O Papa Francisco recebeu na manhã de sexta-feira (6) a redação da revista italiana “Aggiornamenti sociali”, ou seja, “Atualizações sociais”. A revista fundada há 70 anos, caracteriza-se pelo aprofundamento e análise de temáticas sociais, políticas, eclesiais e internacionais, e é formada por jesuítas e leigos.

Francisco começou seu discurso comentando o lema da revista que é ajudar os leitores a “orienta-se no mundo que muda”, principalmente “em tempos de mudanças aceleradas como o nosso, que deixam muitos perdidos e confusos”.

Discernir na sociedade

“Orienta-se quer dizer entender onde nos encontramos – disse o Papa – quais são os pontos de referência e depois decidir a direção a ser tomada”. Considerando deste modo o significado está “muito próximo do discernimento: de fato, também na sociedade, precisamos aprender a reconhecer a voz do Espírito, interpretar seus sinais e seguir aquela voz e não as outras”.

Interpelando a nível pessoal e também como comunidade civil e eclesial porque o Espírito atua nas dinâmicas sociais, o Papa observa: “Não é suficiente treinar a sensibilidade espiritual, que é indispensável, são necessárias competências e análises específicas”.

Em seguida o Papa afirma:

“Para os cristãos o discernimento dos fenômenos sociais não pode ser independente da opção preferencial pelos pobres. Antes de ajudá-los, esta opção requer que estejamos ao lado deles, mesmo quando consideramos as dinâmicas sociais”

Um caminho a ser percorrido juntos

Francisco recorda que “o discernimento dos fenômenos sociais não pode ser realizado por uma única pessoa. Ninguém – nem mesmo o Papa e a Igreja – consegue abraçar todas as perspectivas relevantes: é preciso de um confronto sério, que envolva todas as partes em causa”. Para isso é fundamental uma dinâmica na qual todos falem com liberdade mas também escutem e estejam disponíveis a aprender e a mudar. E fala sobre a importância do diálogo:

“Dialogar é construir um caminho no qual percorrer juntos e quando necessário, ajudando-se e estendendo-se a mão. As divergências e os conflitos não podem ser ignorados ou dissimulados, como muitas vezes temos a tentação de fazer, mesmo na Igreja, mas assumidos, não para ficarem bloqueados sem conclusões, mas para abrir novos processos, porque o conflito jamais pode ser a última palavra”

No que se refere a iniciativas para criar redes, participar de eventos, ativar grupos de pesquisa, o Papa os encoraja sugerindo três âmbitos particularmente significativos:

“O primeiro é a integração de grupos da sociedade que por vários motivos são marginalizados, nos quais mais facilmente encontra-se as vítimas da cultura do descarte”.

“O segundo âmbito refere-se ao encontro entre as gerações, do qual no Sínodo dos Jovens reconhecemos a urgência”.

E o “terceiro âmbito é a promoção de ocasiões de encontro e ação comum entre cristãos e crentes de outras religiões, mas também com todas as pessoas de boa vontade”.

A alegria do compromisso social

Por fim o Papa exortou a não desencorajarem e disse: o compromissos pela justiça e pelo cuidado da casa comum está associado a uma promessa de alegria e de plenitude”. E concluiu: “Ficar ao lado dos pobres é um encontro com sofrimentos e injustiças, mas também uma felicidade genuína e contagiosa”.

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“O elogio da solidez” é o centro da Liturgia de hoje, com o Evangelho de Mateus (Mt7,21.24-27), em que Jesus fala da diferença entre o homem prudente e o homem sem juízo: o primeiro, deposita no Senhor o fundamento da sua vida, construindo a própria casa sobre a rocha. O outro não ouve a Palavra de Deus e vive de aparências, construindo a própria casa sobre um fundamento fraco, como a areia.

O Senhor é a rocha segura e forte

A partir deste episódio, o Papa desenvolveu a sua homilia, pronunciada na missa matutina na Casa Santa Marta (05/12), num diálogo contínuo com os fiéis, aos quais pediu para refletirem justamente sobre a “sabedoria e a fraqueza”, isto é, sobre qual é o fundamento das nossas esperanças, das nossas seguranças e da nossa vida, e pedindo a graça de saber discernir onde está a rocha e onde está a areia.

A rocha. Assim é o Senhor. Quem confia no Senhor estará sempre seguro, porque seus fundamentos estão sobre a rocha. É o que diz Jesus no Evangelho. Fala de um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha, isto é, sobre a confiança no Senhor, sobre coisas sérias. E esta confiança também é um material nobre, porque o fundamento desta construção da nossa vida é seguro, é forte.

As aparências fazem a vida cristã ruir

O prudente, portanto, é quem edifica sobre a rocha, ao contrário do tolo, que escolhe a “areia que se move” e que é levada pelo vento e pela chuva. Também é assim na vida cotidiana, nos prédios que se constroem sem bons fundamentos e, portanto, desmoronam, e na nossa existência pessoal

E também a nossa vida pode ser assim, quando o meu fundamento não é forte. Vem a tempestade – e todos nós temos tempestades na vida, todos, do Papa até o último, todos – e não somos capazes de resistir. E muitas pessoas dizem: “Não, eu mudarei de vida” e pensam que mudar de vida é maquiar-se, mas mudar de vida é mudar os fundamentos, isto é, colocar a rocha ali, que é Jesus. “Eu queria refazer esta construção, este prédio, porque é muito feio, muito feio, e gostaria de embelezá-lo um pouco, mas se recorro à maquiagem e enfeito um pouco, a casa não vai avante; cairá. Com as aparências, a vida cristã desmorona.

Saber discernir entre rocha e areia

Portanto, somente Jesus é o fundamento seguro, as aparências não ajudam e o Papa citou o exemplo de um confessionário: somente quem se reconhece pecador, fraco, desejoso de salvação, tem uma vida baseada sobre a rocha, enquanto crê e conta com Jesus-Salvação. Converter-se, portanto, àquilo que não desmorona e não passa: assim aconteceu com São Francisco Borgia em 1500, quando este ex-cavaleiro de corte, diante do corpo em decomposição da imperatriz Isabel, se deu conta da caducidade e da vaidade das coisas terrenas, e escolheu o Senhor e se tornou santo:

Nós não podemos edificar a nossa vida sobre coisas passageiras, nas aparências, em fazer de conta que tudo vai bem. Vamos para a rocha, onde está a nossa salvação. E ali seremos felizes todos. Todos.

Neste dia de Advento, o Papa então convidou cada um de nós a pensar no fundamento que damos à nossa vida, se a sólida rocha ou a areia móvel, pedindo ao Senhor a graça de saber discernir.

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«Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho»O ministério de Paulo em Éfeso e a despedida dos anciãos. Este foi o tema da catequese do Papa Francisco, extraído do Livro dos Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral, desta quarta-feira (04/12), realizada na Praça São Pedro.

“A viagem do Evangelho no mundo continua sem parar e passa pela cidade de Éfeso, manifestando o seu significado salvífico. Graças a Paulo, cerca de doze homens recebem o batismo em nome de Jesus e experimentam a efusão do Espírito Santo que os regenera”, frisou o Papa. “Vários são os milagres que se realizam por meio do Apóstolo: os doentes ficam curados e os possuídos são libertados. Isso acontece porque o discípulo assemelha-se a seu Mestre e o torna presente comunicando aos irmãos a mesma vida nova recebida Dele”, sublinhou Francisco.

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A fraqueza das artes mágicas

Segundo o Papa, “a força de Deus que se manifesta em Éfeso tira a máscara de quem quer usar o nome de Jesus para fazer exorcismos, mas sem ter a autoridade espiritual para fazê-lo, e revela a fraqueza das  artes mágicas, que são abandonadas pelas pessoas que escolhem Cristo. Uma verdadeira mudança para uma cidade, como Éfeso, que era um lugar famoso pela prática de magia. São Lucas sublinha a incompatibilidade entre a fé em Cristo e a magia”.

“ Se você escolhe Cristo não pode recorrer ao mago: a fé é abandono confiante nas mãos de um Deus confiável que se mostra não através de práticas ocultas, mas pela revelação e com amor gratuito.”

Talvez alguns de vocês podem dizer: Ah, sim, essa história de magia é antiga. Hoje, com a civilização cristã, isso não acontece. Fiquem atentos! Eu lhes pergunto: quantos de vocês vão atrás de tarô, quantos de vocês vão procurar as pessoas que leem as mãos e as cartomantes? Ainda hoje, nas grandes cidades, os cristãos práticos ainda procuram essas coisas.

“ Mas, se você acredita em Jesus Cristo, porque vai procurar o mago, a cartomante, todas essas pessoas? Por favor: a magia não é cristã. Essas coisas que são feitas para adivinhar o futuro ou adivinhar muitas coisas ou mudar as situações da vida não são cristãs. A graça de Cristo dá tudo a você: reze e confie-se ao Senhor.”

A difusão do Evangelho em Éfeso prejudica o comércio dos ourives que fabricavam as estátuas da deusa Ártemis, fazendo de uma prática religiosa um verdadeiro negócio. “Vendo diminuir a atividade que dava muito dinheiro, os ourives organizam uma revolta contra Paulo, e os cristãos são acusados de terem colocado em crise a categoria de artesãos, o santuário de Ártemis e o culto a essa deusa”, disse ainda o Papa.

Entrega pastoral

Depois, Paulo parte de Éfeso. Vai diretamente a Jerusalém e chega a Mileto. Ali, chama os anciãos da Igreja de Éfeso, os presbíteros, para fazer uma entrega “pastoral”. Estamos no final do ministério apostólico de Paulo e Lucas nos apresenta o seu discurso de despedida, um testamento espiritual que o apóstolo dirige àqueles que, após sua partida, deverão guiar a comunidade de Éfeso.

Esta é uma das páginas mais bonitas do Livro de Atos dos Apóstolos: eu aconselho vocês a pegar hoje o Novo Testamento, a Bíblia, o capítulo 20 e ler esta despedida de Paulo aos presbíteros de Éfeso, que ele faz em Mileto. É uma maneira de entender como o apóstolo se despede e também como os presbíteros hoje devem se despedir e também como todos os cristãos devem se despedir. É uma página bonita. Não se esqueçam: Atos dos Apóstolos, capítulo 20, versículos de 17 em diante.

O pastor deve vigiar

Na parte exortativa, Paulo incentiva os responsáveis da comunidade: “Vigiem a si mesmos e todo o rebanho: e este é o trabalho do pastor: vigiar. O pastor deve vigiar, o pároco deve vigiar, fazer vigília, os presbíteros devem vigiar, os bispos, o Papa deve vigiar. Isto é: vigiar para proteger o rebanho, e vigiar a si mesmo, examinar a consciência e ver como ela cumpre esse dever de vigiar”.

O Papa concluiu sua catequese, pedindo ao Senhor para renovar em nós o amor pela Igreja e pelo depósito da fé que ela preserva, e nos tornar corresponsáveis pela tutela do rebanho, apoiando os pastores na oração para que manifestem a firmeza e a ternura do Divino Pastor.

Ao saudar os peregrinos de língua portuguesa o Papa disse:

Saúdo com afeto os peregrinos de língua portuguesa, em particular o grupo brasileiro de Nossa Senhora do Livramento, de Vitória de Santo Antão, encorajando a todos a apostar em ideais grandes, ideais de serviço que engrandecem o coração e tornam fecundos os seus talentos. Confiem em Deus, como a Virgem Maria!

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“A liturgia de hoje fala das coisas pequenas, podemos dizer que hoje é o dia do pequenino”: assim o Papa Francisco começou a homilia ao celebrar a missa na capela da Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira (03/12).

A primeira leitura é extraída do livro do profeta Isaías, onde se anuncia: “Nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor …”.

“A Palavra de Deus faz elogio do pequeno”, disse o Papa e faz uma promessa, a promessa de um broto que surgirá e o que é menor do que um broto?, questionou Francisco. E mesmo assim, “sobre ele repousará o espírito do Senhor”

A redenção, a revelação, a presença de Deus no mundo começa assim e sempre é assim. A revelação de Deus se faz na pequenez. Pequenez, seja humildade, seja… tantas coisas, mas na pequenez. Os grandes se apresentam poderosos, pensemos na tentação de Jesus no deserto, como Satanás se apresenta poderoso, dono de todo o mundo: “Eu dou tudo se você…”. Ao invés, as coisas de Deus começam brotando, de uma semente, pequenas. E Jesus fala desta pequenez no Evangelho”.

Fazer-se pequeno para que o Reino de Deus possa germinar

Jesus se alegra e agradece ao Pai porque se revelou não aos poderosos, mas aos pequeninos, e recordou que no Natal “iremos todos ao presépio onde está a pequeneza de Deus”. E fez então uma advertência:

Numa comunidade cristã onde os fiéis, os sacerdotes, os bispos, não tomam esta estrada da pequenez, falta futuro, ruirá. Foi o que vimos nos grandes projetos da história: cristãos que buscavam se impor, com a força, a grandeza, as conquistas… Mas o Reino de Deus brota no pequeno, sempre no pequeno, a pequena semente, a semente de vida. Mas a semente sozinha não pode nada. E há outra realidade que ajuda e que dá a força: “Nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor.”

O Espírito não pode entrar num coração soberbo

“O Espírito escolhe o pequeno, sempre”, destacou ainda Francisco, porque não pode entrar no grande, no soberbo, no autossuficiente”. É no coração pequeno que acontece a revelação do Senhor.

O Papa falou dos estudiosos de teologia para destacar que os teólogos “não são aquelas pessoas que sabem tantas coisas de teologia”, se assim fosse, poderiam ser chamados de ‘enciclopedistas’ da teologia: “Sabem tudo; mas são incapazes de fazer teologia porque a teologia se faz de joelhos, fazendo-se pequenos”.

E, portanto, enfatizou novamente que “o verdadeiro pastor seja ele sacerdote, bispo, papa, cardeal, qualquer que seja, se ele não se tornar pequeno, ele não é um pastor”, ao contrário, ele é um gerente de escritório. E isso aplica-se a todos. “Do que tem uma função que parece mais importante na Igreja, à pobre velhinha que faz as obras de caridade em segredo”. O Papa Francisco esclareceu então uma dúvida que poderia surgir, isto é, que o caminho da pequenez conduz à pusilanimidade que é fechar-se em si mesmo, ao medo. E diz que, pelo contrário, “a pequenez é grande” é a capacidade de arriscar “porque não tem nada a perder”. E explicou que é precisamente a pequenez que leva à magnanimidade, porque nos torna capazes de ir além de nós mesmos, sabendo que a grandeza a dá Deus. E citou uma frase de São Tomás de Aquino, contida em sua Suma teológica, que explica como deve se comportar um cristão que se sente pequeno, diante dos desafios do mundo, para não viver como um covarde:

São Tomás diz assim, o resumo é o seguinte: “Não ter medo das coisas grandes – São Francisco Xavier hoje, nós o vimos – não ter medo, seguir em frente; mas levar em consideração as pequenas coisas, juntas, isto é divino”. Um cristão parte sempre da pequenez. Se eu na minha oração me sinto pequeno, com as minhas limitações, meus pecados, como aquele publicano que rezou no fundo da igreja, envergonhado: “Tenha piedade de mim que sou pecador”, você irá para frente. Mas se você acredita ser um bom cristão, rezará como aquele fariseu que não saiu justificado: “Dou-te graças, Deus, porque sou grande”. Não, agradeçamos a Deus porque somos pequenos.

A concretude das confissões das crianças

O Papa Francisco concluiu a sua homilia dizendo que gosta tanto de administrar o sacramento da confissão e, acima de tudo, gosta de confessar as crianças. Suas confissões, disse ele, são belas, porque contam os fatos concretos: “Eu disse esta palavra”, por exemplo, e a repetem para você. Finalmente, o Papa comenta: “A concretude daquele que é pequeno. “Senhor, sou um pecador porque faço isto, isto, isto, isto… Esta é a minha miséria, a minha pequenez. Mas envia o teu Espírito para que eu não tenha medo das grandes coisas, não tenha medo de que faças grandes coisas na minha vida”.

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O Papa Francisco enviou uma mensagem por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiências comemorado nesta terça-feira, 3 de dezembro.

Francisco inicia sua mensagem convidando a “renovar o nosso olhar de fé que vê em cada irmão ou irmã a presença do próprio Cristo”.

Tornar o mundo mais humano

Embora tenham sido feitos grandes progressos no âmbito médico e assistencial, recorda o Papa, “ainda hoje se constata a presença da cultura do descarte e muitos deles sentem que existem sem pertencer e sem participar”. E para tutelar os direitos das pessoas com deficiências e suas famílias devemos “tornar o mundo mais humano removendo tudo o que lhes impede de viver uma cidadania plena, e os obstáculos do preconceito, favorecendo a acessibilidade aos lugares e a qualidade de vida, considerando todas as dimensões do homem”.

Ungir-lhes de dignidade

Francisco reitera que para cuidar das pessoas com deficiências temos que principalmente “caminhar juntos e ungir-lhes de dignidade para uma participação ativa na comunidade civil e eclesial”.

Em seguida o Papa recordou dos “exilados ocultos”, que vivem em nossas casas, famílias e sociedade. “Penso em pessoas de todas as idades, principalmente idosos, que por alguma deficiência, algumas vezes sentem-se um peso, uma ‘presença incômoda’”. E mais uma vez o Pontífice exorta todos a “reconhecer a dignidade de cada um sabendo que para isso não depende a funcionalidade dos cinco sentidos”.

“ Precisamos criar anticorpos contra uma cultura que considera vidas de série A e outras de série B: isso é pecado social!”

E pondera: “De fato fazer boas leis e derrubar as barreiras físicas é importante, mas não suficiente, se não for mudada a mentalidade, se não se supera a cultura que causa desigualdades, impedindo às pessoas com deficiência a participação ativa na vida diária”.

Conclui afirmando que “uma pessoa com deficiência, para se construir, precisa não apenas existir, mas também pertencer a uma comunidade”.

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O Papa Francisco chegou em Greccio, na Província de Rieti, a cerca de 60 Km de Roma com um helicóptero e alguns minutos de antecedência do previsto. Ele saudou alguns doentes que o esperam com os familiares para depois ir até o Santuário Francisco de carro, onde foi recebido com um clima de alegria e maravilha que só o Natal pode presentear.

A assinatura da Carta sobre o Presépio

Na Gruta do Santuário o Papa permaneceu em silêncio e contemplação para rezar sozinho. Em seguida, sobre o altar Francisco assinaou a Carta Admirabile signum, um “presente” a todo o povo de Deus para enaltecer o sentido e o valor do Presépio.

Já na Igreja do Santuário, durante a Liturgia da Palavra, é feita a leitura dos dez parágrafos da Carta sobre o Presépio. Na reflexão final do Papa, o pedido para redescobrir a autenticidade e a simplicidade.

A íntegra da reflexão do Papa

“Quantos pensamentos chegam à mente neste lugar santo! No entanto, diante da rocha destes montes tão queridos a São Francisco, o que somos chamados a fazer é, antes de tudo, redescobrir a simplicidade.

O presépio, que pela primeira vez São Francisco fez neste pequeno espaço, imitando a gruta estreita de Belém, fala por si mesmo. Aqui não há necessidade de multiplicar palavras, porque a cena diante dos nossos olhos exprime a sabedoria de que precisamos para compreender o essencial.

Diante do presépio, descobrimos como é importante para a nossa vida, tantas vezes agitada, encontrar momentos de silêncio e oração. O silêncio, para contemplar a beleza do rosto de Jesus Menino, o Filho de Deus nascido na pobreza de um estábulo. A oração, para exprimir o “obrigado” maravilhado diante deste imenso dom de amor que nos é dado.

Neste simples e maravilhoso sinal do presépio, que a piedade popular acolheu e transmitiu de geração em geração, manifesta-se o grande mistério da nossa fé: Deus nos ama até ao ponto de partilhar a nossa humanidade e a nossa vida. Nunca nos deixa sozinhos; acompanha-nos com a sua presença escondida, mas não invisível. Em todas as circunstâncias, na alegria como na dor, Ele é o Emanuel, Deus conosco.

Como os pastores de Belém, acolhamos o convite para ir à gruta, ver e reconhecer o sinal que Deus nos deu. Então o nosso coração estará cheio de alegria, e poderemos levá-lo para onde há tristeza; estará cheio de esperança, a ser partilhada com aqueles que a perderam.

Vamos nos identificar com Maria, que colocou seu Filho na manjedoura, porque não havia lugar em uma casa. Com ela e com São José, seu esposo, olhemos para o Menino Jesus. Que o seu sorriso, desabrochado na noite, dissipe a indiferença e abra os corações à alegria daqueles que se sentem amados pelo Pai que está nos céus.”

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Na última semana do ano litúrgico, a Igreja nos convida a refletir sobre o fim do mundo, o fim de cada um de nós, e o faz também o Evangelho desta sexta-feira, em que Lucas repete as palavras de Jesus: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”.

A vulnerabilidade humana

Em sua homilia, o Papa reiterou que “tudo acabará”, mas “Ele ficará”, e estas palavras o inspiraram para convidar cada um a refletir sobre o momento do fim, isto é, da morte. Nenhum de nós sabe exatamente quando acontecerá, ou melhor, com frequência temos a tendência a adiar o pensamento, acreditando-nos eternos, mas não é assim:

Todos nós temos esta fraqueza de vida, esta vulnerabilidade. Ontem eu meditava sobre isto, sobre um belo artigo que saiu agora na (revista, ndr) ‘Civiltà cattolica’, que dizia que o que une todos nós é a vulnerabilidade: somos iguais na vulnerabilidade. Todos somos vulneráveis e a um certo ponto esta vulnerabilidade nos leva à morte. Por isso vamos ao médico para ver como vai a minha vulnerabilidade física, outros vão para curar alguma vulnerabilidade psíquica no psicólogo.

A ilusão de ser eternos e a esperança no Senhor

A vulnerabilidade, portanto, nos une e nenhuma ilusão nos abriga. Na minha terra, recordou o Papa, havia a moda de pagar antecipadamente o funeral com a ilusão de economizar dinheiro para a família. Quando veio à luz o golpe aplicado por essas empresas fúnebres, a moda passou. “Quantas vezes a ilusão nos engana”, comentou o Pontífice, como a ilusão de “sermos eternos”. A certeza da morte, ao invés, está escrita na Bíblia e no Evangelho, mas o Senhor nos apresenta como um “encontro com Ele” e está acompanhada pela palavra “esperança”:

O Senhor nos fala para estarmos preparados para o encontro, mas a morte é um encontro: é Ele quem vem nos encontrar, é Ele quem vem nos pegar pela mão e nos levar até Ele. Eu não gostaria que essa simples pregação fosse um aviso fúnebre! É simplesmente Evangelho, é simplesmente vida, é simplesmente dizer um ao outro: somos todos vulneráveis ​​e todos temos uma porta à qual o Senhor um dia baterá.

É necessário, portanto, preparar-se bem para o momento em que a campainha tocará, o momento em que o Senhor baterá à nossa porta: rezemos um pelo outro – é o convite do Papa também aos fiéis presentes na Missa – para estar prontos, para abrir a porta com confiança ao Senhor que vem:

Todas as coisas que juntamos, que poupamos, licitamente boas, mas não levaremos nada … Mas, sim, levaremos o abraço do Senhor. Pensar na própria morte: eu vou morrer, quando? Não está determinado no calendário,  mas o Senhor sabe. E rezar ao Senhor: “Senhor, prepara meu coração para morrer bem, para morrer em paz, para morrer com esperança”. É esta a palavra que deve sempre acompanhar a nossa vida, a esperança de viver com o Senhor aqui e depois viver com o Senhor do outro lado. Rezemos uns pelos outros sobre isso.

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Recém-chegado de sua 32° viagem apostólica, o Papa Francisco recebeu milhares de fiéis e peregrinos para a Audiência Geral esta quarta-feira (27/11) e dedicou sua catequese aos principais momentos vividos na Tailândia e no Japão.

Ao agradecer às autoridades governamentais e eclesiásticas dos dois países, o Pontífice afirmou que a visita aumentou a sua proximidade e o seu afeto por aqueles povos: “Deus os abençoe com abundância de prosperidade e de paz”.

Povo thai: povo do belo sorriso

Começando pela primeira etapa, Francisco recordou que a Tailândia é um antigo Reino que se modernizou fortemente. O povo “thai” é o “povo do belo sorriso. As pessoas ali sorriem. Encorajei o empenho pela harmonia entre os diversos membros da nação e para que o desenvolvimento econômico possa ir em benefício de todos e sejam sanadas as chagas da exploração, especialmente das mulheres e dos menores.”

Sobre a religião budista, parte integrante da história e da vida do povo tailandês, o Papa citou o encontro com o Patriarca Supremo e com os líderes ecumênicos e inter-religiosos.

Com a comunidade católica local, o Pontífice viveu momentos de convívio com os sacerdotes, os consagrados, os bispos, os jesuítas. Celebrou duas missas e conheceu de perto o trabalho do Hospital São Luís em prol dos últimos. “Ali experimentamos que na nova família formada por Jesus Cristo existem também os rostos e as vozes do povo Thai.”

Japão: capacidade extraordinária de lutar pela vida

Depois, foi a vez do Japão, cujo lema “Proteger cada vida” acompanhou a sua visita. O país, afirmou, “carrega impressas as chagas do bombardeio atômico e é em todo o mundo porta-voz dos direitos fundamentais à vida e à paz”.

Em Nagasaki e Hiroshima, o Papa rezou, encontrou sobreviventes e familiares das vítimas. “Reiterei a firme condenação das armas nucleares e da hipocrisia de falar de paz construindo e vendendo artilharia bélica.”

Depois daquela tragédia, prosseguiu, o Japão demonstrou uma extraordinária capacidade de lutar pela vida e o fez inclusive recentemente depois do tríplice desastre de 2011: terremoto, tsunami e acidente na central nuclear.

“ Para proteger a vida, é preciso amá-la, e hoje a grave ameaça nos países mais desenvolvidos é a perda do sentido de viver. ”

As primeiras vítimas do vazio de sentido, apontou Francisco, são os jovens. Por isso, dedicou um encontro a eles em Tóquio, aos quais encorajou a se opor a toda forma de bullying, e a vencer o medo e o fechamento abrindo-se ao amor de Deus.

“Auspiciei uma cultura de encontro e diálogo, caracterizada pela sabedoria e amplidão de horizonte. Permanecendo fiel aos seus valores religiosos e morais, e aberto à mensagem evangélica, o Japão poderá ser um país condutor por um mundo mais justo e pacífico e pela harmonia entre homem e meio ambiente.”

Queridos irmãos e irmãs, finalizou o Papa, “confiemos à bondade e à providência de Deus os povos da Tailândia e do Japão”.

Fundação Nizami Ganjavi

Antes da Audiência Geral, o Papa Francisco recebeu os membros da Fundação Nizami Ganjavi. Trata-se de uma organização dedicada à memória do grande poeta do Azerbaijão do século XII, com a finalidade de promover a paz no diálogo e no respeito mútuo.

Francisco encorajou a Fundação a prosseguir neste caminho, sobretudo no que diz respeito ao desafio das mudanças climáticas, convencidos de que a cultura do diálogo é a via mestra, a colaboração é a conduta mais eficaz e conhecimento recíproco é o método para crescer na fraternidade entre as pessoas e os povos.

 

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Depois de despedir-se da Nunciatura Apostólica na manhã desta terça-feira, 26, o Papa Francisco deslocou-se até a Sophia University, em Tóquio, onde celebrou com membros da Companhia de Jesus na Capela do Kulturzentrum. O Pontífice também encontrou de modo privado com o Colegio Maximo e visitou aos sacerdotes idosos e enfermos, e por fim realizou seu discurso no auditório.

A instituição foi fundada pelos jesuítas em 1913, mas sua origem remonta a mais de 450 anos, quando o missionário Francisco Xavier chegou ao Japão, em 1549, com a ideia de difundir o cristianismo e criar uma universidade. O projeto de criar este centro de estudos teve início, em 1908, quando, por vontade do Papa Pio X, três sacerdotes jesuítas desembarcaram no Japão para abrir, cinco anos depois, a primeira universidade católica do país.

“Minha estada neste país foi breve, mas intensa. Agradeço a Deus e a todo o povo japonês pela oportunidade de visitar este país, que marcou fortemente a vida de São Francisco Xavier e no qual tantos mártires deram testemunho da sua fé cristã. Embora os cristãos sejam uma minoria, sente-se a sua presença”, destacou.

O Santo Padre sublinhou que foi testemunha da estima geral pela Igreja Católica, e espera que este respeito mútuo possa aumentar no futuro. “Notei também que, apesar da eficiência e da ordem que a caracterizam, a sociedade japonesa deseja e procura algo mais: um anseio profundo de criar uma sociedade cada vez mais humana, compassiva e misericordiosa”, afirmou.

O Papa frisou que o estudo e a meditação fazem parte de todas as culturas, sendo a cultura japonesa orgulhosa do seu antigo e rico patrimônio a tal respeito. Segundo Francisco, o Japão conseguiu integrar o pensamento e as religiões da Ásia no seu conjunto e criar uma cultura com identidade específica. A Escola Ashikaga foi apontada pelo Pontífice como exemplo de instituição que possui a cultura japonesa de absorver e transmitir o conhecimento.

“Os centros de estudo, meditação e pesquisa continuam desempenhando um papel importante na cultura atual. Por este motivo, é necessário que mantenham a sua autonomia e liberdade, como penhor de um futuro melhor. (…) Dado que as universidades continuam sendo o lugar principal onde se formam os futuros líderes, é preciso que o conhecimento e a cultura em toda a sua amplitude inspirem todos os aspectos das instituições educacionais, tornando-se cada vez mais inclusivas e capazes de gerar oportunidades e promoção social”, completou.

Segundo o Santo Padre, em uma sociedade tão competitiva e tecnologicamente orientada, a Universidade deveria ser não só um centro de formação intelectual, mas também um local para modelar uma sociedade melhor e um futuro mais esperançoso. No espírito da encíclica Laudato si’, o Papa afirmou que o amor à natureza, tão típico das culturas asiáticas, devia expressar nas Universidades numa lúcida e previdente preocupação pela proteção da terra. Francisco pediu uma preocupação que possa conjugar-se com a promoção duma nova ciência capaz de questionar e fazer expandir qualquer tentativa reducionista por parte do paradigma tecnocrático.

A Universidade Sophia sempre se distinguiu por uma identidade humanista, cristã e internacional, destacou o Pontífice, que prosseguiu: “Desde a sua fundação, a Universidade foi enriquecida pela presença de professores provenientes de vários países, às vezes até de países em conflito entre si. Mas todos estavam unidos pelo desejo de dar o melhor aos jovens do Japão. O mesmo espírito perdura também nas várias formas com que vocês prestam ajuda àqueles que mais precisam, aqui e no exterior”.

Francisco mostrou-se convicto de que este aspecto da identidade da Universidade Sophia se revigorará cada vez mais, de modo que os grandes progressos tecnológicos atuais possam ser colocados a serviço de uma educação mais humana, justa e ecologicamente responsável. O Papa disse ainda que a tradição inaciana, na qual se baseia a Universidade, deve estimular professores e alunos a criar uma atmosfera que favoreça a reflexão e o discernimento. “Nenhum estudante desta Universidade deveria conseguir a formatura sem antes ter aprendido como escolher, responsável e livremente, aquilo que em consciência sabe ser o melhor”, frisou.

O Santo Padre recordou as Preferências Apostólicas Universais que ele propôs à Companhia de Jesus e que mostram claramente que o acompanhamento dos jovens é uma realidade importante em todo o mundo e que todas as instituições devem favorecer este acompanhamento. “Como demonstra o Sínodo sobre os jovens com os seus documentos, também a Igreja universal olha, com esperança e interesse, para os jovens de todo o mundo”, disse.

Segundo o Papa, Universidade Sophia é chamada a concentrar-se nos jovens, que não só devem ser destinatários de uma educação qualificada, mas também participar dessa educação, oferecendo suas ideias e partilhando sua visão e esperanças para o futuro. A seguir, Francisco afirmou que a tradição cristã e humanista da Universidade Sophia está plenamente em linha com outra das Preferências que ele mencionou: caminhar com os pobres e os marginalizados do nosso mundo.

“A Universidade, centrada na sua missão, deve estar sempre aberta à criação de um arquipélago capaz de interligar aquilo que, social e culturalmente, pode ser concebido como separado. Os marginalizados devem ser envolvidos e introduzidos criativamente no currículo universitário, procurando criar as condições para que isto se traduza na promoção de um estilo educativo capaz de reduzir as fraturas e as distâncias”, disse.

O Pontífice reforçou que o estudo universitário de qualidade, em vez de ser um privilégio de poucos, deve ser de consciência, a serviço da justiça e do bem comum; e ser implementado na área que cada um é chamado a desenvolver. “Trata-se de uma causa que tem a ver com todos nós; a recomendação feita a Paulo por Pedro continua sendo válida ainda hoje: não nos esqueçamos dos pobres”, completou.

O Papa espera que essa reflexão e o encontro com os jovens, professores e funcionários da Universidade Sophia possa produzir fruto em suas vidas e na vida da comunidade acadêmica japonesa. “O Senhor e a sua Igreja contam com vocês como protagonistas na missão de buscar, encontrar e difundir a sabedoria divina e oferecer alegria e esperança à sociedade atual”, concluiu.

