pureza.

Sétimo dia
Intenção: Para que o Senhor encha nossas almas do espírito de uma verdadeira e sincera obediência.

Oitavo dia
Intenção: Para que o Senhor nos conceda a graça da perseverança na fé e nas boas obras, irradiando os preceitos do amor de Deus e do próximo.

Nono dia
Intenção: Para que o Senhor digne-se conceder que sejamos guardados por todos os anjos nessa vida mortal e, depois, sermos conduzidos por eles à glória do céu.

“Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida” (Catecismo da Igreja Católica n. 336).

Canção Nova

É preciso tomar cuidado para não perder os valores da alegria e da esperança

Quero lhe falar de uma história real. Trata-se da vida de um jovem que, aos 25 anos de idade, não tinha mais nenhuma perspectiva, não conseguia ver esperança em sua vida, era só um vazio existencial.

Os dias foram passando e o desespero aumentava no coração dele, por não avistar uma saída. A entrada para o mercado de trabalho lhe parecia muito difícil sem faculdade e sem currículo. Quem o contrataria e quanto ganharia? Pois quem ganha bem é quem tem um excelente currículo e uma boa formação acadêmica, pensava este jovem. Casar-se e formar família também era complexo, já que não conseguia dirigir sua própria vida. Então, não conseguia mirar uma vida de fidelidade a partir de uma única mulher. Outro ponto se tornava mais distante ainda: ter filhos e dar a eles uma educação moral e cristã.

Situações que resultavam numa conclusão: sem perspectiva profissional e sem perspectiva de ser bom esposo e bom pai. Além desses fatos, tinha jogado fora todas as oportunidades que estiveram em suas mãos, uma delas a carreira profissional de jogador de futebol de salão. O mais complicado para este jovem era achar que não tinha mais jeito de dar a volta por cima, não existia esperança em sair do caos.

Alegria e esperança

Não sei a sua idade nem quais são as suas perdas, mas sei de uma coisa: em meio a uma situação de desesperança, é hora de tomar cuidado para não perder os valores da alegria e da esperança.

Há uma música que diz: “Reconhece a queda e não desanima; levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Jovem, é preciso reconhecer a queda, reconhecer a perda, reconhecer-se pequeno, mas não desanimar. É preciso ter consciência de que para levantar e dar a volta por cima é preciso o auxílio do Alto, do Céu. Levante a cabeça, acredite, é possível começar um tempo novo! Levantar-se sem Deus é arriscado e levantar-se com Ele é humildade.

“A alegria do coração é a vida da pessoa, tesouro inesgotável de santidade, a alegria da pessoa prolonga-lhe a vida. Tem compreensão contigo mesmo e consola teu coração; afugenta para longe de ti a tristeza. A tristeza matou a muitos e não traz proveito algum.” (Eclo 30,23-25).

Essa passagem bíblica nos apresenta um valor que deve ser cultivado: a alegria. Jovem, não deixe que nenhuma perda lhe roube a alegria. Somente a perda de Jesus é que deve nos questionar, pois Ele diz: “sem mim, nada podeis fazer”. Viver a vida sem Cristo é perder a esperança de dias melhores.

Jesus é o seu amigo e está junto de você nestes momentos tão difíceis. Ele é o único que não pode se fazer presente na sua lista de perdas. “Eu vos chamo amigos” (Jo 15,15). O lindo desafio para este dia é virar a folha e começar a escrever um tempo novo. Coloque, no início dessa folha, “Jesus é meu amigo” e isso me basta para dar a volta por cima.

Este jovem, hoje, tem 49 anos de idade, é casado há 20 anos e tem três filhos. Este jovem sou eu, Cleto Coelho. Hoje, sou “semeador de alegria e esperança” e aprendiz em descobrir valor em meio às perdas. Não me canso de repetir: “Com Deus tem jeito!”

Canção Nova

Os perigos que podemos encontrar

Como vimos no artigo anterior, o Papa Francisco, em seu documento Gaudete et Exsultate, que trata sobre o chamado à santidade, apresenta ao povo de Deus um código de conduta. Francisco, com sua maneira direta,  simples e prática de ensinar, orienta a cada um em particular para que tenham atitudes que o torne santo.

O objetivo do documento é fazer que cada pessoa possa refletir no seu interior o chamado universal à santidade, com os riscos, desafios e oportunidades, tudo isso em meio à cotidianidade dos afazeres de uma vida normal, e que o mundo não nos ausenta (Cf. n. 2).

Neste artigo, que é o segundo em que estamos tratando sobre o chamado de todo homem à santidade, iremos notar os dois inimigos citados pelo Papa Francisco que atrapalham o homem de atingir a vocação universal. No referido documento “Alegrai-vos e exultai”, o Papa Francisco aponta duas heresias ou, por assim dizer, erros que podem levar um descaminho no processo de santidade, ou o que ele mesmo disse: “falsificações da santidade”. Falsificações que são verdadeiros inimigos nesse caminho à santidade. Estes erros são: o gnosticismo e o pelagianismo. Essas duas formas de pensar o cristianismo são oriundas dos primeiros séculos da Igreja, porém, atualizam-se de maneira inconsciente nos dias de hoje.

O risco do gnosticismo e do pelagianismo

O Sumo Pontífice alerta para o que o gnosticismo e o pelagianismo, de maneira ampla, dão origem “a um elitismo narcisista e autoritário, onde, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem-se as energias a controlar. Em ambos os casos, nem Jesus Cristo nem os outros interessam verdadeiramente” (n. 35). Acontece uma elevação exagerada do homem, a realização do homemaconteceria tão somente no aqui e no agora.

Para compreender melhor o que o Papa esclarece no documento a respeito desses dois erros, analisemos ambos e vejamos o que realizam no homem e suas consequências, para isso primeiramente exploremos o gnosticismo.

O gnosticismo carece de uma fé fechada no subjetivismo, levando o homem a uma prisão na própria razão ou nos sentimentos. O gnóstico não é capaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros. Acontece assim, um desencarnar do mistério, eles preferem “um Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo”. (Cf. n. 37). Essa ideologia quer domesticar o mistério de Deus e da sua graça, assim como fazem na vida dos outros. Contudo, Francisco, orienta que quando nos deixamos guiar mais pelo Espírito do que pelos raciocínios, nós encontraremos o Senhor em cada vida humana.

Quando o Papa explora o pelagianismo, ele afirma que os pelagianos tiraram o lugar que a inteligência e a graça ocupavam no mistério e colocaram a vontade. Mas uma vontade sem humildade, surgia aí uma prepotência da vontade, uma espécie de “tudo é possível” pela vontade (Cf. 49). Atualmente, existem cristãos que buscam a justificação pelas próprias forças, no que se pode chamar de adoração da vontade, da própria capacidade, caindo em um egocentrismo, sem nenhum aspecto verdadeiro de amor (Cf. 57).

As virtudes teologais como antídoto

Com a sabedoria de quem governa a Igreja, o Papa Francisco deixa a saída para os erros do gnosticismo e do pelagianismo. Ele apresenta para o povo de Deus uma hierarquia das virtudes, levando-nos a buscar o essencial. A precedência está nas virtudes teologais (Fé, Esperança e Amor), que trazem Deus como objeto e motivo. E o centro de tudo é a caridade. Francisco apresenta a passagem que está em Romanos 13,8.10: “Quem ama o próximo cumpre plenamente a Lei […] Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei.” (Cf. n. 60).

Deixemos que o Espírito Santo nos conduza para águas mais profundas no conhecimento de nós mesmos e na imagem de Deus em nós. Que possamos manifestar o amor pleno e verdadeiro pelos que mais precisam, pelos preferidos de Deus, nunca perdendo de vista a fé, a esperança e a caridade. Se nos munirmos com essas virtudes, estaremos nos protegendo de cairmos em erros e ainda estaremos protegendo os nossos irmãos que trilham o mesmo caminho que nós à santidade.

Quem não ama não chega a conhecer a Deus, pois Deus é amor. (1 Jo 4,8).

Canção Nova

O casal que ora junto faz frutificar seus talentos e se fortalece espiritualmente

Só Deus é uno, só a Ele pertence o caráter de ser único, portanto, somente Deus pode transmitir a unidade do casal. “Que todos sejam um; como tu ó Pai, estás em mim e eu em ti, que também eles estejam em nós” (Jo 17,22).

Homem e mulher que deixam pai e mãe partem rumo ao belíssimo desafio da vivência da unidade, contam com a graça de estado do matrimônio. “Aquilo que Deus uniu, não o separe o homem” (Mc 10,9).

matrimônio é um sacramento celebrado pelos cônjuges e abençoado pela Igreja na pessoa do sacerdote. Porém, é essencial que ambas as partes, homem e mulher, tomem consciência de que, desde a bênção nupcial, a unidade entre eles se faz perfeita. Percebe-se, então, com clareza, que esse sacramento não é uma sociedade humana, tampouco um reconhecimento, por parte da Igreja, de um casal que já vivia junto e passa a viver sob a bênção de Deus.

Unidade em Deus

Desde o princípio, o homem e a mulher foram criados para serem unidos e viverem o mistério da unidade em Deus. Unidade semelhante àquela vivenciada pela Santíssima Trindade. É a experiência mística de aprender a amar o seu próximo mais próximo, como a si mesmo.

Nesse relacionamento, onde Deus gera a unidade, existe continuamente uma batalha espiritual a dois. Um cônjuge está sempre erguendo o outro no momento de uma possível queda, pois Deus nunca permite que ambos caiam ao mesmo tempo.

Os cônjuges veem a imagem de Jesus Cristo na face um do outro, e assim aprendem a se amar. No entanto, se existe uma batalha espiritual no relacionamento matrimonial, se o inimigo de Deus tenta de todas as maneiras destruir os casamentos, faz-se necessário que os esposos estejam sempre muito bem armados para se defenderem.

No mundo moderno, dificilmente os cônjuges têm a consciência do que é o matrimônio. Normalmente, quando surge uma situação mais difícil ou mesmo uma pequena discordância de ideias, ambos reagem humanamente, tantas vezes assumindo posturas precipitadas, ignorando as armas que Deus põe em suas mãos por ocasião do casamento.

A missão do casal

Os casais têm a missão de fazer seu matrimônio cada vez mais santo. Para que esse objetivo seja atingido, faz-se necessário uma labuta incansável, uma lapidação da pedra bruta, do diamante, para que ele, transformando-se em brilhante, reflita Jesus Cristo para todos os que o cercam e d’Ele têm sede.

A vida espiritual é dinâmica. O Espírito Santo é a espada santa de todo casal. Quantas palavrasincompreendidas e duras podem ser trocadas entre os esposos que ainda não sabem que sua união é sinal vivo e eficaz de Jesus!

Um casal precisa orar junto, tendo em vista o carisma de sua unidade. Homem e mulher, tornados um pelo sacramento do matrimônio, necessitam rezar. Essa oração não pode ser apenas pessoal, ela precisa acontecer no casal. A perfeita unidade da alma e do corpo é cultivada pela oração.

Quantas vezes os casais propagam sua unidade intelectual e de corpos, mas não experimentam ainda a união de suas almas! Uma harmonia perfeita no casamento deve ser fundada, alicerçada em Jesus.

O casal que, reconhecendo sua pequenez enquanto pecadores, mas sua grandeza por sua filiação divina, coloca-se totalmente carente e despojado diante da única e verdadeira fonte de amor e sabedoria lá derrama sua alma, viverá plenamente as graças de sua unidade. “Quando dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles” (Mt 18,20).

A unidade divina do casal

oração do casal leva-o a perceber que seu matrimônio não se situa mais no plano humano. Esse modo de orar aprofunda, pois, a unidade do casal no mistério da unidade divina.

Se a oração do casal é algo tão maravilhoso, frutuoso e que tanto agrada ao coração de Deus, por que não acontece sempre? Muitas vezes, sob a desculpa de sono ou cansaço, os cônjuges são confundidos pelo inimigo de Deus e as justificativas, parecendo legítimas, adiam ou impedem que a graça se derrame mais e mais sobre os esposos.

Um casal unido em Jesus terá uma família fundada na rocha. Satanás tenta impedir essa harmonia. Ao casal cabe enfrentar essa batalha com a Espada Santa do Espírito e prostrar-se diariamente aos pés da cruz do seu Redentor, para clamar por sabedoria e unidade, gemer pela graça de poder perdoar-se mutuamente e, acima de tudo, de se amar de modo verdadeiro.

Os esposos que oram juntos, que recebem a Eucaristia em conjunto, fazem frutificar seus talentos e nutrem-se espiritualmente. Não mais caminharão tendo o mundo e seus valores como modelo, mas sim Cristo, e, com destemor, enfrentarão todas as batalhas e desafios advindos do fato de viverem no mundo sem a ele pertencerem.

Maria Adília Ramos de Castro
Comunidade Shalom

 

Há muitos ‘santos’ modernos agindo em nome de Deus e vivendo uma caridade séria. Uma caridade não fingida, sem caricatura e sem teatralidade. Não parecem santos, mas o são. Guardaram-se para seu Criador, aceitam Jesus, vivem para sua família, para o grande amor da vida deles, são fiéis à verdade, aos amigos, à palavra dada e ao seu batismo.

Não têm nem cara nem trejeitos de santos, mas estabeleceram um projeto de vida e o constroem tijolo por tijolo, ato por ato, coerência por coerência. Muitas pessoas nem percebem que eles são santos, porque são gente de carne e osso como nós. Mas, uma análise do que fazem pelos outros, da sua humildade, da sua fé e da sua serenidade aponta para mais um dos santos que Jesus formou.

Cuidado com os ‘falsos santos’!

Diferente é o santo fingido. Ele decidiu que gostaria de ser visto como santo pela projeção social. Como no tempo de Jeremias, 650 anos antes de Jesus e no tempo do próprio Jesus, quando posar de santo e de profeta dava lucro e angariava louvores e primeiros lugares. Então, muita gente fingia jejuar e orar ostentado uma santidade que não tinha. E havia os que garantiam que Deus falava com eles e que eles sabiam levar a Deus [aos demais]. Ganhavam seu sustento com sua cara de santos. Isaías, Jeremias, Jesus e os apóstolos alertaram sobre eles.

Mas, como muita gente adora uma novela e não dispensa um teatro, sempre haverá quem despreze o santo sereno. Haverá quem corra atrás do que grita, chora, esperneia, garante visões, revelações quentíssimas, curas e milagres em local dia e hora marcados. Trocam a verdade, a simplicidade e a honestidade do santo que não faz marketing pelo “pseudossanto” que dá espetáculo, cura dramaticamente, entrevista o demônio ao microfone e transforma a  em espetáculo.

Até que ponto isso é válido?

Que santidade é essa em que não só a mão esquerda sabe o que faz a direita, como também câmeras e microfones veiculam aquilo para todo o mundo? O mesmo Jesus que disse para anunciar a verdade por sobre os telhados e que nossa luz brilhasse, teve o cuidado de mandar que orássemos de portas trancadas e que não fizéssemos alarde da nossa caridade e dos nossos carismas. Ele mesmo pedia que os beneficiados por Ele não espalhassem a notícia.