Canção Nova

No início da tarde desta segunda-feira (hora local) o Papa Francisco deixou a Nunciatura apostólica e dirigiu-se ao Estádio Tóquio Dome onde celebrou a Santa Missa. Presentes mais de 50 mil pessoas. A Santa Missa, em latim, foi celebrada pelo Dom da Vida Humana. A primeira leitura foi feita em português.

Na sua homilia o Santo Padre, citando o Evangelho do dia recordou que o mesmo faz parte do primeiro grande discurso de Jesus; conhecido como o «Sermão da Montanha» e descreve-nos a beleza do caminho que somos convidados a percorrer.

Segundo a Bíblia, a montanha é o lugar onde Deus Se manifesta e dá a conhecer: «sobe ao encontro do Senhor» (Ex 24, 1), disse Deus a Moisés. Em Jesus,  – disse o Papa – “encontramos o cimo do que significa ser humano e indica-nos o caminho que nos leva à plenitude capaz de ultrapassar todos os cálculos conhecidos; n’Ele encontramos uma vida nova, onde se experimenta a liberdade de nos sentirmos filhos amados”.

Francisco advertiu que “estamos cientes de que, ao longo do caminho, esta liberdade filial pode ver-se sufocada e enfraquecida, quando ficamos prisioneiros do círculo vicioso da ansiedade e da competição, ou quando concentramos toda a nossa atenção e as nossas melhores energias na busca obstinada e frenética de produtividade e consumismo como único critério para medir e avaliar as nossas opções ou definir quem somos e quanto valemos”.

“ Como oprime e enreda a alma – frisou o Santo Padre – a ânsia gerada por pensar que tudo pode ser produzido, conquistado e controlado! ”

Em seguida o Papa disse “que os jovens fizeram-me notar esta manhã (no encontro que tive com eles) que, numa sociedade como o Japão com uma economia altamente desenvolvida, não são poucas as pessoas socialmente isoladas que permanecem à margem, incapazes de entender o significado da vida e da sua própria existência.

“ A casa, a escola e a comunidade, destinadas a ser lugares onde cada um apoia e ajuda os outros, estão a deteriorar-se cada vez mais pela excessiva competição na busca do lucro e da eficiência. Muitas pessoas sentem-se confusas e inquietas, ficam sobrecarregadas pelas demasiadas exigências e preocupações que lhes tiram a paz e o equilíbrio. ”

Ressoam, como bálsamo reparador, as palavras do Senhor que convidam a não nos inquietarmos, mas a termos confiança.

Não se trata – disse Francisco -, de nos desinteressarmos do que sucede ao nosso redor nem de nos desleixarmos relativamente às nossas ocupações e responsabilidades diárias; antes pelo contrário, é um desafio a abrirmos as nossas prioridades para um horizonte de sentido mais amplo e, assim, criar espaço para olhar na mesma direção: «Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo» (Mt 6, 33).

O Senhor não nos diz que as necessidades básicas, como alimento e roupa, não sejam importantes; mas convida-nos a repensar as nossas opções diárias para não acabarmos entalados ou fechados na busca do êxito a todo o custo, incluindo a custo da própria vida. As atitudes mundanas que buscam e perseguem apenas o próprio lucro ou benefício neste mundo, e o egoísmo que pretende a felicidade individual, subtil mas realmente conseguem apenas tornar-nos infelizes e escravos, para além de dificultar o desenvolvimento duma sociedade verdadeiramente harmoniosa e humana.

“ O oposto de um «eu» isolado, fechado e até sufocado só pode ser um «nós» partilhado, celebrado e comunicado. ”

Este convite do Senhor lembra-nos que «precisamos de reconhecer alegremente que a nossa realidade é fruto dum dom, e aceitar também a nossa liberdade como graça. Isto é difícil hoje, num mundo que julga possuir algo por si mesmo, fruto da sua própria originalidade e liberdade».

Como comunidade cristã – frisou o Papa – somos convidados a proteger toda a vida e testemunhar, com sabedoria e coragem, um estilo marcado pela gratuidade e compaixão, pela generosidade e a escuta simples, um estilo capaz de abraçar e receber a vida como se apresenta «com toda a sua fragilidade e pequenez e, muitas vezes, até com todas as suas contradições e insignificâncias».

Somos convidados a ser comunidade que desenvolva uma pedagogia capaz de acolher «tudo o que não é perfeito, tudo o que não é puro nem destilado, mas lá por isso não menos digno de amor. Por acaso uma pessoa portadora de deficiência, uma pessoa frágil não é digna de amor? (…) Uma pessoa, mesmo que seja estrangeira, tenha errado, se encontre doente ou numa prisão, não é digna de amor?

“ O anúncio do Evangelho da Vida impele-nos e exige de nós, como comunidade, que nos tornemos um hospital de campanha preparado para curar as feridas e sempre oferecer um caminho de reconciliação e perdão. ”

Unidos ao Senhor, cooperando e dialogando sempre com todos os homens e mulheres de boa vontade, e também com as pessoas de convicções religiosas diferentes, podemos tornar-nos fermento profético duma sociedade que protege e cuida cada vez mais de toda a vida.

Radio Vaticano

O Santo Padre concluiu suas atividades, na tarde desta sexta-feira (22/11), horário local da Tailândia, com a celebração Eucarística para os Jovens, na Catedral da Assunção, em Bangcoc.

Vamos ao encontro do Senhor!

O Papa iniciou a sua homilia com o convite “Vamos ao encontro do Senhor, que vem!”, partindo do Evangelho do dia, que nos exorta a pôr-nos a caminho com o olhar fixo no futuro e no dom mais belo: a vinda definitiva de Cristo ao nosso mundo.

O Senhor vem ao nosso encontro, a partir da história, que deve ser construída, criada, inventada, disse o Papa. Acolhamo-lo com alegria:

“ O Senhor sabe que, por meio de vocês, jovens, o futuro entra nestas terras e no mundo. Ele conta com vocês para continuar hoje a sua missão. Como Deus tinha um plano para o Povo escolhido, também tem um plano para cada um de vocês. Ele é o primeiro a convidar todos para o banquete, que devemos preparar juntos, como comunidade: o banquete do seu Reino, do qual ninguém pode ser excluído” ”

Apelo aos jovens

Referindo-se ao Evangelho de hoje, Francisco disse que “dez jovens foram convidadas para olhar o futuro e participar do banquete do Senhor”. O problema é que algumas delas não estavam preparadas para participar porque lhes faltou o óleo necessário, o combustível interno para manter aceso o fogo do amor.

Com grande entusiasmo e motivação, queriam participar do convite do Mestre, mas, com o tempo, suas forças e anseios começaram a se dissipar e chegaram tarde ao banquete. E o Papa afirmou:

“ Esta parábola pode se comparada a nós, cristãos, quando ouvimos, com entusiasmo e decisão, a chamada do Senhor para tomar parte do seu Reino e partilhar da sua alegria. Mas, por causa dos muitos problemas, obstáculos e sofrimentos, perdemos a confiança e, amargurados, esfriamos nosso coração, sonhos e alegrias ”

Por isso, o Santo Padre perguntou aos jovens presentes: “Vocês querem manter vivo o fogo, que os ilumina em plena noite e nas dificuldades? Querem preparar-se para responder à chamada do Senhor? Querem estar prontos para cumprir a sua vontade? Como obter o óleo para mantê-los em movimento à busca do Senhor em todas as situações?” E respondeu:

“Vocês são herdeiros de uma magnífica história de evangelização, que lhes foi transmitida como um tesouro sagrado. Esta bela Catedral é testemunho da fé em Jesus Cristo, que seus antepassados receberam. Sua fidelidade, profundamente arraigada, os impeliu a fazer boas obras e a construir outro templo, bem mais esplêndido, composto de pedras vivas, para levar o amor misericordioso de Deus às pessoas da sua época”.

O segredo de um coração feliz

O Papa concluiu sua homilia exortando os fiéis a ficarem arraigados na fé, que receberam de seus pais e mestres, para que o fogo do Espírito não se apague em seus corações, apesar das provações e sofrimentos. O segredo de um coração feliz é estar ancorado em Jesus, na sua vida, nas suas palavras, na sua morte e ressurreição. Por fim, os exortou:

“ Queridos jovens, vocês são uma nova geração, com novas esperanças, sonhos e interrogativos… Convido-os a manter viva a alegria, arraigados em Cristo. Vamos ao encontro do Senhor, que vem! Não tenham medo do futuro e não desanimem, pois o Senhor os aguarda para preparar e celebrar o banquete no seu Reino ”

Após a celebração Eucarística, na catedral da Assunção, Francisco aproveitou para se despedir do povo tailandês, porque amanhã, sábado, irá ao Japão, segunda e última etapa da Sua Viagem Apostólica à Ásia.

Por isso, o Papa agradeceu a todos os que tornaram possível sua visita à Tailândia: o Rei Rama X, o Governo e as Autoridades do país, seus irmãos Bispos, sobretudo o Cardeal Francis Xavier, os sacerdotes, religiosas e religiosos, fiéis e leigos e, de modo especial, todos os jovens!

“ Um sincero agradecimento aos voluntários, que colaboraram, com tanta generosidade, e os que me acompanharam com suas orações e sacrifícios, sobretudo os enfermos e encarcerados. O Senhor os recompense com a sua consolação e paz, que só Ele lhes pode dar ”

Radio Vaticano

O Santo Padre concluiu suas atividades em Bangcoc, capital da Tailândia, na tarde desta quinta-feira, com uma celebração Eucarística, no Estádio Nacional da cidade.

Em sua homilia, o Papa partiu da frase evangélica de Mateus “Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?”. Com esta pergunta, Jesus desafiou a multidão a prestar atenção a esta pergunta, que parecia tão óbvia, e respondeu: “Todo aquele que fizer a vontade do meu Pai, que está no Céu. Este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Pôr-se a caminho, descobrir a verdade

Deste modo, disse Francisco, Jesus critica os determinismos religiosos e legais da época. No entanto, é impressionante ver no Evangelho a variedade de perguntas que perturbam, despertam e convidam os discípulos a pôr-se a caminho e a descobrir a verdade, capaz de gerar a vida. Isto, afirmou o Papa, serve para abrir o coração e renovar a nossa vida e a da comunidade. E acrescentou:

“ Assim aconteceu com os primeiros missionários, que partiram e chegaram a estas terras: ao ouvir a Palavra do Senhor e responder aos seus pedidos, puderam perceber que pertenciam a uma família bem maior do que a gerada pelos laços de sangue, cultura, região ou pertença a um determinado grupo ”

Por isso, explicou Francisco, impelidos pela força do Espírito e repletos de esperança, que nasce da boa nova do Evangelho, eles se  puseram a caminho para conhecer os membros desta sua família que ainda não conheciam. Mas, tiveram que abrir o coração a uma nova realidade, superar todos os obstáculos e divisões, para encontrar as mães e irmãos tailandeses, que não frequentavam a Igreja. E o Papa ponderou:

“ Sem este encontro, faltaria o rosto do Cristianismo, os cânticos e as danças, que representam o sorriso típico dos tailandeses e seu contexto cultural. O discípulo missionário não é um mercenário da fé nem um caçador de prosélitos, mas um mendigo que reconhece que lhe faltam os irmãos, as irmãs e as mães com quem celebrar e festejar o dom da reconciliação, que Jesus oferece a todos ”

Todos somos discípulos missionários

Eis a fonte da ação evangelizadora, frisou Francisco, que recordou os 350 anos da criação do Vicariato Apostólico de Sião. Na época, eram apenas dois missionários que lançaram a semente do Evangelho, que, desde então, cresceu e desabrochou em uma variedade de iniciativas apostólicas, que contribuíram para a vida da nação. E o Papa afirmou:

“ Este aniversário não significa nostalgia do passado, mas uma chama de esperança para que, no presente, possamos também responder, com a mesma determinação, força e confiança. Trata-se de uma comemoração festiva, que nos ajuda, com coração feliz, compartilhar uma vida nova, que brota do Evangelho, com todos os membros da nossa família, que ainda não conhecemos ”

O Santo Padre concluiu sua homilia dizendo que “todos somos discípulos missionários, quando fazemos parte viva da família do Senhor, como Ele o fez”. E recordou:

“ Penso, de modo particular, nos meninos, meninas e mulheres obrigados à prostituição e ao tráfico, desfigurados na sua dignidade; penso nos jovens escravos da droga, que perturba sua perspectiva e dissipa seus sonhos; penso nos migrantes, privados das suas casas e famílias, e em tantos que, como eles, são esquecidos, órfãos, abandonados, sem uma comunidade de fé que os possa acolher; penso nos pescadores explorados, nos mendigos ignorados ”

Todas estas pessoas, disse por fim Francisco, fazem parte da nossa família cristã. O discípulo missionário sabe que a evangelização não é contar com a adesão dos poderosos, mas abre as portas para viver e partilhar do abraço misericordioso e mediador de Deus Pai. Assim, o Papa exortou a comunidade tailandesa a continuar o caminho iniciado há 350 anos pelos primeiros missionários.

Radio Vaticano

Na manhã desta segunda-feira, 18, o Papa Francisco enviou uma mensagem ao diretor do Programa Alimentar Mundial, David Beasley, por ocasião da abertura da segunda sessão ordinária do Comitê Executivo do órgão.

Na Mensagem, o Papa recordou que, nos projetos do Programa, estão sendo formuladas iniciativas concretas para tornar mais eficaz a luta contra a fome no mundo. “Seus projetos compreendem a promoção de medidas determinantes para eliminar o desperdício alimentar, um fenômeno que grava cada vez mais na nossa consciência”.

Em seguida o Papa recordou a desigualdade entre os irmãos: lugares onde não se alimentam suficientemente e outros onde os alimentos são desperdiçados e jogados fora. “É o que o meu predecessor São João Paulo II definiu de “paradoxo da abundância” que continua a ser um obstáculo à solução do problema da desnutrição da humanidade”. “O paradoxo implica mecanismos de superficialidade, negligência e egoísmo que estão na base da cultura do desperdício”, acrescentou Francisco.

Ao falar sobre os compromissos assumidos nas organizações internacionais como Agenda 2030 e Acordo de Paris, o Papa reiterou: “Alcançar estes objetivos é responsabilidade não apenas das organizações internacionais e dos governos, mas de cada um de nós” ou seja: “Famílias, escolas e meios de comunicação têm uma importante tarefa em educar para a sensibilização”.

“Ninguém pode ser excluído da necessidade de combater esta cultura que oprime tantas pessoas, especialmente os pobres e vulneráveis na sociedade”, concluiu o Papa.

“Stop the Waste”

Francisco elogia a campanha global do PAM, “Stop the Waste”, que evidencia “o quanto o desperdício danifica a vida das pessoas e o progresso dos povos”. A campanha sustenta também que o único modo de agir é mudando o estilo de vida e rejeitando todo e qualquer desperdício.

Sobre este ponto, o Papa afirmou: “Este novo estilo de vida consiste em valorizar adequadamente o que a Terra mãe nos dá e terá uma repercussão para toda a humanidade”.

Radio Vaticano

O primeiro compromisso do Papa Francisco nesta segunda-feira (18) foi a audiência aos participantes do encontro promovido pelo “Instituto para o Diálogo Inter-religioso da Argentina”.

O encontro tem como tema central a análise do documento: “Fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum” assinado em Abu Dhabi no dia 4 de fevereiro deste ano entre o Papa Francisco e o Grão Imame de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb. O Papa manifestou sua satisfação em “constatar que este Documento, de caráter universal, esteja se difundindo também nas Américas”.

Tradições, fonte de inspiração

“Como disse durante a Conferência Mundial da Fraternidade Humana”, continuou o Papa: “Não existe alternativa: ou construímos o futuro juntos, ou não haverá futuro. As religiões, de modo especial, não podem renunciar à urgente tarefa de contruir pontes entre os povos e as culturas”. E acrescenta: “Nossas tradições religiosas são uma fonte necessária de inspiração para fomentar a cultura do encontro, é fundamental a cooperação inter-religiosa, baseada na promoção de um diálogo sincero e respeitoso”.

Confirmando os objetivos o Pontífice destaca:

“ A intenção do Documento é adotar: a cultura do diálogo como caminho; a colaboração comum como conduta, o conhecimento recíproco como método e critério. De agora em diante pode-se afirmar que as religiões não são um sistema fechado que não se pode mudar, mas sim, que estão a caminho ”

O Papa recorda também que “a fraternidade é uma realidade humana complexa, à qual se deve prestar muita atenção e tratá-la com delicadeza”, portanto devemos sempre nos perguntar como agir, o que podemos fazer para que as religiões sejam canais de fraternidade e não barreiras de divisão.

“ É importante demonstrar que os que creem são um fator de paz para a sociedade humana e assim podemos responder aos que acusam injustamente as religiões de fomentar ódio e ser a causa da violência ”

Por fim Francisco afirma “No mundo precário de hoje, o diálogo entre as religiões não é um sinal de fraqueza. Isso encontra sua razão de ser no diálogo de Deus com a humanidade”.

Radio Vaticano

Ao rezar a oração do Angelus com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro neste domingo (17), o Papa Francisco falou sobre o Evangelho do penúltimo domingo do ano litúrgico, na versão proposta por São Lucas. Diante do templo de Jerusalém, Jesus profetiza que não ficará “pedra sobre pedra, tudo será destruído”.

O Papa explica que:

“ A destruição do templo predita por Jesus não é tanto uma figura do fim da história como do final da história ”

O Pontífice explica, Jesus usa duas imagens aparentemente contrastantes: “a primeira é uma série de eventos assustadores: catástrofes, guerras, carestias, tumultos e perseguições” com traumas que “ferem a criação, a nossa casa comum, e também a família humana que nela vive, e a própria comunidade cristã”. Enquanto que a segunda, continua o Papa, está contida na certeza de Jesus que “nos diz sobre o comportamento que o cristão deve tomar ao viver esta história, caracterizada pela violência e pela adversidade”.

Esperança

Então Francisco afirma: “É a atitude de esperança em Deus que torna possível não se deixar dominar pelos trágicos eventos” e continua:

“ Os discípulos de Cristo não podem permanecer escravos de medos e angústias; pelo contrário, são chamados a viver a história, a deter a força destruidora do mal com a certeza de que a acompanhar a sua ação do bem está sempre a providencial e tranquilizadora ternura do Senhor ”

E o Papa recorda: “Tudo o que ocorre é conservado n’Ele; a nossa vida não pode ser perdida porque está em suas mãos”.

Agir com o Senhor

“O Senhor nos chama a colaborar na construção da história, tornando-nos, junto com Ele, agentes de paz e testemunhas de esperança num futuro de salvação e ressurreição”.

Francisco recorda que a “fé nos faz caminhar com Jesus pelos caminhos deste mundo”, e que “o Espírito irá dobrar as forças do mal, submetendo-as ao poder do amor de Deus”. Confirmando cita exemplos:

“ Os mártires cristãos do nosso tempo, apesar das perseguições, são homens e mulheres de paz. Eles nos entregam uma herança a ser conservada e imitada: o Evangelho do amor e da misericórdia ”

E este confirma o Papa “é o tesouro mais precioso que nos foi dado e o testemunho mais eficaz que podemos dar aos nossos contemporâneos, respondendo ao ódio com o amor, à ofensa com o perdão”.

Radio Vaticano

Na sua audiência, na manhã desta sexta-feira (15/11), no Vaticano, o Santo Padre recebeu, na Sala Régia, cerca de 600 participantes no Congresso Internacional de Direito Penal.

Em seu discurso, o Papa expressou seu apreço e reconhecimento pelo serviço que a Associação presta à sociedade e ao desenvolvimento de uma justiça, que respeita a dignidade e os direitos da pessoa humana.

A este propósito, Francisco fez uma reflexão sobre as questões que interpelam a Igreja na sua missão de evangelização e serviço à justiça e à paz.

Idolatria do mercado e riscos do idealismo penal

Por várias décadas, disse, o Direito Penal incorporou diversos conhecimentos sobre algumas problemáticas relacionadas ao exercício da função sancionadora.

No entanto, apesar da sua abertura epistemológica, o Direito Penal não conseguiu se livrar das ameaças que, em nossos dias, pairam sobre as democracias e a plena vigência do Estado de Direito. Por outro lado, o Direito Penal, muitas vezes, descuida dos dados da realidade, que assume a aparência de um conhecimento meramente especulativo.

O contexto atual, disse Francisco, destaca dois aspectos relevantes: a “idolatria do mercado” e os “riscos do idealismo penal”:

 

“ A pessoa frágil e vulnerável encontra-se indefesa diante dos interesses do mercado divinizado, que se tornaram regra absoluta. Hoje, alguns setores econômicos têm mais poder que os próprios Estados. Esta realidade torna-se mais evidente em tempos de globalização do capital especulativo ”

O princípio de maximização do lucro, isolado de qualquer outra consideração, disse o Papa, leva a um modelo de exclusão, que ataca, de modo violento, os que sofrem pelos seus custos sociais e econômicos, enquanto as gerações futuras são condenadas a pagar os custos ambientais. E ponderou:

“ A primeira coisa que os juristas deveriam fazer, hoje, é se preguntar, com seus conhecimentos, como combater esse fenômeno, que coloca em risco as instituições democráticas e o próprio desenvolvimento da humanidade ”

O desafio atual para os advogados criminais, afirmou Francisco, é conter a irracionalidade punitiva, que se manifesta: com a prisão de massa, a aglomeração e tortura nas prisões, arbitrariedade e abusos das forças de segurança, expansão no âmbito da pena, a criminalização dos protestos sociais, o abuso da prisão preventiva e o repúdio às garantias penais e processuais mais elementares.

Crime dos poderosos

A seguir, o Pontífice recordou que, uma das omissões mais frequentes do Direito Penal e uma das consequências da seletividade das sanções, são a escassa ou pouca atenção ao crime dos mais poderosos, sobretudo a macro delinquência das empresas. E acrescentou:

“ O capital financeiro global está na origem dos crimes graves contra as pessoas e o meio ambiente. Trata-se de uma criminalidade organizada pelo excesso de endividamento dos Estados e pela pilhagem dos recursos naturais do nosso planeta, que pode ser comparada a crimes contra a humanidade, quando levam à fome, pobreza, migração forçada e morte por doenças evitáveis, desastres ambientais e extermínio dos povos indígenas ”

Depois, o Santo Padre falou sobre a tutela jurídica e penal do ambiente. A resposta penal ocorre quando o crime foi cometido, mas, devido à sua seletividade estrutural, a sanção recai, geralmente, sobre os setores mais vulneráveis. E afirmou:

Um senso elementar de justiça imporia a não impunidade de alguns comportamentos, sobretudo os considerados “ecocídios”: contaminação do ar, dos recursos da terra e da água; destruição em grande escala da flora e fauna, e toda ação que produz desastres ecológicos ou destruição do ecossistema”.

Pecado ecológico

Aqui, Francisco recordou o que os Padres sinodais da Região Pan-Amazônica definiram o pecado ecológico como ação ou omissão contra Deus, contra os outros, contra a comunidade e o meio ambiente: um pecado contra as gerações futuras, que se manifesta com a poluição e a destruição do meio ambiente e contra a virtude da justiça. E o Papa exortou:

“ Nesta circunstância, através de vocês, gostaria de fazer um apelo a todos os líderes e representantes do setor para que contribuam, com seus esforços, para garantir uma tutela jurídica adequada da nossa Casa comum ”

Por fim, o Santo Padre recordou alguns problemas, que pioraram ao longo desses anos: o uso indevido de prisão preventiva; o incentivo involuntário à violência; a cultura do descarte e do ódio e o “lawfare” ou emprego da justiça penal.

Mediante os instrumentos próprios da lei, é explorada a necessária luta contra a corrupção, com o objetivo de combater governos indesejados, reduzir os direitos sociais e promover um sentimento anti-político, que beneficia os que aspiram a um poder autoritário.

Ao mesmo tempo, frisou o Papa, é estranho que o recurso a paraísos fiscais, que serve para ocultar todo tipo de crime, não seja visto como uma questão de corrupção e crime organizado. Da mesma forma, fenômenos maciços de apropriação de recursos públicos passam despercebidos ou até minimizados como meros conflitos de interesse.

O Papa Francisco concluiu seu denso discurso, chamando a atenção dos estudiosos de Direito Penal e a todos os que são chamados a desempenhar funções relacionadas à aplicação do Direito Penal, por uma maior responsabilidade na atuação da justiça:

“ Na visão cristã do mundo, o modelo de justiça encontra uma perfeita encarnação na vida de Jesus. Ao ser tratado com desprezo e até com violência, que o levou à morte, a sua ressurreição nos deixou uma mensagem de paz, perdão e reconciliação, valores difíceis de alcançar, mas necessários para a boa vivência de todos ”

Nossas sociedades, disse por fim o Papa, são chamadas a avançar em direção a um modelo de justiça fundado no diálogo e no encontro. Não se trata de uma utopia, mas, certamente, de um grande desafio! Um desafio que devemos enfrentar, se quisermos resolver os problemas da convivência civil, de modo racional, pacífico e democrático. Todos, cristãos e não cristãos, precisamos da ajuda de Deus, que é fonte de razão e de justiça.

Radio Vaticano

No final da manhã desta quinta-feira (13) e como última de uma série de audiências do dia, o Papa Francisco recebeu 6 mil pessoas da comunidade acadêmica da Lumsa, a “Libera Università Maria Santissima Assunta”, uma universidade privada de inspiração católica, com sedes em Roma, Palermo e Taranto, na Itália. A audiência especial começou cedo na Sala Paulo VI, com interpretações do coro universitário e do grupo musical da instituição. Antes do discurso do Pontífice, também fizeram uso da palavra o reitor da universidade, diretores de departamentos e hóspedes sobre o nascimento da instituição.

A fundação da Lumsa, com Luigia Tincani

O encontro, como lembrou o Papa logo no início do seu discurso, além de inaugurar oficialmente o ano acadêmico, marca as comemorações dos 80 anos de fundação da instituição que começou em 1939 como uma escola de magistério, e se transformou na Lumsa atual, em 1989. Uma conquista “significativa e de maturidade”, disse Francisco, que “nasceu para responder uma necessidade que, na época, e também é agora, urgente, isto é, aquela de formar educadores e, em especial, educadoras, abrindo o mundo da alta formação às mulheres”. O Papa então fez referência à fundadora, a Venerável Luigia Tincani, que direcionou esforços para criar vocações intelectuais femininas através de uma “empresa de serviço”, primeiro preparando docentes e, depois, formando profissionais para o mercado.

Francisco também trouxe as inspirações de dois Santos ao discurso: Paulo VI e John Henry Newman que “viveram a universidade” e, através do empenho pastoral, propuseram “consciência universitária” e “uma ideia de universidade”, que, segundo o Pontífice, também é sinônimo de “uma ideia de convergência de saberes” para poder oferecer ao mundo “a verdade e sentido de diálogo”.

Sobre essa importante tarefa desempenhada na formação de terceiro grau, o Papa relembrou o que disse à comunidade acadêmica de outra universidade romana em 2017:

“Vocês devem se empenhar, também como universidade, em projetos de compartilhamento e de serviço aos últimos, para fazer crescer na nossa cidade de Roma o sentido de pertença à uma ‘pátria comum’. […] Trabalhando com projetos, inclusive pequenos, que favoreçam o encontro e a solidariedade, se recupera juntos um sentido de confiança na vida. A universidade comporta, de fato, um empenho não só formativo, mas educativo, que parte da pessoa e chega à pessoa.”

As responsabilidades diante do mundo de contradições

O Papa então abordou o aspecto do pensamento crítico e do amadurecimento de valores que devem ser promovidos dentro da universidade. Por isso, exortou Francisco, “a exigência de renovar o emprego de responsabilidades”, sobretudo em época de acelerados processos comunicativos, tecnológicos e de interconexão global.

A primeira responsabilidade citada por Francisco foi a da coerência, ou seja, de fidelidade e de comunidade vivida dentro da universidade:

“ Olho com confiança para as novas gerações que se formam na universidade. Protagonistas conscientes daquela mudança que nasce da visão e da coerência, a partir de uma perspectiva comunitária. ”

A responsabilidade cultural, “eu diria que até missionária diante do mundo”, disse o Papa, foi a segunda sugerida pelo Pontífice para ser renovada no âmbito acadêmico. Francisco, então, citou Bento XVI quando descreveu a tarefa da universidade que é de oferecer “a verdade”:

“ Não devemos ter medo de usar essa palavra, num espírito de diálogo sincero. Verdade, liberdade, bem: sob essa direção, desejo que a universidade de vocês saiba oferecer uma formação em que, transversalmente ao saber curricular, tenha espaço para a formação integral da pessoa. ”

O Papa seguiu com o elenco de responsabilidades e citou aquela social da universidade, através de relações virtuosas de desenvolvimento integral com as forças vivas da sociedade: “é preciso coragem para se envolver”, enfatizou Francisco, abrindo-se “às antigas e novas pobrezas”.

A última responsabilidade descrita pelo Pontífice foi a interuniversitária. O Papa pediu que se desse continuidade ao trabalho em conjunto com outras instituições, católicas ou não, para se criar “um clima produtivo de cooperação, intercâmbio e ajuda mútua ao construir projetos didáticos e de pesquisa inovadores”, sempre em busca da “verdade e que não satisfaz com a mediocridade”.

Ao concluir o discurso exaltando as exigências de uma educação integral num “mundo globalizado e fragmentado, cheio de contradições e que requer tanto trabalho conjunto, sério, criativo, artesanal, que passa através da mente, do coração e das mãos”, o Papa disse:

“ Todos vocês, estudantes, professores e responsáveis da comunidade universitária, encorajo a abrir os corações e as mentes. A não se satisfazer – vocês, estudantes, primeiro de tudo – dos pensamentos correntes, aparentemente hegemônicos, de um mundo em que a diversidade é conflito. Que vocês possam sentir a ambição saudável de acrescentar alguma coisa de original, que seja também concreto e útil. ”

Radio Vaticano

Uma chuva intermitente marcou a Audiência Geral desta quarta-feira no Vaticano. Os doentes foram acomodados na Sala Paulo VI e receberam a saudação do Pontífice antes que se dirigisse à Praça São Pedro.

A catequese foi dedicada ao casal Áquila e Priscila, prosseguindo o ciclo sobre os Atos dos Apóstolos.

Na semana passada, o Papa falou da chegada de Paulo a Atenas. Nesta quarta, comentou a prossecução da viagem.

Ao deixar o coração da Grécia, o Apóstolo se dirige a Corinto, onde ali encontra hospitalidade na casa de Áquila e Priscila, que, por serem judeus, foram obrigados a abandonar Roma por ordem imperador Cláudio.

Perseguir os judeus não é humano

O Papa fez um parêntese para recordar que povo judeu sempre sofreu na história com expulsões e perseguições. “No século passado vimos tantas brutalidades que foram cometidas e estávamos convencidos de que isso tinha acabado”, afirmou. Mas hoje começa a renascer o hábito de persegui-los.

“ Irmãos e irmãs, isso não é humano nem cristão. Os judeus são nossos irmãos e não devem ser perseguidos. ”

Retomando a catequese, o Papa afirmou que o gesto do acolhimento dos esposos leva a “descentralizar de si para praticarem a arte cristã da hospitalidade e abrir as portas de sua casa para acolher o Apóstolo Paulo”.

Deste modo, eles acolhem não só o evangelizador, mas também o anúncio que ele leva consigo: o Evangelho de Cristo.

Com o casal, Paulo compartilha também a atividade profissional, isto é, a construção de tendas.

“Domus ecclesiae”

De fato, Áquila e Priscila abrem as portas também para os irmãos e irmãs em Cristo, formando uma comunidade, uma “domus ecclesiae” para a escuta da Palavra de Deus e a celebração eucarística. “Também hoje em alguns países onde não existe liberdade religiosa, os cristãos se reúnem em uma casa, um pouco escondidos, para rezar e celebrar a eucaristia.”

Depois de um ano e meio na cidade, Paulo parte rumo a Éfeso com o casal, e também ali a sua morada se torna um local de catequese. Por fim, os dois esposos fazem regresso a Roma e o Apóstolo chega a fazer um agradecimento ao casal na Carta aos Romanos, afirmando que eles arriscaram as suas cabeças para salvar a sua vida.

“Quantas famílias em tempo de perseguições arriscam suas cabeças para manter escondidos os perseguidos. Este é o primeiro exemplo”, afirmou Francisco.

Os leigos oferecem o húmus

Entre os inúmeros colaboradores de Paulo, destacou, Áquila e Priscila emergem como modelos de uma vida conjugal responsavelmente empenhada a serviço de toda a comunidade cristã e recordam que graças à fé e à evangelização de tantos leigos, o cristianismo chegou até nós. “O cristianismo foi pregado pelos leigos, são eles, em virtude do seu batismo, os responsáveis por levarem a fé”. O Papa citou uma expressão de Bento XVI, que afirma que os leigos oferecem o “húmus” para o crescimento da fé.

Ao se dirigir especialmente aos recém-casados presentes na Audiência, Francisco concluiu:

“Peçamos ao Pai que efunda o seu Espírito sobre todos os casais cristãos para que, a exemplo de Áquila e Priscila, saibam abrir as portas de seus corações a Cristo e aos irmãos e transformem suas casas em igrejas domésticas. Bela palavra… Uma casa é uma igreja doméstica onde viver a comunhão e oferecer o culto da vida vivida com fé, esperança e caridade.”

“ Devemos rezar a estes dois santos para que nos ensinem a ser como eles, uma igreja doméstica, onde haja o húmus para que cresça a fé. ”

“Uma ocasião única” para encontrar o Senhor. São palavras do Papa Francisco em uma mensagem vídeo aos ministrantes franceses convidando-os para virem a Roma para uma peregrinação de 24 a 28 de agosto de 2020, organizada pela Igreja local.

Convidados em missão

“O Senhor Jesus chamou vocês para servi-lo na liturgia da Missa”, portanto a peregrinação é um modo “para amá-lo mais ainda, para se comprometer mais ainda com Ele”. “Depois de ter servido Jesus durante a Missa – diz o Papa – somos todos chamados a servi-lo na nossa vida diária, no encontro com os nossos irmãos e irmãs: somos convidados à missão. Fomos chamados à missão, não esqueçam”.

Seguindo os passos de Pedro e Paulo

Francisco recorda que em Roma, os coroinhas poderão visitar os túmulos de São Pedro e São Paulo. “O corajoso testemunho deles – explica – dará coragem para vocês perseverarem no compromisso e na vida cristã de cada um, apesar das contradições e das críticas que vocês poderiam encontrar em suas vidas, apesar das interrogações que vocês se põem a si mesmos, apesar dos esforços que isso requer”.

Juntos temos mais coragem

A peregrinação, recorda o Papa, será também um modo de encontrar outros jovens que fazem o mesmo serviço. “Convide também alguém que queira participar como você! Sozinhos não somos cristãos: todos juntos – diz – somos mais fortes, temos mais coragem, vamos além do previsto”. Por fim o convite a Roma: “Desde já, rezo por você e por todos os que estão ao seu redor e peço, não esqueçam de rezar por mim. Eu preciso disso, este trabalho não é fácil! Que Nossa Senhora lhes proteja e que Deus abençoe a todos!”.

Radio Vaticano

O diabo existe e por sua inveja pelo Filho de Deus que se fez homem, semeia o ódio no mundo, que provoca morte. Foi o que reiterou o Papa Francisco na homilia da missa matutina desta terça-feira (12/11) na Casa Santa Marta, no Vaticano, dedicada ao trecho do Livro da Sabedoria (Sb 2,23-3,9) proposto pela liturgia na primeira leitura.

O Santo Padre ateve-se o primeiro versículo, no qual o profeta recorda que “Deus nos criou à sua imagem, somos filhos de Deus, mas logo em seguida acrescenta, “mas pela inveja do diabo a morte entrou no mundo”.

A inveja do “anjo soberbo” que não aceita a encarnação

Francisco explicou que “a inveja daquele anjo soberbo que não quis aceitar a encarnação” o levou “a destruir a humanidade”. E assim em nosso coração entrou algo: “o ciúme, a inveja, a concorrência”, frisou o Pontífice, quando, ao invés, “podemos viver como irmãos, todos, em paz”. Assim tem início “a luta e a vontade de destruir”.

O Papa retomou seus “diálogos” com os fiéis: “Mas padre, eu não destruo ninguém”. “Não? E as fofocas que você faz? Quando fala mal de outra pessoa? Você a destrói.” E citou o apóstolo Tiago: “a língua é uma arma feroz, mata”. “A tagarelice mata, a calúnia mata”.

“Mas padre, eu sou batizado, são cristão praticante, como posso me tornar um assassino?” Porque, recordou ainda o Pontífice, “dentro de nós temos a guerra”, desde o início. “Caim e Abel eram irmãos – ressaltou Francisco –, mas o ciúme, a inveja de um destruiu o outro.” É a realidade, basta olhar um telejornal: “as guerras, as destruições, pessoas que por causa das guerras morrem também de enfermidades”.

A tentação: alguém que semeia ódio em nosso coração

Francisco recordou a Alemanha e o aniversário da queda do Muro de Berlim, mas também os nazistas e “as torturas contra todos aqueles que não eram de ‘raça pura’”. E outros horrores das guerras.

Por trás disso há alguém que nos impele a fazer essas coisas. É o que nós chamamos de a tentação. Quando vamos nos confessar, dizemos ao padre: “Padre, tive essa tentação, esta outra, aquela outra…” Alguém que nos toca o coração para fazer-nos trilhar no caminho errado. Alguém que semeia a destruição em nosso coração, que semeia o ódio. E hoje devemos dizer isso claramente, há muitos semeadores de ódio no mundo, que destroem.

O diabo tem inveja da nossa natureza humana

“Muitas vezes – comentou ainda o Papa – penso que as notícias são uma narração de ódio para destruir: atentados, guerras.” É verdade que “muitas crianças morrem de fome, de doenças” porque não têm água, instrução, educação sanitária. “Isso porque o dinheiro que poderia servir para esse fim é utilizado para fabricar as armas e as armas são para destruir.”

Isso é o que acontece no mundo, mas também “na minha alma, na sua, na sua”. Pela “semente de inveja do diabo, do ódio”. “E de que o diabo tem inveja? – perguntou-se Francisco – Da nossa natureza humana.”

E vocês sabem por qual motivo? Porque o Filho de Deus se fez um de nós. Isso ele não pode tolerar, não consegue tolerar.

Políticos que preferem o insulto ao debate salutar e sincero

E então destrói. “Essa é a raiz da inveja do diabo, é a raiz de nossos males, das nossas tentações, é a raiz das guerras, da fome, de todas as calamidades no mundo”, explicou o Papa.

Destruir e semear ódio, prosseguiu Francisco, “não é uma coisa habitual, mesmo na vida política”, mas “alguns o fazem”. Porque um político tem muitas vezes “a tentação de difamar o outro, de destruir o outro”, quer com mentiras, quer com verdades, e assim não faz um debate político salutar e sincero “para o bem do país”.

Prefere o insulto, para “destruir o outro”. “Eu sou capaz, mas este parece mais capaz do que eu?”, pensa, e então “o diminuo, com o insulto”.

Gostaria que hoje cada um de nós pensasse nisto: por que hoje no mundo se semeia tanto ódio? Nas famílias, que por vezes não podem reconciliar-se, no bairro, no lugar de trabalho, na política… O semeador do ódio é isso. Por inveja do diabo a morte entrou no mundo, alguns dizem: mas padre, o diabo não existe, é o mal, um mal assim etéreo… Mas a Palavra de Deus é clara. E o diabo tomou Jesus de mira, leiam o Evangelho: que tenhamos fé ou não, é clara.

Cristo se fez homem para vencer o mal em nossa carne

Peçamos ao Senhor, foi a invocação final do Santo Padre, “que faça crescer em nosso coração a fé em Jesus Cristo, seu Filho”, que assumiu a nossa natureza humana, “para lutar com a nossa carne e vencer na nossa carne” o diabo e o mal. E que essa fé “nos dê a força para não entrar no jogo desse grande invejoso, o grande mentiroso, o semeador de ódio”.

Radio Vaticano

Depois desta peregrinação terrena, o que será da nossa vida? A este quesito existencial o Papa respondeu em sua alocução dominical, ao comentar o Evangelho do 32º Domingo do Tempo Comum.

De quem será esposa?

No trecho de Lucas (cfr Lc 20,27-38), Jesus oferece um ensinamento sobre a ressurreição dos mortos ao responder a uma pergunta insidiosa dos saduceus, que não acreditavam na ressurreição.

A pergunta faz referência a um caso paradoxal: de quem será esposa, na ressurreição, uma mulher que teve sete maridos sucessivos, todos irmãos entre si, os quais um após o outro morreram?

Jesus, porém, não cai na armadilha e replica que os ressuscitados no além “nem eles se casam nem elas se dão em casamento; e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram”.

Com esta resposta, explicou o Papa, antes de tudo Jesus convida os seus interlocutores – e também a nós – a pensar que esta dimensão terrena em que vivemos agora não é a única, mas existe outra, não mais sujeita à morte, em que se manifestará plenamente que somos filhos de Deus.

“ É de grande consolação e esperança ouvir esta palavra simples e clara de Jesus sobre a vida além da morte; é disto de que precisamos no nosso tempo, tão rico de conhecimento sobre o universo, mas tão pobre de sabedoria sobre a vida eterna. ”

O mistério da vida

Por trás da interrogação dos saduceus, prosseguiu Francisco, se esconde outra ainda mais profunda: depois desta peregrinação terrena, o que será da nossa vida?

Jesus responde que a vida pertence a Deus, o qual nos ama a ponto de unir o seu nome ao nosso: é “o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’.Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele” (vv. 37-38).

“ A vida subsiste onde há relação, comunhão, fraternidade; e é uma vida mais forte do que a morte quando é construída sobre relações verdadeiras e laços de fidelidade. ”

Do contrário, acrescentou o Papa, não há vida onde se tem a pretensão de pertencer somente a si mesmos e viver como ilhas: nessas atitudes prevalece a morte. “É o egoísmo. Eu vivo para mim mesmo: estou semeando morte no meu coração.”

“ Que a Virgem Maria nos ajude a viver todos os dias na perspectiva daquilo que afirmamos no Creio: ‘Creio na ressurreição da carne e na vida eterna’. ”

Angelus 10 de novembro de 2019

O Papa Francisco reza a oração mariana do Angelus com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro no 32º Domingo do Tempo Comum.

Publicado por Vatican News em Domingo, 10 de novembro de 2019

Radio Vaticano

Em sua série de audiências, na manhã desta sexta-feira (08/11), o Papa recebeu, no Vaticano, uma delegação do Exército da Salvação, guiada pelo seu superior, General Brian Peddle.

Em sua saudação aos presentes, Francisco aproveitou a oportunidade para renovar, a todos os membros e voluntários do Exército da Salvação, seu apreço pelo testemunho que dão à primazia do discipulado e do serviço aos pobres:

“ Este testemunho os torna um sinal reconhecível e crível de amor evangélico, em obediência ao mandamento do Senhor: ‘Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei. Nisso reconhecerão que sois meus discípulos ”

O Santo Padre recordou aos membros do Exército da Salvação, que sua avó, ao encontrar seus membros, há muitos anos, recebeu sua primeira lição de ecumenismo. Seu exemplo de serviço humilde, aos últimos dos nossos irmãos e irmãs, fala mais alto do que qualquer palavra.

A santidade transcende as fronteiras

A seguir, o Papa recordou também a sábia expressão do General predecessor, que encontrou há cinco anos: “A santidade transcende as fronteiras confessionais”. A santidade, que se manifesta em ações concretas de bondade, solidariedade e de cura, fala ao coração e confirma a autenticidade do nosso discipulado. Assim, católicos e membros do Exército da Salvação podem ajudar-se, mutuamente, e colaborar sempre mais com respeito recíproco. E acrescentou:

“ O amor gratuito, que inspira gestos de serviço aos necessitados, atrai e convence. Os jovens, em particular, precisam sentir este exemplo, porque, em muitos casos, falta na sua experiência diária. Em um mundo, onde abundam o egoísmo e as divisões, o gosto nobre do amor incondicional serve como antídoto e abre o caminho para o significado transcendente da nossa existência ”

Como Bispo de Roma, o Papa Francisco agradeceu ao Exército da Salvação pelo serviço que presta, na Cidade Eterna, aos sem-teto e às pessoas marginalizadas. Expressou-lhes ainda seu apreço pela sua luta contra o tráfico de pessoas e outras formas atuais de escravidão. Deus abençoe seu compromisso!

Ao término do encontro com os membros do Exército da Salvação, o Santo Padre os exortou a continuar a colaborar para a difusão do amor de Deus através das obras de serviço e de solidariedade.

Radio Vaticano

Na manhã desta quinta-feira (07) o Papa Francisco recebeu os participantes do Encontro do Secretariado de Justiça Social e Ecologia, da Companhia de Jesus, reunidos em Roma por ocasião dos 50 anos de fundação. A obra foi fundada pelo Padre Arrupe que na época, “teve a intenção de fortalecer a Companhia a partir das suas origens, a serviço dos pobres”.

Francisco iniciou seu discurso recordando as origens dos jesuítas segundo a Fórmula do Instituto de 1550, segundo a qual “os jesuítas se dedicariam à defesa e a propagação da fé e à salvação das almas na vida e doutrina cristã”, assim como “encontrar os desventurados, socorrer misericordiosamente e ajudar os que estão nos cárceres e nos hospitais, e praticar todas as obras de caridade”. “Estas palavras – observa Francisco – não eram uma declaração de intenções, mas um modo de vida que já tinham provado, que lhes dava consolo por isso sentiam-se enviados pelo Senhor”.

“ Padre Arrupe sempre acreditou que o serviço à fé e à promoção da justiça não poderiam se separar, porque estão radicalmente unidos. E o que até então tinha sido uma virtude de alguns jesuítas, deveria se converter em uma preocupação de todos ”

Nos pobres, encontro com Cristo

O Papa recordou aos presentes que “nos pobres, vocês encontram um lugar privilegiado de encontro com Cristo. E isso é uma precioso presente na vida dos seguidores de Jesus: receber o dom de se encontrar com Ele entre as vítimas e os miseráveis” e que o encontro com Cristo entre os seus favoritos fortalece nossa fé”.

Em seguida o Pontífice falou sobre a situação no mundo de hoje com as injustiças e dores dos homens, recordando que “subsiste o tráfico de pessoas, aumentam episódios de xenofobia e a busca egoísta do interesse nacional, a desigualdade entre os países e também dentro dos mesmos aumentam sem que se encontrem soluções”. Também recordou que

“ Nunca maltratamos e ferimos a nossa casa comum como nos últimos dois séculos, e não surpreende que os efeitos mais graves de todas as agressões ambientais recaem sobre as pessoas mais pobres ”

Portanto para seguir Jesus implica em uma série de tarefas: “Começa pelo acompanhamento dos pobres, contemplar neles o rosto de Nosso Senhor crucificado. Continua com a atenção às necessidades humanas que surgem, muitas vezes inumeráveis, inabordáveis na sua totalidade”, devemos descobrir as melhores respostas que possam gerar a criatividade apostólica e os objetivos que o padre Arrupe tanto desejava.

Para estar ao lado dos últimos, das vítimas do descarte, devemos dar atenção às suas necessidades, que algumas vezes são inúmeras.

“ Precisamos de uma verdadeira ‘revolução cultural’ uma transformação da nossa visão coletiva, das nossas atitudes, do nosso modo de perceber a nós mesmos e de nos situarmos no mundo ”

O Papa incentiva os presentes: “Continuem com este empenho criativo, necessitado sempre de revolução em uma sociedade com mudanças tão aceleradas. Ajudem a Igreja no discernimento que hoje também temos que fazer sobre os nossos apostolados. Não deixem de colaborar entre vocês e com outras organizações eclesiais e civis para sempre ter uma palavra de defesa pelos mais desfavorecidos neste mundo cada vez mais globalizado. Globalizado de modo incorreto, diz o Papa, onde se perde a identidade própria de cada um. Onde todos são iguais”.

Abrir caminhos à esperança

Ao recordar da necessidade de defender os mais fracos o Papa adverte: “Nas fronteiras da exclusão corremos o risco de desesperar, se contarmos unicamente com lógica humana. Muitas vezes as vítimas deste mundo não se deixam levar pela tentação de desistir, porque ainda confiam e mantêm a esperança”.

“Todos somos testemunhas de que os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos podem fazer muito… Quando os pobres se organizam, se convertem em autênticos ‘poetas sociais’: criadores de trabalho, construtores de casas, produtores de alimentos, sobretudo para os descartados pelo mercado global”.

Apostolado social

“O apostolado social deve resolver os problemas, sim, mas sobreturo deve promover processos e encorajar esperanças, processos que ajudem as pessoas a crescer, que os levem a ser conscientes dos seus próprios direitos, das suas capacidades de criar o próprio futuro” recordou e por fim lança uma mensagem forte aos presentes:

“ Criem futuro, criem possibilidades, gerem alternativas, ajudem a pensar e atuar de modo diverso. Cuidem de sua relação diária com o Cristo ressuscitado e glorioso e sejam operários da caridade e semeadores de esperança ”

Conclui citando a Laudato si’: “Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança”.

Radio Vaticano

Quarta-feira é dia de Audiência Geral no Vaticano e o Papa Francisco se reuniu com milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro não obstante o mau tempo.

Em sua catequese, o Pontífice deu prosseguimento à sua “viagem” com o livro dos Atos dos Apóstolos, comentando o capítulo 17: “Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio”.

Olhos de fé

Este trecho narra a chegada de Paulo ao coração da Grécia: Atenas. Ali, o Apóstolo tem um impacto com o paganismo, mas ao invés de fugir, busca uma ponte para dialogar com aquela cultura, reunindo-se com as pessoas mais significativas.

“Paulo não olha a cidade de Atenas e o mundo pagão com hostilidade, mas com os olhos da fé”, explicou Francisco.

E isso nos faz interrogar sobre o nosso modo de olhar as nossas cidades: “Nós as observamos com indiferença? Com desprezo? Ou com a fé que reconhece os filhos de Deus em meio às multidões anônimas?”, questionou o Papa.

Abrir uma brecha

Paulo escolhe o olhar que o leva a abrir uma brecha entre o Evangelho e o mundo pagão. No coração de uma das instituições mais célebres do mundo antigo, o Areópago, ele realiza um extraordinário exemplo de inculturação da mensagem da fé: anuncia Jesus Cristo aos adoradores de ídolos, e não o faz agredindo, mas fazendo ponte, “pontífice”.

Em seu discurso, o Apóstolo se inspira no altar da cidade, dedicado a um “deus desconhecido”, para então anunciar Aquele que os homens ignoram, e todavia conhecem-No: o Ignorado-Conhecido, disse o Papa, citando uma expressão de Bento XVI E convida todos a irem além dos templos da ignorância e a optarem pela conversão em vista do juízo iminente. Paulo chega assim ao kerygma e faz alusão a Cristo, sem citá-lo.

Construir pontes

A este ponto, a pregação do Apóstolo encontra um desafio: a morte e a ressurreição de Cristo é interpretada como tolice e suscita zombaria e escárnio. Paulo se afasta e a sua tentativa está prestes a falir quando alguns aderem à sua palavra e se abrem à fé.

“ Peçamos também nós hoje ao Espírito Santo, concluiu Francisco, que nos ensine a construir pontes com a cultura, com quem não crê ou com quem tem um credo diferente do nosso. Sempre construir pontes, com a mão estendida, nada de agressão. Peçamos a capacidade de inculturar com delicadeza a mensagem da fé, depositando sobre quem não conhece Cristo um olhar contemplativo, movido por um amor que aquece os corações mais endurecidos. ”

Radio Vaticano

O Papa Francisco celebrou a missa na manhã desta terça-feira (05/11) na capela da Casa Santa Marta.

O Pontífice comentou o Evangelho de hoje, em que o evangelista Lucas narra o desejo de um homem de dar uma grande festa, mas os convidados, com várias desculpas, não aceitam o seu convite. Então manda os servos a convidar os pobres e os aleijados para encherem a casa e saborearem o banquete.

Para Francisco, esta narração pode ser um resumo da história da salvação e também a descrição de inúmeros cristãos. Ele explica que “o jantar, a festa, é imagem do céu, da eternidade com o Senhor”. Em uma festa, afirmou, não se sabe quem estará lá, se conhecem pessoas novas, se encontram também pessoas que não gostaria de encontrar, mas o clima da festa é a alegria e a gratuidade. Porque uma verdadeira festa deve ser gratuita, disse o Papa. “E o nosso Deus nos convida sempre, não nos faz pagar o ingresso. Nas verdadeiras festas, não se paga a entrada: paga o dono, quem convida”.

Mas existem pessoas que, mesmo diante da gratuidade, colocam seus interesses em primeiro lugar:

Diante daquela gratuidade, daquela universalidade da festa, há aquela atitude que fecha o coração: “Eu não vou. Prefiro ficar sozinho, com as pessoas de quem eu gosto, fechado”. E isto é o pecado; o pecado do povo de Israel, o pecado de todos nós. O fechamento. “Não, para mim é mais importante isto do que aquilo. Não, o meu”. Sempre o meu.

Esta rejeição, prosseguiu Francisco, é também desprezo por quem convida, é dizer ao Senhor: “Não me perturbe com a tua festa”. É fechar-se “àquilo que o Senhor nos oferece: a alegria do encontro com Ele”.

E no caminho da vida, muitas vezes estaremos diante desta escolha, desta opção: ou a gratuidade do Senhor, estar com Ele, se encontrar com o Senhor ou fechar-me nas minhas coisas, no meu interesse. Por isso, o Senhor, falando de um dos fechamentos, dizia que é muito difícil que um rico entre no reino dos céus. Mas existem ricos bons, santos, que não são apegados à riqueza. Mas a maioria é apegada à riqueza, fechados. E por isso não podem entender o que é a festa. Mas têm a certeza das coisas que podem tocar.

A reação do Senhor diante da nossa recusa é decisiva: Ele quer que todas as pessoas sejam chamadas à festa, conduzidas, mesmo forçadas, más e boas. “Todos estão convidados. Todos, ninguém pode dizer: “Eu sou mau, não posso…”. Não. O Senhor, porque você é mau, “espero especialmente você”.

O Papa recordou a atitude do pai com o filho pródigo que retorna a casa: o filho tinha começado um discurso, mas ele não o deixa falar e o abraça. “O Senhor – disse – é assim. É a gratuidade”. Referindo-se então à Primeira Leitura, onde o apóstolo Paulo adverte contra a hipocrisia, o Papa Francisco afirmou que diante dos judeus que recusavam Jesus porque se acreditavam justos, o Senhor disse: “Mas eu vos digo que as prostitutas e os publicanos vos precederão no reino dos céus”. O Senhor, continua o Papa, ama os mais desprezados, mas nos chama. Mas quando nos fechamos, ele se afasta e se irrita, como diz o Evangelho que acabamos de ler. E concluiu:

Pensemos nesta parábola que o Senhor nos dá hoje. Como vai a nossa vida? O que eu prefiro? Aceitar sempre o convite do Senhor ou fechar-me em minhas próprias coisas, em minhas pequenezas? Peçamos ao Senhor a graça de aceitar sempre ir à Sua festa, que é gratuita.

Radio Vaticano

“A alegria do Evangelho enche o coração e a vida daqueles que se encontram com Jesus”. Assim inicia a Exortação Apostólica Evangelii gaudium, publicada pelo Papa em novembro de 2013, oito meses depois do Conclave que o elegera Bispo de Roma e Sucessor de Pedro. O programático texto do pontificado convidava todos a re-sintonizar cada ato, reflexão e iniciativa eclesial “sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual”. Quase seis anos depois, o Pontífice anunciou o Mês Missionário Extraordinário, para outubro de 2019, concluído poucos dias atrás, e a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos dedicada à Região Amazônica, com o objetivo de sugerir novos caminhos de anúncio do Evangelho no “pulmão verde”, martirizado pelo sofrimento predatório que violenta e causa ferimentos “aos nossos irmãos e à nossa irmã terra” (Homilia do Santo Padre na missa de conclusão do Sínodo para a Região Pan-Amazônica).

Durante este tempo, o Papa Francisco no seu magistério, disseminou insistentes referências à natureza própria da missão da Igreja no mundo. Por exemplo, o Pontífice repetiu várias vezes que anunciar o Evangelho não é “proselitismo”, que a Igreja cresce “por atração” e por “testemunhos”. Uma série de expressões, todas elas orientadas a sugerir por menções qual é o dinamismo para cada obra apostólica, e qual pode ser a sua fonte.

Sobre isso e muitas outras coisas, o Papa Francisco fala no seu livro-entrevista intitulado “Sem Ele não podemos fazer nada. Uma conversa sobre o ser missionário no mundo de hoje”. A Agência Fides nos atencipa alguns trechos do livro.

O senhor contou que quando era jovem queria ser missionário no Japão. Pode-se dizer que o Papa é um missionário não completo?

Não sei. Entrei na ordem dos jesuítas porque me impressionava a vocação missionária da mesma, e o fato de sempre procurarem novas fronteiras. Na época não pude ir ao Japão. Mas sempre senti que anunciar Jesus e o seu Evangelho quer dizer sair e coloca-se a caminho.

O senhor repete sempre: “Igreja em saída”. A expressão é relançada com frequência e às vezes parece ter se tornado um slogan abusado, a disposição dos que, cada vez mais numerosos, passam o tempo a dar lições à Igreja sobre como deveria ser ou não ser.

“Igreja em saída” não é uma expressão de moda que eu inventei. É um mandamento de Jesus, que no Evangelho de Marcos pede aos seus discípulos para irem pelo mundo inteiro e anunciarem o Evangelho “a toda criatura”. A Igreja ou é em saída ou não é Igreja. Ou é em anúncio ou não é Igreja. Se a Igreja não sai se corrompe, perde sua natureza . Torna-se outra coisa.

Uma Igreja que não anuncia e que não sai, o que se torna?

Torna-se uma associação espiritual. Uma multinacional para lançar iniciativas e mensagens de conteúdo ético-religioso. Nada de mal, mas não é a Igreja. Este é um risco de qualquer organização estática dentro da Igreja. Termina-se por domesticar Cristo. Não se da mais testemunho da ação de Cristo, mas fala-se de uma certa ideia de Cristo. Uma ideia possuída e adomesticada por você mesmo. Você organiza as coisas, torna-se um pequeno empresário da vida eclesial, onde tudo acontece segundo o programa pré-estabelecido, isto, é, seguindo apenas as instruções. Mas o encontro com Cristo não se repete mais. Não se repete o encontro que tinha tocado seu coração no início.

A missão é por si antídoto a tudo isso? É suficiente a vontade e o esforço de “sair” em missão para evitar essas distorções?

A missão, a “Igreja em saída” não são um programa, uma intenção para a ser realizada por boa vontade. É Cristo que faz a Igreja sair de si mesma. Na missão de anunciar o Evangelho, você see move porque o Espírito Santo empurra você, e o leva. E quando você chega, da-se conta de que Ele chegou antes e está esperando você. O Espírito do Senhor chegou antes. Ele previne, também para preparar o seu caminho e já está em ação.

Em um encontro com as Pontifícias Obras Missionárias, o senhor sugeriu-lhes ler os Atos dos Apóstolos, como texto habitual de oração . A narração dos primeiros tempos, e não um manual de estratégia missionária moderna. Por que?

O protagonista dos Atos dos Apóstolos não são os apóstolos. O protagonista é o Espírito Santo. Os Apóstolos são os primeiros que o reconhecem e o confirmam. Quando comunicam aos irmãos de Antioquia as indicações estabelecidas pelo Concílio de Jerusalém, escrevem: “Decidimos, o Espírito Santo e nós”. Eles reconheciam com realismo o fato de que era o Senhor que adicionava todos dias à comunidade “os que estavam salvos”, e não os esforços de persuasão dos homens.

E agora é como naquela época? Não mudou nada?

A experiência dos Apóstolos é como um paradigma que vale para sempre. Basta pensar como os fatos nos Atos dos Apóstolos acontecem gratuitamente, sem artifícios. É um caso, uma história de homens na qual os discípulos chegam sempre depois do Espírito Santo que age por primeiro. Ele prepara e trabalha os corações. Abala seus planos. É ele que os acompanha, os guia, os consola dentro de todas as circunstâncias que devem viver. Quando chegam os problemas e as perseguições, o Espírito Santo trabalha ali também, de maneira ainda mais surpreendente, com o seu conforto, o seu consolo. Como acontece depois do primeiro martírio, o de Santo Estêvão.

O que ocorre?

Inicia um tempo de perseguição, e muitos discípulos fogem de Jerusalém, vão para a Judeia e Samaria. E ali, enquanto estão espalhados e fugitivos, começam a anunciar o Evangelho, mesmo se estão sozinhos e sem os Apóstolos, que ficaram em Jerusalém. São batizados, e o Espírito Santo lhes dá a coragem apostólica. Ali se vê pela primeira vez que o batismo é suficiente para se tornar anunciadores do Evangelho. A missão é o que aconteceu ali. A missão é obra Sua. É inútil se agitar. Não precisamos nos organizar, não precisamos gritar. Não servem descobertas ou estratégias. Precisa apenas pedir que se faça novamente em nós a experiência para que possamos dizer: “decidimos, o Espírito Santo e nós”.

E se não houver esta experiência, qual é o sentido das chamadas à mobilização missionária?

Sem o Espírito, a missão torna-se outra coisa. Torna-se, diria, um projeto de conquista, pretensão de uma conquista feita por nós. Uma conquista religiosa, ou talvez ideológica, talvez feita com boas intenções. Mas é uma outra coisa.

Citando Bento XVI, o senhor repete com frequência que a Igreja cresce por atração. O quer dizer isso? Quem atrai? Quem é atraído?

São palavras de Jesus no Evangelho de João. “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim”. E no mesmo Evangelho, diz ainda “Ninguém vem a mim, se não for atraído pelo Pai que me mandou”. A Igreja sempre reconheceu que esta é a forma de todo o lema que aproxima a Jesus e ao Evangelho. Não uma convicção, um raciocínio, uma tomada de consciência. Não uma pressão, ou uma constrição. Trata-se sempre de uma atração. O profeta Jeremias já dizia: “Tu me seduziste e eu me deixei seduzir”. E isso também vale para os apóstolos, para os missionários e pela sua obra.

Como ocorre o que o senhor descreveu acima?

O mandato do Senhor de sair e anunciar o Evangelho, vem de dentro, por paixão, por atração amorosa. Não se segue Jesus e muito menos se torna anunciadores d’Ele e do seu Evangelho por uma decisão prática, por uma militância autoinduzida. O próprio impulso missionário só pode ser fecundo se acontece dentro desta atração e que se transmite aos outros.

Qual é o significado destas palavras com relação à missão e ao anúncio do Evangelho?

Quer dizer que se é Cristo que atrai você, se você se move e faz as coisas é porque é atraído por Cristo, as pessoas então irão se dar conta disso sem esforço. Não há necessidade de demonstrá-lo, e muito menos ostentá-lo. Ao contrário, quem pensa em ser protagonista ou empresário da missão, com todos os seus bons propósitos e as suas declarações de intenção muitas vezes termina por não atrair ninguém.

Na sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium, o senhor reconhece que tudo isso pode “causar-nos uma certa vertigem”. Como aqueles que mergulham em um mar onde não sabem o que encontrarão. O que o senhor queria sugerir com esta imagem? Essas palavras referem-se também à missão?

A missão não é um projeto empresarial bem organizado. Nem mesmo um espetáculo organizado para saber quantas pessoas participam graças às nossas propagandas. O Espírito Santo age como quer, quando e onde quiser. E isso pode causar uma certa vertigem. Mesmo assim o cume da liberdade repousa justamente neste deixar-se levar pelo Espírito, renunciado a calcular e controlar tudo. E justamente nisso imitamos o próprio Cristo, que no mistério da sua Ressurreição aprendeu a repousar na ternura dos braços do Pai. A misteriosa fecundidade da missão não consiste nas nossas intenções, nos nossos métodos, nos nossos lançamentos e iniciativas, mas repousa justamente nessa vertigem: a vertigem que se adverte diante das palavras de Jesus, quando diz “sem mim nada podeis fazer”.

O senhor repete muitas vezes também que a Igreja cresce “por testemunho”. Qual é a sugestão para esta insistência?

O fato que a atração se faz testemunho em nós. A testemunha comprova o que a obra de Cristo e do seu Espírito realizaram na sua vida. Depois da Ressurreição, é o próprio Cristo que nos torna visível aos apóstolos. É ele a sua testemunha. Também o testemunho não é um desempenho próprio, só se pode ser testemunha das obras do Senhor.

Outra coisa que o senhor repete com frequência, neste caso em chave negativa: a Igreja não cresce por proselitismo e a missão da Igreja não é fazer proselitismo. Por que tanta insistência? É para manter as boas relações com as outras Igrejas e o diálogo com as tradições religiosas?

O problema do proselitismo não é apenas o fato que contradiz o caminho ecumênico e o diálogo inter-religioso. Há proselitismo em todos os lugares, há a ideia de fazer com que a Igreja cresça deixando de lado a atração de Cristo e da obra do Espírito, apostando tudo nos chamados “discursos sábios”. Portanto, como primeira coisa, o proselitismo tira o próprio Cristo e o Espírito Santo da missão, mesmo quando pretende agir em nome de Cristo, de maneira nominalista. O proselitismo é sempre violento pela sua natureza, mesmo quando é dissimulado ou feito “com luvas de pelica”. Não suporta a liberdade e a gratuidade com a qual a fé pode se transmitir, pela graça, de pessoa a pessoa. Por isso o proselitismo não é apenas o do passado, dos tempos do antigo colonialismo, ou das conversões forçadas ou compradas com a promessa de vantagens materiais. Hoje também pode haver proselitismo, nas paróquias, nas comunidades, nos movimentos, nas congregações religiosas.

Então, o que quer dizer anunciar o Evangelho?

O anúncio do Evangelho que dizer entregar com palavras sóbrias e claras o próprio testemunho de Cristo como fizeram os apóstolos. Mas não é necessário discursos persuasivos. O anúncio do Evangelho pode ser também sussurrado, mas passa sempre pela força arrebatadora do escândalo da cruz. E desde sempre segue o caminho indicado na Carta de São Pedro Apóstolo, que consiste no simples “dar razão” aos outros da própria esperança. Uma esperança que permanece escândalo e tolice aos olhos do mundo.