Jesus, que é santo de verdade e nunca fingia poder ou santidade, nos pediu que seguíssemos Seu exemplo. A ponto de, elogiados e incensados, dizermos que não fizemos mais do que nossa obrigação e que não buscássemos os primeiros lugares. Ele concordaria com o que se vê na mídia religiosa de hoje?

Uma coisa é ser santo sem caricatura, sem cabeça torta, sem chorar orando e dando murros no chão. Sem dramaticidade televisiva, com atos de justiça que só Deus vê porque aquele cristão não divulga o bem que faz. Outra coisa é buscar os holofotes e desabridamente, sem nenhum escrúpulo, chamar a atenção para si mesmo; para sua obra. Com o intuito de garantir  que Deus quis que aparecessem para Sua maior honra e glória. Pior ainda: ganhar dinheiro grosso em cima dessa exibição de santidade. Cristo condenou e criticou os fariseus que assim agiam.

Prefira os santos que apontam para os outros santos e convertidos

Santo que é santo não finge que o é. É discreto. Faz o que deve fazer e foge do incenso, das condecorações e dos elogios. Há santos de verdade ao nosso redor e há caricaturas de santos vendendo e ostentando uma fé que aponta mais para si mesmos do que para Jesus, cujo nome usam com estardalhaço.

Você que crê na Bíblia terá que escolher a quem seguir. Aos que dão a entender que são os novos santos ou os que nada dizem. Eles simplesmente vivem a Palavra e a praticam.

Se você é dos que dizem que ainda não estão convertidos, mas que estão se convertendo, merecerá mais crédito do que os que garantem que Jesus os salvou e que sabem o caminho. Em termos de fé, quem segue procurando está mais perto do que aquele que diz ter achado e, agora, aponta para si, como exemplo do que Deus faz por um pecador. Eu prefiro o santo que aponta para os outros convertidos e não fala nada sobre si mesmo, exceto que precisa de preces para ser mais de Cristo.

Desconfiemos de santos que gostam de medalhas, condecorações, incensos e elogios. Apostemos em quem só os aceita por obediência.

Padre Zezinho, Scj

Canção Nova

Decida-se agora mesmo pelo perdão, antes que seja tarde demais!

“Fora! Saiam todos daqui! Pra fora todos vocês!”. Ficamos sem entender o que se passava no coração da Dona Iraídes. Ela era tão calma, tão meiga! O que teria acontecido com ela, que a deixou tão transtornada a ponto de nos mandar retirar de seus aposentos com tanta veemência? Compartilho com vocês este lindo testemunho de perdão.

Era o final do ano de 1979. Dona Iraídes frequentava o Grupo de Oração e caiu enferma, com câncerna garganta. Como naqueles primórdios da Renovação Carismática Católica, em Goiânia, éramos poucos ainda, nos aproximamos daquela querida irmã com todo o nosso carinho e nos propusemos orar todos os dias por sua cura.

Íamos a maioria de nós, quase todos os dias, até a casa dela. Porém, à medida que rezávamos, seu estado de saúde só piorava.

Chegando o dia 6 de janeiro de 1980, entramos no quarto de D. Iraídes para a nossa oração. Como era de costume fomos logo cumprimentando e eu disse então: “D. Iraídes, hoje, é um dia muito especial, é o dia dos Santos Reis”. Foi então, que vimos o seu semblante sempre calmo se transformar em uma careta de ódio e ela gritou: “Fora! Saiam todos daqui! Pra fora todos vocês!”.

O rancor é o câncer da alma

Já na saída perguntei ao seu filho o que havíamos feito de errado. Ele retrucou: “Vocês falaram lá dentro uma palavra proibida nessa casa!”. Sem entender nada do que se passava perguntei: “Palavra proibida? Não estou entendendo!”. O rapaz completou: “Nessa casa não se pode falar a palavra “reis”, é que o ex-marido dela chama-se Reis; e estão separados, com um ódio mortal há doze anos. Basta alguém dizer esse nome perto de minha mãe, que ela fica transtornada de raiva”.

Vimos que, dentro dela, havia uma doença muito pior do que o câncer. Ela estava com o câncer da alma, que é o rancor. Enquanto que, as doenças que nos acometem nos tiram as forças humanas, o ódio e o ressentimento arrancam a nossa paz. Só depois de quinze dias é que Dona Iraídes aceitou que voltássemos a rezar por ela. Passou-se mais de um mês. Aos poucos, o Senhor foi amolecendo o seu coração.

“Pecador, agora é tempo de contrição e de temor”

Um dia, para nossa surpresa, ela falou: “Se vocês trouxerem o Reis, façam o favor de não me avisar”. Entendemos imediatamente que ela desejava reconciliar-se com ele. Sem demora, pedimos que ele viesse até a casa de sua ex-esposa. Ele morava no interior de Goiás e demorou um dia para chegar. Como de costume, entrei na casa da Dona Iraídes. Ela estava dormindo. Apenas a sua enfermeira particular estava lhe acompanhando. Acordei-a e ela olhou-me com aqueles olhos azuis e comentou (para a minha surpresa):

“- Você trouxe o Reis, não trouxe?”

Respondi estupefato: Como é que a senhora ficou sabendo?.

Ela falou sorrindo: “Eu estava sonhando que vocês viriam, hoje, com ele”.

Porém, não só o Reis estava lá fora, os nossos amigos do Grupo de Oração também, então eu perguntei: O que eu faço então?.

Ela respondeu sem pestanejar: “Vocês farão como eu vi no meu sonho. Darão as mãos aqui no meu quarto, cantarão uma música que eu quero para o Reis entrar”.

Assim fizemos e cantamos a música para o Reis entrar: “Pecador, agora é tempo de contrição e de temor…”.

Precisamos vencer o câncer da alma

O tal Reis era um homem grande. Mas, na medida em que se aproximava da cama de sua ex-esposa, ele foi diminuindo, diminuindo, até se ajoelhar na cabeceira da cama dele e disse, para nossa maior surpresa: “Iraídes, meu amor, me perdoa!”

Nos entreolhamos boquiabertos. Não tínhamos rezado com ele. Eles estavam separados há doze anos com um ódio mortal. Como é que, agora, ao reencontrar sua esposa, a chamava de “meu amor?”. O casamento é indissolúvel e, não é uma separação pelo divórcio, que torna as almas separadas. Quando rezávamos para Jesus amolecer o coração de Dona Iraídes, o coração do Reis, que continuava sendo uma só carne com o de sua esposa, mesmo separados por doze anos, também amolecia. Ela respondeu ao Reis: “A mim nada fizestes!”.

Todos nós choramos naquele quarto. O câncer da alma, que era o rancor, havia sido vencido!

Perdão não é “só” capacidade humana

Reis continuou com suas idas e vindas do interior de Goiás para não mais sua ex-esposa, e sim sua esposa. Ele tinha uma casa de comércio noutra cidade e tinha sempre de voltar, mas deixava seu coração sempre com sua mulher. Um dia, o médico nos disse que ela não passaria mais daquela noite. Com o restinho de forças que ainda possuía, deu-nos a entender que não queria morrer sem ver o seu, agora, querido Reis.

Jamais me esquecerei daquela cena num hospital de Goiânia. Dona Iraídes estava já recebendo oxigênio e em coma, quando o Reis entrou, ele falou aquela palavra mágica: “Iraídes, ‘MEU AMOR’, não vai embora sem se despedir de mim!”. Dona Iraídes abriu os olhos, fez sinal que queria se sentar. Seus braços esquálidos abraçaram seu esposo. Ela colocou sua face macilenta pela doença bem encostada ao rosto do Reis e… morreu nos braços dele.

Perdão, dom de Deus

Ele ainda ficou muito tempo abraçado a ela, chorando. Ficava se lamentando sobre a demora em voltar para os braços de sua esposa. Ao sair do quarto, para permitir que as enfermeiras preparassem tudo para o enterro, comentou com voz embargada pela emoção (assim eu recordo aproximadamente, pois faz muitos anos que tudo isso aconteceu): “Se eu tivesse deixado minha querida Iraídes partir sem receber o seu perdão e sem perdoá-la também, não sei o que seria da minha vida!”.

Perdoar sempre, não é fácil. Então, por que Jesus pediu-nos que perdoássemos setenta vezes sete, sempre que alguém nos ofendesse? É porque o perdão não é só capacidade humana, mas um dom de Deus. É decisão humana, em primeiro lugar. Se você decidir perdoar, Jesus vai lhe ajudar, vai amolecer o seu coração como o do Reis. Você não sabe quanto tempo ainda terá para perdoar quem o ofendeu. Decida-se agora mesmo pelo perdão, antes que seja tarde demais!

Roberto Tannus
Escritor e missionário da Igreja Católica, participa da RCC desde 1983

É necessário ter cuidado e discernir sinceramente se estamos diante do que é um apontamento do Senhor
Desde o início, Deus se comunica com o ser humano de forma a não somente transmitir mensagens, mas fazendo doação de Si mesmo a nós. “Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-se e dá-se ao homem” (Catecismo da Igreja Católica, nº 50).

O Senhor usa de vários meios para nos transmitir Seus desígnios e Sua Pessoa. Temos como exemplo os anjos, que são Seus mensageiros; os dons do Espírito Santo; a Sagrada Escritura e também a Eucaristia, sacramento de máxima entrega.

Não bastasse tudo isso, ainda há a “comunicação do amor de Deus” por meio de sinais. São acontecimentos que significam algo mais que o simples andamento ou consequência de fatos. Deus nos fala nas entrelinhas das ocorrências incomuns ou da rotina. Até mesmo Jesus percebeu cada passo de Seu ministério em eventos comuns que poderiam passar despercebidos, desde a falta de vinho numa festa de casamento (cf. Jo 2,1-12) até quando se aproximava o tempo certo da “Sua entrega na cruz”. Porém, é necessário ter cuidado e discernir, sinceramente, se estamos diante do que é um apontamento do Senhor ou se estamos nos aproveitando de um acontecimento qualquer para justificar algo que temos no coração.

Preferimos nos enganar, nomeando forçosamente simples ocorrências como resposta do Alto, dada a grandiosidade do desejo. Desviamo-nos de uma verdadeira leitura da orientação divina, deixando-nos levar por ideias fixas e obstinação de coração. Quando estamos com a mente e os sentimentos tomados, parece que tudo conspira e confirma na direção tanto do objeto de desejo como para traumas, complexos e impressões que trazemos. Assim, no futuro, só nos decepcionaremos com o Senhor e buscaremos culpar os homens que não nos pareceram favoráveis.

Cultive a amizade com o Senhor

Para interpretar corretamente a fala de Deus, é importante, primeiramente, desfazermo-nos dos nossos apegos e conceitos tendenciosos, estarmos livres para aceitar aquilo que não nos é agradável, as exortações e a direção do que Ele quer consertar em nossa vida.

Outro ponto é cultivar uma íntima amizade com o Senhor. Peça a graça de amá-Lo independente dos favores, gaste tempo em Sua companhia e saiba que a iniciativa de sinais será sempre d’Ele; o que não nos isenta da necessidade de termos uma constância na oração e de nos relacionarmos com o Senhor.

Depois que Deus mesmo se encarrega do sucesso do empreendimento e da graça que Ele quer conceder, Jesus ordena a dois de Seus discípulos: “Ide a essa aldeia que está defronte de vós. Entrando nela, achareis um jumentinho atado, em que nunca montou pessoa alguma; desprendei-o e trazei-mo. Partiram os dois discípulos e acharam tudo como Jesus tinha dito”(Lc 19,30-32). Os fatores do outro lado, no campo da missão, encontram elementos correspondentes à ordem dada por Jesus, mas isso não significa que essa providência se manifeste no primeiro momento. Deus enviou Moisés ao faraó, mas o soberano do Egito foi resistente em libertar o povo do Senhor. Podemos encontrar barreiras que o Altíssimo sinaliza como sendo Sua vontade para nós.

Na verdade, aprenderemos a interpretar corretamente os sinais com um treinamento. Com o passar do tempo, se mantivermos uma amizade verdadeira com Deus e nos exercitarmos nesse processo de intuir, empreender na ordem divina e prestar atenção aos resultados, aprenderemos a olhar um fato, desde o início, e saber se é realmente um sinal do Senhor. O Deus a quem seguimos é bondoso e quer fazer aquilo que é o melhor para nós, por isso está em constante comunicação.

Ele é fiel e nos conduz. “Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá” (At 5,38).

Canção Nova

Diante da promessa de vida eterna, nada nos dá mais segurança de que é possível alcançá-la do que o sinal dado pela Sagrada Eucaristia
É muito comum, nos desenhos e histórias em quadrinhos, o super-herói ter um ponto fraco. Geralmente, é um objeto que, ao tocá-lo ou aproximar-se dele, faz com que perca suas forças; em alguns casos, chega a matá-lo. O exemplo mais conhecido talvez seja o super-homem e a kriptonita. Mas também é possível ver os personagens que ganham poderes quando se aproximam de alguém ou ingerem algo, assim como o Popeye, que aumenta suas forças quando come espinafre. E quanto a nós? Onde buscamos forças quando nos sentimos ameaçados?

Em nosso mundo, o espinafre não nos dá superforça, muito menos há objetos mágicos para nos dar habilidades sobre-humanas. No entanto, se pensarmos bem, há algo que pode fazer a diferença nos momentos de dificuldade.

Imagine se você tivesse acesso a algo capaz de levantá-lo todas as vezes que caísse! Ou ainda que isso fosse capaz de fazê-lo se sentir mais próximo de alguém que há muito tempo você não vê. Não sendo suficiente, que tal se isso lhe desse a vida eterna?

Um homem chamado João Maria Vianney (1786-1859) nos disse: “Ele ter-nos-ia dado algo maior se houvesse algo maior que Ele próprio”. Sim, São João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes, já havia descoberto esse poderoso instrumento: a Sagrada Eucaristia. Acredite, ela é mais forte do que qualquer item que você possa encontrar nos videogames ou nas armas de histórias em quadrinhos.

Eucaristia, alimento para nossa vida espiritual
Se compreendêssemos o valor do que nos foi dado, iríamos em busca desse alimento todos os dias.

“O que o alimento material produz em nossa vida corporal, a comunhão realiza de maneira admirável em nossa vida espiritual” (CIC 1392).

Já se imaginou tendo a arma mais poderosa nas mãos, aquela que você precisa, de qualquer jeito, para alcançar a meta no fim do jogo? Mas, mesmo se a possuísse, não a soubesse usar, de que adiantaria?

Sabe quando você está no fim de uma fase, no videogame, lutando contra o inimigo mais forte do jogo, e parece que já está tudo perdido? Mas você daria tudo para recomeçar e fazer certo dessa vez? Bom, isso é possível. E eu não estou falando de um jogo virtual.

Esse é o jogo da vida, no qual os desafios parecem ser sempre mais difíceis; e, diante das nossas próprias fraquezas, nós o classificamos como insuperável. Mas “ao dar-se a nós, Cristo reaviva nosso amor e nos torna capazes de romper as amarras desordenadas com as criaturas e de nos enraizar n’Ele” (CIC 1394).