Do que se trata o “missionar” cristão?

Uma característica distintiva é a de ser facilitadores e não controladores da fé. Facilitar, tornar fácil, não pôr obstáculos ao desejo de Jesus de abraçar todos, de curar todos, de salvar todos. Não fazer seleções, não criar “triagens pastorais”. Não fazer parte dos que se colocam à porta para controlar se todos têm requisitos para entrar. Recordo os párocos e as comunidades que em Buenos Aires tinham colocado em campo várias iniciativas para facilitar o acesso ao batismo. Deram-se conta que nos últimos anos estava aumentando o número dos que não eram batizados por vários motivos, mesmo sociológicos, e queriam recordar a todos que ser batizados é uma coisa simples, que todos podem pedir para si e para seus próprios filhos. O caminho que os párocos e aquelas comunidades tomaram era um só: não complicar, não pretender nada, eliminar todas as dificuldades de caráter cultural, psicológico ou prático que poderia levar as pessoas a adiar ou perder a intenção de batizar seus próprios filhos.

Na América, no início da evangelização, os missionários discutiam sobre quem seria “digno” de receber o batismo. Como se concluíram aquelas discussões?

Papa Paulo III recusou as teorias dos que sustentavam que os índios eram por natureza “incapazes” de acolher o Evangelho e confirmou a escolha dos que facilitavam o seu batismo. Parecem coisas passadas, mas ainda hoje há círculos e setores que se apresentam como “ilustrados”, iluminados, e sequestram também o anúncio do Evangelho nas suas lógicas distorcidas que dividem o mundo entre “civilização” e “barbárie”. A ideia que o Senhor tenha entre seus preferidos muitas “cabecitas negras” os irrita, deixa-os de mau humor. Eles consideram boa parte da família humana como se fosse uma entidade de classe inferior, inadequada a alcançar, segundo seus padrões, níveis decentes de vida espiritual e intelectual. Nesta base pode-se desenvolver um desprezo pelos povos considerados de segundo nível. Esse tema surgiu também por ocasião do Sínodo dos Bispos para a Amazônia.

Hoje existe a tendência de colocar em alternativa dialética o anúncio claro da fé e as obras sociais. Dizem que não precisa reduzir a missão para sustentar as obras sociais. É uma preocupação legítima?

Tudo o que está dentro do horizonte das Bem-Aventuranças e das obras de misericórdia estão de acordo com a missão, já é anúncio, já é missão. A Igreja não é uma ONG, a Igreja é uma outra coisa. Mas a Igreja é também um hospital de campo, onde se acolhe todos, assim como são, cuidando das feridas de todos. E isso faz parte da sua missão. Tudo depende do amor que move o coração dos que atuam. Se um missionário ajuda a escavar um poço em Moçambique, porque se deu conta que é fundamental para os que ele batizou e aos quais prega o Evangelho, como se pode dizer que a obra é separada do anúncio?

Atualmente, quais são as novas atenções e sensibilidades a serem exercidas nos processos destinados a tornar fecundo o anúncio do Evangelho, nos vários contextos sociais e culturais?

O cristianismo não dispõe de um único modelo cultural. Como reconheceu João Paulo II, “permanecendo plenamente si mesmo, na total fidelidade ao anúncio evangélico e à tradição eclesial, o cristianismo carregará também o rosto das várias culturas e dos vários povos nos quais foi acolhido e enraizado”. O Espírito Santo embeleza a Igreja, com as expressões novas das pessoas e das comunidades que abraçam o Evangelho. Assim a Igreja, assumindo os valores das várias culturas, torna-se “sponsa ornata monilibus suis”, “a esposa que se enfeita com suas jóias”, da qual fala o profeta Isaías. É verdade que algumas culturas foram estreitamente ligadas à pregação do Evangelho e ao desenvolvimento de um pensamento cristão. Mas nos nossos dias, torna-se ainda mais urgente considerar que a mensagem revelada não se identifica com nenhuma cultura. E no encontro com novas culturas ou com culturas que não acolheram a pregação cristã, não se deve tentar impor uma determinada forma cultural junto com a proposta evangélica. Hoje, também na obra missionária convém mais do que nunca, não carregar bagagem pesada.

Missão e martírio. O senhor recordou várias vezes o íntimo vínculo que une estas duas experiências.

Na vida cristã a experiência do martírio e a proclamação do Evangelho a todos têm a mesma origem, a mesma fonte, quando o amor de Deus derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo doa força, coragem e consolação. O martírio é a máxima expressão do reconhecimento e do testemunho feito a Cristo, que representam o cumprimento da missão, da obra apostólica. Penso sempre nos irmãos coptas trucidados na Líbia, que pronunciavam em voz baixa o nome de Jesus enquanto eram degolados. Penso nas Irmãs de Santa Madre Teresa mortas no Iêmen, enquanto cuidavam dos pacientes muçulmanos de uma casa de idosos com deficiências. Quando foram mortas, estavam com o avental de trabalho sobre o hábito religioso. São todos vencedores, não “vítimas”. E seu martírio, até o derramamento de sangue, ilumina o martírio que todos podem sofrer na vida todos os dias, com o testemunho dado a Cristo todos os dias. Isso pode-se ver quando se vai visitar os asilos de missionários idosos, muitas vezes debilitados pela vida que levaram. Um missionário me disse que muitos deles perdem a memória e não recordam mais nada do bem que fizeram. “Mas não tem importância”, me disse “porque disso o Senhor se recorda muito bem”.

Radio Vaticano

O Papa Francisco presidiu na manhã desta segunda-feira (04/11), na Basílica Vaticana, a missa em sufrágio dos cardeais e bispos que morreram no decorrer do último ano.

Do Brasil, recordamos o Cardeal Serafim Fernandes de Araújo, que morreu no dia 8 de outubro. Dom Antônio Possamai, bispo emérito de Ji-Paraná; Dom Friedrich Heimler, bispo emérito de Cruz Alta; Dom Francisco de Paula Victor; que foi auxiliar de Brasília; Dom José Belvino do Nascimento, bispo emérito de Divinópolis; Dom Silvestre Luís Scandian, arcebispo emérito de Vitória; Dom Urbano José Allgayer, bispo emérito de Passo Fundo; Dom Diogo Reesink, bispo emérito de Teófilo Otoni; Dom Moacyr Grechi, arcebispo emérito de Porto Velho; Dom Walmir Alberto Valle, bispo emérito de Joaçaba; Dom Franco Cuter, bispo emérito de Grajaú; Dom Elias James Manning, bispo emérito de Valença; Dom Ercílio Turco, bispo emérito de Osasco.

Vinde a mim

Em sua homilia, o Papa comentou as leituras extraídas do Livro dos Macabeus, da carta de São Paulo aos Filipenses e do Evangelho de João – leituras que recordam que viemos ao mundo para ressurgir: não nascemos para a morte, mas para a ressurreição. Francisco então propôs uma pergunta: que me sugere o pensamento da ressurreição? Como respondo ao meu chamado para ressurgir?

Uma ajuda vem de Jesus, que no Evangelho afirma “vem a mim”.

“Ir até Jesus para se vacinar contra a morte, contra o medo de que tudo acabe”, disse o Papa, acrescentando que não se trata de uma exortação espiritual genérica se nos perguntarmos realmente como Jesus está presente nas nossas ações cotidianas.

Vivo indo em direção ao Senhor ou girando em torno de mim mesmo? Qual é a direção do meu caminhar?

Jesus é veemente: “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.

“ Para quem crê, não existem subterfúgios: não se pode ser de Jesus e girar em torno de si mesmo. Quem é de Jesus vive em saída em direção a Ele. ”

Sair de nós mesmos

A vida é toda em saída, prosseguiu o Papa. Do ventre da mãe para vir à luz, da infância para a adolescência, da adolescência para a vida adulta e assim por diante até a saída deste mundo.

Para Francisco, existe todavia uma saída que é a mais importante e a mais difícil: a saída de nós mesmos.

“Somente saindo de nós mesmos abrimos a porta que conduz ao Senhor. Peçamos esta graça: ‘Senhor, desejo vir a Ti através das estradas e dos companheiros de viagem de todos os dias. Ajuda-me a sair de mim mesmo para ir ao Teu encontro, que és a vida’.”

Ponte entre o céu e a terra

O Pontífice comentou ainda o trecho de Macabeus, em que se afirma que uma belíssima recompensa aguarda os que morrem piedosamente. São os sentimentos de piedade que geram magníficas recompensas, explicou o Papa. Servir os necessitados é a antecâmara para o paraíso, é a ponte que liga o céu e a terra.

Podemos então nos perguntar se estamos avançando sobre esta ponte, se me deixo comover, se choro por quem sofre, se rezo por aqueles que ninguém pensa, se ajudo alguém que não pode me retribuir.

“ Não é moralismo, caridade mesquinha; são perguntas de vida, questões de ressurreição. ”

Diante de Deus

Por fim, Francisco citou uma passagem dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, que sugere se imaginar no dia do juízo antes de tomar uma decisão importante. Toda escolha de vida enfrentada nesta perspectiva é bem orientada, porque mais próxima à ressurreição, que é o sentido e a finalidade da vida.

Assim como a partida se calcula na chegada, a semeadura na colheita, a vida se julga a partir do seu fim.

“ Pode ser um exercício útil para ver a realidades com os olhos do Senhor e não com os nossos; para ter um olhar projetado no futuro, na ressurreição; e não somente no hoje que passa; para realizar escolhas que tenham o sabor da eternidade, o gosto do amor. ”

Entre as muitas vozes do mundo que fazem perder o sentido da existência, concluiu o Papa, “sintonizemo-nos na vontade de Jesus, ressuscitado e vivo: faremos do hoje que vivemos um alvorecer de ressurreição”.

Radio Vaticano

Perseguir com “constância e profissionalidade” soluções que levem a um “progresso civil e cultural para as pessoas e para a humanidade” marcado pela “solidariedade”. Esta foi a mensagem do Papa Francisco aos participantes do Simpósio da Federação Internacional das Universidades Católicas , sobre o tema “Novas fronteiras para os líderes das universidades. O futuro da saúde e o ecossistema da universidade”.

Respostas adequadas

Ao recebê-los no Vaticano, o Pontífice recorda os “desafios inéditos” para as universidades que hoje provêm “do desenvolvimento das ciências, da evolução das novas tecnologias e das exigências da sociedade que pedem às instituições acadêmicas respostas adequadas e atualizadas”.

“ A forte pressão, percebida nos vários âmbitos da vida sócio-econômica, política e cultural, intepela a própria vocação da universidade, em particular a tarefa dos professores de ensinar, de fazer pesquisa e de preparar as jovens gerações a se tornarem não apenas qualificados profissionais nas várias disciplinas, mas também protagonistas do bem comum, líderes criativos e responsáveis da vida social e civil com uma correta visão do homem e do mundo. Neste sentido, hoje as universidades devem se interrogar sobre a contribuição que podem e devem dar para a saúde integral do homem e para uma ecologia solidária ”

Projetos solidários

As universidades católicas, observa Francisco, deveriam dar “com maior acuidade” estas exigências, estudando “problemáticas antigas e novas” na sua especificidade e rapidez, “mas sempre dentro de uma ótica pessoal e global”.

“ O trabalho interdisciplinar, a cooperação internacional e o compartilhamento dos recursos são elementos importantes para que a universalidade se traduza em projetos solidários e frutuosos em favor do homem, de todos os homens e também do contexto onde crescem e vivem ”

As três linguagens

O Papa nota o quanto o desenvolvimento das tecnociências esteja destinado a influenciar “de modo cada vez maior” na saúde física e psicológica das pessoas: todo ensinamento, sublinha, implica também em uma interrogação sobre os “porquês”, com uma reflexão “sobre os fundamentos e sobre os fins de cada disciplina”.

“ Uma educação reduzida a uma mera instrução técnica ou a mera informação torna-se uma alienação da educação, considerar que se pode transmitir conhecimento subtraindo-o da sua dimensão ética, seria como renunciar a educar ”

É necessário superar a herança do iluminismo, educar de modo geral, mas antes de tudo, a universidade não é somente encher a cabeça de conceitos. É preciso três linguagens. É necessário que as três linguagens entrem em jogo: a linguagem da mente, a linguagem do coração e a linguagem da mão, para que assim se pense em harmonia com o que se sente, se faz; se sinta em harmonia com o que se pensa e se faz; se faça em harmonia com o que se sente e se pensa. Uma harmonia geral, não extraída da totalidade”.

Uma nova episteme

Portanto Francisco evidencia uma ideia de educação concebida como “um processo teológico”, orientado a um fim e, portanto para uma exata visão do homem, ao qual une também um “caráter tipicamente epistemológico” que refere-se universalmente a todo os saberes: humanistas, naturalistas, científicos e tecnológicos.

“A ligação entre conhecimento e finalidade leva ao tema da internacionalidade e ao papel do sujeito em todo processo cognitivo. Assim chegamos a uma nova episteme. A epistemologia tradicional tinha sublinhado este papel considerando o caráter impessoal de todo conhecimento como condição de objetividade, requisito essencial da universalidade e da comunicabilidde do saber. Hoje, ao invés, numerosos autores colocam em evidência como não existam experiências totalmente impessoais: a forma mentis, as convicções normativas, as categorias, a criatividade, as experiências existenciais do sujeito representam uma ‘dimensão tácita’ do conhecimento, mas sempre presente, um fator indispensável para a aceitação do progresso científico. Não podemos pensar em uma nova episteme de laboratório, não dá; da vida, sim”.

Radio Vaticano

Que o Espírito Santo nos faça compreender “o amor de Cristo por nós” e prepare os nossos corações para “nos deixarmos amar” pelo Senhor. Esta é a recomendação do Papa Francisco na Missa da manhã desta quinta-feira, na Casa Santa Marta, detendo-se na primeira leitura de hoje, tirada da Carta de São Paulo aos Romanos. Na sua homilia, o Pontífice explica como o Apóstolo dos gentios poderia até parecer “um pouco orgulhoso”, “demasiado confiante” ao afirmar que nem “a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada” conseguirão separar-nos “do amor de Cristo”.

O amor de uma mãe

No entanto, o Papa afirma, lendo São Paulo, “somos mais do que vencedores” com o amor do Senhor. São Paulo foi um deles porque, explica Francisco, desde o momento em que “o Senhor o chamou na estrada de Damasco, começou a compreender o mistério de Cristo”: “tinha-se apaixonado por Cristo”, tomado – observa o Papa – de “um amor forte”, “grande”, não uma “trama” de “telenovela”. Um amor “sincero”, a ponto de “sentir que o Senhor sempre o acompanhava em coisas belas e feias”.

“Ele sentia isto com amor. E eu me pergunto: eu amo o Senhor assim? Quando chegam os maus momentos, quantas vezes se sente o desejo de dizer: “O Senhor abandonou-me, já não me ama mais” e gostaria de deixar o Senhor. Mas Paulo estava certo de que o Senhor nunca abandona. Compreendera o amor de Cristo em sua própria vida. Este é o caminho que Paulo nos mostra: o caminho do amor, sempre, no bom e no mau, sempre e avante. Esta é a grandeza de Paulo”.

Dar a vida pelo outro

O amor de Cristo, acrescenta o Pontífice, “não se pode descrever”, é algo muito grande.

Foi Ele quem foi enviado pelo Pai para nos salvar e o fez com amor, deu a vida por mim: não há amor maior do que dar a vida por outra pessoa. Pensemos em uma mãe, o amor de uma mãe, por exemplo, que dá a vida pelo filho, acompanha-o sempre, a vida toda, nos momentos difíceis, mas ainda é pouco… É um amor próximo de nós, o amor de Jesus não é um amor abstrato, é um amor eu-tu, eu-tu, cada um de nós, com nome e sobrenome.

O pranto de cada um de nós

No Evangelho de Lucas, o Papa nota “algo do amor concreto de Jesus”. Falando de Jerusalém, Jesus recordou quando tentou recolher seus filhos “como a galinha com seus pintinhos debaixo das asas”, e lhe foi impedido. Então “chorou”.

O amor de Cristo o leva ao pranto, ao pranto por cada um de nós. Que ternura há nesta expressão. Jesus podia condenar Jerusalém, dizer coisas negativas… E se lamenta porque não se deixa amar como os pintinhos da galinha. A ternura do amor de Deus em Jesus. E Paulo tinha entendido isso. Se não formos capaz de sentir, de entender a ternura do amor de Deus em Jesus por cada um de nós, jamais poderemos entender o que é o amor de Cristo. É um amor assim, espera sempre, paciente, o amor que joga a última carta com Judas: “Amigo”, desobriga-o, até o fim. Também com os nossos grandes pecados, até o fim Ele ama com esta ternura. Não sei se pensamos em Jesus tão terno, em Jesus que chora, como chorou diante do túmulo de Lázaro, como chorou aqui, olhando Jerusalém.

Um amor que se faz lágrima

Portanto Francisco exorta a nos perguntar se Jesus chora por nós, ele que nos deu “tantas coisas” enquanto nós muitas vezes decidimos “tomar outro caminho”. O amor de Deus “se faz lágrima, se faz pranto, pranto de ternura em Jesus”, reitera. Por isso, conclui o Pontífice, São Paulo “tinha se apaixonado por Cristo e nada podia separá-lo d’Ele”.

Radio Vaticano

A chegada da fé cristã à Europa foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (30/10) na Praça São Pedro.

Com os primeiros sinais do outono chegando, sob garoa, aos milhares de fiéis o Pontífice deu prosseguimento ao seu ciclo sobre os Atos dos Apóstolos e comentou o capítulo 16, 9-10.

E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um homem da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos. E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho.

Macedônia, porta de entrada do cristianismo na Europa

O Espírito Santo é o protagonista da missão da Igreja, explicou o Papa. É ele quem guia o caminho dos evangelizadores mostrando a eles a via a seguir. “E os macedônios têm orgulho disso e recordo este povo que me acolheu com tanto calor”, afirmou o Papa citando a sua viagem à Macedônia do Norte em maio deste ano.

Paulo chega a Filipos e ali batiza a vendedora Lídia e a sua família. Com o coração aberto, afirmou Francisco, a pessoa pode dar hospitalidade a Cristo e aos outros. “Temos aqui o testemunho da chegada do cristianismo à Europa: o início de um processo de inculturação que dura ainda hoje.”

Prisão de Paulo e Silas

Depois do calor vivido na casa de Lídia, Paulo e Silas têm que fazer as contas com a dureza da prisão, para onde são levados com a acusação de perturbarem a “ordem pública” ao converterem em seguida uma jovem “com espírito de adivinhação”. E Francisco advertiu as pessoas que ainda hoje pagam e utilizam os “poderes” dos “adivinhos”.

Na prisão, acontece um fato surpreendente: enquanto Paulo e Silas rezavam, um terremoto move os alicerces da prisão libertando os prisioneiros. Ao ver as portas abertas da prisão, o carcereiro está para se suicidar quando pergunta a eles: que é necessário que eu faça para me salvar? Paulo responde: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa.

A transformação

A este ponto, explicou o Papa, acontece a mudança: no coração da noite, o carcereiro escuta a palavra do Senhor com a sua família, acolhe os apóstolos, lava as suas chagas e recebe o Batismo.

“No coração da noite deste anônimo carcereiro, a luz de Cristo brilha e derrota as trevas. Assim o Espírito Santo faz a missão, desde o início. Desde Pentecostes, Ele é o protagonista da missão”, repetiu o Pontífice. Ele nos leva avante a sermos fiéis ao Evangelho.

O Papa então concluiu:

“Peçamos também nós hoje ao Espírito Santo um coração aberto, sensível a Deus e acolhedor em relação aos irmãos, como o de Lídia, e uma fé audaz, como a de Paulo e Silas, e também uma abertura de coração, como a do carcereiro, que se deixa tocar pelo Espírito Santo.”

Radio Vaticano

A esperança é como lançar a âncora até a outra margem: o Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira (29/10) e utilizou esta imagem para exortar a viver “em tensão” rumo ao encontro com o Senhor. Caso contrário, se acaba corrompido e a vida cristã corre o risco de se tornar uma “doutrina filosófica”.

A reflexão partiu da Primeira Leitura da Liturgia de hoje, extraída da carta de São Paulo aos Romanos (Rm 8,18-25), na qual o Apóstolo “canta um hino à esperança”.

Certamente, “alguns romanos” foram se lamentar e Paulo exortou a olhar avante: “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”. O Papa falou depois da Criação “propensa” à “revelação”. “Esta é a esperança: viver voltados para a revelação do Senhor, para aquele encontro com o Senhor”, destacou Francisco. Podem existir sofrimentos e problemas, mas “isto é amanhã”, enquanto hoje “você tem o penhor” de tal promessa, que é o Espírito Santo que “nos espera” e “trabalha” já a partir deste momento.

Lançar a âncora

Com efeito, a esperança é “como lançar a âncora até a outra margem” e agarrar-se à corda. Mas “não somente nós”, toda a Criação “na esperança será libertada”, entrará na glória dos filhos de Deus. E também nós que possuímos as “primícias do Espírito”, o penhor, “gememos interiormente esperando a adoção”.

A esperança é este viver em tensão, sempre; saber que não podemos fazer o ninho aqui: a vida do cristão é “em tensão por”Se um cristão perde esta perspectiva, a sua vida se torna estática e as coisas que não se movem, se corrompem. Pensemos na água: quando a água está parada, não corre, não se move, se corrompe. Um cristão que não é capaz de ser propenso, de estar em tensão pela outra margem, falta alguma coisa: acabará corrompido. Para ele, a vida cristã será uma doutrina filosófica, viverá assim, dirá que é fé, mas sem esperança.

A mais humilde das virtudes

O Papa afirmou que é difícil entender a esperança. Se falarmos da fé, nos referimos à “fé em Deus que nos criou, em Jesus que nos redimiu e recitamos o Creio e sabemos coisas concretas sobre a fé”; se falarmos de caridade, falamos em “fazer o bem ao próximo, aos outros, muitas obras de caridade que se fazem ao outro”. Mas a esperança é difícil de compreender: “é a mais humilde das virtudes”, que “somente os pobres podem ter”:

Se quisermos ser homens e mulheres de esperança, devemos ser pobres, pobres, não ligados a nada. Pobres. E abertos para a outra margem. A esperança é humilde, é uma virtude que deve ser trabalhada – digamos assim – todos os dias: todos os dias é preciso retomá-la, todos os dias é preciso tomar a corda e ver que a âncora está ali fixa e eu a seguro pela mão; todos os dias é necessário recordar que temos o penhor, que é o Espírito que trabalha em nós com pequenas coisas.

A esperança é a virtude que não se vê

Para explicar como viver a esperança, o Papa fez referência ao ensinamento de Jesus no trecho do Evangelho de hoje, quando compara o Reino de Deus ao grão de mostarda lançado no campo. “Vamos esperar que cresça”, não precisa ir lá todos os dias para ver como está, caso contrário “nunca crescerá”, afirmou Francisco, referindo-se à “paciência” porque, como diz Paulo, “a esperança necessita de paciência”. É “a paciência de saber que nós semeamos, mas é Deus a fazê-lo crescer”. “A esperança é artesanal, pequena, prosseguiu, é “semear um grão e deixar que seja a terra a fazê-la crescer”.

No Evangelho de hoje, para falar de esperança, Jesus usa também a imagem do “fermento” que uma mulher pegou e misturou com três porções de farinha. Um fermento não mantido na geladeira, mas “misturado na vida”, assim como o grão é enterrado sob a terra.

Por isso, a esperança é uma virtude que não se vê: trabalha por debaixo; nos faz olhar por debaixo. Não é fácil viver na esperança, mas eu diria que deveria ser o ar que um cristão respira, ar de esperança; do contrário, não poderá caminhar, não poderá ir avante porque não saberá aonde ir. A esperança – isto sim é certo – nos dá uma segurança: a esperança não desilude. Jamais. Se você espera, não será desiludido. É preciso abrir-se a esta promessa do Senhor, voltados para aquela promessa, mas sabendo que existe o Espírito que trabalha em nós. Que o Senhor nos dê, a todos nós, esta graça de viver em tensão, em tensão mas não para os nervos, os problemas, não: em tensão pelo Espírito Santo que nos lança para a outra margem e nos mantêm na esperança.

Radio Vaticano

O Papa Francisco presidiu a missa de encerramento da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica, neste domingo (27/10), na Basílica de São Pedro.

O Pontífice iniciou sua homilia, dizendo que neste domingo, “a Palavra de Deus nos ajuda a rezar por meio de três personagens: na parábola de Jesus, rezam o fariseu e o publicano; na primeira Leitura, fala-se da oração do pobre”.

A religião do eu é hipócrita

Em sua oração, “o fariseu vangloria-se porque cumpre do melhor modo possível preceitos particulares, mas esquece o maior: amar a Deus e ao próximo. Transbordando de confiança própria, da sua capacidade de observar os mandamentos, dos seus méritos e virtudes, o fariseu aparece centrado apenas em si mesmo. O drama desse homem é que vive sem amor. Mas, sem amor, até as melhores coisas de nada seriam, como diz São Paulo. E sem amor, qual é o resultado? No fim das contas, em vez de rezar, elogia-se a si mesmo. De fato, não pede nada ao Senhor, porque não se sente necessitado nem em dívida, mas com crédito. Está no templo de Deus, mas pratica outra religião, a religião do eu”. Muitos grupos ilustres, cristãos católicos, vão por esta estrada”.

E além de Deus, o fariseu esquece o próximo, o despreza, ou seja, não lhe dá valor. Considera-se melhor que os outros designados por ele como «o resto, os restantes». “Em outras palavras, são «restos», descartados dos quais manter-se à distância. Quantas vezes vemos acontecer esta dinâmica na vida e na história! Quantas vezes quem está à frente, como o fariseu relativamente ao publicano, levanta muros para aumentar as distâncias, tornando os outros ainda mais descartados. Ou então, considerando-os atrasados e de pouco valor, despreza as suas tradições, cancela suas histórias, ocupa os seus territórios e usurpa os seus bens. Quanta superioridade presumida, que se transforma em opressão e exploração, ainda hoje! Vimos isso no Sínodo quando falamos sobre a exploração da Criação, das pessoas, dos habitantes da Amazônia, do tráfico de pessoas e do comércio de pessoas!”

Segundo o Papa, “os erros do passado não foram suficientes para deixarmos de saquear os outros e causar ferimentos aos nossos irmãos e à nossa irmã terra: vimos isso no rosto desfigurado da Amazônia”.

“A «religião do eu» continua, hipócrita com os seus ritos e as suas «orações», porém, muitos são católicos, se confessam católicos, mas se esqueceram de ser cristãos e humanos, esquecida do verdadeiro culto a Deus, que passa sempre pelo amor ao próximo. Até mesmo os cristãos que rezam e vão à missa aos domingos são seguidores dessa «religião do eu». Podemos olhar para dentro de nós e ver se alguém, para nós, é inferior, descartável… mesmo só em palavras. Rezemos pedindo a graça de não nos considerarmos superiores, não nos julgarmos íntegros, nem nos tornarmos cínicos e escarnecedores. Peçamos a Jesus que nos cure de criticar e queixar dos outros, de desprezar seja quem for: são coisas que desagradam a Deus. Provavelmente, hoje nos acompanham nesta missa não apenas os indígenas da Amazônia: mas também os pobres das sociedades desenvolvidas, os irmãos e irmãs doentes da Comunità dell’Arche. Estão conosco.”

A oração transparente nasce do coração

A oração do publicano nos ajuda a compreender o que é agradável a Deus. Ele não começa pelas suas virtudes, “mas pelas suas faltas; não pela riqueza, mas pela sua pobreza: não uma pobreza econômica, os publicanos eram ricos e cobravam também injustamente às custas de seus compatriotas, mas uma pobreza de vida, porque no pecado nunca se vive bem”.

Segundo Francisco, “aquele homem reconhece-se pobre diante de Deus, e o Senhor ouve a sua oração, feita apenas de sete palavras, mas de atitudes verdadeiras. De fato, enquanto o fariseu estava à frente, de pé, o publicano mantém-se à distância e «nem sequer ousava levantar os olhos ao céu», porque crê que o Céu está ali e é grande, enquanto ele se sente pequeno. E «batia no peito», porque no peito está o coração”.

“A sua oração nasce do coração, é transparente: coloca diante de Deus o coração, não as aparências. Rezar é deixar-se olhar dentro por Deus sem simulações, sem desculpas, nem justificações. Muitas vezes nos fazem rir, os arrependimentos cheios de justificativas. Mais do que arrependimento, parece uma causa própria de canonização. Porque, do diabo, vêm escuridão e falsidade; de Deus, luz e verdade. Foi bom, e lhes agradeço, queridos padres e irmãos sinodais, termos dialogado, nestas semanas, com o coração, com sinceridade e franqueza, colocando fadigas e esperanças diante de Deus e dos irmãos.”

A religião de Deus é misericórdia

O Papa sublinhou que através do publicano, “descobrimos o ponto de onde recomeçar: do fato de nos considerarmos, todos, necessitados de salvação. É o primeiro passo da religião de Deus, que é misericórdia com quem se reconhece miserável. Considerar-se justo é deixar Deus, o único justo, fora de casa”.

Jesus faz um confronto entre as atitudes da pessoa mais piedosa e devota de então, o fariseu, e o pecador público por excelência, o publicano. “E a sentença final inverte as coisas: quem é bom, mas presunçoso, falha; quem é deplorável, mas humilde, acaba exaltado por Deus. Se olharmos para dentro de nós com sinceridade, vemos os dois em nós: o publicano e o fariseu. Somos um pouco publicanos, porque pecadores, e um pouco fariseus, porque presunçosos, capazes de nos sentirmos justos, campeões na arte de nos justificarmos! Isto, com os outros, muitas vezes dá certo; mas, com Deus, não”.

Peçamos a Deus “a graça de nos sentirmos necessitados de misericórdia, pobres intimamente. Por isso, faz-nos bem frequentar os pobres, para nos lembrarmos de que somos pobres, para nos recordarmos de que a salvação de Deus só age num clima de pobreza interior”.

Os pobres são «os porteiros do Céu»

O Livro do Eclesiástico fala que a oração do pobre «chegará até as nuvens». “Enquanto a oração de quem se considera justo fica por terra, esmagada pela força de gravidade do egoísmo, a do pobre sobe, direta, até Deus. O sentido da fé do Povo de Deus viu nos pobres «os porteiros do Céu»: aquele sensus fidei que faltava no Documento final. São eles que nos abrirão, ou não, as portas da vida eterna; eles que não se consideraram senhores nesta vida, que não se antepuseram aos outros, que tiveram só em Deus a sua própria riqueza. São ícones vivos da profecia cristã”.

“Neste Sínodo, tivemos a graça de escutar as vozes dos pobres e refletir sobre a precariedade de suas vidas, ameaçadas por modelos de progressos predatórios. No entanto, precisamente nesta situação, muitos nos testemunharam que é possível olhar a realidade de modo diferente, acolhendo-a de mãos abertas como uma dádiva, habitando na criação, não como meio a ser explorado, mas como casa a ser protegida, confiando em Deus. Ele é Pai e «ouvirá a oração do oprimido». Quantas vezes, mesmo na Igreja, as vozes dos pobres não são ouvidas, acabando talvez desprezadas ou silenciadas porque incômodas.”

Francisco concluiu, dizendo que devemos rezar “pedindo a graça de saber ouvir o grito dos pobres: é o grito de esperança da Igreja. Assumindo nós o seu grito, temos a certeza de que a nossa oração atravessará as nuvens”.

Radio Vaticano

Após a missa de encerramento do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica, o Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (27/10).

“A missa celebrada, esta manhã, na Basílica de São Pedro concluiu a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica. A Primeira Leitura, do Livro do Eclesiástico, nos recordou o ponto de partida desse caminho: a oração do pobre que «atravessa as nuvens», pois «Deus escuta a oração do oprimido».  O grito dos pobres, junto ao grito da terra, veio da Amazônia. Depois dessas três semanas não podemos fazer de conta de não tê-lo ouvido. As vozes dos pobres e a de tantos outros dentro e fora da Assembleia sinodal, pastores, jovens e cientistas nos impelem a não permanecer indiferentes. Ouvimos muitas vezes a frase “depois é tarde demais”: esta frase não pode permanecer um slogan.”

“O que foi o Sínodo?” Perguntou o Papa. “Foi, como diz a palavra, um caminhar juntos, revigorados pela coragem e pelo consolo que vem do Senhor. Caminhamos, olhando-nos nos olhos e ouvindo-nos, com sinceridade, sem esconder as dificuldades, experimentando a beleza de caminhar unidos, para servir.”

Francisco sublinhou que “na segunda leitura deste domingo, o apóstolo Paulo nos incentiva a isso: num momento dramático para ele, pois sabe que está para ser oferecido em sacrifício, ou seja, justiçado, e que chegou o momento de deixar esta vida, escreve naquele momento: «O Senhor esteve a meu lado e me deu forças. Ele fez com que o Evangelho fosse anunciado por mim integralmente e ouvido por todas as nações». Eis o último desejo de Paulo: não algo para si ou para alguns dos seus, mas para o Evangelho, para que seja anunciado a todos os povos. Isso vem antes de tudo e conta acima de tudo. Cada um de nós já se perguntou muitas vezes o que fazer de bom para a própria vida. Hoje é o momento. Perguntemo-nos: “O que eu posso fazer de bom pelo Evangelho?”