Eucaristia, sustento nas batalhas desta vida
A batalha desta vida não é fácil. Muitas vezes, precisamos recomeçar, levantar-nos depois de uma queda e sempre assumir nossa condição de filhos que clamam pela ajuda do Pai. Diante da promessa de vida eterna que nos foi feita, nada nos dá mais segurança de que é possível alcançá-la do que o sinal que nos é dado pela Sagrada Eucaristia.

Algumas vezes, os desafios podem se apresentar fáceis, mas a nossa autoconfiança gera descuido e nos faz vacilar. Ao fim, deparamo-nos sempre com a mesma situação: de joelhos diante d’Aquele que já nos salvou antes, pedindo a chance de jogar uma outra vez.

A confiança em você é tamanha, que Ele se doa por completo, de Corpo e Sangue, para que esta não seja sua última jogada. Por isso, eu lhe pergunto: E aí, já tomou sua dose de “vitamina” hoje?

Formação Canção Nova

Nós não podemos desistir, pois em Deus a vitória é certa

Essa frase sempre me intrigou, porque eu ficava me perguntando: “Como o sofrimento, a dor e a perda podem concorrer e contribuir para o bem dos que amam a Deus?”.

Eu imaginava que para os amados de Deus só haveria festa, contentamento, alegria, ausência de problemas. Só que tenho descoberto uma coisa: a paz que Deus nos dá não é a ausência de dificuldades, mas a certeza de vitória no meio da dificuldade. O que leva um soldado a continuar lutando, mesmo vendo seus companheiros serem mortos ao seu lado, é a certeza de que ele vai vencer, certeza esta que se confunde com esperança. Se ele acreditasse que seu exército iria perder, não faria sentido lutar.

Com o cristão acontece mais ou menos da mesma forma: ele sofre, chora, sorri, cansa-se, recobra as forças e começa a lutar novamente, mas não desiste, porque Deus lhe deu uma certeza, e como “em Cristo somos mais que vencedores”, a vitória é certa, e é Deus quem no-la garante.

Quando aprendemos a aceitar as situações com os olhos de fé, conseguimos ver além do sofrimento e enxergarmos, lá na frente, a vitória que o Senhor já nos deu.

O exemplo da formiga

Conta-se que um garoto estava brincando e começou a observar uma pequena formiga carregando um grão de arroz em suas costas. Decidiu, então, ver até onde essa formiga iria com a sua coragem. Observou que, logo ali, na frente, havia um obstáculo, aparentemente invencível para ela: era um pequeno muro, mas que, para ela se tornou o maior desafio de sua vida.

“O que farei?”, pensou a formiga. “Será que devo abandonar o grão de arroz e subir sem ele? Assim será mais fácil! Ah, mas eu cheguei até aqui, e logo depois do muro já fica a minha casa. Já sei! Não vou desistir! Vou levar o grão em minhas costas sim!”.

Então, o garoto ficou observando a persistência daquela formiga. Na primeira vez, ela acabou escorregando e caindo. Isso se deu por várias vezes. E o garoto ficou observando quando ela iria desistir. Depois de cair 69 vezes, a formiga quis dar-se mais uma chance, pois acreditava que iria conseguir. Finalmente, na 70ª tentativa, ela foi vencedora e alcançou seu objetivo.

Também nós, cristãos, não podemos desistir diante dos obstáculos da vida. Precisamos crer que seremos vencedores e seguir em frente. Afinal, como o garoto observava a formiga e acabou aprendendo com ela, também há muitas pessoas que nos observam e precisam de nosso exemplo para também superarem suas dificuldades.

Seja corajoso e viva todas as situações com fé no Senhor, pois, de fato, tudo concorre para o bem dos que amam a Deus!

Por padre Clóvis Andrade de Melo
Missionário da Comunidade Canção Nova

O valor das nossas escolhas e decisões são responsáveis pelo brilho dos nossos olhos

“Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: ‘Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?’. Disse-lhe Jesus: ‘Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos’. ‘Quais?’, perguntou ele. Jesus lhe respondeu: ‘Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo’. Disse-lhe o jovem: ‘Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me falta ainda?’ Respondeu Jesus: ‘Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!’ Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens” (Mateus 19,16-22).

O valor das nossas escolhas e decisões são responsáveis pelo brilho dos nossos olhos. Fico imaginando sempre o rosto desse jovem indo embora: um semblante triste, pois ele nunca havia escutado nada igual como as palavras ditas por Jesus. O jovem ficou desconcertado quando o colocaram em primeiro plano. Muitos só tinham interesse no que ele possuía. Isso despertou nele o quanto vale escolher e decidir.

A escolha e a decisão dele foram contrárias à resposta de Jesus. O jovem colocou os bens materiais em primeiro plano. O seu olhar já dizia isso! Penso que era um olhar sem brilho (como é triste ver uma pessoa sem o brilho nos olhos!). Para tudo o que acontece na nossa vida precisamos “escolher e decidir”. Ninguém pode fazer isso por nós. Por isso a importância desse aprendizado.

Brilho momentâneo e brilho perpetuado

Um jovem tem uma vida pela frente, uma vida de oportunidades, por isso é necessário que ele saiba fazer as suas escolhas e tomar suas decisões. É como uma arte! Quero partilhar com você o que estou aprendendo com isso: O valor das nossas escolhas e decisões são responsáveis pelo brilho dos nossos olhos. Algumas delas pelo brilho momentâneo e outras por aquele brilho perpetuado que se mantém por décadas e gerações.

O brilho momentâneo é aquele que reflete por alguns momentos a felicidade que nos é fundamental, mas uma hora passa. O mais importante mesmo é o brilho perpetuado, pois é aquele que continua em nossos olhos para sempre. Vamos refletir:

Era evidente o brilho do meu olhar em várias situações: o primeiro beijo, o meu primeiro tênis para jogar futebol, a primeira bicicleta com marcha, meu primeiro emprego, a compra do meu primeiro carro (um fusca branco ano 78). Foram brilhos que marcaram a minha história, só que foram brilhos rápidos. A vida é repleta de brilhos. O importante é saber aproveitá-los hoje, agora, curtir cada um deles. Se não fizermos isso, a vida vai passando e, um dia, olhamos para o espelho e não enxergamos mais esse brilho dentro dos olhos.
O mais importante: o meu “brilho perpétuo” começou quando escolhi e decidi seguir a proposta de vida eterna que Jesus Cristo me apresentou. Ele continua nos meus olhos até hoje, pois é consequência das escolhas que fiz lá atrás. Ninguém poderia ter feito isso por mim. Ninguém poderá fazer por você. São duas moedas depositadas dentro de cada um.

Precisamos resgatar esses valores. É possível viver assim sem custo nenhum; ao contrário, é graça de Deus. Isso faz com que uma explosão de alegria venha de dentro para fora. O mundo está precisando de pessoas felizes, e não de pessoas “perfeitas”. Precisamos de pessoas com brilho nos olhos mesmo com as dificuldades, com os problemas, crises e defeitos.

Sejamos luzeiros numa sociedade que está sem brilho nos olhos.

Acredite: tem jeito!

Cleto Coelho
Missionário da Comunidade Canção Nova

Não deixe para depois os abraços, sorrisos e gestos de amor, porque pode ser tarde

Quando fazemos planos para o futuro e desejamos, para nós e para aqueles que amamos, muitas coisas boas para vivermos nos próximos dias, nem passa pela nossa mente que, em um daqueles dias, nós ou alguém próximo a nós poderá morrer. Isso porque a morte é um tabu para a sociedade moderna, e sempre diz respeito aos outros, é algo distante, não queremos pensar nela, muito menos falar sobre ela. Pensando nessa realidade da irmã morte, como dizia São Francisco de Assis, quero partilhar o ensino que tive com a morte, em 2016, de cinco pessoas que eu amava: minha alegre Tia Laura (julho); o humilde Zezinho da Canção Nova (agosto); uma das minhas mães espirituais, a Delizete (agosto); a Aline, uma mulher de valor com apenas 33 anos (outubro); a minha caridosa prima Bete (dezembro). Como foi bom ter podido expressar o meu amor por elas!

Amizades

Eram parentes e amigos antigos, exceto uma, a Aline, que conheci só há um ano e meio, mas foi o suficiente para sermos muito amigas, pois, como disse Santa Catarina de Sena, “a amizade, cuja fonte é Deus, nunca se esgota”. A minha amizade com a Aline foi por pouco tempo, mas com muita manifestação de amor.

“Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro. Amigo fiel é bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo. Quem teme o Senhor, orienta bem sua amizade: como ele é, tal será o seu amigo” (Ecl 6,14-17).

Agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de escrever o livro ‘Mulher de Valor’, e à Editora Canção Nova por tê-lo publicado, pois ele foi o motivo do nosso primeiro encontro. A partir daquele dia, cada encontro nosso era um marco, despedíamo-nos com o gosto de quero mais estar na sua presença. Falar de Deus, dos nossos sonhos e da nossa missão de resgatar os valores da “mulher de valor” era tão radiante e motivador, que nem víamos a hora passar.

“Uma mulher de valor, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. (Prov 31,10).” Obrigada, Senhor, por eu ter conhecido a Aline, uma mulher de valor! Encontrar uma amiga como ela é como encontrar um tesouro cheio de pérolas.

No nosso último Chá da Tarde, uma semana antes da sua morte, vivemos nossas últimas expressões de amor, última oração, último Terço da Misericórdia, e rezado juntas. No último abraço, mesmo sem saber, ficou mais uma vez a certeza de que o amor de Jesus Misericordioso havia unido duas apóstolas da Misericórdia, para uma mesma missão: resgatar almas para Deus, sobretudo, as almas femininas.

Não permitamos que a falta de tempo, a distância, o ressentimento ou o dinheiro sejam impedimentos para a manifestação do amor. Não deixemos de manifestar o amor! Vamos escolher amar todos os dias?

Marina Adamo
Escritora

Canção Nova

O sacerdócio e seu ministério

Pensando neste mistério de vocação, que é o sacerdócio, imediatamente penso para que essa vocação foi feita. O sacerdócio foi feito para a Eucaristia. O padre existe para a Eucaristia e ambos existem para a salvação do povo.

Jesus, com o coração mais generoso que a face da terra já viu, deu-nos dois grandes presentes. Na última ceia, antecipando a Sua doação total, mesmo diante da traição e do mistério de dor pelo qual teria de passar para salvar o mundo das trevas do pecado e da morte, entrega aos discípulos o sacramento do amor: a Eucaristia.

“A Santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Nesse sacramento admirável, manifesta-se o amor maior: o amor que leva a dar a vida pelos amigos” (Bento XVI).

O sacerdócio e a Eucaristia nascem do mesmo lugar, das fontes misericordiosas do Coração de Jesus. Nesse mesmo dia, o Mestre “divide” o Seu sacerdócio com os apóstolos e faz deles ministros do sacramento do amor, ministros do perdão e da misericórdia. O vínculo intrínseco entre a Eucaristia e o sacramento da ordem é deduzido das próprias palavras de Jesus no cenáculo: “fazei isso em memória de mim” (Lucas 22,19). Nós sacerdotes usamos as mesmas palavras de Jesus quando instituiu o mistério de amor, porque somos os primeiros a estar no lugar de Cristo Jesus para a salvação do mundo. Portanto, o sacerdócio é um movimento divino do amor de Deus Pai, que continua agindo em Sua Igreja em todo tempo e o tempo todo. Onde existe um sacerdote, há a possibilidade do amor e da misericórdia de Deus se manifestarem pelo homem.

Testemunho

O lema do meu sacerdócio é: “Tudo posso naquele que me dá força” (Filipenses 4,13). A força do meu sacerdócio não vem de mim mesmo, mas a força do sacerdote vem da fonte pela qual ele oferece todos os dias torrentes de Água Viva ao povo fiel e sedento desse amor, que é Jesus. Eu busco a força para exercer minha vida como ministro desse sacramento nas palavras que eu dirijo todos os dias ao Pai: “Tomai e comei, isto é o meu corpo; tomai e bebei isto é o meu sangue, sangue da nova e eterna aliança, para a remissão dos pecados, fazei isto em memória de mim!”. As mesmas palavras de Cristo são fonte de vida, de salvação, em primeiro lugar, para mim, alimento substancioso para a minha intimidade com o Senhor e para servir ao povo de Deus, que procura, no sacerdote, não ele mesmo, mas Jesus Cristo, o seu Salvador.

O saudoso Papa João Paulo II disse para os sacerdotes, em sua última carta, na Quinta-feira Santa de 2005: “O povo tem o direito de ver Jesus Cristo na pessoa do sacerdote”. Essas palavras do Santo Padre ficaram gravadas em minha alma como uma missão, apesar de ser pecador e cheio de limitações como todo homem, eu não sou um homem comum, eu sou ministro do sacramento do amor e da misericórdia. Cristo, hoje e na última ceia, depôs-se do manto, sinal de Sua dignidade de Senhor, de Rei, para servir aos discípulos, para lavar os seus pés; esse gesto de humildade revela o caminho que o discípulo deve seguir: imitar o Mestre. “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais à mesma coisa que eu fiz. Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (cf. Jo13, 1-15). Aos sacerdotes, hoje, felicidades, força, e que eles saibam que não estão sozinhos, pois disse o Senhor: “Eu estarei convosco todos os dias, até o final dos tempos!”

Oração

Oração: Jesus sumo e eterno Sacerdote, dai-me a graça como padre de viver como o Senhor viveu e ser para o Vosso povo sinal vivo de Vossa misericórdia. Maria, Mãe dos sacerdotes, quero sempre estar sobre os teus cuidados na proteção do teu manto de mãe, pois sou o teu filho predileto. Quero estar imerso nestes dois mistérios para os quais eu fui feito: sacerdócio e Eucaristia, para que eu seja ponte para os meus irmãos do Amor misericordioso de Deus. Dá-me a graça da fidelidade de Cristo.

Eu sou feliz e realizado em minha vocação como sacerdote.

Radio Vaticano

Deus está atento às nossas palavras, atitudes e, muito mais, ao nosso desejo sincero de buscá-Lo

Esses dias fiquei imaginando que milhares de milhões de súplicas sobem a Deus a cada segundo ou a cada minuto. Ao menos uma frase como “Ai meu Deus!” sai de nossa boca diariamente. Basta um simples olhar ao Céu, um pedido silencioso, um pensamento com significado de “Ajude-me, por favor!”; “Dai-me uma chance!” ou ainda, ” Oriente-me”. E, Deus, está atendo às nossas atitudes.

Além das atitudes, Deus está ainda mais atento ao desejo sincero do nosso interior de buscá-Lo em todos os momentos. Ele sabe exatamente o que faz. A Ele tudo é possível. Tudo o que Deus faz e tudo o que Ele permite acontecer em sua vida tem um porquê e um para quê. Faça essa reflexão:

O elefante é o único animal cujas pernas dianteiras se dobram à frente. Por quê? Porque de outra forma seria difícil para ele levantar-se, por causa do seu peso. Por que os cavalos, para se erguerem, usam as patas dianteiras; e as vacas, as traseiras? Quem orienta esses animais para que ajam dessa maneira? Deus.

Vislumbres de um Deus sábio e amoroso

Esse mesmo Deus que coloca certa quantidade de carvão nas entranhas do solo e, mediante a combinação do fogo e a pressão dos montes e das rochas, transforma esse carvão em resplandecente diamante, que vai fulgurar na coroa dos reis ou no diadema dos poderosos!

Por que o canário nasce aos 14 dias, a galinha aos 21, os patos e gansos aos 28, o ganso silvestre aos 35 e os papagaios e avestruzes aos 42 dias? Por que a diferença entre um período e outro é sempre de sete dias? Porque, o Criador sabe como deve regular a natureza e jamais comete engano.

Ele determinou que as ondas do mar se quebrem na praia à razão de 26 por minuto, tanto na calma como na tormenta. A sabedoria divina revela-se, ainda, nas coisas que poucos notam: a laranja possui número par de gomos; a espiga de milho tem número par de fileiras de grãos; a cacho de bananas tem, na última fila, número par de bananas, e cada fila de bananas tem uma a menos que a anterior. Desse modo, se uma fileira tem número par, a seguinte terá número ímpar. A ciência moderna descobriu que todos os grãos das espigas são em número par.

Deus ouve o seu clamor

Outro mistério que a ciência ainda não descobriu: enormes árvores, pesando milhares de quilos, apoiadas em apenas poucos centímetros de raízes. Ninguém até agora conseguiu descobrir esse princípio de sustentação, a fim de, aplicá-lo em edifícios e pontes. Não é maravilhoso?

Mas há maravilha ainda maior! O Criador toma o oxigênio e o hidrogênio, ambos sem cheiro, sem sabor e sem cor, e os combina com o carvão, que é insolúvel, negro e sem gosto. O resultado, porém, é o alvo e doce açúcar.

Esses são apenas alguns vislumbres de um Deus sábio e amoroso. Esse mesmo Deus que realiza tais maravilhas no mundo que Ele criou, pode também efetuar, em nós, um milagre muito maior. Ele pode dar-nos uma nova vida, pode fazer novas todas as coisas. Ele pode tomar nossa vida triste, inútil e transformá- la em alegre, útil e plena de significado. Portanto, não se desespere. Não importa quão grave seja a sua condição física, moral ou espiritual. Deus ouve o seu clamor, a sua oração. Ele sabe o seu desejo mais íntimo, como nos fala a passagem do Salmo 38. Você pode experimentar um milagre! Basta acreditar e colocar a sua vida nas mãos d’Ele.

Canção Nova

Precisamos aprender a conhecer os dons do Espírito Santo

A nossa vida espiritual tem duas dimensões. Primeiro, uma dimensão voltada para dentro de nós, a qual é chamada de “vida interior”; outra, voltada para fora, que podemos chamar de apostolado ou vida missionária. Ao falar dos dons e carismas, estamos falando da pessoa do Espírito Santo e de Suas formas de agir, pois nenhuma pessoa se dá sem dar aquilo que é. Portanto, os dons e carismas são expressões da Sua ação e missão em nós e na Igreja: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (cf. At 1,8).

Dons de Santificação

A primeira dimensão, voltada para dentro, é a busca da nossa santificação, a busca do nosso retorno para Deus, é a luta contra o pecado e contra tudo que esconde em nós a imagem e semelhança de Deus. São eles: dom da fortaleza, da piedade, da sabedoria, do conhecimento, do conselho, do entendimento e do temor de Deus.

Isso é uma tarefa que supera as forças naturais, para a qual é preciso a força de Deus. Ele nos socorre com os chamados dons infusos ou dons de santificação. Desde o batismo nós os recebemos, e a Igreja os chama de sete dons.

Esses dons fazem crescer em nós a graça do batismo que recebemos como semente, para que, à medida que a criança vá crescendo, também vá crescendo as coisas de Deus nela. São para isso os dons de santificação: sabedoria para buscar o Senhor e ciência para mergulhar profundamente nos Seus mistérios. Enfim, todos eles para levar a pessoa à santificação.

Dons Carismáticos

Na segunda dimensão está a Igreja. É a dimensão de comunidade, de caminhar com o povo de Deus. Ele os concede não para nós, mas para os outros. Um exemplo é o dom da sabedoria, cujo objetivo não é nos alimentar, mas sim alimentar os outros.

Os dons carismáticos nos são dados apenas para nos orientar, como os dons da fé, da ciência, o dom de cura, de milagres, os quais, como diz São Paulo, são para o bem da Igreja, para os outros, para utilidade de todos.

São eles: dom da fé, dom de interpretação, de profecia, da cura, de dom de línguas, dons de milagres, de discernimento, de palavra de ciência e sabedoria.

Quando nós exercemos os dons carismáticos, não quer dizer que já somos santos, porque Deus pode usar quem Ele quiser, da maneira que quiser. Mas é preciso dizer que, quanto mais santa a pessoa for, mais fácil é para Deus usar dela. Por isso, esses carismas não estão separados dos dons de santificação. Eu até diria que existe uma grande interface entre eles, pois quanto mais a pessoa vive os dons de santificação, mais aptidão ela tem para viver os dons carismáticos.

Na dimensão interior, estão os dons de santificação. Na dimensão exterior, estão os dons carismáticos. O dom de fortaleza, também chamado “dom da coragem“, imprime em nossa alma um impulso que nos permite suportar as maiores dificuldades e tribulações, e realizar, se necessário, atos sobrenaturalmente heroicos.

Dom da fortaleza

Quando falarmos em virtudes heroicas, não pensemos que só existe heroísmo quando enfrentamos grandes causas. Você faz grandes heroísmos lá no interior da sua casa, no dia a dia de sua vida. Veja bem que imenso ato heroico é o de uma mãe que suporta o vício do álcool do marido ou do filho! Às vezes, por 10, 20, 40 anos ela enfrenta aquela dor, aquele sofrimento, por amor a Deus, por doação e caridade. Essa mãe tem o dom da fortaleza. Este não é só para os mártires, os grandes confessores da fé, mas para cada um de nós. Hoje, vemos uma multidão caindo nas tentações. Pode estar faltando o dom da fortaleza em muita gente. Saber não cair na tentação já é um sinal da força desse carisma.

Santa Teresinha nos fala do “heroísmo do pequeno”. A fidelidade às pequenas inspirações que Deus nos faz, todo dia e toda hora, é fruto do dom da fortaleza. Nós deixamos passar ótimas oportunidades quando pequenas cruzes, pequenos sofrimentos vão passando pela nossa vida e nós não os aproveitamos para uma resposta fiel a Deus. Vem um aborrecimento, uma pessoa nos causa feridas, porque falou qualquer coisa contra nós.

O que fazemos? Há duas respostas: revidamos com palavras amargas, com evidente menosprezo, com inimizades etc., ou fazemos de conta que nem ficamos sabendo, não nos importamos com aquilo etc.

São poucas as pessoas que fazem por Deus e pelo próximo aquilo que poderiam fazer mais, porque não têm coragem de se empenhar em grandes obras. Imagine o bem que poderíamos fazer se ainda não fôssemos tão comodistas! Paulo afirma: “Tudo posso naquele que me fortalece” (cf. Fl 4,13). E nos diz mais: pode suportar as maiores dificuldades e tribulações e praticar, se necessário, atos heroicos. “Não pelas suas qualidades pessoais, mas pelo dom da fortaleza que Deus lhe concedeu”. Carta aos Coríntios, descrevendo as tribulações pelas quais passou por amor ao Senhor e à Igreja:

“Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado, três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigo no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos! Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias com fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez! Além de outras coisas, a minha preocupação quotidiana, a solicitude por todas as Igrejas!” (II Cor 11,24-28).

O dom da fortaleza se opõe à timidez, que é o temor desordenado e também aquele comodismo que impede de caminhar, de querer dar grandes passos. Estacionamos numa espiritualidade medíocre, temos medo de tudo, de prejudicar a amizade, de descontentar alguém e vamos comodamente parando no caminho da perfeição.

 

Radio Vaticano

Os vícios destroem nossa vida

Nossa vida nem sempre está preparada para acolher novidades, projetos novos etc. A vida pode ser comparada a um campo virgem; no momento em que se deseja plantar nele, é preciso prepará-lo bem. O agricultor, que somos nós, prepara o terreno, busca fertilizar a terra e só depois planta os grãos. Enquanto não era fértil, nada nele crescia, mas agora que o terreno é bom, nele também podem crescer sementes de outras plantas que não foram semeadas, que estavam ali antes de o solo ser adubado e que colocam em risco a boa semente. Assim também acontece com um ideal. Ao lado de um ideal, surgem também vícios e hábitos adquiridos antes dele, os quais, se não forem combatidos, acabam por ferir ou mesmo destruir todo o objetivo, todo projeto e, por fim, toda a vida. Não é possível cultivar costumes de naturezas diversas no mesmo campo.

No Evangelho de Mateus (Mt 13), encontramos a parábola do semeador e vemos os riscos que a semente corre para seu desenvolvimento, porque o terreno está cheio de hostilidades. Se os espinhos crescem ao lado da boa semente, podem vir a sufocá-la. O ideal, que é a semente, era boa; a terra era de boa qualidade e fertilizada, mas as pragas do campo terminaram por sufocar a semente. O bom trigo não cresce onde os espinhos não são arrancados. Por isso, se não arrancarmos de nós os hábitos contrários aos nossos projetos, eles acabarão sufocando aquilo que de bom estávamos cultivando.

É persistência

Ao lado de um ideal sempre crescem seus opostos; se algo é exigente, a preguiça e a distração logo se achegam como uma força contrária que impulsiona a abandonar tudo. Podemos ter os melhores projetos e propósitos, mas se não estivermos atentos às vozes contrárias que se insinuam, desorganizam nossa vida e enfraquecem nossas determinações, teremos nosso terreno, onde foi semeado o bom trigo, transformado em um grande matagal de espinhos; pior ainda quando se termina por apenas justificar a infidelidade e abandonar o terreno.

É sempre muito forte em nós um hábito antigo, um vício etc. Se não ficarmos atentos, podemos, depois de ter trabalhado tanto, ter nosso terreno transformado em selva. Imagine tanto tempo e esforço investido em algo que, depois, termina em nada, porque faltou o último esforço. Parecendo com alguém que prepara um bolo e, depois, o deixa queimar no forno, perdendo, assim, os ingredientes e o esforço, ainda sobrando a fôrma para ser lavada.

Ideal de vida

Um exemplo disso nos dá São Paulo (1Cor 9,24-25): “Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem para conseguir uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível”.

Não se compreende alguém que, desejando um casamento feliz, não procura crescer nas qualidades necessárias para um bom matrimônio e termina por destruí-lo apenas por não ter lutado contra os hábitos incompatíveis a ele. Ou alguém que, num momento de dificuldade, não busca adequar seu jeito de ser ou comportamento, de tal forma que possa superar o problema. A boa disposição deve comportar a capacidade de privar-se daquilo que é menor que o ideal, de tal forma a poder conquistá-lo. Não é possível ficar com a melhor parte de tudo.

Para manter-se fiel e perseverante é preciso ser coerente. Quando se propõe uma meta, um ideal de vida e um crescimento é preciso limpar a alma do vício que lhe é contrário. Interessante que uma gota de veneno em um copo de água limpa torna toda a água um veneno; mesmo a proporção do mal sendo pequena, ele é sempre nocivo. É preciso escolher. Não pode haver incompatibilidade entre os ideais e os meios para atingi-los. Devemos rejeitar tudo que é incompatível com nosso ideal de vida para conseguirmos realizá-lo um dia. Uma vez que se deseja algo também é preciso desejar os meios corretos que conduzem a ele, mesmo que existam incômodos que, se rejeitados, conduziriam o ideal ao fracasso.

Deus os abençoe!

O que o Catecismo da Igreja Católica nos ensina sobre a Eucaristia?

1407 – A Eucaristia é o coração; o ápice da vida da Igreja, pois, nela Cristo associa sua Igreja e todos os seus membros a seu sacrifício de louvor e de ação de graças, oferecido uma vez por todas na Cruz a Seu Pai; por Seu sacrifício Ele derrama as graças da salvação sobre o Seu Corpo, que é a Igreja.

1408 – A celebração da Eucaristia comporta sempre: a proclamação da palavra de Deus, a ação de graças a Deus Pai, por todos os Seus benefícios, sobretudo, pelo dom do Seu Filho, a consagração do pão e do vinho e a participação no banquete litúrgico, pela recepção do Corpo e do Sangue do Senhor. Esses elementos constituem um só e mesmo ato de culto.

1409 – A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo: isto é, da obra da salvação realizada pela Vida, Morte e Ressurreição de Cristo, obra tornada presente pela ação litúrgica.

A importância do sacerdote

1410 – É Cristo mesmo, sumo sacerdote eterno da nova aliança que, agindo pelo ministério dos sacerdotes, oferece o sacrifício eucarístico. E, é também o mesmo Cristo, realmente presente sob as espécies do pão e do vinho, que é a oferenda do Sacrifício Eucarístico.

1411 – Só os sacerdotes, validamente ordenados, podem presidir a Eucaristia e consagrar o pão e o vinho para que se tornem o Corpo e o Sangue do Senhor.

1412 – Os sinais essenciais do Sacramento Eucarístico são o pão de trigo e o vinho de uva, sobre os quais é invocada a bênção do Espírito Santo e o sacerdote pronúncia as palavras da consagração ditas por Jesus durante a última Ceia: ‘Isto é o meu Corpo entregue por vós. (…) Este é o cálice do meu Sangue (…)’.

Os frutos da Eucaristia

1413 – Por meio da consagração opera-se a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo. Sob as espécies consagradas do pão e do vinho, Cristo mesmo, vivo e glorioso, está presente de maneira verdadeira, real e substancial, seu Corpo e Seu Sangue, sua Alma e Divindade (Conc. Trento, DS 1640).

1414 – Enquanto sacrifício, a Eucaristia é oferecida, também, em reparação dos pecados dos vivos e dos defuntos; e para obter de Deus benefícios espirituais e temporais.

1391 – A comunhão aumenta a nossa união com Cristo. Receber a Eucaristia na comunhão traz como fruto principal a união íntima com Cristo Jesus. Pois o Senhor diz:

‘Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele’ (Jo 6,56). ‘Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que de Mim se alimenta, viverá por mim’ (Jo 6,57).

1392 – O que o alimento produz em nossa vida corporal, a comunhão o realiza de maneira admirável em nossa vida espiritual. A comunhão da Carne de Cristo ressuscitado, ‘vivificado pelo Espírito Santo e vivificante’ (PO 5), conserva, aumenta e renova a vida da graça recebida no Batismo. Esse crescimento da vida cristã, precisa ser alimentado pela Comunhão Eucarística, Pão da nossa peregrinação, até o momento da morte, quando nos será dado como viático.

“Eu que sempre peco, devo ter sempre um remédio”

1393 – A comunhão separa-nos do pecado. O Corpo de Cristo que recebemos na comunhão é ‘entregue por nós’. O Sangue que bebemos é ‘derramado por muitos para remissão dos pecados’. É por isso que a Eucaristia não pode unir-nos a Cristo sem purificar-nos ao mesmo tempo dos pecados cometidos e sem preservar-nos dos pecados futuros:

‘Toda vez que o recebemos, anunciamos a morte do Senhor’ (1Cor 11,26).