“No Sínodo, nos fizemos essa pergunta com o desejo de abrir novas estradas ao anúncio do Evangelho. Anuncia-se somente o que se vive. Para viver de Jesus, para viver do Evangelho, é preciso sair de si mesmo.”

“Sentimo-nos, então, impelidos a decolar”, frisou o Papa, “a deixar as costas confortáveis de nossos portos seguros para penetrar nas águas profundas: não nas águas pantanosas das ideologias, mas no mar aberto, onde o Espírito nos convida a lançar as redes”.

Francisco convidou a invocar a Virgem Maria, para o caminho que virá, “venerada e amada como Rainha da Amazônia”. Maria adquiriu esse título não como conquistadora, “mas inculturando-se. Com a coragem humilde de mãe, tornou-se a protetora de seus filhos, a defesa dos oprimidos. Sempre indo à cultura dos povos: não há uma cultura padrão, não há uma cultura pura que purifique os outros. Existe o Evangelho, puro, que se incultura. A ela, que cuidou de Jesus na casa pobre de Nazaré, confiamos os filhos mais pobres de nossa Casa comum”.

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Foi lançado nesta quinta-feira (24) o livro “Nostra Madre Terra. Una lettura cristiana della sfida dell’ambiente”, com textos de documentos do Papa Francisco sobre o meio ambiente, entre os quais um inédito (já publicado pelo Vatican News em 16 de outubro) e com o prefácio do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I. O Patriarca recorda as etapas da colaboração com o Santo Padre, principalmente nas mensagens por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído em 2015, que une a Igreja Católica e a Ortodoxa na comum “preocupação pelo futuro da criação”.

Unidade da família humana

No primeiro capítulo, “Visão íntegra”, foram selecionados alguns textos, principalmente trechos da Laudato si’, que mostram a necessidade de proteger a nossa casa comum através da união de “toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral”. Esta premissa é desenvolvida no capítulo “De um desafio atual a uma oportunidade global” por meio da análise de alguns trechos da Encíclica do Papa Francisco sobre a crise ambiental dos nossos dias, onde poluição, aquecimento global, mudanças climáticas, perda de biodiversidades são o efeito de uma exploração incontrolada destinada a crescer rapidamente se não forem tomadas medidas imediatas para uma mudança de direção. É necessária a conversão ambiental – observa o Papa – possível através da promoção de uma verdadeira educação ecológica que crie, principalmente nos jovens, uma conscientização e portanto uma consciência renovada.

Uma leitura espiritual da ecologia

No escrito inédito que conclui o livro “Nostra Madre Terra”, Papa Francisco oferece a todos nós uma visão mais ampla de um assunto que não é simples preocupação para a salvaguarda do meio ambiente. Mesmo compartilhando muitos aspectos, não é comparável a uma visão leiga da ecologia. De fato, desenvolve a chamada teologia da ecologia em um discurso profundamente espiritual.

O amor de Deus no centro de tudo

A criação é fruto do amor de Deus. O amor de Deus para com cada uma das suas criaturas e principalmente pelo homem ao qual deu o dom da criação, lugar em que “somos convidados a descobrir uma presença. Mas isso significa que é a capacidade de comunhão do homem a condicionar o estado da criação (…) Portanto é o destino do homem que determina o destino do universo”, escreve Papa Francisco. A conexão entre homem e criação vive no amor e se este se acaba corrompe-se e não reconhece o dom que lhe foi dado. A exploração dos recursos feita de modo irresponsável para tomar posse de riquezas e poder, concentrando nas mãos de poucos, cria um desequilíbrio destinado a destruir o mundo e o próprio homem.

Recomeçar do perdão e do Espírito Santo

Não é suficiente uma revolução tecnológica e compromisso individual. A tomada de consciência passa principalmente através de um “autêntico espírito de comunhão”. Deve-se recomeçar do perdão. Pedir perdão aos pobres, aos excluídos, antes de tudo, para poder pedir perdão também “à terra, ao mar, à ar, aos animais…”. Para o Papa Francisco pedir perdão significa rever totalmente o próprio modo de ser e de pensar, significa renovar-se profundamente. E o perdão só é possível no Espírito Santo. É uma graça a ser implorada com humildade ao Senhor. O perdão é se tornar ativos, empreender um caminho juntos e nunca na solidão.

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Em sua catequese o Papa refletiu sobre os “Atos dos Apóstolos, partindo do versículo 14, 27, onde se lê: “Deus abriu a porta da fé aos pagãos”: a missão de Paulo e Barnabé e o Concílio de Jerusalém.

O livro dos Atos dos Apóstolos narra que São Paulo, após seu encontro transformador com Jesus, foi acolhido pela Igreja de Jerusalém, graças à mediação de Barnabé, e começou a proclamar a Boa Nova de Cristo.

No entanto, disse Francisco, devido à hostilidade de alguns, Paulo foi obrigado a se transferir para Tarso, sua cidade natal, seguido por Barnabé, que também foi envolvido na pregação da Palavra de Deus.

O evangelista Lucas diz que a sua pregação começou depois de uma forte perseguição, que não acometeu a evangelização, pelo contrário, foi uma boa oportunidade para ampliar o campo, onde lançar a boa semente da Palavra. Eis o longo itinerário da Palavra de Deus, que deve ser anunciada por todos os cantos da terra.

No entanto, Paulo e Barnabé chegaram, antes, à Antioquia da Síria, onde ficaram um ano inteiro, ensinando e ajudando a comunidade a criar raízes. Assim, Antioquia tornou-se o centro da propulsão missionária, graças à pregação dos dois evangelizadores, que tocou o coração dos fiéis. Precisamente em Antioquia os adeptos de Cristo foram chamados, pela primeira vez, de “cristãos”.

Enviados pelo Espírito

Depois de Antioquia, Paulo e Barnabé, foram “enviados pelo Espírito” a outros lugares, anunciando a mensagem de Cristo e atraindo muitas pessoas para a fé cristã.

Esta foi a primeira etapa missionária de Paulo, que passou da pregação do Evangelho nas Sinagogas da diáspora ao anúncio em ambientes pagãos populares. Ao retornarem à Antioquia, Paulo e Barnabé contaram aos seus irmãos “como Deus abriu aos pagãos a porta da fé”, cumprindo a “obra” para a qual o Espírito Santo os havia enviado. E o Papa explicou:

“ Do Livro dos Atos, emerge a natureza da Igreja, que não é uma fortaleza, mas uma tenda capaz de ampliar seu espaço para dar acesso a todos. A Igreja deve ser “em saída” senão não é uma Igreja; é uma Igreja de “portas abertas”, chamada a ser sempre a Casa aberta do Pai. Assim, se alguém quiser seguir a ação do Espírito e buscar a presença de Deus, não encontrará o obstáculo de uma porta fechada ”

Porém, disse Francisco, naquele momento começavam os problemas: a novidade de abrir as portas aos pagãos e judeus desencadeou uma controvérsia ferrenha. Alguns judeus sentiam a necessidade da circuncisão para se salvar e ser batizados. Para resolver a questão, Paulo e Barnabé pedem o parecer do conselho dos Apóstolos e anciãos de Jerusalém, que foi considerado o primeiro Concílio da história da Igreja: o Concílio de Jerusalém ou Assembleia de Jerusalém, sobre o qual Francisco disse:

Foi abordada uma questão teológica, espiritual e disciplinar muito delicada: a relação entre a fé em Cristo e a observância da Lei de Moisés. Durante a assembleia  foram decisivos os discursos de Pedro e Tiago, “pilares” da Igreja mãe. Ambos convidavam a não impor a circuncisão aos pagãos, mas apenas a pedir para rejeitar a idolatria, em todas as suas expressões.

“ Foi abordada uma questão teológica, espiritual e disciplinar muito delicada: a relação entre a fé em Cristo e a observância da Lei de Moisés. Durante a assembleia foram decisivos os discursos de Pedro e Tiago, “pilares” da Igreja mãe. Ambos convidavam a não impor a circuncisão aos pagãos, mas apenas a pedir para rejeitar a idolatria, em todas as suas expressões ”

Essa decisão, ratificada com uma Carta apostólica, foi enviada a Antioquia.

Enfim, o Papa perguntou qual o significado da assembleia de Jerusalém em nossos dias? E respondeu:

“ A Assembleia de Jerusalém nos oferece uma luz importante sobre o modo de enfrentar as divergências e buscar a verdade na caridade. Recorda-nos que o método eclesial de resolver os conflitos se baseia no diálogo feito de escuta atenciosa e paciente e no discernimento à luz do Espírito. De fato, é o Espírito que nos ajuda a superar os fechamentos e as tensões e age nos corações para que, na verdade e no bem, chegue à unidade. Este texto nos ajuda a entender o significado de Sínodo, iluminados pelo Espírito Santo ”

Sínodo não é uma conferência, nem um parlamento, mas algo bem diferente”.

Ao término da sua catequese semanal, o Santo Padre passou a saudar os diversos grupos de fiéis presentes na Praça São Pedro. Eis o que disse aos peregrinos de língua portuguesa:

“ Queridos peregrinos de língua portuguesa, saúdo-os, cordialmente, a todos, em particular os diversos grupos vindos de Portugal e do Brasil. Que a sua peregrinação a Roma os ajude a estar preparados para fazer parte da Igreja em saída, mediante o testemunho alegre do Evangelho e do amor de Deus por todos os seus filhos. A Virgem Santa os guie e proteja! ”

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A mensagem do Papa Francisco que precedeu a Oração Mariana do Angelus deste domingo (20), Dia Mundial das Missões, assim como a homilia na Santa Missa durante a manhã na Basílica de São Pedro, insistiu no comprometimento em anunciar a Palavra. Por ocasião especial da data que recorda milhares de missionários atuando no mundo, o Pontífice exortou “que todo batizado tome uma viva consciência da necessidade de cooperar no anúncio do Reino de Deus por meio de um compromisso renovado”.

Essa responsabilidade missionária de toda a Igreja foi enfatizada inclusive 100 anos atrás, lembrou Francisco, com a Carta Apostólica Maximum Illud do Papa Bento XV. O documento tinha o objetivo de “requalificar evangelicamente a missão no mundo”.

“No contexto transformado de hoje, a mensagem de Bento XV é ainda atual e nos estimula a superar a tentação de qualquer fechamento autorreferencial e de toda forma de pessimismo pastoral para nos abrirmos à alegre novidade do Evangelho. Em nosso tempo, marcado por uma globalização que deveria ser solidária e respeitosa com a particularidade dos povos e que, ao invés disso, sofre ainda da homologação e dos velhos conflitos de poder que alimentam guerras e arruínam o planeta, nesse tempo que é assim, os crentes são chamados a levar a todos os lugares, com novo ímpeto, a boa nova de que em Jesus a misericórdia vence o pecado, a esperança vence o medo, a fraternidade vence a hostilidade. Cristo é a nossa paz e n’Ele toda divisão é superada, n’Ele só tem a salvação de todo homem e de todo povo.”

Eu rezo para os missionários?

O Papa continuou encorajando os missionários do Evangelho e finalizou:

“ Para viver em plenitude a missão, há uma condição indispensável: a oração, uma oração fervorosa e incessante, segundo o ensinamento de Jesus proclamado também no Evangelho de hoje, em que ele conta uma parábola «sobre a necessidade de rezar sempre, sem nunca se cansar” (Lc 18: 1). Hoje também é uma boa oportunidade para nos perguntar: eu rezo para os missionários? Rezo por aqueles que vão para longe levar a Palavra de Deus com o testemunho? Vamos pensar. ”

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Uma celebração eucarística caracterizada pela comunhão dos povos na Basílica de São Pedro. Na manhã deste domingo (20), o Papa Francisco presidiu uma missa, por ocasião do Dia Mundial das Missões no âmbito do Mês Missionário Extraordinário. A cerimônia foi especialmente animada pela genuína participação do coro e orquestra “Palmarito e Urubichà”, da Bolívia.

Na homilia, o Papa usou o substantivo monte, o verbo subir e o pronome todos, extraídos das leituras do dia, para encorajar o testemunho de milhares de missionários no mundo.

monte, lugar de grandes encontros

Ao iniciar falando do monte, Francisco indicou aquele da Galileia, mas que poderia o do Sinai, do Tabor ou das Oliveiras, mas sempre “o monte parece ser o lugar onde Deus gosta de marcar encontro com toda a humanidade”.

“A nós, o que nos diz o monte? Que somos chamados a nos aproximar de Deus e dos outros: nos aproximar de Deus, o Altíssimo, no silêncio, na oração, nos afastando das maledicências e boatos que poluem; e nos aproximar também dos outros.”

Francisco então falou da importância de olhar o outro de uma outra perspectiva, do alto do monte, onde descobrimos que “a harmonia da beleza só é dada pelo conjunto”.

“O monte nos lembra que os irmãos e as irmãs não devem ser selecionados, mas abraçados com o olhar e sobretudo com a vida. O monte liga Deus e os irmãos num único abraço, o da oração. O monte nos leva para o alto, longe de tantas coisas materiais que passam; nos convida a redescobrir o essencial, o que permanece: Deus e os irmãos. A missão começa no monte: lá se descobre aquilo que conta. No coração deste mês missionário, vamos nos interrogar: para mim, o que é que conta na vida? Quais são as altitudes para onde vou?”

subir, um êxodo do próprio eu

O Papa partiu para o verbo que acompanhe o substantivo monte: o subir, já que “nascemos, não para ficar em terra nos contentando com coisas triviais, mas para chegar às alturas encontrando Deus e os irmãos”.

“ Para isso, porém, é preciso subir: é preciso deixar uma vida horizontal, lutar contra a força de gravidade do egoísmo, realizar um êxodo do próprio eu. Por isso, subir requer esforço, mas é a única maneira para ver tudo melhor, como o panorama mais bonito ao escalar a montanha só se vê no cimo. ”

O Papa recordou que a subida muitas vezes não é fácil, pois estamos carregados de coisas e é preciso deixar de lado o que não serve:

“É também o segredo da missão: para partir é preciso deixar, para anunciar é preciso renunciar. O anúncio credível é feito, não de bonitas palavras, mas de vida boa: uma vida de serviço, que sabe renunciar a tantas coisas materiais que empequenecem o coração, tornam as pessoas indiferentes e as fecham em si mesmas; uma vida que se separa das inutilidades que enchem o coração e encontra tempo para Deus e para os outros. Podemos nos interrogar: Como procede a minha subida? Sei renunciar às bagagens pesadas e inúteis do mundanismo para subir ao monte do Senhor?”

O pronome todos, a missão de todos

O que prevalece, porém, nas leituras, é o pronome todos, disse Francisco, repetido várias vezes: todos os povos, todas as nações, todos os homens.

“O Senhor Se obstina a repetir esse «todos». Sabe que somos teimosos a repetir «meu» e «nosso»: as minhas coisas, a nossa nação, a nossa comunidade… e Ele não Se cansa de repetir «todos». Todos, porque ninguém está excluído do seu coração, da sua salvação; todos, para que o nosso coração ultrapasse as alfândegas humanas, os particularismos baseados nos egoísmos que não agradam a Deus. Todos, porque cada qual é um tesouro precioso e o sentido da vida é dar aos outros este tesouro. Eis a missão: subir ao monte para rezar por todos, e descer do monte para se doar a todos.”

“Subir e descer… assim o cristão está sempre em movimento, em saída”, e “ao encontro de todos, não apenas dos seus e do seu grupinho”, enfatizou o Papa, que provocou mais questionamentos a todos: “assumimos o convite de Jesus ou nos ocupamos apenas das nossas coisas?”.

A missão, disse Francisco, é “mostrar, com a vida e mesmo com palavras, que Deus ama a todos e não se cansa jamais de ninguém”. E o Papa finalizou afirmando que “cada um de nós é uma missão nesta terra”.

“ Vai com amor ao encontro de todos, porque a tua vida é uma missão preciosa: não é um peso a suportar, mas um dom a oferecer. Coragem! Sem medo, vamos ao encontro de todos! ”

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Na tarde desta quinta-feira, por volta das 15h30, o Santo Padre encontrou um grupo de cerca de quarenta indígenas, entre participantes do Sínodo para a Região Pan-Amazônica e de outras iniciativas que estão sendo realizadas em Roma nestes dias. Eles estavam acompanhados por Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho, e pelo cardeal Claudio Hummes. A informação é da Sala de Imprensa da Santa Sé.

O encontro foi aberto por um breve pronunciamento de uma mulher e um homem, representantes dos povos indígenas, que por meio deles expressaram gratidão ao Santo Padre pela convocação do Sínodo e pediram ajuda para concretizar seu desejo de garantir uma vida serena e feliz a seus povos, cuidando de suas terras, protegendo suas águas, para que também seus descendentes possam usufruir destas riquezas.

O Papa Francisco dirigiu algumas palavras aos presentes, enfatizando como o Evangelho é como uma semente que cai na terra que encontra e cresce com as características desta terra.

Com referência à região amazônica, o Santo Padre falou dos perigos das novas formas de colonização.

Por fim, fazendo referência às origens do cristianismo, nascido no mundo judaico, tendo mais tarde se desenvolvido  no mundo greco-latino e então chegado a outras terras, como a eslava, as orientais e as americanas, o Papa Francisco reiterou que o Evangelho deve inculturar-se, porque “os povos recebem o anúncio de Jesus com sua própria cultura”.

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As vozes dos representantes da Amazônia foram protagonistas esta quinta-feira (17/10), na Sala de Imprensa da Santa Sé, da coletiva sobre o Sínodo, onde continuam os círculos menores e estão sendo elaboradas as relações, explicou o prefeito do Dicastério vaticano para a Comunicação, Paolo Ruffini.

Leah Rose Casimero, da Guiana, pertencente ao povo Wapichan, contou sua experiência de coordenadora do programa do curso bilíngue para crianças Wapichan, povo indígena local.

Trata-se de um programa que prevê uma formação nas duas línguas: a da população indígena e o inglês. “Temos nossos materiais para as crianças”, contou, e “incorporamos nossos conhecimentos e nossa vida tradicional”.

Portanto, uma experiência de vanguarda para ajudar o povo Wapichan com um programa nascido de um diálogo com os Jesuítas, com as outras Igrejas, com outros consultores e que tem o apoio das autoridades.

Provém dos povos indígenas também Patrícia Gualinga, líder na defesa dos direitos humanos das comunidades Kichwa de Sarayaku, no Equador. Ela fez um premente apelo em defesa da Amazônia, gravemente ameaçada com consequências para toda a humanidade, ressaltou. Fez um apelo também por uma aliança dos indígenas com a Igreja, indígenas que são perseguidos e até mesmo assassinados.

O Procurador da República e especialista em direitos dos povos indígenas, o brasileiro Felício de Araújo Pontes Junior, focou a atenção na coletiva sobre a defesa dos direitos das populações da Amazônia e também dos descendentes dos afro-americanos.

Muitas vezes esses povos entram em conflito com o modelo de desenvolvimento imperante, explicou ele chamando a atenção também para o aumento da atividade pecuária e de monoculturas, evidenciando que o homem não tem o direito de eliminar os ecossistemas em nome do progresso.

Foi também muito forte a experiência do salesiano, Pe. Justino Sarmento Rezende, brasileiro, originário do povo tuyuca, especialista em espiritualidade indígena e pastoral inculturada.

Sua vocação nasceu graças aos missionários que ensinavam catecismo a seus avós. Nasceu também do desejo de poder transmitir a fé em sua língua materna, a partir do momento em que a Igreja entendeu que os indígenas evangelizados poderiam, por sua vez, tornar-se evangelizadores.

Sacerdote há 25 anos, em sua fala ele ressaltou a gratidão aos missionários por ter levado o Evangelho junto com o desejo que se conheçam as culturas indígenas. Trata-se de levar adiante, com paciência, o diálogo conhecendo a vida daqueles povos.

Também o arcebispo de Porto Velho – RO, dom Roque Paloschi, evidenciou os direitos das populações indígenas que sofreram discriminações, referindo-se também ao problema das terras tradicionais.

“A Constituição de 1988 previa que até 1993 todas as terras dos povos originários deveriam ser demarcadas, homologadas e registradas. Ao invés, não foram demarcadas nem mesmo um terço e as que foram demarcadas foram invadidas, alvo dos garimpeiros, das indústrias minerárias, das indústrias do petróleo e da exploração da madeira.”

Em sua fala ressaltou, em particular, que “não se faz a inculturação com proselitismo, mas com o testemunho”. Não se trata de impor uma cultura do alto, de eliminar a cultura dos outros, prosseguiu dom Roque Paloschi, mas de preservar as sementes presentes em toda cultura porque “nenhuma cultura é perfeita” e o anúncio do Evangelho é, de fato, um anúncio de vida nova e todos precisamos tornar-nos uma pessoa nova no encontro com Cristo.

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Precisamente porque tudo está interligado (cfr Laudato si’ 42; 56) no bem, no amor, precisamente por isto cada falta de amor repercute em tudo. A crise ecológica que estamos enfrentando é, acima de tudo, um dos efeitos desse olhar doente sobre nós, sobre os outros, sobre o mundo, sobre o tempo que passa; um olhar doente que não nos faz perceber tudo como um dom oferecido para nos descobrirmos amados.

É esse amor autêntico, que às vezes chega a nós de uma maneira inimaginável e inesperada, que nos pede para rever nossos estilos de vida, nossos critérios de julgamento, os valores nos quais baseamos nossas escolhas. De fato, já é sabido que a poluição, mudanças climáticas, desertificação, migrações ambientais, consumo insustentável dos recursos do planeta, acidificação dos oceanos, redução da biodiversidade, são aspectos inseparáveis ​​da desigualdade social: da crescente concentração do poder e da riqueza nas mãos de poucos e da assim chamada sociedade do  bem-estar, dos loucos gastos militares, da cultura do descarte desperdício e de uma falta de consideração do mundo do ponto de vista das periferias, da falta de proteção das crianças e dos menores, dos idosos vulneráveis ​​e nascituros.

Soluções puramente ambientais não são suficientes

Um dos grandes riscos de nosso tempo, então, diante da séria ameaça à vida no planeta causada pela crise ecológica, é o de esse fenômeno nãos er lido como o aspecto de uma crise global, mas de nos limitarmos a procurar – embora necessárias e indispensáveis – soluções puramente ambientais.

Ora, uma crise global requer uma visão e uma abordagem global, que passam antes de tudo por um renascimento espiritual no sentido mais nobre do termo.

Paradoxalmente, as mudanças climáticas poderiam se tornar uma oportunidade para nos fazer perguntas de fundo sobre o mistério de ser criado e sobre aquilo pelo qual vale a pena viver. Isso levaria a uma profunda revisão de nossos modelos culturais e econômicos, para um crescimento na justiça e na partilha, na redescoberta do valor de cada pessoa, no empenho para que quem hoje está à margem, possa ser incluído e aquele que vier amanhã, ainda possa desfrutar do beleza do nosso mundo, que é e continuará a ser um dom oferecido à nossa liberdade e à nossa responsabilidade.

Tomar consciência de uma cultura que se impõe

A cultura dominante – aquela que respiramos por meio das leituras, encontros, entretenimento, nas mídias etc. – baseia-se na posse: das coisas, do sucesso, da visibilidade, do poder.

Quem tem muito vale muito, é admirado, considerado e exerce alguma forma de poder; enquanto aqueles que têm pouco ou nada, correm o risco de perder até mesmo o próprio rosto, porque desaparece, torna-se um daqueles invisíveis que povoam nossas cidades, uma daquelas pessoas das quais não nos damos conta ou com quem procuramos não entrar em contato. Certamente, cada um de nós é, antes de tudo vítima dessa mentalidade, porque somos de muitas maneiras bombardeados por ela.

Desde pequenos, crescemos em um mundo onde uma ideologia mercantil generalizada, que é a verdadeira ideologia e prática da globalização, estimula em nós um individualismo que se torna narcisismo, ganância, ambições elementares, negação do outro … Portanto, neste nossa situação atual, um comportamento justo e sábio, antes que a acusação ou o julgamento, é antes de tudo o da tomada de consciência.

Estruturas de pecado

Estamos envolvidos, de fato, em estruturas de pecado (como São João Paulo II a chamou) que produzem o mal, poluem o meio ambiente, ferem e humilham os pobres, favorecem a lógica da posse e do poder, explorando os recursos naturais de maneira exagerada, obrigando populações inteiras a abandonar suas terras, alimentam o ódio, a violência e a guerra. Trata-se de uma tendência cultural e espiritual que distorce nosso senso espiritual que vice-versa – em virtude de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus – naturalmente nos direciona ao bem, ao amor e ao serviço aos outros.

Redescobrir-se pessoas pertencentes a uma só família

Por essas razões, o ponto de virada não poderá vir simplesmente do nosso esforço ou de uma revolução tecnológica: sem negligenciar tudo isso, precisamos redescobrir-nos pessoas, isto é, homens e mulheres que reconhecem serem incapazes de saber quem são sem os outros, e que se sentem chamados a considerar o mundo à sua volta não como um objetivo em si, mas como um sacramento da comunhão. Dessa maneira, os problemas de hoje podem se tornar autênticas oportunidades  para que possamos nos descobrir verdadeiramente como uma única família, a família humana.

O perdão para superar a crise ecológica

Enquanto tomamos consciência de que estamos perdendo o objetivo, que estamos priorizando o que não é essencial ou até mesmo o que não é bom e faz mal, pode nascer em nós o arrependimento e o pedido de perdão. Eu sinceramente sonho com um crescimento da consciência e de um sincero arrependimento de todos nós, homens e mulheres do século XXI, crentes e não crentes, de nossas sociedades, por nos deixarmos levar por lógicas que dividem, provocam fome, isolam e condenam. Seria belo se nos tornássemos capazes de pedir perdão aos pobres, aos excluídos; então nos tornaríamos capazes de nos arrepender sinceramente também do mal feito à terra, ao mar, ao ar, aos animais …

Pedir e perdoar são ações possíveis apenas no Espírito Santo, porque é Ele o artífice da comunhão que abre os fechamentos dos indivíduos; e é necessário muito amor para deixar de lado o próprio orgulho, para perceber que cometeu um erro e para ter esperança de que novos caminhos sejam realmente possíveis.

O arrependimento, portanto,  para todos nós, para a nossa época, é uma graça a ser implorada humildemente ao Senhor Jesus Cristo, para que essa nossa geração possa ser recordada na história não por seus erros, mas pela humildade e a sabedoria de ter sabido reverter a rota.

Recomeçar a partir dos relacionamentos, a inovação tecnológica não é suficiente

O que estou dizendo talvez possa parecer idealista e pouco concreto, enquanto aparecem mais caminhos viáveis que visam desenvolver inovações tecnológicas, a redução no uso de embalagens, o desenvolvimento de energia a partir de fontes renováveis ​​etc. Tudo isso é, sem dúvida, não apenas um dever, mas necessário. No entanto, não é suficiente.

A ecologia é ecologia do homem e de toda a criação, não apenas de uma parte. Assim como para uma doença grave o remédio por si só não é suficiente, mas é necessário olhar para o doente e entender as causas que levaram ao aparecimento do mal, assim analogamente a crise de nosso tempo deve ser enfrentada em suas raízes. O caminho proposto consiste, então, em repensar nosso futuro a partir das relações: os homens e as mulheres de nosso tempo têm tanta sede de autenticidade, de rever sinceramente os critérios da vida, de apostar naquilo que vale a pena, reestruturando a existência e a cultura.

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As comunidades da Amazônia e os representantes dos povos indígenas veem no compromisso da Igreja e no Sínodo “um sinal de esperança”, “um momento de luz”. Foi o que disse durante o briefing realizado na Sala de Imprensa da Santa Sé, nesta terça-feira (15/10), dom Eugenio Coter, vigário apostólico de Pando, na Bolívia.

“A assembleia sinodal é um caminhar juntos”, disse ele. “Fazemos parte de uma Igreja maior e podemos enfrentar os desafios com a força da comunhão.” Sobre a questão do “viri probati”, ou seja, sobre a proposta de ordenação sacerdotal de homens adultos casados, dom Coter disse que na Sala do Sínodo “continua-se falando todos os dias sobre o tema da sacramentalidade”. “Devemos nos perguntar como podemos ajudar a refletir e dar respostas concretas às necessidades dessas comunidades.” “Estamos nos perguntando como formar as pessoas para que possam alcançar as comunidades mais distantes.”

Migração

Dentre os vários desafios que a Igreja enfrenta na região Pan-amazônica, se encontram também os desafios relacionados à questão da migração. Nos últimos anos, a Amazônia foi afetada por vários e relevantes fluxos migratórios. O pe. Sidney Dornelas, diretor do Centro de Estudos Migratórios Latino-americanos, lembrou que muitos imigrantes do Haiti chegaram a essa região após o terrível terremoto que abalou o país. Desde 2017, milhares e milhares de migrantes também vieram da Venezuela. São grandes fluxos de pessoas que atravessam a Amazônia, mas também há muitos que permanecem na região. A Igreja, explicou o padre Sidney Dornelas, deve trabalhar em rede, também com as instituições, para responder às necessidades dos migrantes. Ele preciso ter uma atenção e preparação específicas, acrescentou, em relação a pessoas que vêm de outros países e muitas vezes de contextos que não são pan-amazônicos.

Uma Igreja de rosto amazônico

A Igreja na Amazônia é uma Igreja em que povos, culturas e compromisso missionário estão entrelaçados. Dom Rafael Alfonso Escudero López-Brea, bispo de Moyobamba, no Peru, expressou uma esperança: “A Igreja”, disse ele, “tenha logo um rosto amazônico com bispos, sacerdotes e religiosos amazônicos. Depois de todos os passos dados no trabalho de evangelização com missionários da Europa e do Ocidente, é preciso promover também a formação de um clero autóctone”.

O papel das mulheres

O compromisso das mulheres nas comunidades da América Latina e da Amazônia estiveram no centro do discurso de Marcia María de Oliveira, estudiosa das culturas amazônicas e especialista em História da Igreja na Amazônia. “A presença de mulheres” enfatizou, “é preciosa”. “As mulheres podem ensinar muito sobre ecologia integral a propósito de participação comunitária, através do trabalho e do cuidado das crianças. Em algumas comunidades, as mulheres são líderes religiosas, se dedicam aos cuidados e à saúde de suas comunidades”. “O seu compromisso”, sublinhou Marcia María de Oliveira, “deve ser reconhecido e valorizado”.

Rito litúrgico na Amazônia

Dentre os aspectos abordados pelo Sínodo, há também questões relacionadas à liturgia. “Não se pede um rito litúrgico diferente”, disse dom Rafael Alfonso Escudero López-Brea. “A Igreja”, lembrou, “recebeu do Senhor e dos Apóstolos o ensinamento essencial que, posteriormente, desenvolveu-se com ritos complementares”. “Durante os trabalhos sinodais”, disse o prelado, “falou-se da possibilidade de introduzir na celebração símbolos ou ritos que não tenham um impacto sobre o essencial. Trata-se de entender as especificidades de cada povo ou grupo”. “Na liturgia latina”, por exemplo, lembrou dom Eugenio Coter, “usa-se o incenso como sinal da presença de Deus. Na cultura de alguns grupos indígenas, o incenso expressa o subir ao céu. É usado na oração dos fiéis para indicar que as orações sobem ao Pai”. “Por isso”, concluiu o prelado, “entre as propostas que surgiram durante os trabalhos sinodais está a de criar comissões que trabalhem no método para dar um rosto amazônico também à liturgia”.

 

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Como ocorre todos os dias os trabalhos sinodais têm inicio com a oração comum e com uma reflexão proposta por um dos padres sinodais. Nesta terça-feira a meditação foi proposta pelo arcebispo metropolitanto de Belo Horizonte e presidente da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Com o título “Chamados filhos de Deus”, Dom Walmor iniciou a sua reflexão com uma pergunta: “Como pode o amor de Deus permanecer nele? Esta é a interpelante pergunta respondida por São João no terceiro capítulo de sua primeira carta. A resposta a esta pergunta é a questão central na construção da autenticidade no seguimento de Jesus. O discípulo e a discípula são remetidos a uma verificação do tecido que configura o núcleo mais íntimo de seu ser. A referência ao coração, a estação da interioridade, muito além de qualquer possível e arriscado intimismo, é pôr-se em corajoso exercício de análise e levantamentos a respeito da constituição misericordiosa de si mesmo.

O coração do discípulo – continuou o arcebispo de Belo Horizonte – “é visceralmente constituído dos sentimentos norteadores da competência de ver o outro e a ele não se fechar, mas sobre ele debruçar-se, comovendo-se, para atender-lhes demandas à luz do conhecimento de suas necessidades e carências”.

Falando da compaixão, afirmou que a mesma “é o selo, único e insubstituível selo de autenticidade, cujas raízes de exemplaridade se encontram no modo de ser do Mestre Jesus, aquele que tem compaixão dos seus, ovelhas sem pastor, consciente de sua missão de ungido e enviado para anunciar a boa nova dos pobres, anunciar-lhes o ano da graça, em vez de cinzas, o óleo da alegria”.

Ao discípulo é indicado o caminho da resposta à inquietante interrogação, “como pode o amor de Deus permanecer nele?” Uma interrogação que há de ser o mais significativo incômodo existencial no processo diário de qualificação discipular.

Põe-se em questão uma indispensável envergadura – disse o arcebispo – que é projeto divino em nós. O princípio é lembrado: (1J0 3,1) “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos. Esta é a moldura da interpelação existencial posta pela palavra de Deus agora proclamada.

Dom Walmor continuou afirmando que “um holofote aceso iluminando a consciência humana interpela à percepção e impacto de sua condição, filho de Deus, considerado o presente grande dado pelo pai: somos chamados filhos de Deus. E nós o somos”.

Esta condição gratuita e amorosa se impulsiona pelo princípio do amor cuja lógica há de ser considerada como condição de fomentar o novo em lugar do velho que corrompe:(1 Jo 4,10-11) “10. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como oferenda de expiação pelos nossos pecados.

“Pois esta é a mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns dos outros.” Só esta é a escolha possível. Não há outra. A outra opção possível é o pecado. Ora, aquele que pratica o pecado é do diabo, porque o diabo é pecador desde o princípio. Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo”. (1 Jo 3,10-13) “Nisto se revela quem é filho de Deus e quem é filho do diabo: todo aquele que não pratica a justiça não é de Deus, como também não é de Deus quem não ama o seu irmão. Pois esta é a mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que, sendo do Maligno, matou o seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, ao passo que as do seu irmão eram justas.

Clareia o horizonte interpelativo diário para nos incomodar e, amparados e fecundados pela graça de Deus, – sublinhou o presidente da CNBB – darmos conta do que nos compete, exatamente na contramão do “possuir riquezas neste mundo e vê o seu irmão passar necessidade, mas diante dele fechar o seu coração. Somos desafiados a uma finesse relacional de modo que não amemos só com palavras e de boca, mas por ações e na verdade. A verdade de Cristo é sua compaixão, suas entranhas de misericórdia.

E sempre exigente, porque diária e de todo momento, a tarefa de conseguir estar, existencialmente, dentro do princípio da qualificada filiação divina: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou. Não há outra alternativa senão amar de verdade, correndo sempre o risco de ser dada por descontada, por justificações ou comodidades, por incompetência relacional ou entupimentos humano afetivos, por estreitezas ou por mesquinhez. Nenhuma condição humana, com as circunstâncias que a configuram, está isenta do distanciamento do amor de verdade.

O arcebispo de Belo Horizonte também recordou o dia em que a Igreja faz memória de Santa Teresa, virgem e doutora da Igreja. “Parece oportuno reportar-nos ao que ela indica como exercício vivencial diário, o que constitui a dinâmica da primeira morada do Castelo Interior/Moradas, uma de suas obras clássicas: Ela descreve a primeira morada com a indicação de duas dinâmicas sempre e permanentemente fundamentais na conquista e manutenção da qualificação da condição de filhos e filhas de Deus, discípulos e discípulas de Jesus, para a competência de amar de verdade: Conhece te a ti mesmo e a Humildade.

Ela lembra que mesmo tendo alcançado, permanente ou momentaneamente, o matrimônio espiritual, intimidade fecunda no amor de Deus, por limitação do humano, escorregamos e caímos no estágio sempre primeiro que requer exercitar a humildade e o conhecimento de si mesmo. Ninguém pode alimentar a pretensão de ter ultrapassado o estágio deste exercício espiritual diário sob pena de ilusão, endurecimento que entope e produz a dureza de coração que prejudica os pobres, faz sombra à razão, faz gostar de títulos, privilégios e dos primeiros lugares, se deixando levar pela disputa ou tomado por indiferenças, incapacitando para o alcance de percepções para gestos concretos de solidariedade, desapego, simplicidade.

Ao contrário, alimentando à semelhança do coração dos fariseus um coração duro, o gosto pelas filacterias, amigos do dinheiro, distanciados também da misericórdia, da justiça e da verdade. “Santa Madre Teresa – concluiu Dom Walmor – nos indica este fecundo caminho, como exercício espiritual e existencial permanente, conhecer-se a si mesmo e a humildade para qualificar nossa cidadania e nos oportunizar, fecundados pela graça de Deus, a conquistar a envergadura de verdadeiros filhos e filhas de Deus, dando tecido bom à nossa cidadania, com força de testemunho transformador e profética atuação no mundo testemunhando o Reino”.

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Irmã Dulce é santa. A celebração litúrgica com o rito da canonização reuniu cerca de 50 mil pessoas na Praça São Pedro. Com o “Anjo bom da Bahia”, foram canonizados também João Henrique Newman, Josefina Vannini, Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, e Margarida Bays.

A cerimônica teve início com o rito da canonização: o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Becciu, acompanhado dos postuladores, foi o Santo Padre e pediu que se procedesse à canonização dos beatos.

O Cardeal apresentou brevemente a biografia de cada um deles, que foram então declarados santos. Seguiu a ladainha dos santos e o Pontífice leu a fórmula de canonização.

O prefeito da Congregação, sempre acompanhado dos postulares, agradeceu ao Santo Padre e o coral entoou o canto do Glória.

Invocar

Na homilia, o Papa Francisco comentou o Evangelho deste 28º Domingo do Tempo Comum, que narra a cura de 12 leprosos.

“A tua fé te salvou” (Lc 17, 19): este é o ponto de chegada do Evangelho de hoje, que nos mostra o caminho da fé. Neste percurso, afirmou o Papa, vemos três etapas cumpridas pelos leprosos curados, que invocam, caminham e agradecem.

Primeiro, invocar. Assim como hoje, os leprosos sofrem, além pela doença em si, pela exclusão social. No tempo de Jesus, eram considerados impuros e, como tais, deviam estar isolados, separados. Eles invocam Jesus “gritando” e o Senhor ouve o grito de quem está abandonado.

“ Também nós – todos nós – necessitamos de cura, como aqueles leprosos. Precisamos de ser curados da pouca confiança em nós mesmos, na vida, no futuro; curados de muitos medos; dos vícios de que somos escravos; de tantos fechamentos, dependências e apegos: ao jogo, ao dinheiro, à televisão, ao celular, à opinião dos outros. O Senhor liberta e cura o coração, se O invocarmos. ”

A fé cresce assim, prosseguiu o Papa, com a invocação confiante. “Invoquemos diariamente, com confiança, o nome de Jesus: Deus salva. Repitamo-lo: é oração. A oração é a porta da fé, a oração é o remédio do coração.”

Caminhar

Caminhar é a segunda etapa. Os leprosos são curados não quando estão diante de Jesus, mas depois enquanto caminham.

“ É no caminho da vida que a pessoa é purificada, um caminho frequentemente a subir, porque leva para o alto. A fé requer um caminho, uma saída; faz milagres, se sairmos das nossas cômodas certezas, se deixarmos os nossos portos serenos, os nossos ninhos confortáveis. ”

Outro aspecto ressaltado pelo Papa foi o plural dos verbos: “a fé é caminhar juntos, jamais sozinhos”. Mas, uma vez curados, nove continuam pela sua estrada e apenas um regressa para agradecer. E Jesus então pergunta: “Onde estão os outros nove?”.

“Constitui nossa tarefa ocuparmo-nos de quem deixou de caminhar, de quem se extraviou: somos guardiões dos irmãos distantes. Quer crescer na fé? Ocupa-se dum irmão distante.”

Agradecer

Agradecer é a última etapa. Ao leproso curado, Jesus diz: “A tua fé te salvou”.

“ Isto diz-nos que o ponto de chegada não é a saúde, não é o estar bem, mas o encontro com Jesus. ”

O ponto culminante do caminho de fé é viver dando graças. O Papa então questionou:

Nós, que temos fé, vivemos os dias como um peso a suportar ou como um louvor a oferecer? Ficamos centrados em nós mesmos à espera de pedir a próxima graça, ou encontramos a nossa alegria em dar graças? Agradecer não é questão de cortesia, de etiqueta, mas questão de fé.

Dizer “obrigado, Senhor”, ao acordar, durante o dia, antes de deitar, é antídoto ao envelhecimento do coração.

O motivo pelo qual agradecer hoje são os novos Santos, que caminharam na fé e agora invocamos como intercessores. Três deles, disse o Papa, são freiras, como Irmã Dulce, e mostraram que a vida religiosa é um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo.

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No dia da padroeira do Brasil, o Papa Francisco tem uma mensagem especial a todos os brasileiros:

No dia de Nossa Senhora Aparecida, trago no coração o povo brasileiro e envio uma saudação. Que Ela, pequenina e humilde, continue os cobrindo e acompanhando em seu caminho: caminho de paz, de alegria, de justiça. Que Ela os acompanhe em suas dores, quando não podem crescer por tantas limitações políticas ou sociais ou ecológicas, e de tantos lugares provêm. Que Ela os ajude a crescer e a se libertar continuamente. Que os abençoe. 

A mensagem foi gravada neste sábado (12/10), no intervalo matutino da 7ª  Congregação Geral no âmbito dos trabalhos do Sínodo dos Bispos para a Amazônia.

Na oração da Hora Média que deu início aos trabalhos deste sábado, a reflexão foi de dom Sérgio Eduardo Castriani, arcebispo de Manaus. Dom Sérgio não está presente no Sínodo, por motivo de saúde, mas enviou a sua reflexão, lida por dom José Albuquerque de Araújo, bispo-auxiliar de Manaus.

Falando sobre Nossa Senhora disse que somos marianos e isto faz a diferença, afirmou o arcebispo na sua reflexão. “Rezamos o rosário, a oração dos pobres que não necessitam livros, nem roupas especiais, nem rituais, mas simplesmente rezar a oração que Jesus nos ensinou e saudar Maria com a primeira saudação na qual seu filho é reconhecido como Senhor”.

Na conclusão de seu texto, dom Sérgio pede que a Mãe de Jesus, frágil como as mulheres amazônicas, mas uma fragilidade aparente que se transforma em força gigantesca quando se trata de defender a vida, nos proteja da tentação de fazer da Amazônia uma terra de ganho e lucro, transformando o dom em mercadoria. “Que a Igreja com suas mulheres reconhecidas na sua ministerialidade seja sempre uma mãe que cura e que liberta. Mãe Aparecida, rogai por nós”.

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O Santo Padre encontrou-se na manhã desta quarta-feira (09/10) na Praça São Pedro, no Vaticano, com milhares de fiéis e peregrinos, provenientes da Itália e de diversos países, inclusive do Brasil, para a habitual Audiência Geral.

Em sua catequese semanal, o Papa refletiu sobre o Apóstolo São Paulo, que se converteu de perseguidor a evangelizador. Este foi o instrumento que o Senhor escolheu.

Partindo deste trecho dos Atos dos Apóstolos, o Papa citou o episódio de apedrejamento de Santo Estevão, comparando-o a um jovem chamado Saulo, uma figura que, ao lado de Pedro, é a mais presente e incisiva nos Atos dos Apóstolos.

Saulo, disse Francisco, é descrito, no início, como alguém que aprovou a morte de Santo Estevão e queria “destruir a Igreja”. Mas, depois, se tornou o instrumento escolhido por Deus para proclamar o Evangelho às nações.

Com a autorização do Sumo Sacerdote, Saulo começou a perseguir e a prender os cristãos, pensando que estava servindo a Lei do Senhor. E aqui o Papa recordou os perseguidos pelas ditaduras no mundo, e explicou:

O jovem Saulo é apresentado como uma pessoa intransigente, isto é, alguém intolerante com os que pensavam diferente dele, absolutiza a própria identidade política ou religiosa e reduz o outro a um inimigo potencial a ser combatido. Um ideólogo. Em Saulo, a religião é transformada em ideologia: ideologia religiosa, ideologia social, ideologia política”.

Somente depois de ter sido transformado por Cristo, então ensinará que a verdadeira batalhar não é contra homens de carne e sangue, mas contras os dominadores deste mundo tenebroso e contra os espíritos do mal que inspira as suas ações.

Aqui, Francisco convidou cada um a interrogar-se sobre como vive a própria fé:

Vou de encontro ao outro ou sou contra os outros?  Pertenço à Igreja universal (bons e maus, todos) ou tenho uma ideologia seletiva? Adoro a Deus ou adoro as formulações dogmáticas? Como é a minha vida religiosa? A fé em Deus que professo me torna mais amigável ou hostil em relação a quem é diferente de mim?”

Mas enquanto Saulo tem a intenção de acabar com a comunidade cristã, o Senhor o segue para tocar seu coração e convertê-lo a ele. “É o método do Senhor: toca o coração”, recordou o Pontífice. O Ressuscitado, então, apareceu-lhe no caminho para Damasco, evento narrado três vezes no Livro dos Atos dos Apóstolos.

Pelo binômio “luz” e “voz”, típico das teofanias – explica Francisco – o Ressuscitado aparece a Saulo e lhe pede contas de sua fúria fratricida: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”:

“Aqui, o Ressuscitado manifesta seu ser ‘um só’ com os que nele creem: atacar um membro da Igreja é atacar o próprio Cristo! Também esses que são ideólogos, porque querem a “pureza” – entre aspas – da Igreja, atacam Cristo.”

Levantando-se, Saulo não viu mais nada, pois tinha ficado cego; aquele homem forte, autoritário e independente tornou-se fraco, carente e dependente dos outros porque não enxergava. Aquele encontro com Cristo o ofuscou! E Francisco ponderou:

Daquele encontro ‘corpo a corpo’ entre Saulo e o Senhor Jesus Ressuscitado, tem início uma transformação que mostra a ‘Páscoa pessoal’ de Saulo, a sua passagem da morte para a vida: aquilo que antes era glória torna-se “lixo” a ser lançado fora, para adquirir o verdadeiro ganho que é Cristo e a vida nele”.

Paulo recebe o Batismo, marcando para ele, assim como pra cada um de nós, o início de uma vida nova, e é acompanhado por um novo olhar em relação a Deus, sobre si mesmo e sobre os outros, que de inimigos tornam-se agora irmãos em Cristo.

O Papa concluiu a sua catequese pedindo ao Pai para que “faça experimentar também a nós o impacto de seu amor, que somente pode fazer de um coração de pedra um coração de carne, capaz de acolher em si, os mesmos sentimentos de Cristo.”

Ao término da sua catequese semanal, o Santo Padre passou a saudar os grupos de peregrinos em diversas línguas, inclusive aos fiéis de língua portuguesa, concedendo a todos a sua Bênção Apostólica.

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Os trabalhos desta terça-feira (08/10) tiveram início, na presença do Santo Padre, com a oração da Hora Média. A reflexão foi proposta pelo arcebispo de Belém do Pará, Dom Alberto Taveira.

Nas suas palavras recordando que o Salmo do Dia reconhece que a plenitude da lei é o amor, Dom Alberto Taveira disse “que somos convidados a proclamar que a Palavra do Senhor é mais doce do que o mel silvestre abundante em nossas terras, e afirmamos a certeza de que da lei de Deus recebemos a inteligência necessária para os trabalhos a serem empreendidos, comprometendo-nos a rejeitar todos os caminhos da mentira” (cf.Sl 118(119).

De forma gratuita, vindo a convite da bondade de Deus, cruzamos as portas para entrar nesta casa – continuou Dom Alberto -, convocados para o compromisso excluisvo com o Senhor e sua Palavra de Vida e Salvação. Em nós também o Povo de Deus na Grande Amazônia adentra por estas portas.

O arcebispo de Belém destaca que “trazemos conosco a responsabilidade descrita na ‘Gaudium et Spes’: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração”. Porque a sua comunidade é formada por homens que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para comunicá-la a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua históra (GS 1). Não podemos defraudar estas esperanças!”

Para os participantes desta Assembleia Sinodal, cruzar estas portas significa o exercício da autoridade e a dignidade – afirma DomAlberto -, para responder aos anseios de nosso povo por seus direitos e dignidade, já que, pastores escolhidos pela misericórdia de Deus, somos guardiões do bem e sentinelas da verdade.

Vivendo num mundo pluralista e diversificado, chamados a conviver com tantas diferenças e respeitá-las, desejamos tomar posse de valores cujas bandeiras pertencem ao Senhor e nos cabe defraudá-las com vigor. De fato, o Senhor ama a justiça e odeia a iniquidade, e de modo especial quem recebeu a unção para o ministério episcopal há de revestir-se dela.

“Ressoe em nossos ouvidos  – finalizou o arcebispo de Belém -, em nossos corações o clamor de oprimidos, migrantes, orfãos e viúvas e o sangue de tantos inocentes derramado durante a nossa história, dos quais os bispos são chamados a ser defensores, como nos foi pedido no Rito de Ordenação”.

Neste segundo dia de trabalhos do Sínodo para a Região Amazônica alguns participantes do #SinodoAmazonico têm a oportunidade de se manifestarem sobre a realidade local. Cada interessado em usar a palavra tem 4 minutos para defender o seu ponto de vista, depois de 4 manifestações tem uma pausa para meditação. A #sinodalidade da Igreja é marcada pelo seu significado semântico: caminhar juntos. Que o Espírito Santo ilumine os padres sinodais neste momento importante e rico da nossa Igreja.

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Os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia tiveram início na manhã desta segunda-feira (07/10) com um momento de oração diante do túmulo de Pedro, na Basílica Vaticana, intercalado com um canto da região amazônica, seguido pelo Veni Creator.

Os participantes seguiram em procissão até a sala sinodal levando cartazes com imagens de mártires e frases da encíclica Laudato Si’ e símbolos da região amazônica, como o barco, a rede e objetos indígenas.

O Pontífice fez a saudação inicial, agradecendo a todos pelo trabalho realizado desde sua visita a Puerto Maldonado, no Peru.

Dimensão pastoral

“O Sínodo para a Amazônia tem quatro dimensões”, explicou o Papa: pastoral, cultural, social e ecológica.  “A primeira é essencial porque abarca tudo e vemos a realidade da Amazônia com olhos dos discípulos, porque não existem hermenêuticas neutras, assépticas, sempre estão condicionadas a uma opção prévia,  e a nossa opção prévia é a dos discípulos. Mas também com olhos missionários, porque o amor que o Espírito Santo colocou em nós nos impulsiona ao anúncio de Jesus Cristo.”

Francisco advertiu para as colonizações ideológicas, que fazem ver a realidade com programas pré-confeccionados com o afã de domesticar os povos originários. “As ideologias são uma arma perigosa”, afirmou, porque levam a visões redutivas, a entender sem admirar, sem assumir, sem compreender.

A realidade é absorvida com categorias “ismos”. O lema “civilização e barbárie” serviu para dividir, aniquilar os povos originários, demonstrando todo o desprezo por eles.

O Pontífice citou a experiência que a própria Argentina viveu com estes povos e as atitudes depreciativas que continuam até hoje, expresso inclusive na linguagem.

Contra o risco de medidas pragmáticas, o Papa propõe a contemplação dos povos, a capacidade de admiração e um pensamento paradigmático. “Se alguém veio com intenções pragmáticas, converte-se para atitudes paradigmáticas, que nasce da realidade dos povos”, afirmou.

Francisco alertou ainda para os riscos da mundanidade, “que sempre se infiltra e nos faz distanciar da poesia dos povos. Viemos para contemplar, compreender, servir os povos e fazemos percorrendo um caminho sinodal, não numa mesa-redonda, em conferências ou em discursos, mas em sínodo. Porque um Sínodo não é um parlamento, um locutório, é um caminhar juntos sob a inspiração do Espírito Santo e o Espírito Santo é o protagonista do Sínodo”.

O martírio do Instrumento de trabalho

Quanto ao Instrumento de trabalho, o Papa o qualificou como “mártir”, destinado a ser destruído, pois é o ponto de partida.

“Vamos caminhar sob a guia do Espírito Santo, deixar que Ele se expresse nesta assembleia, entre nós, conosco, através de nós e se expresse apesar da nossa resistência.”
Para assegurar que a presença do Espírito Santo seja fecunda, Francisco indicou antes de tudo a oração – “rezemos muito”. “É preciso também refletir, dialogar, escutar com humildade, sabendo que eu não sei tudo e falar com coragem, com paresia, “mesmo que tenha que passar vergonha”, discernir e tudo isso dentro, custodiando a fraternidade que deve existir aqui dentro.”

Para favorecer essa atitude de reflexão, oração, discernimento, depois das intervenções haverá um espaço de quatro minutos de silêncio. “Pois estar no Sínodo é entrar num processo, não é ocupar um espaço na sala, e os processos eclesiais têm necessidade de ser custodiados, cuidados com delicadeza, com o calor da Mãe Igreja.”

Francisco então indicou prudência ao falar com os jornalistas, para não se criar a impressão de que exista um “Sínodo dentro” e um “Sínodo fora”. “Uma informação impudente leva a equívocos.”

“ Obrigado por aquilo que estão fazendo, obrigado por rezar uns pelos outros e ânimo, não perdamos o sentido de humor. ”

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No Angelus, ao meio-dia deste domingo (06/10), o Papa Francisco convidou os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro para a oração mariana – bem como todos nós – a acompanhar com as orações a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, aberta pouco antes na missa celebrada na Basílica de São Pedro.

“Durante três semanas os Padres sinodais, reunidos em torno do Sucessor de Pedro, refletirão sobre a missão da Igreja na Amazônia, sobre a evangelização e sobre a promoção de uma ecologia integral. Peço a vocês que acompanhem com a oração este importante evento eclesial, a fim de que seja vivido na comunhão fraterna e na docilidade ao Espírito Santo, que sempre mostra os caminhos para o testemunho do Evangelho.”

Na alocução que precedeu a oração mariana, Francisco ateve-se ao Evangelho deste XXVII Domingo do Tempo Comum (Lc 17,5-10), cuja página evangélica apresenta o tema da fé: “Aumentai a nossa fé!” “Uma bonita oração que devemos fazer muito durante o dia. Senhor, aumentai a minha fé!” – disse o Santo Padre.

Fé que não é soberba e segura de si

Jesus responde a esse pedido dos apóstolos com as seguintes palavras: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘arranca-te e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”.

“A fé comparável a um grão de mostarda é uma fé que não é soberba e segura de si, não finge ser um grande crente e muitas vezes acaba fazendo bobagem, não!”, observou o Pontífice. “É uma fé que na sua humildade sente uma grande necessidade de Deus e na sua pequenez se abandona a Ele com plena confiança.

“É a fé que nos dá a capacidade de olhar com esperança as vicissitudes alternas da vida, que nos ajuda a aceitar também as derrotas, os sofrimentos, conscientes de que o mal jamais terá a última palavra.”

Como podemos entender se temos realmente fé, ou seja, se a nossa fé, mesmo minúscula é genuína, pura, sincera? – perguntou o Papa acrescentando:

“Jesus nos explica indicando qual é a medida da fé: o serviço. E o faz com uma parábola que no primeiro impacto resulta de certo modo desconcertante, porque apresenta a figura de um proprietário prepotente e indiferente. Mas propriamente esse modo de fazer do proprietário ressalta aquilo que é o verdadeiro centro da parábola, ou seja,  a atitude de disponibilidade do servo. Jesus quer dizer que assim é o homem de fé diante de Deus: coloca-se completamente à sua vontade, sem cálculos ou pretensões.”

Servos inúteis, humildade que faz muito bem à Igreja

Francisco destacou o que Jesus ensina nesta passagem evangélica: “Somos servos inúteis, fizemos apenas o que devíamos fazer”.

“Servos inúteis, isto é, sem pretensões de ser agradecidos, sem reivindicações.”

“’Somos servos inúteis’ é uma expressão de humildade, disponibilidade que faz muito bem à Igreja e evoca a atitude justa para trabalhar nela: o serviço humilde, do qual Jesus deu exemplo, lavando os pés dos discípulos.”

Que a Virgem Maria, mulher de fé, nos ajude a seguir neste caminho, disse por fim o Papa Francisco, voltando seu olhar para a Virgem Mãe, na vigília da festa de Nossa Senhora do Rosário.

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A Amazônia no Vaticano: a festa de São Francisco foi celebrada esta sexta-feira nos Jardins Vaticanos, com o Papa Francisco consagrando o Sínodo para a Amazônia ao santo de Assis.

A cerimônia foi marcada por cantos, reflexões, orações e gestos simbólicos. Foram convidados cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e representantes dos povos originários da Amazônia.

O relator-geral do Sínodo, cardeal Cláudio Hummes, foi um dos participantes e fez uma reflexão sobre “O papel de São Francisco como modelo e santo padroeiro do Sínodo para a Amazônia”.

Dom Cláudio, acompanhado de dois representantes indígenas, ajudou o Papa Francisco a irrigar uma árvore nos Jardins Vaticanos, sob o som de uma versão cantada do Cântico das criaturas. O solo em que a árvore foi plantada foi enriquecido com a terra de lugares simbólicos para a preservação do meio ambiente.

Depois da fórmula de consagração, a cerimônia foi concluída com o Papa Francisco rezando o Pai-Nosso com os presentes.

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Abrir o coração para o encontro com a Palavra de Deus que nos alegra. Esta é a exortação que o Papa Francisco fez esta manhã na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta. O Papa convida, portanto, a ouvi-la com atenção, sem deixar que a Palavra entre por um ouvido e saia pelo outro.

Sua reflexão se desenrola a partir da Primeira Leitura da Liturgia de hoje, extraída do Livro de Neemias (Ne 8,1-4a.5-6.7b-12). É a “história do encontro do povo de Deus com a Palavra de Deus. É tudo uma história de reconstrução”.

A referência é ao contexto em que acontece a história narrada: a reconstrução do Templo e o retorno do exílio. Neemias, o governador, fala com o sacerdote e o escriba Esdras para “entronizar” a Palavra de Deus: todo o povo se reúne na praça em frente à porta das Águas. O sacerdote Esdras leu: “ele abriu o livro à vista de todo o povo. E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé.”

Os levitas explicavam a lei. “Uma coisa bonita”, observa o Papa Francisco, destacando como “estamos acostumados a ter este livro que é a Palavra de Deus mas, eu diria, estamos mal acostumados” enquanto ao povo “faltava a Palavra, tinha fome da Palavra de Deus, por esse motivo, quando vê o livro da Palavra, fica em pé”.

“Mas pensem que isso não acontecia há décadas, é o encontro do povo com o seu Deus, o encontro do povo com a Palavra de Deus”:

Neemias, que era o governador, Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que admoestavam o povo, disseram a todo o povo:” Este dia é consagrado ao Senhor.” Para nós é o  domingo. Domingo é o dia do encontro do  povo com o Senhor, o dia do encontro da minha família com o Senhor. O dia do meu encontro com o Senhor, é um dia de encontro. “Este dia é consagrado ao Senhor”.

Por isso, Neemias, Esdras e os levitas exortavam as pessoas a não ficarem tristes e a não chorar. De fato, a Primeira Leitura de hoje narra como todo o povo chorava ao ouvir as palavras da lei. “Chorava de emoção”, “chorava de alegria”, sublinha Francisco:

Quando ouvimos a Palavra de Deus, o que acontece no meu coração? Estou atento à Palavra de Deus? Eu deixo que toque o meu coração ou estou ali,  olhando para o teto, pensando em outras coisas e a Palavra entra por um ouvido e sai pelo outro, não chega ao coração? O que faço para me preparar para que a Palavra chegue ao coração? E quando a Palavra chega ao coração, há o choro de alegria e há uma festa. Não se pode entender a festa de domingo sem a Palavra de Deus, não se entende. “Então Neemias lhes disse ‘Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força’.

Então o Papa volta a recordar que a tristeza, por outro lado, não é a nossa força:

A Palavra de Deus nos alegra, o encontro com a Palavra de Deus nos enche de alegria e essa alegria é a minha força, é a nossa força. Os cristãos são alegres porque  aceitaram, receberam no coração a Palavra de Deus e continuamente encontram a Palavra,  a buscam. Esta é a mensagem de hoje para todos nós. Um breve exame de consciência: como eu escuto a Palavra de Deus? ou simplesmente não a escuto? Como me encontro com o Senhor em sua Palavra que é a Bíblia? E depois: estou convencido de que a alegria do Senhor é a minha força? A tristeza não é a nossa força.

“Os corações entristecidos”, de fato, o diabo os coloca para baixo, enquanto a alegria do Senhor “nos faz levantar, olhar, cantar e chorar de alegria”.

Um dos salmos diz que, no momento da libertação da Babilônia, o povo judeu pensava estar sonhando, não podiam acreditar. A mesma experiência acontece “quando nós encontramos o Senhor em sua Palavra”, quando pensamos: “Mas isso é um sonho …” e “não podemos acreditar em tamanha beleza”.

“Que o Senhor nos dê a todos a graça de abrir o coração para esse encontro com a Sua Palavra e não ter medo da alegria, não ter medo de fazer a festa da alegria”,  aquela alegria – volta a sublinhar o Papa Francisco – que brota precisamente deste encontro com a Palavra de Deus.

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O Papa Francisco prosseguiu o ciclo de catequeses sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral desta quarta-feira (02/10), que teve como tema “«Anunciou Jesus ao eunuco». Filipe e a “corrida” do Evangelho em novos caminhos”.

Depois do martírio de Estêvão, a “corrida” da Palavra de Deus parece cessar, pois «desencadeou-se uma grande perseguição contra a Igreja de Jerusalém». Os Apóstolos permanecem em Jerusalém e muitos cristãos vão para outros lugares da Judeia e da Samaria.

A perseguição alimenta o fogo da evangelização

No Livro dos Atos dos Apóstolos, a perseguição aparece como um estado permanente da vida dos discípulos, de acordo com o que disse Jesus: «Se perseguiram a mim, vão perseguir vocês também».

Mas a perseguição, ao invés de apagar o fogo da evangelização o alimenta ainda mais. O diácono Filipe começa a evangelizar as cidades da Samaria e vários são os sinais de libertação e cura que acompanham o anúncio da Palavra. Nesse ponto, o Espírito Santo marca uma nova etapa da viagem do Evangelho: impele Filipe a ir ao encontro de um estrangeiro do coração aberto a Deus.

Filipe se levanta e parte com ímpeto e numa estrada deserta e perigosa encontra um alto funcionário da rainha da Etiópia, administrador geral do tesouro dela”, sublinhou o Papa em sua catequese. Esse homem, um eunuco, depois de passar por Jerusalém para o culto, está retornando ao seu país. Era um judeu prosélito da Etiópia. Sentado em seu carro, lê o quarto canto do “servo do Senhor” do Livro do Profeta Isaías. Filipe se aproxima dele e lhe pergunta: «Você entende o que está lendo?». O etíope responde: «Como posso entender, se ninguém me explica?»

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Aquele homem poderoso reconhece que precisa ser ajudado para entender a Palavra de Deus. Era o grande banqueiro, era o ministro da economia, tinha todo o poder do dinheiro, mas sabia que sem explicação ele não conseguia entender, era humilde.

Não é suficiente ler a Escritura

Segundo Francisco, o diálogo entre Filipe e o etíope leva a refletir sobre o fato de que não é suficiente ler a Escritura, mas é preciso entender o seu sentido, encontrar a “essência”, indo além da “superfície”.

A seguir, o Pontífice recordou as palavras do Papa Bento XVI no início do Sínodo sobre “a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” : «A exegese, a verdadeira leitura da Sagrada Escritura, não é somente um fenômeno literário (…). É o movimento da minha existência». Entrar na Palavra de Deus é estar dispostos a sair dos próprios limites para encontrar Deus e conformar-se a Cristo que é a Palavra viva do Pai.

Quem é o protagonista da passagem da Escritura que o etíope estava lendo?

Filipe dá ao seu interlocutor a chave de leitura: é aquele servo sofredor manso, que não reage ao mal com o mal. Mesmo que seja considerado um fracassado e estéril, e depois eliminado, liberta o povo da iniquidade e dá fruto para Deus. “É o Cristo a quem Filipe e toda a Igreja anunciam, que com a Páscoa nos redimiu”, destacou Francisco.

Espírito Santo e evangelização

Por fim, o etíope reconhece Cristo, pede o Batismo e professa a fé no Senhor Jesus. “Mas quem impeliu Filipe a ir ao deserto para encontrar esse homem? Quem impulsionou Filipe a se aproximar do seu carro? O Espírito Santo. O Espírito Santo é o protagonista da evangelização”,respondeu o Papa.

A seguir, Francisco disse: “Padre, vou evangelizar. Anuncio o Evangelho e digo quem é Jesus. Procuro convencer as pessoas que Jesus é Deus”. “Isso não é evangelização. Se não há o Espírito Santo não há evangelização. Isso pode ser proselitismo, publicidade. Evangelizar significa confiar-se ao Espírito Santo que é quem leva você a anunciar, a anunciar com testemunho, com o martírio e a palavra”, disse o Pontífice.

Depois que o etíope encontra Jesus ressuscitado, Filipe desaparece e o Espírito Santo o envia a pregar o Evangelho em outro lugar.

“Eu disse que o protagonista da evangelização é o Espírito Santo. Qual é o sinal de que você cristã, você cristão é um evangelizador? A alegria, até mesmo no martírio”, ressaltou o Papa.

Francisco concluiu sua catequese, pedindo ao Espírito Santo para fazer dos “batizados homens e mulheres que anunciam o Evangelho a fim de  atrair os outros não para sim, mas para Cristo, que saibam dar espaço à ação de Deus, que saibam tornar os outros livres e responsáveis diante do Senhor”.

 Radio Vaticano

Neste mês de outubro, O Vídeo do Papa é dirigido a todos os católicos, convidando-os a despertar sua consciência missionária e enfrentar o “desafio de proclamar Jesus morto e ressuscitado”.