‘Se anunciamos a morte do Senhor, anunciamos a remissão dos pecados. Se, toda vez que o Sangue é derramado, o é para a remissão dos pecados, devo recebê-Lo sempre, para que perdoe sempre os meus pecados. Eu que sempre peco, devo ter sempre um remédio'(S. Ambrósio, Sacr. 4,28 ).

1394 – Como o alimento corporal serve para restaurar a perda das forças, a Eucaristia fortalece a caridade que, na vida diária, tende a arrefecer; e esta caridade vivificada apaga os pecados veniais (Conc. de Trento, DS 2638).

Intimidade com Cristo

Ao dar-se a nós, Cristo reativa o nosso amor e nos torna capazes de rompermos as amarras desordenadas com as criaturas e de nos enraizar n’Ele.

1395 – Pela mesma caridade que acende em nós, a Eucaristia nos preserva dos pecados mortais futuros. Quanto mais participarmos da vida de Cristo e quanto mais progredirmos na Sua amizade, tanto mais difícil será nos separarmos d’Ele por meio do pecado mortal.

1396 – Os que recebem a Eucaristia estão unidos mais intimamente a Cristo. Por isso mesmo, Cristo os une a todos os fiéis em um só corpo, a Igreja. A Comunhão renova, fortalece, aprofunda esta incorporação à Igreja, realizada já pelo batismo. ‘No batismo fomos chamados a construir um só corpo’ (1Cor 12,13).

A Eucaristia realiza este apelo: ‘O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o Sangue de Cristo? O pão que partirmos não é comunhão com o Corpo de Cristo? Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desde único pão’ (1 Cor 10,16-17).

Estado de graça

1397 – A Eucaristia compromete com os pobres. Para receber na verdade o Corpo e o Sangue de Cristo entregues por nós, devemos reconhecer o Cristo nos mais pobres, seus irmãos (Mt 25,40).

‘Degustaste o Sangue do Senhor e não reconheces sequer o teu irmão. Desonras esta própria mesa, não julgando digno de compartilhar do teu alimento aquele que foi julgado digno de participar desta mesa. Deus te libertou de todos pecados e te convidou para esta mesa. E tu, nem mesmo assim, não te tornaste mais misericordioso’ (S. João Damasceno, Hom. in 1Cor 27,5).

1415 – Quem quer receber a Cristo na comunhão Eucarística, deve estar em estado de graça. Se alguém tem consciência de ter pecado mortalmente, não deve comungar a Eucaristia sem ter recebido previamente a absolvição no Sacramento da Penitência.

1416 – A santa Comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo aumenta a união do comungante com o Senhor, perdoa-lhe os pecados veniais e o preserva dos pecados graves. Por serem reforçados os laços de caridade entre o comungante e Cristo, a recepção deste sacramento reforça a unidade da Igreja, corpo místico de Cristo.

1417 – A Igreja recomenda vivamente aos fiéis que recebam a Santa Comunhão quando participam da celebração da Eucaristia; impõe-lhes a obrigação de comungar pelo menos uma vez por ano.

1419 – Tendo Cristo passado deste mundo ao Pai, dá-nos na Eucaristia o penhor da glória junto dele: a participação no Santo Sacrifício nos identifica com o seu coração, sustenta as nossas forças ao longo da peregrinação desta vida, faz-nos desejar a vida eterna e nos une já à Igreja do céu, á Santa Virgem Maria e a todos os santos.

A Eucaristia nas Igrejas orientais

1399 – As Igrejas orientais que não estão em comunhão plena com a Igreja Católica celebram a Eucaristia com um grande amor.

‘Essas Igrejas, embora separadas, têm verdadeiros sacramentos – principalmente, em virtude da sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia -, que as unem intimamente a nós’. Por isso uma certa comunhão in sacris na Eucaristia é ‘não somente possível, mas até aconselhável, em circunstâncias favoráveis e com a aprovação da autoridade eclesiástica’.

Comunidades protestantes
1400 – As comunidades eclesiais oriundas da Reforma, separadas da Igreja Católica, ’em razão, sobretudo, da ausência do Sacramento da Ordem, não conservaram a substância própria e integral do mistério eucarístico’.

É, por esse motivo, que a intercomunhão Eucarística com essas comunidades não é possível para a Igreja Católica. Todavia, essas comunidades eclesiais, ‘quando fazem memória, na Santa Ceia, da Morte e da Ressurreição do Senhor, professam que a vida consiste na comunhão com Cristo e esperam Sua volta gloriosa’.

Catecismo da Igreja Católica

Conheça os benefícios de sermos amigos do Espírito Santo e nos aproximarmos d’Ele

“Crer no Espírito é, portanto, professar que o Espírito Santo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, «adorado e glorificado com o Pai e o Filho». É por isso que tratamos do mistério divino do Espírito Santo na «teologia» trinitária. Portanto, aqui só trataremos do Espírito Santo no âmbito da «economia» divina” (Catecismo da Igreja Católica, n. 685).

Essa é a experiência de nossa fé, sendo uma Pessoa, nós podemos nos relacionar com Ele [Espírito Santo], ser amigos, próximos e íntimos d’Ele. E é exatamente isso que essa Pessoa da Trindade deseja ardentemente de nós para poder nos revelar o amor do Pai e do Filho e o conhecimento dos dois. Esse é o primeiro grande benefício de sermos amigos dessa Pessoa Divina e nos aproximarmos d’Ele.

“O Espírito Santo, pela sua graça, é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova que consiste em conhecer o Pai e Aquele que Ele enviou Jesus Cristo” (CIC n. 684).

O Espírito Santo de Deus é o nosso mestre de vida de oração, Ele nos ensina a rezar como convém, isto é, a alcançar na oração a vontade de Deus, que alimenta e plenifica a nossa alma. “Da mesma forma, o Espírito vem em socorro de nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis” (Rom 8,26).

“Ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus” (I Cor 2,11). Ora, o Espírito, que O revela, faz-nos conhecer Cristo, Seu Verbo, Sua Palavra viva; mas não Se diz a Si próprio. “Aquele que falou pelos profetas” faz-nos ouvir a Palavra do Pai. Mas a Ele, nós não O ouvimos. Não O conhecemos senão no movimento em que Ele nos revela o Verbo e nos dispõe a acolhê-Lo na fé” (Catecismo da Igreja Católica, n. 687).

Os benefícios da amizade com o Espírito Santo

Aproximarmo-nos desta Pessoa Divina e sermos amigos d’Ele nos faz conhecer Sua Palavra e Seu poder. Só pelo Espírito Santo podemos dizer: Jesus Cristo é o Senhor. E pelo mesmo Espírito conhecer e experimentar o amor de Deus Pai.

O primeiro grande fruto da amizade com o Espírito Santo é a experiência do amor de Deus e a salvação em Jesus Cristo, proclamando Seu senhorio: “Ninguém será capaz de dizer: ‘Jesus é Senhor’, a não ser sob influência do Espírito Santo” (cf. I Cor 12,3b).

Ele nos purifica dos nossos pecados. “Manda teu espírito, são criados, e assim renovas a face da terra” (Sl 104, 30). Ilumina e abre a nossa inteligência: “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo” (cf. Jo 14,26). O Espírito Santo nos ensina a sermos dóceis e a obedecer aos mandamentos do Senhor: “Porei em vós o meu espírito e farei com que andeis segundo minhas leis e cuideis de observar os meus preceitos” (cf. Ez 36,27).

Este Amigo Divino confirmará a esperança da vida eterna, pois Ele é o penhor da herança dada por Cristo Jesus: “N’Ele acreditastes e recebestes a marca do Espírito Santo prometido, que é a garantia da nossa herança, até o resgate completo e definitivo para louvor da sua glória” (Ef 1, 13-14). Ele revela aos nossos corações que de Deus nós somos filhos, devolve a dignidade e a convivência perdida pelo pecado original: “E a prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: ‘Abbá, Pai!’” (Gl 4,6).

Ele é o nosso conselheiro nas dúvidas e nos mostra qual a vontade de Deus: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas: ‘Ao vencedor darei como prêmio comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus’” (Ap 2,7). Anima-nos e levanta-nos do abatimento: “Deu-me o Senhor Deus uma língua habilidosa para que aos desanimados eu saiba ajudar com uma palavra. Toda manhã ele desperta meus ouvidos para que, como bom discípulo, eu preste atenção” (Is 50,4).

Ele é o nosso advogado contra o mundo, defensor contra o pecado e, principalmente, nos defende de nós mesmos quando não conhecemos os desígnios de Deus: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós” (cf. Jo 14,16-17). Sendo amigos do Espírito Santo, recorrendo a Ele, pedindo o socorro do Seu auxílio, chegaremos à vontade do Pai, cuja missão é imprimir em nossa alma, em nossa vida, a santidade:“Eleitos conforme a presciência de Deus Pai e pela a santificação do Espírito, para obedecerem a Jesus Cristo e serem aspergidos com o seu sangue” (I Pd 1,2). “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (I Ts 4,3).

“Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei” (cf. Gl 5, 16. 22-23).

Entende-se por amizade uma relação íntima entre duas pessoas, e essa relação se realiza espontaneamente, tendo como característica um forte componente afetivo. O encontro da amizade é entendido como um relacionamento de confiança entre as pessoas. Normalmente, essas duas pessoas são beneficiadas na amizade, e nesta estão envolvidos valores éticos, sociais, afetivos e morais.

A amizade dentro de uma perspectiva científica é compreendida como uma importante fonte de felicidade e bem-estar. Ela proporciona o apoio social, o compartilhamento de experiências, interesses, memórias, pensamentos, sentimentos e emoções.

Historicamente, o ser humano sempre necessitou do contato social. Quando se viam desprotegidos dentro do ambiente, homens e mulheres buscavam o contato coletivo, pretendendo proteger-se dos muitos perigos externos. Eles percebiam que sozinhos teriam maior probabilidade de morrer. Nesse sentido, o contato com outros sempre trouxe a perspectiva de apoio e proteção.

Assim, desde muito cedo, está claro para a humanidade que não somos seres solitários, somos, antes, sociais, pessoas que necessitam, constantemente, do outro; e assim somos mais felizes.

A amizade é fonte de segurança externa e apoio psicológico

Na amizade, vivemos uma dimensão muito importante, que é constitutiva do ser: a afetividade, na qual, podemos manifestar e experimentar o amor, o carinho e muitos sentimentos e comportamentos que nos tornam mais humanos. O apoio de uma amizade, neste mundo “mais que moderno”, é muito importante, pois se tornou fonte de segurança externa como também apoio psicológico.

Quando temos alguém para confiar os nossos segredos, sonhos, dificuldades pessoais e problemas de vários gêneros, não nos sentimos sozinhos no mundo. O acolhimento de um outro nos faz acreditar que somos importantes, portanto, as dificuldades, quando compartilhadas, tornam-se menores, minimizadas e assim podemos ver saídas, ter esperança.

Algumas pesquisas têm demonstrado que a pessoa que tem amigo ou amigos apresenta menor propensão ao consumo de cigarros e álcool, como também menor chance para desencadear uma depressão ou mesmo algumas doenças físicas.

O amigo pode ajudar o outro na manutenção de uma mudança de vida, como também pode mobilizá-lo para outras. As relações de amizade permitem ao indivíduo o aprendizado de habilidades sociais ao longo de todo o ciclo vital (infância, vida adulta e velhice). Em cada momento da nossa vida, experimentamos a amizade de uma forma específica, e ela é valiosa para o nosso amadurecimento pessoal nessas etapas. Se, porventura, percebermos que temos dificuldades para ter amigos, perceberemos também que o ativismo diário tem nos distanciado dessa forma íntima e importante de relacionamento, ou alguma experiência negativa nos fez desacreditar. É tempo de voltarmos a nos abrir para o encontro com um amigo, pois ele é uma riqueza para nossa vida.

“Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir, porque amigo não se pede, não se compra nem se vende. Amigo a gente sente!” (Isabel Machado)

A intercessão é o caminho para rezarmos por aqueles que amamos

A oração de intercessão é profundamente agradável a Deus, pois é desprovida do veneno de nosso egoísmo. Quando rezamos pelos outros, saímos de nós mesmos, de nosso mundinho de mesquinhez e experimentamos o mesmo que Dom Bosco: Deus nos colocou no mundo para os outros.

Jesus viveu para os outros, viveu para o Pai e para nós, esquecendo-se de Si mesmo. Podemos assim dizer que a oração de intercessão é um pedido que nos conforma perfeitamente com a oração de Jesus. Ele é o único intercessor junto ao Pai em favor de todos os homens. Interceder é pedir em favor de alguém, de maneira especial por aqueles que mais necessitam. Só quem experimentou a misericórdia do Senhor pode interceder com eficácia, pois ninguém pode dar o que não recebeu. É um coração misericordioso que faz nossa oração agradável a Deus.

O poder da intercessão

A intercessão não tem limites, não encontra barreiras, vai a qualquer lugar. Nem o tempo pode contê-la. Pela intercessão pode-se atingir todos os homens, também os poderosos deste mundo, os nossos inimigos e até mesmo os que negam Jesus e a ele se opõem. A oração constante obtém a misericórdia de Deus, mesmo para os que não são Seus amigos. Por isso, o Senhor lhe diz: nunca desanime de pedir o meu auxílio. Não abaixe a voz ao suplicar minha misericórdia para o mundo.

O intercessor só pode ser um homem cheio do Espírito, pois o Espírito é o Paráclito, Ele mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. Se estar cheio do Espírito nos leva a interceder, o contrário também é verdade, pois a intercessão vai nos fazendo cada vez mais plenos do Espírito Santo, basta que Ele veja um coração determinado à intercessão, que já vem logo ensinar como fazê-lo.

Sinto muita pena quando vou aos encontros de oração e vejo pais e mães aflitos, a pedir a outros que intercedam por seus filhos e vice-versa, ou ainda mulheres a pedir por seus maridos, maridos por suas mulheres e assim por diante. Não é mau pedir aos outros que rezem pelos que amamos, o doloroso é perceber que tais pessoas acreditam que nossa oração terá mais força que a delas. É doloroso notar o desânimo e ver que muitos não acreditam que Deus os ouvirá. Esquecem-se do sacramento que os envolve e que os uniu em Jesus para serem família.
O casamento não é para obrigar as pessoas a viverem juntas sob o risco de serem condenadas se assim não o fizerem. O casamento é uma graça que capacita os que o receberam a viver o plano de Deus em sua união. Essa graça é eficaz. Ah, se os pais soubessem o poder de sua intercessão pelos filhos. Se a esposa soubesse o que no céu acontece quando ela ora pelo seu marido! Antes de pedir a outros, rezariam eles mesmos por aqueles que Deus lhes confiou.

Depois de suplicar a intercessão do bispo pelo seu filho Agostinho, que andava perdido, Santa Mônica ouviu de sua boca umas palavras que foram proféticas e que encheram de consolo seu coração: “Vá embora, mulher, que é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas!”. Se as mães soubessem o valor de suas lágrimas, não as desperdiçariam entre xingamentos e maldições, mas as ofereceriam a Deus no silêncio de seu coração. Lágrimas de mãe removem montanhas. O sofrimento da esposa converte o marido.

Nossas orações são tão preciosas, que Deus destinou os anjos para Lhe apresentarem imediatamente as que estamos fazendo. Desde que a oração seja humilde, confiante e perseverante, tudo se alcança. Quanto maior for nossa confiança, tanto maiores serão as graças que alcançaremos, pois uma grande confiança merece coisas grandes.

Canção Nova

Israel, na sua história feita de longos exílios, frequentemente fazia a experiência de total impotência diante de acontecimentos que nenhuma força humana poderia ter mudado. E, assim adquiria a humildade, ou seja, uma atitude de total dependência e plena confiança em Deus. E justamente na sua condição de povo humilde e pobre, muitas vezes, Israel encontrava refúgio e acolhida somente n’Aquele que havia feito uma eterna aliança com o seu povo.

Além disso, na perspectiva messiânica, o esperado é um rei humilde que entra em Sião cavalgando um jumentinho, porque o Deus de Israel é, sobretudo, o “Deus dos humildes”. Uma vez que, todas as expectativas se cumpriram em Jesus, é da sua vida e dos seus ensinamentos que poderemos colher a verdadeira humildade, aquela que torna a nossa oração agradável ao Senhor. “A prece dos humildes atravessa as nuvens” (Eclo 35,17).

A vida de Jesus é uma perfeita lição de humildade. Ele, embora sendo Deus, primeiro se fez homem no seio da Virgem Maria, depois se fez pão na Eucaristia e, enfim, se fez “nada” sobre a Cruz. Ele dissera: “Sede meus discípulos, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29)e, depois, no lava-pés, ele que era o Mestre, se abaixou para fazer o mais humilde dos serviços, também, propôs como modelo as crianças e entrou em Jerusalém montado num jumento. E, no final, se deixou crucificar, anulando-se no corpo e na alma, para conquistar-nos o Paraíso.

Por que tudo isso? O que movia o Filho de Deus?

Ele não fazia outra coisa senão revelar-nos o seu relacionamento com o Pai; revelar o modo de amar da Trindade que é um mútuo “fazer-se nada” por amor; revelar uma eterna doação de um ao outro. Jesus derrama sobre a humanidade o amor trinitário que alcança o seu auge, justamente, no ato de doar-se de maneira completa na Sua Paixão e Morte na Cruz. Deus mostra, assim, a sua potência na fraqueza. O seu amor é daqueles que elevam o mundo, porque se põe no último lugar, no degrau mais ínfimo da criação.

É realmente humilde quem, seguindo o exemplo de Jesus, sabe fazer-se nada por amor aos outros; quem se coloca diante de Deus numa atitude de completa disponibilidade à Sua vontade; quem está vazio de si mesmo a ponto de deixar que seja Jesus a vivê-lo. E, então, a sua oração será atendida, porque quando pronunciar a palavra “Abbá-Pai”, não é mais ele mesmo quem reza e sua oração obtém aquilo que pede, pois essa palavra foi colocada em seus lábios pelo Espírito Santo.

A prece dos humildes atravessa as nuvens (Eclo 35,17)

O ponto culminante da vida de Jesus foi o momento em que Ele “dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas Àquele que tinha poder de salvá-Lo da morte. E foi atendido, por causa de Sua entrega a Deus” (Hb 5,7-8), ou seja, por causa da Sua oração inspirada na total obediência à vontade do Pai, devido ao seu pleno abandono n’Ele.

Eis a oração que atravessa as nuvens e atinge o coração de Deus: a prece de um filho que se levanta da sua miséria para lançar-se confiante nos braços do Pai.

Canção Nova

Encontre em Deus a resposta para os porquês da vida

Digo-vos ainda isto: “Se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18,19-20).

Por que eu perco todas as pessoas que amo?
Por que as coisas nunca dão certo para mim?
Por que eu estou passando necessidades?
Por que eu estou sofrendo?
Por que me sinto tão infeliz?
Por que eu fui traído?
Por que tive de passar por todas aquelas coisas quando era criança?

Essas e outras perguntas levaram muitas pessoas ao desespero. Há momentos da nossa vida em que a dor é tão aguda, que nada parece responder às necessidades que temos.

Onde encontrar a resposta que faz calar o coração?

Nem sempre as perguntas podem ser respondidas com palavras. Há casos, cuja solução é humanamente impossível, como a morte de alguém ou uma doença incurável. Essa é a hora em que só Deus é a resposta.

A resposta pode ser um milagre. Ela existe! Mas cada pessoa precisa buscá-la pessoalmente, e o lugar do encontro é a oração. Deus pode e quer nos dar tudo do que necessitamos para sermos felizes. Se, muitas vezes, não recebemos, é porque não pedimos, porque temos dificuldade de acreditar que Ele nos atenderá.

Deus não nos quer atender se não tivermos a certeza de que seremos atendidos por Ele, mas “tudo é possível ao que crê”.

Não há limites! Para Deus, tudo é possível. Se os nossos problemas nos superaram, não superam Deus. Se perdemos o domínio da situação, Deus não a perdeu. Ele é o Senhor de tudo e de todos.

O caminho é a oração

A oração é uma chave que abre as portas do Céu. Deus se comprometeu conosco e empenhou a Sua Palavra, já não pode voltar atrás. Ainda que os montes se abalem e as colinas mudem de lugar, Ele permanecerá fiel. Mesmo que passem o céu e a terra, Ele não abandonará você! Deus o ama e por isso lhe é fiel. Ele sabe do que você precisa e vem em seu socorro neste exato momento.

Não são poucas as pessoas que custam a crer que Deus vai ajudá-las; até acreditam que Ele é bom, acreditam também que é poderoso para fazer o que quiser. Pensam e aceitam que o Senhor fará bem a toda gente, mas não conseguem acreditar que o fará a elas. Na verdade, não se sentem amadas por Ele.
Se lhes perguntarmos por que, a resposta não demorará a vir: “Depois de tudo o que já fiz na vida, eu não mereço. Os meus pecados são muitos”. A Palavra, no entanto, nos garante: “Se formos infiéis, ele continua fiel, e não pode desdizer-se” (2Tm 2,13b).

Ainda que tenhamos pecado, ainda que tenhamos caído na infidelidade, Deus continua ao nosso lado e nos convida a voltar para Ele, a fim de recebermos Seu amor. Ele veio para os pecadores e para os doentes, veio para quem precisa d’Ele.

E você, precisa de Deus?
O Senhor ama você e quer demonstrar o tamanho desse amor. Permita que aconteça! Aproxime-se d’Ele confiantemente, pela oração, e verá o que realmente é verdade. Vive bem quem reza bem!

Abra seu coração para ser amado e amar por meio da oração. Agora, é um bom momento para começar essa nossa caminhada de oração. E se você já começou a caminhar, será ainda melhor. Poderá lançar, mais profundamente, suas raízes no terreno fértil, úmido e quente de uma conversa amorosa com Deus.

Canção Nova

A resistência não pode fazer parte da sua vida quando o assunto é Deus

Um país vinha sendo atacado havia vários meses. Os soldados estavam cansados e os oficiais hesitantes. Apesar de a grande resistência ser o castelo da fronteira, a tropa já esmorecia. Todos sabiam que, se o castelo fosse tomado, provavelmente a guerra estaria perdida. Por isso, era preciso encontrar o melhor general para seu exército.

Então o rei propôs: será o novo general o primeiro combatente que resolver o problema que vou apresentar. Ele colocou, sobre uma mesa, um quadro raro, adornado com uma moldura artisticamente trabalhada em ouro puro, era a peça mais cara do castelo, de valor inestimável. O quadro era a pintura de uma cena extremamente bela, em que uma jovem lindíssima caminhava num campo, entre flores, sob o céu de um violento azul. O rei apenas disse: aqui está o problema!

Os soldados ficaram surpresos. Estavam todos ali, parados, olhando o quadro caro com sua esplêndida donzela. O que fazer? Que charada era aquela? Aonde o rei queria chegar com aquilo?

Na mesma hora, um dos oficiais do rei avançou sobre o quadro e sacando a espada destruiu a pintura, esmagou a moldura e atirou a pela janela; então, voltou ao seu lugar. O rei suspirou fundo e disse-lhes, confiante: “Eis o nosso novo general!”.

E, sob o comando daquele homem, guardaram o castelo da fronteira e venceram a guerra. A coisa mais importante, agora, é a sua atitude, é tomar uma decisão. Não importa qual seja o problema, ainda que seja algo lindíssimo e precioso para você; se for um pecado precisa ser eliminado. O pecado é sempre um problema, mesmo que se trate de acabar a relação com uma mulher sensacional ou com um homem maravilhoso. Por mais lindo que seja, ou tenha sido, se você percebe que é algo errado e desagradável a Deus, é preciso pôr-lhe um fim.

Existe um provérbio oriental que diz: “para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro jogar o chá fora para e então, beber o vinho”. Deus não se esqueceu de você; Ele quer encher a sua taça com a vida nova, cheia de paz e de alegria que você tanto deseja, mas espera que você tenha coragem de lançar fora o chá da antiga vida e do pecado.
Limpe a sua vida!

Comece pelas gavetas, armários até chegar às magoas, costumes e vícios que entulham seu coração. Nada nos aproxima tanto de um recomeço como a confissão sincera dos erros e males cometidos. Quem poderá acusar os que se arrependeram e fizeram, humildes, as confissões de sua culpa?

É o próprio Deus quem os defende e tornou-se para eles refúgio seguro em sua aflição: “Deus é nosso refúgio e força; mostrou-se nosso amparo nas tribulações. Por isso a terra pode tremer, nada tememos: as próprias montanhas podem se afundar nos mares” (Sl 45,2-3). Quando um homem começa a renovar-se espiritualmente, começa também a ser vítima das más línguas e de seus difamadores.

Quem não sofreu essa prova não começou ainda a progredir. E quem não está disposto a sofrê-la, é porque não está decidido a converter-se. O mundo, a carne e a tentação, qual multidão que assiste a uma escalada, não se cansarão de lhe dizer: “Que pena! Você não vai conseguir… Não pode conseguir, não tem como conseguir”. Os que lhes dão ouvidos vão ficando pelo caminho, desfalecidos, desanimados, inertes, enquanto continuam a lhes gritar: “Que pena! Vocês não vão conseguir! A escalada é dura e o caminho é difícil. Isso não é para vocês”.

Aqueles que, no entanto, taparam os ouvidos e permaneceram surdos a tais investidas poderão dizer na fé aos que tentavam lhes desanimar: “podem gritar com todas as suas forças; pois ainda que emprestassem a voz do trovão não me poderiam convencer do contrário. Estou persuadido de que Deus não se esqueceu de mim. E se, por um momento, fui eu quem o abandonou, agora volto e sei que tudo posso naquele que me dá força. Jesus venceu o mundo e disse-me que tivesse confiança. Sim! Eu confio e também vencerei”.

Canção Nova

O amor que me cura é o amor que dou

Fomos criados para amar! O que, muitas vezes, nos trava e deixa em crise é o fato de passarmos a maior parte do nosso tempo querendo ser amado, esperando o amor das pessoas. O mais interessante é querermos ser amados da forma que desejamos. Por esse motivo, não conseguimos perceber o amor das pessoas para conosco; e com isso sofremos.

Era assim que eu me comportava, e perdi muito tempo da minha vida desejando ser amada da minha forma e do meu jeito. Com isso, eu me frustrava. Um dia, revolvi mudar de estratégia e falei para mim mesma: “Tudo aquilo que desejo receber das pessoas, tudo aquilo que quero que as pessoas façam comigo, farei eu para elas”. Aí, comecei a demostrar para as pessoas que eu as amo; e, para demonstrar esse amor, usei muitos gestos concretos. Assumi essa atitude na minha vida, e tenho tocado uma realidade diferente. Hoje, sempre gosto de usar a expressão: “Que o melhor de mim seja para o meu irmão”.

Com essa teoria, fui percebendo que, quanto mais eu amo, quanto mais eu demostro amar, mais eu sou curada das minhas carências e vou me tronando cada vez mais uma pessoa livre para amar. Percebo que Deus me cura cada vez que saio de mim para ir ao encontro do outro, cada vez que deixo o meu mundo egoísta para estar com o outro, para manifestar gesto de amor, de presença e companheirismo.

Estejamos abertos para amar

Essa é uma experiência que faço do amor que cura. É esse amor que dou sem nada esperar em troca, do amor do qual fala São Paulo: tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Um amor que é paciente e sabe esperar o tempo do outro, que não para nas fraquezas e limitações do outro. É dessa forma que vou sendo curada, na medida que vou me colocando para amar.

Não tenha medo de sair de si, para ir ao encontro do outro. Deus sabe do que você precisa, e foi Ele quem nos amou primeiro. Por isso, alegre-se quando se colocar aberto para amar, e amando ser curado para amar mais.

Deus o abençoe!

Ritinha, missionária da Comunidade Canção Nova

Há uma imensidão de pessoas sedentas de presenciar milagres em suas vidas

Num ciclo de 24 horas, presenciamos a repetição do amanhecer e do anoitecer. Lentamente, a escuridão, que repousava sobre a terra, rasga o véu para os primeiros raios de sol do novo dia. Pode-se ter a impressão de que esse movimento é uma eterna repetição, mas, por meio da solidariedade da noite, em ceder parte das horas do dia para sol, é que acontece o milagre do amanhecer.

Imagina-se que para que aconteçam milagres sejam necessários movimentos de nuvens em redemoinhos ou que a luz do sol escureça e um grande trovão sacuda a terra. Entretanto, quando menos se espera, em meio aos acontecimentos, surge o que mudaria suavemente a direção das coisas.
É a nobreza da solidariedade que produz o milagre de um novo dia em nossa vida.

O milagre para um paralítico aconteceu quando alguns de seus amigos resolveram descê-lo, através de um buraco aberto no telhado, junto a Jesus (cf. Lucas 5, 17-20). Muitos outros poderão acontecer minimizando a fome, o frio, a discriminação social, a inimizade, guerras e perseguições, quando a virtude da solidariedade emergir em nós.

Há uma imensidão de pessoas sedentas de presenciar milagres na vida delas. Outras tantas desejam ser objeto dessa graça, de Deus; contudo, poucas desse universo estão dispostas a se solidarizarem em seus conceitos com as demais.

O milagre da ressurreição em nossa vida poderá acontecer quando decidirmos ceder ou reavaliar aquilo que fixamos como “meu fundamento”, “minha verdade”, “meu jeito” etc. Do contrário, a luz da alegria em nossa convivência não poderá atingir as sombras que ofuscam o brilho de nossa alma.

Qual seria o milagre desejado por aqueles que estivessem se afogando? Não seria o socorro de um salva-vidas o objeto de seu desejo? E para aqueles infelizes, que não estão presentes no mundo, mas já estão na lista dos condenados à morte ainda no ventre materno, não seria a própria vida o seu maior milagre?

O milagre que estamos necessitando, no dia de hoje, está na disposição de viver a graça do momento presente. Esse poderá depender da solidariedade que carece nas nossas convivências particulares.

Deus abençoe seu dia.

Canção Nova

Crer é dizer amém aos mandamentos, às palavras e promessas de Deus

O Credo, como também o último livro da Sagrada Escritura, termina com a palavra hebraica “amen”. Ela é encontrada, com frequência, no fim das orações do Novo Testamento. Também a Igreja conclui suas orações com o “amém”.