A edição deste mês do vídeo é dedicada ao início do Mês Missionário Extraordinário, convocado pelo Papa Francisco “com o objetivo de promover uma maior conscientização sobre a missão ad gentes e retomar com renovado ardor a transformação missionária da vida e da atividade pastoral da Igreja.”

Na mensagem em vídeo, Francisco propõe “chegar às periferias, aos ambientes humanos, culturais e religiosos ainda alheios ao Evangelho: nisto consiste o que chamamos missio ad gentes”.

Em sua intenção, o Papa reza para que “o Espírito Santo possa promover uma nova primavera missionária para todos os que são batizados e enviados pela Igreja de Cristo”, membros de uma “Igreja peregrina que é missionária por natureza.”

E recorda: “o coração da missão da Igreja é a oração”.

Territórios missionários

As Pontifícias Obras Missionárias ecoaram as palavras do Santo Padre, que expressou o desejo de que este Mês Missionário possa ser “uma intensa e fecunda ocasião de graça, promovendo iniciativas e, sobretudo, a oração que é a alma da toda atividade missionária.”

Há regiões em que a Igreja está ainda em seu começo e precisa de apoio especial – territórios missionários, como são chamados.

Atualmente, existem 1.109 territórios localizados na África, Ásia e nas ilhas da Oceania e nas Américas. Estima-se que 37% da Igreja Católica seja território de missão; isto é, mais de um terço da Igreja.

Essa situação implica um trabalho em constante evolução, pois, à medida que novos territórios são criados, novas instituições sociais, educacionais e pastorais são designadas para cobrir todos os tipos de necessidades.

Uma grande parte do trabalho social e educacional da Igreja é realizada em territórios missionários.

No site da Pontifícias Obras Missionárias é possível encontrar todo o material para a celebração deste Mês Extraordinário.

Radio Vaticano

Foi divulgada, nesta segunda-feira (30/09), a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio “Aperuit illis” do Papa Francisco com a qual se institui o Domingo da Palavra de Deus.

Com esse documento, o Santo Padre estabelece que “o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”. O Motu Proprio foi publicado no dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jerônimo, início dos 1.600 anos da morte do conhecido tradutor da Bíblia em latim que afirmava: “A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”.

Francisco explica que com essa decisão quis responder aos muitos pedidos dos fiéis para que na Igreja se celebrasse o Domingo da Palavra de Deus. A carta começa com a seguinte passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,45): “Encontrando-se os discípulos reunidos, Jesus aparece-lhes, parte o pão com eles e abre-lhes o entendimento à compreensão das Sagradas Escrituras. Revela àqueles homens, temerosos e desiludidos, o sentido do mistério pascal, ou seja, que Ele, segundo os desígnios eternos do Pai, devia sofrer a paixão e ressuscitar dos mortos para oferecer a conversão e o perdão dos pecados; e promete o Espírito Santo que lhes dará a força para serem testemunhas deste mistério de salvação.”

A Bíblia não pode ser patrimônio só de alguns

O Papa recorda o Concílio Vaticano II que “deu um grande impulso à redescoberta da Palavra de Deus com a Constituição Dogmática Dei Verbum”, e Bento XVI que convocou o Sínodo, em 2008, sobre o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” e escreveu a Exortação Apostólica Verbum Domini, que “constitui um ensinamento imprescindível para as nossas comunidades”. Nesse documento, observa, “aprofunda-se o caráter performativo da Palavra de Deus, sobretudo quando o seu caráter sacramental emerge na ação litúrgica”.

“O Domingo da Palavra de Deus”, sublinha o Pontífice, “situa-se num período do ano que convida a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos”: “Não é uma mera coincidência temporal: celebrar o Domingo da Palavra de Deus expressa um valor ecumênico, porque as Sagradas Escrituras indicam para aqueles que se colocam à escuta o caminho a ser percorrido para alcançar uma unidade autêntica e sólida”.

Francisco exorta a viver esse domingo “como um dia solene. Entretanto será importante que, na celebração eucarística, se possa entronizar o texto sagrado, de modo a tornar evidente aos olhos da assembleia o valor normativo que possui a Palavra de Deus (…). Neste Domingo, os Bispos poderão celebrar o rito do Leitorado ou confiar um ministério semelhante, a fim de chamar a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na liturgia. De fato, é fundamental que se faça todo o esforço possível no sentido de preparar alguns fiéis para serem verdadeiros anunciadores da Palavra com uma preparação adequada (…). Os párocos poderão encontrar formas de entregar a Bíblia, ou um dos seus livros, a toda a assembleia, de modo a fazer emergir a importância de continuar na vida diária a leitura, o aprofundamento e a oração com a Sagrada Escritura, com particular referência à lectio divina.

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“A Bíblia”, escreve o Papa, “não pode ser patrimônio só de alguns e, menos ainda, uma coletânea de livros para poucos privilegiados (…). Muitas vezes, surgem tendências que procuram monopolizar o texto sagrado, desterrando-o para alguns círculos ou grupos escolhidos. Não pode ser assim. A Bíblia é o livro do povo do Senhor que, escutando-a, passa da dispersão e divisão à unidade. A Palavra de Deus une os fiéis e faz deles um só povo”.

Também nessa ocasião, o Papa reitera a importância da preparação da homilia: “Os Pastores têm a grande responsabilidade de explicar e fazer compreender a todos a Sagrada Escritura (…) com uma linguagem simples e adaptada a quem escuta (…). Para muitos dos nossos fiéis, esta é a única ocasião que têm para captar a beleza da Palavra de Deus e a ver referida à sua vida diária (…).

Não se pode improvisar o comentário às leituras sagradas. Sobretudo a nós, pregadores, pede-se o esforço de não nos alongarmos desmesuradamente com homilias enfatuadas ou sobre assuntos não atinentes. Se nos detivermos a meditar e rezar sobre o texto sagrado, então seremos capazes de falar com o coração para chegar ao coração das pessoas que escutam”.

Sagrada Escritura e Eucaristia

Recordando o episódio dos discípulos de Emaús, o Papa recorda também “como seja indivisível a relação entre a Sagrada Escritura e a Eucaristia”. Cita a Constituição Apostólica Dei Verbum que ilustra “a finalidade salvífica, a dimensão espiritual e o princípio da encarnação para a Sagrada Escritura”. “A Bíblia não é uma coletânea de livros de história nem de crônicas, mas está orientada completamente para a salvação integral da pessoa. A inegável radicação histórica dos livros contidos no texto sagrado não deve fazer esquecer esta finalidade primordial: a nossa salvação. Tudo está orientado para esta finalidade inscrita na própria natureza da Bíblia, composta como história de salvação na qual Deus fala e age para ir ao encontro de todos os homens e salvá-los do mal e da morte”.

“Para alcançar esta finalidade salvífica, a Sagrada Escritura, sob a ação do Espírito Santo, transforma em Palavra de Deus a palavra dos homens escrita à maneira humana. O papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura é fundamental. Sem a sua ação, estaria sempre iminente o risco de ficarmos fechados apenas no texto escrito, facilitando uma interpretação fundamentalista, da qual é necessário manter-se longe para não trair o caráter inspirado, dinâmico e espiritual que o texto possui. Como recorda o Apóstolo, «a letra mata, enquanto o Espírito dá a vida».”

O Papa recorda a afirmação importante dos Padres conciliares “segundo a qual a Sagrada Escritura deve ser «lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita». Com Jesus Cristo, a revelação de Deus alcança a sua realização e plenitude; e, todavia, o Espírito Santo continua a sua ação. De facto, seria redutivo limitar a ação do Espírito Santo apenas à natureza divinamente inspirada da Sagrada Escritura e aos seus diversos autores. Por isso, é necessário ter confiança na ação do Espírito Santo que continua a realizar uma sua peculiar forma de inspiração, quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura, quando o Magistério a interpreta de forma autêntica e quando cada fiel faz dela a sua norma espiritual.”

Sagrada Escritura e Tradição

Falando sobre a encarnação do Verbo de Deus que “dá forma e sentido à relação entre a Palavra de Deus e a linguagem humana, com as suas condições históricas e culturais”, o Papa ressalta que “muitas vezes corre-se o risco de separar Sagrada Escritura e Tradição, sem compreender que elas, juntas, constituem a única fonte da Revelação (…). A fé bíblica funda-se sobre a Palavra viva, não sobre um livro. Quando a Sagrada Escritura é lida com o mesmo Espírito com que foi escrita, permanece sempre nova”. Assim, “quem se alimenta dia a dia da Palavra de Deus torna-se, como Jesus, contemporâneo das pessoas que encontra; não se sente tentado a cair em nostalgias estéreis do passado, nem em utopias desencarnadas relativas ao futuro”.

“Por isso, é necessário que nunca nos abeiremos da Palavra de Deus por mero hábito, mas nos alimentemos dela para descobrir e viver em profundidade a nossa relação com Deus e com os irmãos. A Palavra de Deus apela constantemente para o amor misericordioso do Pai, que pede a seus filhos para viverem na caridade. A Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade.

A carta se conclui com uma referência a Maria que nos acompanha “no caminho do acolhimento da Palavra de Deus”. “A bem-aventurança de Maria antecede todas as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus para os pobres, os aflitos, os mansos, os pacificadores e os que são perseguidos, porque é condição necessária para qualquer outra bem-aventurança.”

Radio Vaticano

Na véspera da abertura do Mês Missionário Extraordinário, o Papa Francisco recebeu em audiência, no Vaticano, os Institutos de missão de origem italiana.

Combonianos, cabrinianos, scalabrinianos estavam entre o grupo recebido pelo Pontífice, que iniciou seu discurso manifestando seu reconhecimento aos santos fundadores, que entre a metade de 1800 e a metade de 1900, se abriram generosamente ao mundo com coragem e confiança no Senhor.

“O missionário vive a coragem do Evangelho sem demasiados cálculos, às vezes indo inclusive além do bom senso comum, porque impulsionado pela confiança depositada exclusivamente em Jesus”, disse o Papa, destacando que há uma “mística” da missão que precisa ser redescoberta.

“ Não existe outra razão senão Cristo Ressuscitado para decidir partir, deixar os afetos mais caros, o próprio país, os próprios amigos, a própria cultura. ”

Ad gentes, ad extra e ad vitam

O Pontífice destacou as três “características” do missionário: ad gentes (para as nações), ad extra (para fora), ad vitam (para sempre). A missão, ressaltou, não é em sentido único, isto é, da Europa para o restante do mundo. Pelo contrário, observou, a maior parte das vocações sacerdotais e religiosas hoje surge em territórios que, precedentemente, somente recebiam missionários.

A este ponto, o Papa recordou a assembleia-geral da Companhia de Jesus de 1974, a de número 32. Naquele período, era “estranho” pensar num prepósito que não fosse europeu, sendo que hoje é um latino-americano [Arturo Sosa]. “A situação se inverteu: o que em 74 era uma utopia, hoje é a realidade.”

“Este fato, de um lado, aumente em nós o sentido de gratidão pelos santos evangelizadores que semearam com grandes sacrifícios naquelas terras e, de outro, constitui um desafio para as Igrejas e para os Institutos: um desafio para a comunhão e para a formação.”

Sem alegria, não há missão

Partir para outro país, prosseguiu, é transmitir uma mensagem de coragem e força para quem fica. Pois partir é continuar a dizer:

“ Com Cristo não existem tédio, cansaço e tristeza, porque Ele é a novidade contínua do nosso viver. Ao missionário, é necessária a alegria do Evangelho: sem esta, não se faz missão, se anuncia um Evangelho que não atrai. ”

Cardeal Hummes

“Não tenham medo de testemunhar Jesus também lá onde resulta incômodo ou pouco conveniente”, encorajou por fim o Papa. Ele saberá encontrar o modo para fazer crescer aquela pequena semente que é o seu nome pronunciado por um missionário ou uma missionária.

Francisco citou o Cardeal brasileiro Cláudio Hummes e suas visitas pastorais pela Amazônia, que começam no cemitério para ver os túmulos dos missionários. “Ele me contou isso e depois acrescentou: ‘Todos eles merecem ser canonizados pela semente enterrada ali’. Um belo pensamento.”

O último pensamento do Papa foi dirigido aos migrantes: “As gentes distantes, agora vieram a habitar nos nossos países, são os desconhecidos da porta ao lado. É preciso redescobrir a aventura fascinante de fazer-se próximos, de acolher e de se ajudar”. O tema escolhido para este mês extraordinário é justamente “batizados e enviados”, para recordar que a natureza intrínseca da Igreja é missionária.

Radio Vaticano

Em vários momentos da educação dos nossos filhos e de nossas crianças, temos a oportunidade de lhes transmitir o que de mais precioso possuímos: Deus, que se revela na Palavra. Para isso, é importante a decisão dos pais. Enquanto eles ainda não buscam por si, faça chegar neles somente conteúdo saudável e muito conteúdo bíblico. As crianças são como um folha em branco, o que você colocar para elas assistirem, os hábitos que você criar, elas seguirão. Depois, é lógico que verão outras coisas por meio dos amigos e da escola, mas aí você continua a semear do seu jeito e equilibrar o que recebem. São várias as fases e os meios que temos.

Há a fase da música e só pela música, que se repete inúmeras vezes, e eles não cansam de ouvir. Podemos e devemos fazer chegar aos ouvidos e também aos olhos dos pequeninos a Palavra de Deus de forma cantada, pintada e dançada. Como é bom ver os rostinhos vidrados num vídeo, onde o que se canta é a Palavra de Deus!

Há a fase onde começam a olhar, folhear e ouvir as histórias, que os pais, catequistas, avós, contam para eles, mostrando a beleza de histórias verdadeiras, mas contadas em tom de aventura, suspense e diversão: é a fase de ler para eles as histórias da Bíblia, aquelas mais próximas da realidade deles, mas que sempre têm um bom ensinamento, afinal, a Palavra de Deus é viva também para as crianças e não só para nós adultos. Tudo ali, naquela história, tem vida e vida nova cada vez que é lida, ou melhor, proclamada.

Também há a fase em que eles mesmos, meninos e meninas, começam a ler. Que alegria quando nossas crianças, logo que começam a ler, têm acesso à Palavra de Deus e aos Seus ensinamentos! Já pensou se isso acontecesse em todos os lares? Que alegria para o coração do nosso Deus seria tal empreendimento!

Há a fase de desenhar, pintar, riscar e fazer atividades lúdicas, mas também educativas, que podem ser com inúmeros conteúdos, mas podem também ser com conteúdo bíblico. Ali, as crianças são desafiadas a descobrir, montar, conhecer e brincar com os personagens da Bíblia, com suas histórias, suas lutas e vitórias, suas conquistas em nome de Deus.

Insira a Palavra de Deus na vida das crianças ao seu redor

Quanto da Palavra de Deus você tem inserido no dia a dia de seus filhos ou das crianças ao seu redor? O quanto você tem investido para que a Palavra de Deus penetre, com força e profundidade, na vida, no coração e na mente desses meninos e meninas que Deus lhe confiou? Que vídeos eles têm assistido?

Lembro-me de um fato verídico: um menino de 8 anos viu um jogo, no celular de um amigo, e ficou com medo, porque era meio tenebroso. Não conseguia dormir à noite. Por várias noites, chamava os pais e dizia que não estava conseguindo dormir. Aquelas imagens do jogo de celular ficaram na sua mente e lhe tiraram o sono.

Depois de várias conversas e orações, o pai fez o seguinte: pegou a Bíblia naquele trecho: “No mundo, haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”, disse Jesus. O pai leu esse trecho da Palavra, que falava de coragem e de vencer o mundo. O filho perguntou: “Pai, posso por a Bíblia aberta, com isso que o senhor leu, embaixo do meu travesseiro para dormir com ela aqui?”. O pai achou o pedido um pouco diferente, mas disse que sim. Assim foi feito. Com a Bíblia aberta, nessa passagem, o menino começou a dormir bem todas as noites. Ficou com a Bíblia ali, embaixo do travesseiro, por alguns meses, até que sentiu segurança de dormir sem esse artifício.

O poder da Palavra é contagiante!

A força da Palavra de Deus atinge adultos e crianças. O poder da Palavra é contagiante! Basta que apresentamos sua riqueza para esses pequeninos e, mais cedo ou mais tarde, eles mesmos saberão que aquele livro não é um livro qualquer, mas sim a Palavra de Deus!

Quando já escrevem, podemos ensiná-los a fazer o diário da Palavra de Deus. Ler um trecho da Bíblia e anotar, no diário, a mensagem de Deus para nós, naquele dia; fazer a oração e até um desenho se quiser.

Quanta riqueza temos para oferecer às nossas crianças! A Palavra de Deus nunca é demais. Dê-lhes o alimento que prepara para a vida eterna e Deus fará o resto.

Que o Senhor nos inspire e nos abençoe nesta linda missão!

Canção Nova

Estevão «repleto do Espírito Santo» entre  diakonia e martyria. Este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (25/09), realizada na Praça São Pedro, com milhares de fiéis e peregrinos.

O Pontífice deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos para “seguir a viagem do Evangelho no mundo”. O evangelista Lucas mostra, com realismo, a fecundidade dessa viagem e o surgimento de alguns problemas na comunidade cristã.

Como harmonizar as diferenças que existem dentro da comunidade cristã sem que ocorram contrastes e divisões?

“A comunidade não acolhia somente os judeus, mas também os gregos, ou seja, pessoas provenientes da diáspora, não judeus, com suas culturas e sensibilidades. Também de outra religião. Nós, hoje, dizemos “pagãos”. Eles eram acolhidos. Essa coexistência determina equilíbrios frágeis e precários, e diante das dificuldades emerge o “joio”. E qual é o joio que destrói a comunidade? O joio da murmuração, o joio da fofoca. Os gregos murmuram pela falta de atenção da comunidade em relação às viúvas.”

“Como os Apóstolos agem diante desse problema?”, perguntou o Papa.

Oração e pregação da Palavra de Deus

“Iniciam um processo de discernimento que consiste em considerar bem as dificuldades e procurar soluções em conjunto. Encontram uma saída ao dividir as tarefas por um crescimento sereno de todo o corpo eclesial e para não transcurar a “corrida” do Evangelho e a atenção aos membros mais pobres.”

Segundo Francisco, “os Apóstolos estão cada vez mais conscientes de que a sua vocação principal é a oração e a pregação da Palavra de Deus: rezar e anunciar o Evangelho, e resolvem o problema instituindo um grupo de «sete homens de boa fama, repletos do Espírito Santo e de sabedoria», que depois de receberem a imposição das mãos, se encarregam de servir às mesas. Os diáconos são criados para isso, para o serviço. O diácono, na Igreja, não é um segundo sacerdote. Não, não. É outra coisa”.

O diácono não é para o altar, não: é para o serviço. Ele é o guardião do serviço na Igreja. Quando um diácono gosta muito de ir para o altar, ele está errado. Este não é o seu caminho. Essa harmonia entre serviço à Palavra e serviço à caridade é um fermento que faz crescer o corpo eclesial.

“Criam sete diáconos”, frisou o Papa, e dentre eles destacam-se Estevão e Felipe. “Estevão evangeliza com força parresia (audácia), mas sua palavra encontra resistências. Não encontrando outra maneira de fazê-lo desistir, os seus adversários escolhem a solução mais mesquinha para aniquilar um ser humano: ou seja, a calúnia ou falso testemunho. Nós sabemos que a calúnia mata. Sempre.”

Calúnia, câncer diabólico

“ Esse “câncer diabólico” que é a calúnia, que nasce do desejo de destruir a reputação de uma pessoa, também agride o resto do corpo eclesial e o danifica seriamente quando, devido a interesses mesquinhos ou para encobrir as próprias falhas, se aliam para difamar alguém. ”

“Levado ao Sinédrio e acusado de falso testemunho, fizeram o mesmo com Jesus e o mesmo farão com todos os mártires: falsos testemunhos, calúnias”, frisou o Papa.

Estêvão proclama uma releitura da história sagrada centrada em Cristo, para se defender.

“A Páscoa de Jesus morto e ressuscitado é a chave de toda a história da Aliança. Estêvão denuncia corajosamente a hipocrisia com a qual os profetas e o próprio Cristo foram tratados. «A qual dos profetas os pais de vocês não perseguiram? Eles mataram aqueles que anunciavam a vinda do Justo, do qual agora vocês se tornaram traidores e assassinos». Não usa meio termo, Estêvão fala claro, diz a verdade. Isso causa a reação violenta dos ouvintes, e Estêvão é condenado à morte, à lapidação”, sublinhou o Pontífice. Ele coloca “a sua vida nas mãos do Senhor e a sua oração é linda naquele momento: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito» e morre como filho de Deus perdoando: «Senhor, não os condenes por este pecado.»”

A Igreja de hoje é rica de mártires

Segundo Francisco, “essas palavras de Estevão nos ensinam que não são os bonitos discursos que revelam a nossa identidade como filhos de Deus, mas apenas o abandono da vida nas mãos do Pai e o perdão aos que nos ofendem nos mostram a qualidade da nossa fé”.

“A Igreja de hoje é rica de mártires – hoje existem mais mártires do que no tempo do início da Igreja, e os mártires estão por toda parte; a Igreja é irrigada pelo seu sangue que é a “semente de novos cristãos” e garante crescimento e fecundidade ao povo de Deus. Os mártires não são “santinhos”, mas homens e mulheres de carne e osso que, como diz o Apocalipse, “lavaram suas vestes, tornando-as brancas no sangue do Cordeiro”. Eles são os verdadeiros vencedores”,concluiu o Papa.

Radio Vaticano

O Papa Francisco chegou de surpresa a Frosinone – cerca de 80 km de Roma –  na manhã desta terça-feira, para uma visita privada à “Cittadella Cielo”, a estrutura da Comunidade “Novos Horizontes”, fundada em 1993 por Chiara Amirante, que oferece hospitalidade e apoio às pessoas com dificuldades por meio de centros de escuta e apoio à vida, casas de família, locais e laboratórios de agregação e reinserção no trabalho.

É precisamente nestes locais que, há muitos anos, são tratadas as feridas da alma daqueles que em algum momento da vida acabaram entrando no túnel das drogas, da dependência, do jogo, da prostituição, e como consequência, no túnel do descarte,  da marginalização social e da rejeição pela própria família.

São cerca de 9h15 da manhã quando o Ford Focus azul com o Pontífice a bordo segue pela rua Tommaso Landolfi. São poucas as pessoas que tem conhecimento da visita, mas a voz corre com a velocidade das redes sociais e, em pouco tempo a internet é inundada por imagens feitas pela população, que registram a passagem do ilustre visitante, ao mesmo tempo que muitas pessoas começam a se dirigir para a frente dos portões da estrutura, esperando poder ao menos saudar o Santo Padre.

As notícias oficiais chegarão mais tarde, mas esta visita na terça-feira tem todo o ar de uma Sexta-feira da Misericórdia. O Papa é acompanhado por Andrea Bocelli.

A proximidade de Francisco à Comunidade Novos Horizontes é forte e sólida. No dia 8 de junho, por ocasião do 25º aniversário da Comunidade, o Papa telefonou para dar as felicitações em meio aos festejos, enviou uma carta e uma mensagem em vídeo para expressar seu carinho e incentivo às mais de 3.000 pessoas reunidas para celebrar o evento no Palazzetto dello Sport de Frosinone, na Solenidade de Pentecostes.

Durante o telefonema, o Santo Padre saudou em particular todos os “Piccoli della Gioia” (Pequenos da alegria), nome pelo qual são chamados os leigos consagrados que colocam suas vidas a serviço da comunidade.

Radio Vaticano

Comunicar o Amor com o corpo e alma, dando tudo de si: são as palavras que o Papa Francisco dirigiu aos membros do Dicastério para a Comunicação, que inicia esta segunda-feira a sua Plenária.

A audiência foi realizada na Sala Regia, no Vaticano, na presença de inúmeros funcionários, entre os quais os jornalistas brasileiros e lusófonos que compõem a redação em língua portuguesa do Vatican News.

Testemunho

O Pontífice preferiu entregar o discurso já preparado e improvisar algumas palavras sobre o tema da comunicação:

“Comunica-se com a alma e com o corpo, comunica-se com a mente, com o coração, com as mãos; comunica-se com tudo. O verdadeiro comunicador se entrega, não se poupa. È verdade que a comunicação maior é o Amor, quando no amor se vê que há a plenitude da comunicação: amor a Deus e nosso.”

Todavia, advertiu o Papa, comunicar não é fazer propaganda. “Gostaria que a nossa comunicação fosse cristã”, afirmou, e não feita de proselitismo, como dizia claramente Bento XVI. Atração significa testemunho

“ Se quiserem comunicar uma verdade ‘mais ou menos’, mas sem se envolver, sem testemunhar com a própria vida, com a própria carne aquela verdade, parem, não o façam. Há sempre a assinatura do testemunho em cada coisa que fazemos. Testemunhas: cristãos quer dizer testemunhas. Mártires. Esta é a dimensão do martírio da nossa vocação: ser testemunhas. ”

Sem medo

Outra advertência feita por Francisco foi quanto à resignação.

“O ar de mundanidade não é algo novo do século XXI: não. Sempre foi um perigo, sempre houve a tentação, sempre foi um inimigo: a mundanidade. (…) Esta é a segunda coisa que gostaria de dizer: não ter medo; somos poucos? Sim, mas com a vontade de ‘missionar’, de mostrar aos outros quem somos. (…) E comunicare é isto: comunicar esta riqueza grande que nós temos.”

Comunicar com os substantivos

O terceiro ponto levantado pelo Pontífice foi o uso de adjetivos e advérbios, em detrimento do substantivo – costume ao qual o Papa disse sentir “alergia”.

“O comunicador deve fazer entender o peso da realidade dos substantivos que refletem a realidade das pessoas. E esta é uma missão do comunicar: comunicar com a realidade, sem edulcorar com os adjetivos e os advérbios. ‘Isto é algo cristão: para que dizer autenticamente cristão? É cristão! Só o uso do substantivo “cristão”, “sou de Cristo”, é forte: é um adjetivo substantivado sim, mas é um substantivo. Passar da cultura do adjetivo à teologia do substantivo. E vocês devem comunicar assim.”

“A beleza não necessita da arte rococó”, finalizou o Papa, pedindo que os jornalistas comuniquem com alegria o Evangelho.

Radio Vaticano

Os bispos estejam próximos a Deus com a oração, a seus sacerdotes, próximos entre si e, por fim, ao povo de Deus. Este é o caminho que o Papa Francisco indicou esta manhã (20/09) na homilia da missa na Casa Santa Marta. A sua reflexão foi inspirada nas leituras da Liturgia de ontem e hoje, concentrando-se nos conselhos que o apóstolo Paulo dá ao jovem bispo Timóteo: conselho que prosseguem, depois, também na segunda Carta.

Ontem, no centro desses conselhos estava a exortação a viver o ministério como um dom. Hoje, o cerne da reflexão é o dinheiro, mas também a intriga, “as fofocas, as discussões estúpidas”: todas coisas que enfraquecem a vida ministerial, destacou Francisco. “Quando um ministro – seja sacerdote, diácono, bispo – começa a se apegar ao dinheiro”, se une à raiz de todos os males, reiterou o Papa, evocando a primeira leitura de hoje, na qual Paulo recorda que a avidez do dinheiro é a raiz de todos os males (1Tm 6,2c-12). “O diabo entra pelo bolso”, diziam as “velhinhas do meu tempo”, voltou a recordar o Papa.

Amar o seu próximo mais próximo

Na homilia, Francisco se concentrou nos conselhos que o apóstolo Paulo dá a Timóteo e a todos os ministros nas duas cartas. A serem próximos são chamados, de fato, não só os bispos, mas também os sacerdotes e os diáconos. São as quatro “proximidades” que o Papa indicou. Antes de tudo, o bispo “é um homem de proximidade a Deus”. O Pontífice recordou que quando os apóstolos, para servir melhor viúvas e órfãos, “inventaram” os diáconos, para explicar bem tudo isso Pedro ressalta que “a nós” cabe “a oração e o anúncio da Palavra”. “A primeira tarefa de um bispo, portanto, é rezar: “dá força”, explicou, e desperta também “a consciência deste dom, que não devemos ignorar, que é o ministério”.

A segunda proximidade à qual o bispo é chamado é aos seus sacerdotes e diáconos, os seus colaboradores, que são os vizinhos mais próximos. “É preciso amar primeiro o seu próximo, que são os seus sacerdotes e os diáconos”, observou:

É triste quando um bispo esquece os seus sacerdotes. É triste ouvir as lamentações de sacerdotes que dizem: “Liguei para o bispo, preciso de um encontro para dizer algo, e a secretária me disse que está tudo lotado nos próximos três meses e não podia…”. Um bispo que sente esta proximidade aos sacerdotes, se sabe que um sacerdote ligou hoje, no máximo amanhã deveria chamá-lo, porque ele tem o direito de conhecer, de saber que tem um pai. Proximidade aos sacerdotes. E os sacerdotes vivam esta proximidade entre si, não as divisões. O diabo entra ali para dividir o presbitério, para dividir.

Cuidado com as ideologias

Assim, advertiu o Papa, começam os grupinhos que “dividem por ideologias”, “por simpatias”. Por fim, a quarta próximidade é ao povo de Deus:

Na segunda Carta, Paulo começa dizendo a Timóteo para não se esquecer da sua mãe e da sua avó, isto é, para não se esquecer de onde ele saiu, de onde o Senhor o tirou. Não se esqueça do seu povo, não se esqueça das suas raízes! E agora, como bispo e como sacerdote, é preciso estar sempre perto do povo de Deus. Quando um bispo se afasta do povo de Deus, acaba numa atmosfera de ideologias que nada têm a ver com o ministério: não é um ministro, não é um servo. Esqueceu-se do dom, gratuito, que lhe foi dado.

Em conclusão, o Papa voltou a pedir para não esquecer estas quatro “proximidades”, incluindo a do colégio episcopal e presbiteral: “a proximidade com Deus, a oração; a proximidade do bispo aos sacerdotes e dos sacerdotes ao bispo e dos sacerdotes entre eles e dos bispos entre eles, ou seja, a proximidade filial com Deus e fraternal ou paternal no bispo e nos sacerdotes”. E proximidade ao povo de Deus”. E exorta, com determinação, a rezar para que os bispos e os sacerdotes tenham essa proximidade, “aos seus líderes”: “aqueles que os conduzem pelo caminho da salvação”. “Teria a curiosidade de perguntar-lhes”, continua o Papa, “se vocês rezam pelos bispos, ou se apenas os criticam”:

Vocês rezam pelos seus sacerdotes, pelo pároco, pelo vice-pároco, ou apenas os criticam? Devemos rezar pelos sacerdotes e pelos bispos, porque todos nós – o Papa é um bispo – saibam conservar o dom – não negligenciar este dom que nos foi dado – com esta proximidade.

Radio Vaticano

O Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta e diante dos muitos bispos e sacerdotes que concelebraram com ele, falou do dom do ministério.

O Pontífice os convidou a refletir sobre a primeira Carta de São Paulo a Timóteo, proposta pela liturgia, destacando a palavra “dom”, seguindo o conselho de Paulo ao jovem discípulo: “Não descuides o dom da graça que tu tens”.

Não é um pacto de trabalho: “Eu devo fazer”, o fazer está em segundo plano; eu devo receber o dom e protegê-lo como dom e dali brota tudo, na contemplação do dom. Quando nós nos esquecemos disto, nos apropriamos do dom e o transformamos em função, perde-se o coração do ministério, perde-se o olhar de Jesus que olhou para todos nós e disse: “Segue-me”, perde-se a gratuidade.

O risco de centralizar o ministério em nós mesmos

O Papa adverte então para um risco:

Desta falta de contemplação do dom, do ministério como dom, brotam todos aqueles desvios que nós conhecemos, dos piores, que são terríveis, àqueles mais cotidianos, que nos fazem centralizar o nosso ministério em nós mesmos e não na gratuidade do dom e no amor por Aquele que nos deu o dom, o dom do ministério.

É importante fazer, mas primeiramente contemplar e proteger

Citando o apóstolo Paulo, Francisco recordou que o dom é “conferido mediante uma palavra profética com a imposição das mãos por parte dos presbíteros” e que vale para os bispos, mas também “para todos os sacerdotes”.

O Papa destacou ainda “a importância da contemplação do ministério como dom e não como função”. Fazemos aquilo que podemos, esclareceu, com boa vontade, inteligência, “também com esperteza”, mas sempre para proteger este dom.

O fariseu que esquece os dons da cortesia e do acolhimento

Esquecer a centralidade de um dom, acrescentou o Pontífice, é algo humano e deu como exemplo o fariseu que, no Evangelho de Lucas, acolhe Jesus em sua casa, ignorando “as inúmeras regras de acolhimento”, ignorando os dons. Jesus faz notar isso, indicando a mulher que doa tudo aquilo que o anfitrião esqueceu: a água para os pés, o beijo do acolhimento e a unção da cabeça com o óleo.

Havia este homem que era bom, um bom fariseu, mas esqueceu o dom da cortesia, o dom do acolhimento, que também é um dom. Sempre se esquecem os dons quando há algum interesse por trás, quando eu quero fazer isto, fazer, fazer… Sim, devemos, os sacerdotes, todos nós devemos fazer coisas e a primeira tarefa é anunciar o Evangelho, mas protegê-lo, proteger o centro, a fonte, de onde brota esta missão, que é propriamente o dom que recebemos gratuitamente do Senhor.