Em hebraico, a palavra “amém” está ligada à mesma raiz da palavra “crer”. Essa raiz exprime a solidez, a confiabilidade e fidelidade. Assim, compreendemos por que o “amém” pode ser dito da fidelidade de Deus para conosco e de nossa confiança n’Ele.

No profeta Isaías encontramos a expressão “Deus de verdade”. Literalmente, “Deus do amém”, isto é, o Deus fiel às suas promessas: “Todo aquele que quiser ser bendito na terra quererá ser bendito pelo Deus do amém” (Is 65,16).

Nosso Senhor emprega, com frequência, o termo “amém” em forma duplicada (Jo 5,19), para sublinhar a confiabilidade de Seu ensinamento, Sua autoridade fundada na verdade de Deus.

O “amém” final do Credo retoma e confirma, portanto, suas duas primeiras palavras: “eu creio”. Crer é dizer “amém” às palavras, às promessas, aos mandamentos de Deus, é confiar totalmente naquele que é o “Amém” de infinito amor e de fidelidade perfeita. A vida cristã de cada dia será, então o “amém” ao “eu creio” da profissão de fé de nosso batismo.
O seu símbolo seja para ti como um espelho. Olha-te nele para veres se crês tudo o que declaras crer e alegra-te cada dia por tua fé. (Santo Agostinho)

O próprio Jesus Cristo é “o Amém” (Ap 3,14) definitivo do amor do Pai por nós. Ele assume e consuma nosso “Amém” ao Pai: “todas as promessas de Deus, com efeito, têm nele (Cristo) seu sim; por isso, é por Ele que dizemos ‘amém’ a Deus para a glória de Deus.” (2Cor 1,20)

“Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai Todo-Poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda glória, agora e para sempre.”

AMÉM.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma das expressões mais difundidas na Igreja
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Entrego-me e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo minha vida, minhas ações, dores e sofrimentos, para que eu utilize meu corpo somente para honrar, amar e glorificar o Sagrado Coração.

Esse é meu propósito definitivo e único: ser todo de Deus e fazer tudo por amor a Ele; ao mesmo tempo, renunciar, com todo meu coração, qualquer coisa que não lhe compraz; além de tomar-te, Ó Sagrado Coração, para que sejas ele o único objeto de meu amor, o guardião de minha vida, meu seguro de salvação, o remédio para minhas fraquezas e inconstâncias, a solução aos erros de minha vida e meu refúgio seguro à hora da morte.

Seja, ó Coração de Bondade, meu intercessor ante Deus Pai e livra-me de Sua sabia ira. Ó Coração de Amor, ponho toda minha confiança em ti, temo minhas fraquezas e falhas, mas tenho esperança em tua divindade e bondade.

Tira de mim tudo o que está mal e tudo o que não faça Tua santa vontade. Permite a Teu amor puro a que se imprima no mais profundo de meu coração, para que eu não me esqueça nem me separe de ti.

Que eu obtenha de tua amada bondade a graça de Ter meu nome escrito em Teu coração, para depositar em Ti toda minha felicidade e glória, viver e morrer em Tua bondade. Amém.

Santa Margarida Maria Alacoque

Canção Nova

O dia de domingo há de ser preenchido, em primeiro lugar, com a participação na Eucaristia

A santificação do sábado, sinal de que Deus é o Senhor da vida humana, não dependendo apenas do trabalho das pessoas, é uma preciosidade na prática religiosa e foi mantida com extremo cuidado pelo povo escolhido por Ele. O dia do Senhor aponta também para a confiança absoluta na Providência Divina, que não nos abandona. Mesmo sem o trabalho das mãos, no dia de sábado as pessoas permanecem vivas! E esse dia se torna, no correr dos séculos, síntese e símbolo de todos os bens experimentados por Israel. Ele é fiel expressão e fruto eficaz da espiritualidade hebraica.

Por meio de vários ritos, como o acender das velas, uma bênção pronunciada pela mãe de família e bênçãos recitadas pelo pai, o dia de sábado mostra sua luminosidade e, “como lâmpada para seus passos” (Sl 118,105), clareia o caminho de Israel, revelando e fortificando sua identidade. O sábado foi sinal de alegria e gratidão pelos dons de Deus e a abertura para a plenitude da mesma alegria prometida por Ele. No decorrer da história desse povo, o sábado passou também por decadência em sua observância e, por outro lado, grupos religiosos fizeram com que o dia da liberdade e da consciência da presença de Deus viesse a ser tratado com pesado rigorismo.

Jesus também esteve, muitas vezes, presente na Sinagoga, como judeu fiel. Ela foi espaço para dirigir palavras reveladoras aos presentes, assim como lugar de curas e atenções às pessoas. Entretanto, em várias ocasiões se estabelece um conflito entre Jesus e as autoridades religiosas judaicas a respeito da observância do sábado. Jesus tem grande liberdade para fazer o bem, nas curas que realiza, priorizando o bem dos mais frágeis, mostrando-se senhor do sábado, o que faz parte da revelação daquilo que ele é, Deus e homem verdadeiro. Nele acontece a superação da visão limitada sobre o dia do Senhor, até porque o dia definitivo chega quando Ele vem e mostra toda Sua força e luz na Ressurreição dentre os mortos.

Domingo, o dia do Senhor

Os primeiros tempos da vida da Igreja assistiram às dificuldades com relação à antiga tradição do sábado, pois os cristãos se voltaram para o primeiro dia da semana, chamado Dia do Senhor, por causa da Ressurreição, justamente a inauguração daquele dia definitivo! O dia da Ressurreição veio a ser a celebração semanal mais importante para nós, e assim o celebramos na Igreja.

“Instituído para amparo da vida cristã, o domingo adquire, naturalmente, também um valor de testemunho e anúncio. Dia de oração, de comunhão e alegria, ele repercute sobre a sociedade, irradiando sobre ela energias de vida e motivos de esperança. O domingo é o anúncio de que o tempo, habitado por Aquele que é o Ressuscitado e o Senhor da história, não é o túmulo das nossas ilusões, mas o berço de um futuro sempre novo, a oportunidade que nos é dada de transformar os momentos fugazes desta vida em sementes de eternidade. O domingo é convite a olhar para diante, é o dia em que a comunidade cristã eleva para Cristo o seu grito: ‘Maranatha: Vinde, Senhor!’ (1 Cor 16,22). Com esse grito de esperança e expectativa, ela se faz companheira e sustentáculo da esperança dos homens. E domingo a domingo, iluminada por Cristo, caminha para o domingo sem fim da Jerusalém celeste, quando estiver completa em todas as suas feições a mística Cidade de Deus, que ‘não necessita de Sol nem de Lua para a iluminar, porque é iluminada pela glória de Deus, e a sua luz é o Cordeiro’” (Ap 21,23) (São João Paulo II, Dies Domini, número 84).

Se algumas línguas o chamam “dia do sol”, para nós o domingo é justamente a festa da presença d’Aquele que é a luz do mundo. No entanto, é importante verificar o que temos feito do domingo, pois sua prática pode se degradar e comprometer a própria dignidade da pessoa humana, nele valorizada de modo eminente. De fato, repousar das próprias fadigas corresponde ao ritmo humano e também nos remete à criação do mundo, quando a narrativa bíblica projeta em Deus o descanso e a alegria pela obra realizada. O repouso semanal é importante e deve ser garantido pela legislação civil, e sabemos que ocorrem formas de moderna escravidão em que as pessoas são submetidas ao trabalho de forma iníqua. Como cristão, reivindicamos para todas as pessoas o repouso semanal provado pela história da humanidade como digno e adequado para a vida humana na terra.

Domingo é dia de Missa!

O dia de domingo há de ser preenchido, em primeiro lugar, com a participação na Eucaristia, com a qual se faz presente a Morte e Ressurreição de Jesus. Na escuta da Palavra e na mesa eucarística, os cristãos têm o direito de estar diante do centro da própria fé. Antes de ser uma obrigação, trata-se de um direito! Daí o nosso apelo a que se redescubra o domingo como dia de Missa, e de preferência as famílias encontrem seu modo de participarem como corpo unido do Mistério de Cristo. E vem também a ajudar-nos o esmero com que as Equipes de Liturgia e de Celebração nas Paróquias e Comunidades devem preparar o ato central da vida de Igreja. Quando não é possível a celebração da Missa, multipliquem-se nas Comunidades a santificação do Dia do Senhor com a Celebração da Palavra de Deus, enriquecida ainda em muitas Comunidades com a Sagrada Comunhão, com a reserva eucarística presente em nossos Tabernáculos.

Corremos, entretanto, o risco de transformar o domingo, ou com ele todo o fim de semana, apenas em tempo de ociosidade ou, pior ainda, tempo de todos os vícios nos quais jovens e adultos mergulham de forma arriscada e indigna. O resultado é um esvaziamento terrível, com gosto de ressaca! Sabe-se bem o que significa para muitos a segunda-feira, e porque, popularmente, alguns a chamam de dia de preguiça. Esvaziar-se de valores, entregar-se ao que de menos digno existe só pode trazer frustração às pessoas! O domingo venha a ser recuperado na dimensão do justo repouso e na altura maior, que é a celebração da Ressurreição do Senhor, para que seja, também ele, sinal da vida nova com a qual se comprometem os cristãos.

Radio Vaticano

Sentimo-nos na obrigação de dar uma resposta para tudo

Nem sempre a resposta está pronta. Há uma beleza na dúvida que vale a pena ser apreciada. Forjar a resposta antes do tempo é a mesma coisa que colher frutos verdes. Demore na dúvida e descubra a sabedoria que insiste em se esconder na ausência de palavras.

A outra face da dúvida

Responder perguntas é fácil. Difícil é ensinar a conviver com as dúvidas, forjar a vida a partir das incertezas, das inconclusões e reticências, permitindo que o mistério sobreviva às constantes invasões da racionalidade, no horizonte de tantas realidades que não são desdobráveis, possíveis de serem dissecadas.

Viver para responder cansa. Há muito, ando lutando para abandonar esse espírito de onipotência que tomou conta de nós. Sentimo-nos na obrigação de dar respostas para tudo. Não sabemos dizer que não sabemos, mas insistimos em falar de coisas que ainda nem acreditamos, só para não termos que enfrentar o desconcerto do silêncio. Falamos, porque não suportamos a ausência de respostas.

Talvez, seja por isso que tantas pessoas têm buscado as religiões de respostas simples. Por que sofremos? Por que pessoas boas sofrem coisas ruins? Perguntas que são constantes na vida humana, sobretudo no momento em que a tragédia nos abate, o sofrimento nos visita. Torna-se muito simples justificar o sofrimento como forma de pagamento por vidas passadas, processos de purificação que expiam erros cometidos por outros. Compreensões absolutamente simplistas, redutoras, e, portanto, resposta fácil.

A dor gera perguntas. A alegria, nem sempre. A religião é um recurso humano que nos ajuda a conviver com as questões mais fundamentais que são próprias da nossa condição. Ela responde, mas nem sempre essa resposta pode ser formulada por meio de palavras. Isso porque a religião é acontecimento da vida inteira, é processual, acontece aos poucos.

Jesus quis ensinar a seus discípulos essa sabedoria. Não foram poucas as vezes em que eles Lhes pediam explicações e respostas fáceis. Jesus nunca caiu nessa armadilha. Em vez de lhes entregar respostas prontas, Ele lhes ensinava a conviver com a dúvida criativa. Também Sua mãe aprendeu isso com Ele. Guardava tudo no seu coração, porque sabia que a experiência do distanciamento é forma de conhecimento. Há fatos que se dão no agora da vida e que só poderão ser entendidos depois de passado um determinado tempo.

Eu sei que você sofre, constantemente, os apelos deste mundo de respostas prontas. Talvez, até já tenha pensado em trocar sua religião por uma outra que responda melhor seus questionamentos. Só não se esqueça de que nem sempre você precisa de respostas. A vida, por vezes, só é possível no silêncio do questionamento. A desolação do calvário, o profundo silêncio de Deus, a Mãe que acolhe o filho morto nos braços é uma das exortações mais belas que a humanidade já pôde conhecer.

Respostas não caem do céu, mas são geradas no processo histórico que o ser humano realiza. Viver é maturar, é amadurecer, é superar horizontes, acolher novas possibilidades e descobrir respostas onde não imaginávamos encontrar. Conviver com dúvidas requer maturidade, e isso não é aprendizado que se dá da noite para o dia. A dúvida de hoje pode ser a certeza de amanhã.

Canção Nova

Deus investe na nossa santidade, através dos Sacramentos

Nestes próximos artigos da série Caminho Espiritual e as Moradas veremos como Deus, além de não nos deixar sozinhos na construção da vida espiritual, investe enormemente na nossa santidade fornecendo os meios necessários para a santificação.

Lembremo-nos que nas primeiras moradas que já refletimos, a Igreja ensina: “só quando os germes estranhos forem tirados do campo do nosso coração, as sementes da virtude podem ser convenientemente alimentadas em nós”. Essa verdade, aqui registrada nas palavras do Papa São Leão Magno (Sermão XXXIX), nos lembra de que as primeiras moradas são o território em que nos defrontamos com nossas próprias falhas, vícios e paixões. Elas, via de regra, impedem nosso avanço espiritual e constroem aquela imensa fatia de cristãos que, embora fiéis à Igreja e professando uma fé verdadeira, não são tão exemplos de conduta e santidade.

Ressaltamos que, Aquele que nos chama à santidade, não nos abandona no caminho, nem nos deixa sucumbir sobre um pesado fardo (Sl 54,23). Ele também não age com prepotência esperando que tenhamos corrigido plenamente nossa humanidade para depois nos presentear com dons e virtudes espirituais (Rom 5,6). Assim, estar em “estado de graça”, após uma confissão válida, significa que Deus derrama sobre o batizado a Graça Santificante, ou seja, um organismo sobrenatural que nos torna capazes de ouvi-Lo e acatar a Sua vontade para nós. Claro que, como vimos nos artigos anteriores, nossas tendências desregradas e paixões cultivadas por muitos anos, acabam criando uma barreira à ação plena de Deus em nós. Somente com o avanço nas moradas e a retirada dos “germes estranhos” é que as “sementes da virtude” infundidas por Deus em nós, através da Graça Santificante, podem germinar e desenvolver-se com força.

Os Sacramentos que nos impulsionam

Um meio altamente eficaz de aumentar a Graça Santificante e, consequentemente, a recepção de virtudes e dons, é por meio dos Sacramentos. Para a vida espiritual, dois deles colaboram durante todo o percurso rumo à santidade e, também, fornecem um grande impulso para atravessar as primeiras moradas.

O Sacramento da Eucaristia é o mais sublime de todos os sacramentos. É o próprio Cristo em presença real. Chama-se presença real porque além da alma e divindade de Jesus, entramos em contato com o Seu Corpo e Sangue materiais. Temos plenamente Jesus em Sua divindade e humanidade. Isso não quer dizer que a presença de Cristo na comunidade, na oração particular ou na Palavra seja menos verdadeira, somente não tem essa conotação também material e, dessa forma, atua poderosamente no nosso corpo e materialidade.

Para o caminho de perfeição precisamos nos convencer cada vez mais desta certeza: ao comungar, temos um contato direto com Deus e, Ele mesmo, vem habitar em nós. Essa presença real aumenta enormemente a graça santificante e, quanto mais estivermos preparados, abertos e ansiosos por recebê-Lo, mais essa presença real será aumentada. É por essa disposição interior mais perfeita que duas pessoas recebem o mesmo Cristo e uma delas colhe frutos melhores e mais profundos. Assim, quanto melhor é a participação na Santa Missa, quanto melhor está preparado o coração de quem comunga, maior e melhor será a aquisição de graças.

Infelizmente é necessário lembrar aqui que, quem comunga em estado de pecado mortal, não só não recebe nenhuma dessas graças, como se condena acrescentando um novo e mais grave pecado: participar indignamente do Corpo e Sangue de Cristo (1Cor 11,29). Usando uma metáfora, aquele que comunga sem se confessar, atua como Judas Iscariotes e, sob a aparência de um gesto de amor, esconde uma traição.

A importância da Eucaristia

A Eucaristia repercute em nós como a oração; quanto mais, melhor. Mas, exatamente como a oração, a Eucaristia não pode ser um gesto mecânico, sob o risco de perder a eficácia. Assim, ir à Missa diariamente e comungar frequentemente por puro “hábito”, sem atenção e reverência ao que se está fazendo, é um caminho certo para lugar nenhum. Pior, podemos desenvolver uma impermeabilidade à Fé e uma insensibilidade aos nossos próprios pecados. Comungar, portanto, precisa ser sempre um ato consciente de fé e amor. Sendo assim, se for diário e bem feito, é melhor.

Outro ponto importante para o crescimento da vida espiritual com a Eucaristia é nos lembrarmos de sempre realizarmos uma completa e eficiente ação de graças após a comunhão. Durante o tempo em que as espécies ainda não se dissolveram no nosso organismo, temos em nós o Cristo, em uma união tão íntima como jamais poderíamos tê-Lo se Ele estivesse andando entre nós, como fez com o discípulos d’Ele. É o momento de amá-Lo e treinar esse contato com Ele. Sim, isso mesmo, treinar. Precisamos ter cada vez mais consciência desse contato e mantê-lo ativo em nós. É um treinamento porque, mais tarde, quando tivermos em adoração ou simples oração, precisamos nos lembrar de que estamos estabelecendo um verdadeiro contato com o Senhor e nesse novo contato, precisamos amá-Lo da mesma forma que O amamos na ação de graças após a comunhão.

Como relatado no artigo anterior, precisamos crescer e evoluir nos nove graus de oração até a santidade perfeita e, este artigo é uma espécie de caminho, equivalente o das Moradas, mas com outra divisão. É o contato com o Senhor na Eucaristia e o treino em amá-Lo durante essa presença real em nós, que nos prepara para o terceiro grau de oração: a oração afetiva. Nesse tipo de oração, mais do que falar com Deus (primeiro grau ou oração vocal), mais do que pensar em Deus (segundo grau de oração, oração mental ou meditação), precisamos amar a Deus cada vez mais e nos afeiçoar a Ele (oração afetiva). Esse grau de oração só é alcançado plenamente, nas segundas moradas. Mas é necessário uma prévia aqui, para que possa ficar claro a importância do Sacramento da Eucaristia nesse treinamento para um grau mais elevado de oração.

O padre Antonio Royo Marín, OP, lembra que, nunca expulsamos uma visita que recebemos na nossa casa. Esperamos que ela vá embora sozinha. E, se a amamos, se ela é importante para nós, se for uma alta autoridade, pedimos para que fique o máximo de tempo possível em nossa companhia. Do mesmo modo, ao receber Jesus na comunhão, não devemos sair correndo, começar a conversar ou nos distrair com qualquer coisa. A hora é de acolhê-Lo e amá-Lo o máximo de tempo que nos for permitido.

Os sacramentos que fortalecem a alma contra o pecado

O outro Sacramento que serve de impulso nas primeiras moradas é o sacramento da Reconciliação, da Penitência ou da Confissão. Já tratamos dele como condição fundamental para habitar o Castelo Interior da própria alma e avançar nas moradas rumo à santificação pessoal. No entanto, além de nos restituir a graça santificante com o perdão dos pecados mortais, ele tem uma outra ação eficaz na santificação: fortalecer a alma contra o pecado.

É fato que, mesmo com grande esforço para levar a vida espiritual com seriedade e desejo sincero de não errar, acabamos caindo e cometendo um pecado mortal. O Sacramento da Reconciliação, nesse caso, não só restabelece em nós a Graça Santificante, como também infunde uma fortaleza especial contra aquele pecado em particular. Assim, se ao cair, existir um arrependimento imediato e sincero; e, o mais breve possível, realizamos uma confissão válida, com verdadeiro desejo de conversão, também recebemos uma virtude infusa para nos tornarmos mais fortes diante daquele tipo de pecado.

Isso também é verdadeiro para os pecados veniais. Assim, embora não seja necessário confessar os pecados veniais, se mesmo assim os confessarmos com o sacerdote, o Sacramento da Reconciliação nos ajuda a nos livrarmos mais rapidamente do risco de voltar a cair nesses mesmos pecados. Os que se confessam regularmente, experimentam esta eficácia: as quedas (no mesmo tipo de pecado) tornam-se cada vez mais espaçadas, até que tornam-se raras e desaparecem.

Nas primeiras moradas vimos que devemos combater os dois vícios principais: a ira e a concupiscência. A utilização frequente do Sacramento da Reconciliação, focando principalmente em todos os pecados dessas áreas, mesmo os veniais, ajuda a rapidamente vencê-los e a desenvolver solidamente a virtude da paciência e a virtude da temperança.

Na via ascética, embora pareça que todo o esforço para sermos santos parte de nós, fica evidente que Deus atua com todos os meios possíveis para nos santificar e nos renovar segundo a imagem daquele que Ele enviou (Cl 3,9). Aqui vimos, detalhadamente, os dois sacramentos: a Eucaristia e a Reconciliação. Nos próximos artigos desta série “Caminho Espiritual e as Moradas”, veremos como as três virtudes teologais devem ser vividas e aumentadas nas primeiras moradas. Logo depois, veremos como os dons do Espírito Santo se apresentam e se desenvolvem em nós, um após o outro, seguindo uma ordem bem clara e sucessiva, para nos levar até as segundas moradas.

Canção Nova

A obediência também é uma virtude moral

A virtude da obediência também é anexa à virtude cardeal da justiça, pois que a obediência é uma homenagem, um ato de submissão que devemos ter aos superiores. No entanto, ambas se distinguem, porque implica desigualdade entre superiores e inferiores.

A obediência é uma virtude moral (que se conquista pela repetição, gerando um hábito) e sobrenatural (e também a adquirimos pela ajuda da graça de Deus), que nos inclina a submetermos nossa vontade à dos superiores legítimos, enquanto são representantes de Deus.

A teologia por trás da obediência diz do supremo domínio de Deus e na submissão absoluta que lhe deve a criatura. A obediência a Deus, que se revela ao seguimento de Cristo, na mensagem do Evangelho, e também ao que nos revela e interpreta o ensinamento do magistério da Igreja. Como filhos de Deus, somos chamados a imitar Seu Filho, que, por obediência, entrou no mundo, e por obediência, sofreu do modo mais difícil Sua saída desse mundo. Resgatou-nos a todos, com sua obediência, da servidão do pecado, por Seu Sangue Precioso.

As criaturas racionais tem mais obrigação de obedecer a Deus, pelo mesmo fato de terem recebido a racionalidade, que nos eleva acima dos demais. Além do dom da liberdade de escolha.

O homem não se basta a si só. ele precisa da sociedade para sua cultura física, intelectual e moral. Para que ocorra o bem comum, é necessário à sociedade líderes. Deus deu aos líderes a Sua autoridade sobre os Seus filhos. É sob essa perspectiva que devemos obedecer aos superiores como ao próprio Deus.

Os líderes têm o dever moral e espiritual de ser a voz d’Aquele que quer o bem de todos. Desobedecê-los é ,antes, desobediência para com Deus. Se esse exercem sua autoridade para a própria glória, quem os cobrará será o próprio Senhor, e aqueles a quem ele deve obediência. Sem a submissão aos líderes, surge a desordem e a anarquia.

Na ​ordem natural, ​ podem-se distinguir três espécies de sociedades: a sociedade doméstica ​ou ​familiar, a que presidem os pais; a sociedade ​civil governada pelos detentores legítimos da autoridade, segundo sistemas reconhecidos nas diversas nações; a sociedade​ profissional, em que há patrões e operários cujos direitos e deveres respectivos são determinados pelo contrato de trabalho. Na ​ordem sobrenatural,​ os superiores hierárquicos são o ​Santo Pontífice, os ​Bispos, ​párocos​ e ​vigários.

Nas comunidades particulares e ordens aprovadas pelo Papa ou pelos Bispos, as autoridades eleitas segundo as Constituições e Regras. Por conseguinte, quem quer que entra numa dessas comunidades, por esse mesmo fato se obriga a observar os seus regulamentos e a obedecer aos Superiores que mandam dentro dos limites definidos pela regra.

Os limites ao exercício da autoridade

É evidente que não se faz obrigatório obedecer a uma autoridade que porventura mandasse qualquer coisa manifestamente contrária às leis divinas, à lei natural, à moral e às leis eclesiásticas. “Importa obedecer antes a Deus que aos homens.” Por exemplo, uma lei que aprove o aborto está contra o direito natural. O mesmo se diz da obrigatoriedade de se praticar um aborto. Não se deve obedecer.

O mesmo se diga se a ordem dada for notoriamente impossível. Nesse ponto, se não há a certeza de que é impossível, deve-se procurar obedecer ao superior. Não se deve lhe obedecer se esse manda fora das suas atribuições. Por exemplo: um pai que se opõe à vocação religiosa de um filho. Um superior que dá ordens contrárias à regra e constituições. Lembrando que estamos falando de aquisição de virtudes. Caso uma pessoa esteja em seu trabalho e recebe uma ordem, mesmo não sendo do seu superior imediato, mas de alguém que lhe pode retirar do emprego caso não lhe seja obediente, nesse caso, deve-se obedecer-lhe.

Os graus da obediência

Deve-se, antes de tudo, observar fielmente os mandamentos de Deus e da Igreja, e submeter-se, ao menos externamente, às ordens dos superiores legítimos com diligência, pontualidade e com espírito de obediência a Deus. Um próximo passo para evoluir na virtude da obediência seria meditar e procurar imitar a obediência de Cristo a Deus Pai; assim como era submisso a Maria e a José.

Nosso trabalho pela aquisição da virtude da obediência deve ser tal, a ponto de não se contentar em obedecer externamente, mas sujeitam internamente à vontade, ainda mesmo nas coisas custosas, contrárias à sua vontade; obedecer de todo o coração, sem se queixar, com a esperança de, agindo assim, assemelham-se mais e mais ao Divino Mestre; não usar de estratagemas para trazer o superior a querer o que eu quero. Os seja, se se conduz o superior a fazer aquilo que mais me agrada, não obedeço ao superior, mas sim o superior a mim.

A obediência, para ser ​perfeita, deve ser: ​sobrenatural​ na intenção, ​universal​ na extensão, inteira na execução.

Sobrenatural ​ na intenção: é procurar ver nos superiores a pessoa de Jesus. E assim, é a Ele que nós obedecemos. “Obedecei a vossos senhores temporais com temor e tremor e com o singelo coração, como a Cristo; não os servindo só em sua presença, como quem quer comprazer a homens; mas antes, como servos de Cristo, que fazem nisso a vontade de Deus de coração e com boa vontade, como quem serve ao Senhor, e não a homens” (Ef 6,5-6). “Deus suprirá o que falta a seu ministro” (Sto Inácio). Não olhemos, pois, para os defeitos dos nossos superiores, o que torna a obediência mais difícil, nem para as suas qualidades, o que a torna menos meritória, mas consideremos a Deus que vive e manda em Suas pessoas.

Universal na extensão: devemos obedecer a todas as ordens do superior legítimo, sempre que manda legitimamente. “O obediente ficará vencedor em todas as dificuldades a que foi levado pela obediência, e sairá com honra dos caminhos em que entrar por obediência, por mais perigosos que possa ser” (S. Francisco de Sales). Por outros termos, o superior pode enganar-se, mandando: nós não nos enganamos, obedecendo.

Inteira ​na execução, e, por conseguinte, ​pontual, ​sem restrição, ​constante e até alegre.

Pontual: o obediente ama o preceito, e, desde que o percebe de longe, seja ele qual for, quer seja conforme o seu gosto quer não, aplica-se em fazer imediatamente.

Sem restrição: porque fazer seleções, obedecer em certas coisas e desobedecer em outras, é perder o mérito da obediência, é mostrar que nos sujeitamos no que agrada, e, por conseguinte, que esta submissão não é sobrenatural.

Alegre: a obediência não pode ser alegre nas coisas custosas, se não for inspirada pelo amor; é que, efetivamente, a quem ama, nada é penoso, porque esse tal não pensa no sofrimento, mas naquele por quem sofre.

A excelência da obediência

A obediência nos une a Deus e faz-nos comungar habitualmente em sua vida. As criaturas obedecem a Deus por necessidade de natureza. O homem o faz por meio de sua liberdade. Desse modo, faz homenagem ao seu supremo Senhor do que tem de mais caro, e imola a mais excelente das vítimas: a vontade. E como a vontade é a rainha de todas as faculdades, unindo-a a Deus, unimos-lhe todas as potências da nossa alma.

É também o mais constante e duradouro: pela comunhão sacramental não ficamos unidos a Deus mais que alguns instantes; mas a obediência habitual estabelece entre a nossa alma e Deus uma espécie de comunhão espiritual perene, que nos faz permanecer nele, como Ele permanece em nós, pois queremos tudo quanto Ele quer e nada desejamos senão o que Ele deseja; o que é, afinal, a mais real, a mais íntima, a mais prática de todas as uniões.

A obediência é a mãe e guarda de todas as virtudes. Confunde-se, efetivamente, com a caridade, já que o amor, como ensina Santo Tomás, produz antes de tudo a união das vontades. A obediência verdadeira é, pois, em última análise, um ato excelente de caridade.

Ela nos faz também praticar as demais virtudes, enquanto são todas mandadas ou ao menos aconselhadas. Assim, por exemplo, faz-nos praticar a mortificação e penitência, tantas vezes prescritas no Evangelho, a justiça, a religião, a caridade e todas as virtudes contidas no Decálogo. Faz-nos até semelhantes aos mártires que sacrificam a sua vida por Deus, colocando as vítimas sobre o altar: a vontade e o juízo próprio.

A obediência dá-nos assim perfeita segurança; deixando a nós mesmos, não saberíamos talvez determinar-nos o que é mais perfeito; a obediência traçando-nos o nosso dever para cada instante, mostra-nos o caminho mais seguro para nos santificarmos.

Enfim, a obediência transforma em virtudes e méritos as ocupações mais ordinárias da vida, refeições, recreios, trabalhos; tudo quando é feito com espírito de obediência participa do mérito desde virtude, agrada a Deus e será recompensado por Ele.

Canção Nova