O Senhor nos ajude a não nos tornar ministros empresários

A oração final de Francisco ao Senhor é para que “nos ajude a proteger o dom, a ver o nosso ministério primeiramente como um dom, depois um serviço”, para não arruiná-lo “e não se tornar ministros empresários, executores”, e tantas coisas que afastam da contemplação do dom e do Senhor, “que nos deu o dom do ministério”. Uma graça que o Pontífice pediu para todos os presentes, mas especialmente para aqueles que festejam os 25 anos de ordenação.

Radio Vaticano

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral desta quarta-feira (18/09), realizada na Praça São Pedro, na qual participaram doze mil pessoas.

O tema da catequese do Papa foi extraído do Capítulo 3, 39 dos Atos dos Apóstolos: “Cuidado para não se meterem contra Deus! Os participantes do Sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel”.

Obediência da fé

“Diante da proibição dos judeus de ensinar no nome de Cristo, Pedro e os Apóstolos respondem com coragem que não podem obedecer aos que desejam interromper a viagem do Evangelho no mundo. Os Doze mostram que possuem a “obediência da fé” que eles desejam despertar em todos as pessoas. A partir de Pentecostes, eles deixam de ser pessoas sozinhas. Vivem uma sinergia especial que os descentraliza de si mesmos e os leva a dizer: «nós e o Espírito Santo». Sentem que não podem dizer “eu” sozinho, mas “nós”, o «Espírito Santo e nós»”, disse Francisco, acrescentando:

Na força desta aliança, os Apóstolos não se deixam assustar por ninguém. Tinham uma coragem impressionante. Pensamos que eram covardes: todos fugiram, fugiram quando Jesus foi detido pela polícia. Todos. Mas, passaram de covardes a corajosos. Por quê? Porque o Espírito Santo estava com eles. O mesmo acontece conosco: se tivermos o Espírito Santo dentro nós, teremos a coragem de seguir em frente, a coragem de vencer muitas lutas, não por nós mesmos, mas pelo Espírito que está conosco.

Os mártires de hoje

Segundo Francisco, os Apóstolos “não recuam em sua marcha como testemunhas intrépidas do Ressuscitado, como os mártires de todos os tempos, inclusive o nosso”.

Os mártires dão a vida, não escondem que são cristãos. Pensemos, alguns anos atrás, hoje também existem muitos mas, pensemos nos cristãos coptas ortodoxos verdadeiros, trabalhadores que foram todos degolados na praia da Líbia, quatro anos atrás. A última palavra que disseram foi “Jesus, Jesus”. Eles não venderam a fé, porque o Espírito Santo estava com eles. São os mártires de hoje.

“Os Apóstolos são os megafones do Espírito Santo, enviados por Jesus ressuscitado a difundir com prontidão e sem hesitação a Palavra que salva. Esta determinação deles faz tremer o sistema religioso judaico, que se sente ameaçado e responde com violência e condenações à morte. A perseguição dos cristãos é sempre a mesma: as pessoas que não querem o cristianismo sentem-se ameaçadas e levam os cristãos à morte.”

Mas, no Sinédrio, eleva-se a voz de Gamaliel, um fariseu diferente que escolhe conter a reação dos demais, “um homem prudente, doutor da lei estimado por todo o povo”. Na escola de Gamaliel, São Paulo aprendeu a observar “a Lei de nossos pais”, conforme ele diz no Capítulo 22 dos Atos dos Apóstolos. Gamaliel toma a palavra e convida os seus correligionários a exercer a arte do discernimento, diante de situações que excedem os padrões usuais.

A força que os homens têm em si não é duradoura

“Ele mostra, citando alguns personagens que se fingiram Messias, que todo projeto humano pode primeiro receber elogios e depois naufragar, enquanto tudo o que vem do alto e tem a “assinatura” de Deus está destinado a durar.”

Os projetos humanos sempre falham; eles têm um tempo, como nós. Pensem em tantos projetos políticos, e como eles mudam de um lado para o outro, em todos os países. Pensem nos grandes impérios, pensemos nas ditaduras do século passado. Sentiam-se poderosos, que podiam dominar o mundo. Depois todos desabaram. Pensem também nos impérios de hoje: desabarão, se Deus não estiver com eles, porque a força que os homens têm em si não é duradoura. Somente a força de Deus permanece. Pensemos na história dos cristãos, incluindo a história da Igreja, com tantos pecados, tantos escândalos, tantas coisas ruins nesses dois milênios. E por que não desabou? Porque Deus está ali. Nós somos pecadores e muitas vezes escandalizamos. Mas Deus está conosco. Deus sempre salva. A força é “Deus conosco.

“Portanto, Gamaliel conclui que, se os discípulos de Jesus de Nazaré creram num impostor, são destinados a desaparecer; se ao invés seguem alguém que vem de Deus, é melhor desistir de combatê-los; e adverte: “Cuidado para não se meterem contra Deus. Nos ensina a fazer esse discernimento”, sublinhou Francisco.

Hábito do discernimento

As palavras de Gamaliel, são palavras pacatas e sensatas, que nos permitem ver o evento cristão com uma nova luz. Tocam os corações e obtêm o efeito desejado: os outros membros do Sinédrio aceitam o seu parecer e renunciam aos propósitos de morte, ou seja, matar os apóstolos.

O Papa concluiu a sua catequese, convidando-nos a pedir ao Espírito Santo para agir em nós a fim de que possamos “adquirir o hábito do discernimento”.

Que o Espírito Santo nos ajude a “ver sempre a unidade da história da salvação através dos sinais da passagem de Deus em nosso tempo e nos rostos daqueles que nos rodeiam, e a aprender que o tempo e os rostos humanos são mensageiros do Deus vivo”.

Radio Vaticano

Ao final da Audiência Geral desta quarta-feira (18/09), o Papa Francisco recordou que em 21 de setembro celebra-se o Dia Mundial do Alzheimer.

Esta doença, afirmou o Papa, atinge inúmeros homens e mulheres, os quais com frequência são vítimas de violência, maus-tratos e abusos que espezinham a sua dignidade.

“ Rezemos pela conversão dos corações e por quem sofre com o Alzheimer, por suas famílias e por aqueles que cuidam dos doentes. ”

A esta oração, Francisco incluiu também quem sofre de patologias tumorais, para que sejam também eles amparados, seja na prevenção, seja no tratamento desta doença.

Memória

No Dia Mundial da Doença de Alzheimer, a ‘Alzheimer’s Disease International’ (ADI) vai lançar um relatório mundial que aborda as atitudes globais em relação à demência, com base numa pesquisa com quase 70 mil pessoas em 155 países.

A síndrome afeta a memória, outras capacidades cognitivas e comportamentos que interferem significativamente na capacidade de uma pessoa em manter as suas atividades diárias.

Segundo a ADI, as mortes devido à demência mais do que duplicaram entre os anos 2000 e 2016, tornando-a a quinta principal causa de morte global em 2016; estima-se que o número de pessoas que vivem com demência passará dos 50 milhões atuais para 152 milhões em 2050.

Radio Vaticano

Abrir o coração à compaixão e não fechar-se na indiferença. Este foi o convite que o Papa Francisco fez esta manhã (17/09) ao celebrar a missa na Casa Santa Marta. A compaixão, de fato, nos leva para o caminho da verdadeira justiça”, salvando-nos assim do fechamento em nós mesmos.

Sentiu compaixão

Toda a reflexão foi feita a partir do trecho do Evangelho de Lucas da liturgia de hoje (Lc 7,11-17), em que é narrado o encontro de Jesus com a viúva de Naim, que chora a morte do seu único filho, enquanto é levado ao túmulo.

O evangelista diz que Jesus “sentiu compaixão para com ela”, como se fosse “foi vítima da compaixão”, explicou o Papa. Havia muita gente que acompanhava aquela mulher, mas Jesus viu a sua realidade: ficou sozinha hoje e até o final da vida, é viúva, perdeu o único filho. É propriamente a compaixão que faz compreender profundamente a realidade:

A compaixão faz ver as realidades como são; a compaixão é como a lente do coração: nos faz entender realmente as dimensões. E no Evangelho, Jesus sente muitas vezes compaixão. A compaixão também é a linguagem de Deus. Não começa, na Bíblia, a aparecer com Jesus: foi Deus quem disse a Moisés “vi a dor do meu povo” (Ex 3,7); é a compaixão de Deus, que envia Moisés a salvar o povo. O nosso Deus é um Deus de compaixão, e a compaixão é – podemos dizer – a fraqueza de Deus, mas também a sua força. Aquilo que de melhor dá a nós: porque foi a compaixão que o levou a enviar o Filho a nós. É uma linguagem de Deus, a compaixão.

A compaixão não é pena

A compaixão “não é um sentimento de pena” que se sente, por exemplo, quando vemos morrer um cachorro na rua: “coitadinho, sentimos um pouco de pena”, afirmou Francisco. Mas é “envolver-se no problema dos outros, é arriscar a vida ali”. O Senhor, de fato, arrisca a vida e vai.

Outro exemplo feito pelo Papa Francisco vem do Evangelho da multiplicação dos pães, quando Jesus diz aos discípulos que deem de comer à multidão que o seguiu, enquanto eles preferiam que fosse embora. “Os discípulos eram prudentes”, notou o Papa.

”Eu creio que naquele momento Jesus tenha ficado bravo, no coração”, prosseguiu Francisco, considerando a resposta que deu: ‘Deem vocês de comer!’”. O seu convite é para cuidar das pessoas, sem pensar que depois de um dia assim poderiam ir aos vilarejos para comprar pão. “O Senhor, diz o Evangelho, sentiu compaixão porque via aquelas pessoas como ovelhas sem pastor”, recordou o Papa. De um lado, portanto, o gesto de Jesus, a compaixão e, de outro, a atitude egoísta dos discípulos, que “buscam uma solução sem se comprometer”, sem sujar as mãos, como dizendo: “que se virem”:

E se a compaixão é a linguagem de Deus, muitas vezes a indiferença é a linguagem humana. Cuidar até certo ponto e não pensar além. A indiferença. Um dos nossos fotógrafos, do l’Osservatore Romano, tirou uma foto que agora está na Esmolaria, que se chama “Indiferença”. Já falei outras vezes disto. Uma noite de inverno, diante de um restaurante de luxo, uma senhora que vive na rua estende a mão a outra senhora que sai, bem coberta, do restaurante, e esta senhora olha para o outro lado. Esta é a indiferença. Vejam aquela foto: esta é a indiferença. A nossa indiferença. Quantas vezes olhamos para o outro lado… E assim fechamos a porta para a compaixão. Podemos fazer um exame de consciência: eu habitualmente olho para o outro lado? Ou deixo que o Espírito Santo me leve para o caminho da compaixão? Que é uma virtude de Deus…

A seguir, o Papa se dissecomovido com uma palavra do Evangelho de hoje, quando Jesus diz a esta mãe: “Não chore”. “Uma carícia de compaixão”, afirmou Francisco. Jesus toca no caixão, ordenando ao jovem que levante. O jovem então fica sentado e começa a falar. E o Papa ressaltou propriamente o final: “E Jesus o entregou à sua mãe”:

Ele o entregou: um ato de justiça. Esta palavra se usa na justiça: restituir. A compaixão nos leva para o caminho da verdadeira justiça. É preciso sempre devolver àqueles que têm certo direito, e isso nos salva sempre do egoísmo, da indiferença, do fechamento em nós mesmos. Continuemos a Eucaristia de hoje com esta palavra: “O Senhor sentiu compaixão”. Que Ele tenha também compaixão de cada um de nós: nós precisamos disso.

Radio Vaticano

Rezar também pelos governantes e pelos políticos, para que “possam levar adiante com dignidade sua vocação”. São palavras do Papa Francisco na Missa desta manhã (16/09) na capela da Casa Santa Marta, a primeira depois da pausa de verão.

A oração

Refletindo sobre a Primeira Carta de São Paulo apóstolo a Timóteo, o Pontífice observa quanto seja encorajado a “todo o povo de Deus” a rezar, por um “pedido universal”: sejam feitos “sem cólera e sem polêmicas”, evidencia Francisco, “pedidos, súplicas, orações e agradecimentos para todos os homens” e ao mesmo tempo “pelos reis e por todos os que estão no poder” para que tenham “uma vida calma e tranquila, digna e dedicada a Deus”.

Paulo evidencia o ambiente de uma pessoa que crê: é a oração. É a oração de intercessão, aqui: “Que todos rezemos por todos, para que possamos levar uma vida calma e tranquila, digna e dedicada a Deus”. É necessária a oração a para que isso seja possível. Mas há um detalhe que gostaria de me deter: “Para todos os homens – e depois acrescenta – pelos reis e por todos os que estão no poder”. Portanto trata-se da oração pelos governantes, pelos políticos, pelas pessoas que são responsáveis de levar adiante uma instituição política, um país, uma província.

Rezar pelos que pensam diversamente

Esses, afirma, recebem “adulações por parte de seus favoritos ou insultos”. Há políticos, mas também padres e bispos, diz o Papa, que são insultados, “alguns o merecem”, acrescenta, mas já se torna “um hábito” recordando o que define um “acúmulo de insultos e de palavrões, de depreciações”. Ainda assim quem está no governo “têm a responsabilidade de conduzir o país”: e nós – pergunta-se o Pontífice – “o deixamos só, sem pedir a Deus que o abençoe?”. “Tenho certeza” – prossegue – que não se reza pelos governantes, ao contrário: poderia parecer que a oração aos governantes seja “insultar-lhes”. E assim, constata, “segue nossa vida nas relações” com quem está no poder. Mas São Paulo, explica, é “claro” ao pedir que se “reze por cada um deles para que possam levar adiante uma vida calma, tranquila, digna para seu povo”. Por fim recorda como os italianos passaram recentemente por uma “crise de governo”.

Quem de nós rezou pelos governantes? Quem de nós rezou pelos parlamentares? Para que possam ir de acordo e levar adiante a pátria? Parece que o espírito patriótico não chega à oração; mas sim às desqualificações, ao ódio, às brigas, e termina assim. Portanto, quero que em todos os lugares as pessoas rezem, levantando as mãos puras para o céu, sem raiva e sem polêmicas”. É preciso discutir e esta é a função de um parlamento. Discutir, mas não destruir o outro. Aliás, é preciso rezar pelo outro, por aquele que tem uma opinião diferente da minha.

Chamado à conversão

Diante dos que pensam que aquele político é “muito comunista” ou “corrupto”, o Papa, citando a passagem do Evangelho de Lucas de hoje, não pede para “discutir sobre política”, mas para rezar. Depois, há quem diga que “a política é suja”. Mas, Paulo VI, sublinhou Francisco, considerava a política “a mais alta forma de caridade”:

Pode ser suja assim como qualquer outra profissão, qualquer uma… Somos nós que sujamos uma coisa, mas não é a coisa em si que é suja. Acredito que devemos nos converter e rezar pelos políticos de todas as cores, todos eles! Rezar pelos governantes. É isso que Paulo nos pede. Enquanto ouvia a Palavra de Deus, esse fato muito bonito do Evangelho me veio à mente, o governante que reza por um dos seus, esse centurião que reza por um dos seus. Até os governantes devem rezar pelo seu povo e o centurião reza por um servo: “Mas não, ele é meu servo, eu sou responsável por ele”. Os governantes são responsáveis pela vida de um país. É bom pensar que, se o povo reza pelos governantes, os governantes também serão capazes de rezar pelo povo, como esse centurião que reza pelo seu servo.

Radio Vaticano

Três parábolas narradas no Evangelho de São Lucas, capítulo 15, para falar do quanto somos amados por um Deus que é misericórdia. “Três parábolas maravilhosas, que mostram a sua predileção por aqueles que se sentem distantes dele.”

Em duas oportunidades em sua alocução, antes de rezar o Angelus com os milhares peregrinos e turistas reunidos na Praça São Pedro, o Papa Francisco recomendou que as lêssemos: “Fará bem a vocês, será saúde para vocês.” Mas qual a mensagem tão especial que nos traz o Evangelho de hoje, narrado por São Lucas?

O Evangelho do dia – explicou o Papa – começa narrando a reação de alguns que, escandalizados, criticavam Jesus, dizendo com desdém: “Ele recebe os pecadores e come com eles”.

Jesus acolhe os pecadores e os convida à sua mesa

Uma frase, chama a atenção Francisco, que “acaba se revelando como um anúncio maravilhoso. Jesus acolhe os pecadores e come com eles”, como “acontece conosco, em cada Missa, em cada igreja”:

“Jesus está contente em nos acolher em sua mesa, onde se oferece por nós. É a frase que poderíamos escrever nas portas de nossas igrejas: “Aqui Jesus acolhe os pecadores e os convida à sua mesa”.

Para responder aos seus críticos, Jesus conta três parábolas, “três parábolas maravilhosas, que mostram a sua predileção por aqueles que se sentem distantes dele”.

A ovelha perdida

Começando pela Parábola da ovelha perdida, o Papa observa que “uma pessoa sensata” não deixaria as 99 no deserto para buscar aquela que se perdeu. Fazendo os cálculos, chegaria à conclusão que valeria mais a pena sacrificar uma, mantendo as outras 99 a salvo. Mas Deus – frisou o Pontífice – faz o contrário:

Deus, ao invés disso, não se resigna, a ele importa precisamente tu que ainda não conheces a beleza de seu amor, tu que ainda não acolhestes Jesus no centro de tua vida, tu que não consegues superar teu pecado, tu que talvez, pelas coisas ruins que aconteceram na tua vida, não acreditas no amor.”

Únicos e insubstituíveis no coração de Deus

Na segunda parábola, cada um de nós é aquela pequena moeda que o Senhor não quer perder e a procura incessantemente:

Ele quer te dizer que és precioso aos seus olhos, que és único. Ninguém pode te substituir no coração de Deus. Tu tens um lugar, és tu, e ninguém pode substituir-te. E também eu, ninguém pode substituir-me no coração de Deus.”

Deus não se cansa de nos esperar

Um Deus paciente, que não desanima, não se cansa e aguarda o retorno do filho pródigo. Este é o nosso Deus, que nos abraça novamente, nos acaricia e nos coloca em seus ombros. “Ele espera a cada dia que percebamos este seu amor”:

E tu dizes: “Mas eu aprontei tantas, aprontei muito!” Não tenhas medo: Deus te ama, te ama como és e sabe que somente o seu amor pode mudar a tua vida”.

A rejeição ao amor infinito de Deus

Mas o Santo Padre chama a atenção para o fato de que “esse amor infinito de Deus por nós pecadores, que é o coração do Evangelho, pode ser rejeitado”, como fez o filho mais velho da parábola:

Ele não entende o amor naquele momento e tem em mente mais um patrão do que um pai. É um risco também para nós: acreditar em um deus mais rigoroso do que misericordioso, um deus que derrota o mal com o poder antes que com o perdão.”

Mas com Deus, não é assim, reitera o Papa, que explica:

“Deus salva com o amor, não com a força, se propondo, não se impondo. Mas o filho mais velho, que não aceita a misericórdia do pai, se fecha, comete um erro pior: presume-se justo, presume-se traído e julga tudo com base ao seu pensamento de justiça. Assim, fica bravo com o irmão e censura o pai: “Tu matastes o novilho gordo agora que este teu filho voltou”. Este ‘teu filho’: não o chama “meu irmão”, mas teu filho. Sente-se filho único”.

Sem a ajuda de Deus não sabemos vencer o mal

Também nós muitas vezes agimos como o filho mais velho, “quando acreditamos ser os justos, quando pensamos que os maus são os outros”. Mas, recordou Francisco, “não nos acreditemos bons, porque sozinhos, sem a ajuda de Deus que é bom, não sabemos vencer o mal”.

“E como se faz para derrotar o mal?”, perguntou:

Acolhendo o perdão de Deus e o perdão dos irmãos. Acontece cada vez que vamos nos confessar: lá recebemos o amor do Pai que vence o nosso pecado: não existe mais, Deus o esquece. Quando Deus perdoa, perde a memória, esquece os nossos pecados, esquece. Deus é tão bom conosco!”

Deus esquece, reiterou o Papa, diferentemente de nós, que mesmo dizendo que “está tudo certo”, na primeira oportunidade nos recordamos dos ferimentos sofridos:

“Não, Deus apaga o mal, nos faz novos por dentro e, assim faz renascer em nós a alegria, não a tristeza, não a obscuridade no coração, não a suspeita, mas a alegria”.

Nenhum pecado tem a última palavra

“Coragem!”, foi a exortação do Santo Padre ao concluir. “Com Deus nenhum pecado tem a última palavra. Que Nossa Senhora, que desata os nós da vida, nos liberte da pretensão de acreditar que somos justos e nos faça sentir a necessidade de ir até o Senhor, que nos espera sempre para nos abraçar, para nos perdoar.

 

Radio Vaticano

O Papa Francisco concluiu sua série de audiências desta quinta-feira recebendo, no Vaticano, os bispos de recente nomeação que participaram do curso promovido pelas Congregações para os Bispos e para as Igrejas Orientais.

Proximidade

O Pontífice dedicou o seu discurso a uma atitude que é essencial para os Bispos: proximidade. Proximidade a Deus e proximidade ao seu povo.

A proximidade a Deus é a fonte do ministério do Bispo, explicou o Papa. Deus se fez próximo a nós mais do que poderíamos imaginar, encarnando-se em Cristo e a razão da nossa existência é “tornar palpável esta proximidade”.

Por isso o Bispo, sem poupar tempo, precisa estar diante de Jesus e levar até Ele as pessoas e as situações. Em outras palavras, o Bispo deve cultivar esta intimidade com Cristo diariamente na oração.

“Somente estando com Jesus somos preservados da presunção pelagiana de que o bem deriva da nossa capacidade.”

De Deus ao povo

Ao estar próximos de Deus, cresce a consciência de que a identidade do Bispo é fazer-se próximos. “Não é uma obrigação externa, mas uma exigência interna à lógica do dom.” A proximidade ao povo não é uma estratégia oportunista, advertiu o Papa, mas a condição essencial do ministro ordenado.

“ Mesmo na nossa pobreza, cabe a nós fazer com que ninguém sinta Deus como distante, que ninguém use Deus como pretexto para levantar muros, abater pontes e semear ódio. ”

A proximidade do Bispo, prosseguiu Francisco, não é retórica, não é feita de anúncios autorreferenciais, mas de disponibilidade real. É preciso deixar-se surpreender e aprender verbos concretos, como ver, cuidar e curar. É colocar-se em jogo e sujar as mãos.

“Por favor, não deixem que prevaleçam os temores pelos riscos do ministério, retraindo-se e mantendo as distâncias”, exortou o Pontífice.

Sobriedade, sem bajuladores

O termômetro da proximidade é a atenção aos últimos, aos pobres, que é já um anúncio do Reino, assim como o é a sobriedade.

“ Levar uma vida simples é testemunhar que Jesus nos basta. ”

Enfim, são necessários bispos capazes de sentir o palpitar de suas comunidades e de seus sacerdotes, que não se contentem de presenças formais, mas que sejam “apóstolos da escuta”. Por favor, exortou novamente o Papa, não se circundem de bajuladores.

De modo especial, Francisco encoraja as visitas pastorais regulares e uma proximidade especial aos sacerdotes.

“Também eles estão expostos às intempéries de um mundo que, mesmo cansado das trevas, não poupa hostilidade à luz. Eles precisam ser amados, seguidos e encorajados.”

Radio Vaticano

O Papa Francisco tem um novo convite a fazer, desta vez dirigido aos profissionais da área da educação: será realizado no Vaticano, no dia 14 de maio de 2020, um encontro mundial sobre o tema «Reconstruir o pacto educativo global».

Como explica o próprio Pontífice numa mensagem divulgada para lançar o evento, trata-se de um “encontro para reavivar o compromisso em prol e com as gerações jovens, renovando a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão”.

Superar fragmentações

Para Francisco, “nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna”.

A iniciativa do Pontífice é motivada pela mudança de época que estamos vivendo, não só cultural, mas também antropológica. Esta mudança gera novas linguagens e descarta, sem discernimento, os paradigmas recebidos da história.

Portanto, a educação é colocada à prova num processo que o Papa define como rapidación, isto é, a rápida aceleração e transformação dos pontos de referência. A consequência desta aceleração é a perda de consistência da própria identidade e a desintegração da estrutura psicológica.

Aldeia da educação

Eis então a necessidade de construir uma «aldeia da educação», onde, na diversidade, se partilhe o compromisso de gerar uma rede de relações humanas e abertas. Para isso, antes de mais nada, o terreno deve ser bonificado das discriminações com uma injeção de fraternidade, como defende o Papa no Documento assinado com o Grande Imã de Al-Azhar.

O convite é para se dialogar sobre o modo como estamos construindo o futuro do planeta e sobre a necessidade de investir os talentos de todos: professores, alunos, famílias e sociedade civil.

“Uma aliança entre os habitantes da terra e a «casa comum», à qual devemos cuidado e respeito. Uma aliança geradora de paz, justiça e aceitação entre todos os povos da família humana, bem como de diálogo entre as religiões.”

Três “coragens”

Para alcançar esses objetivos globais, Francisco indica três passos, ou melhor, três “coragens”: a coragem de colocar no centro a pessoa, a coragem de investir as melhores energias e a coragem de formar pessoas disponíveis para se colocarem ao serviço da comunidade

Estão convidados os profissionais, pelos mais variados títulos, que trabalham dentro da sala de aula ou na pesquisa e personalidades públicas que ocupem, em nível mundial, lugares de responsabilidade e se preocupam com o futuro das novas gerações. Mas não só: o convite é dirigido também aos jovens, “para que sintam plena responsabilidade de construir um mundo melhor”.

Participe!

O evento será realizado na Sala Paulo VI e será precedido por uma série de seminários temáticos, em várias instituições, para acompanhar a preparação do encontro.

“Juntos, procuremos encontrar soluções, iniciar sem medo processos de transformação e olhar para o futuro com esperança. Convido a cada um para ser protagonista desta aliança, assumindo o compromisso pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho dum humanismo solidário, que corresponda às expectativas do homem e ao desígnio de Deus.”

Todas as informações sobre o evento e o caminho de preparação estão disponíveis na páginacriada pela Congregação para a Educação Católica.

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No primeiro compromisso desta quinta-feira (12), na Sala Clementina, o Papa Francisco recebeu representantes da Ordem dos Agostinianos Descalços. Já na sexta-feira (12), será a vez dos irmãos da Ordem de Santo Agostinho, “irmãos, cunhados, amigos, inimigos, nunca se sabe”, brincou o Pontífice. No discurso de hoje, Francisco fez menção aos dois encontros e aos carismas que conduzem a Igreja “através do testemunho do grande Pastor e Doutor de Hipona”.

Os cerca de 200 Agostinianos Descalços que estiveram na audiência com o Papa estão participando do Capítulo Geral da Ordem que termina nesta quinta-feira (12), em Roma, por ocasião do Ano do Carisma. Durante três dias, os religiosos participaram de atividades como visitas a ex-conventos na capital romana e momentos de reflexão sobre a Ordem.

A inspiração do gigante do pensamento cristão

No discurso, Francisco começou lembrando de Santo Agostinho (354-430), filósofo, escritor, bispo e teólogo cristão africano, através do carisma da busca da santidade através da vida comunitária. “Santo Agostinho é uma daquelas figuras que fazem sentir o encanto de Deus”, disse o Papa, que acrescentou:

“ Ele é um gigante do pensamento cristão, mas o Senhor lhe doou também a vocação e a missão da fraternidade. Não se fechou no horizonte embora vasto da sua mente, mas permaneceu aberto ao povo de Deus e aos irmãos que compartilhavam com ele a vida comunitária. ”

Ser moderno é valorizar as raízes

Com a longa tradição religiosa iniciada por Santo Agostinho, o Papa enfatizou as próprias raízes dos Agostinianos Descalços, que devem ser sempre “amadas e aprofundadas”, acompanhadas de humildade e caridade, através da “oração e do discernimento comunitário, seiva vital” da presença da Ordem hoje na Igreja e no mundo.

“ Para ser moderno, alguém pode acreditar que é necessário se separar das raízes. E essa é a ruína, porque as raízes, a tradição, são a garantia do futuro. Não é um museu, é a verdadeira tradição, e as raízes são a tradição que te levam à seiva para fazer crescer a árvore, florescer, frutificar. Nunca se separar das raízes para ser moderno! Aquilo é um suicídio. ”

O Papa então abordou o carisma dos Agostinianos Descalços, na qualidade de “descalços”, que expressa a exigência de pobreza e de confiança na Providência Divina. “Vejo que todos usam calçados”, brincou Francisco aos participantes da audiência, ao enaltecer, na verdade, a importância do carisma de ter “a alma descalça”.

Humildade é a chave para abrir os corações

A escolha do quarto voto que caracteriza os religiosos, o da humildade, para dar ênfase aos trabalhos de 2019 foi elogiada pelo Pontífice, pois “é uma chave que abre o coração de Deus e os corações dos homens”. Além disso, acrescentou o Papa, “abre os próprios corações de vocês a serem fiéis ao carisma de origem, a se sentirem sempre discípulos-missionários, disponíveis às chamadas de Deus”. A humildade, lembrou Francisco, “não se pode pegar na mão, é ou não é, é um dom”.

O Papa finalizou o discurso falando da importância do Ano do Carisma dos Agostinianos Descalços:

“ Não é algo autorreferencial. Não, não deve ser isso, autorreferencial de uma comunidade viva que quer caminhar com Cristo vivo. Isso é aquilo que vocês querem: não é autorreferencialidade, mas o desejo de caminhar em Cristo, Cristo vivo. ”

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De volta a Roma de sua viagem apostólica, o Papa Francisco se reuniu com milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para a Audiência Geral desta quarta-feira (11/09).

A sua catequese foi dedicada aos três países que visitou: Moçambique, Madagascar e Maurício.

“ Agradeço a Deus que me concedeu realizar este itinerário como peregrino de paz e de esperança, e renovo a expressão da minha gratidão às respectivas autoridades desses Estados, assim como aos episcopados, que me convidaram e acolheram com tanto afeto e cuidado. ”

O Evangelho, disse o Papa, é o fermento mais poderoso de fraternidade, de liberdade, de justiça e de paz para todos os povos e “busquei levar este fermento” àquelas populações.

Moçambique – reconciliação

Recordando cada etapa, em Moçambique o objetivo era espalhar sementes de esperança, paz e reconciliação numa terra que tanto sofreu no passado recente por causa de um longo conflito armado e que recentemente foi atingido por dois ciclones que causaram muitos danos graves. Por sua vez, a Igreja continua a acompanhar o processo de paz, que fez um passo avante também em 1° de agosto passado com um novo Acordo entre as partes.

“Neste sentido, encorajei as autoridades do país, exortando-as a trabalharem juntas pelo bem comum. E encorajei os jovens, para que construam o país, superando a resignação e a ansiedade.”

Francisco citou ainda o encontro com os bispos, os sacerdotes e as pessoas consagradas e a visita ao hospital de Zimpeto, na periferia da capital, realizado com o empenho da Comunidade de Santo Egídio. De modo especial, louvou o trabalho em prol dos doentes, independente da crença, recordando que a diretora é muçulmana.

A visita a Moçambique culminou com a missa, celebrada embaixo de chuva, a ali ressoou o apelo do Senhor para amar os inimigos, “a semente da verdadeira revolução, a do amor, que apaga a violência e gera fraternidade”.

Madagascar – superação da pobreza

De Maputo, o Papa se transferiu a Antananarivo, capital de Madagascar. Um país rico de belezas e recursos naturais, mas marcado por tanta pobreza. “Fiz votos para que, animado por seu tradicional espírito de solidariedade, o povo malgaxe possa superar as adversidades e construir um futuro de desenvolvimento, conjugando o respeito pelo meio ambiente e a justiça social.”

Francisco mencionou ainda a visita à “Cidade da amizade” – Akamasoa, fundada pelo missionário padre Pedro Opeka, e na pedreira elevou a Deus a oração pelos trabalhadores.
Na capital malgaxe, o Papa se encontrou também com as monjas contemplativas, com os bispos e com os jovens. Outro momento significativo foi a oração à Beata Victoire Rasoamanarivo, a primeira nativa a ser elevada aos altares.

Em Antananarivo, Francisco celebrou a Eucaristia dominical no “Campo diocesano” ocasião em que” multidões se reuniram em volta do Senhor Jesus”. A visita a Madagascar se concluiu com os sacerdotes, as consagradas e os consagrados e os seminaristas.

Maurício – diálogo inter-religioso

Já a segunda-feira foi dedicada à República de Maurício, famosa meta turística, mas que foi escolhido pelo Papa, como “local de integração entre diversas etnias e culturas”. E contou que, ao chegar na casa episcopal, encontrou um maço de flores que lhe foi enviado pelo Imã “como sinal de fraternidade”

A missa foi celebrada no Monumento de Maria Rainha da Paz, em memória do Beato Jacques-Désiré Laval, conhecido como o “apóstolo da unidade mauriciana”.

“O Evangelho das bem-aventuranças, carteira de identidade dos discípulos de Cristo, neste contexto é antídoto contra a tentação de um bem-estar egoísta e discriminatório, e é fermento de verdadeira felicidade”.

Depois, no encontro com as autoridades de Maurício, o Papa manifestou seu apreço pelo empenho em harmonizar as diferenças num projeto comum e encorajou a levar avante também hoje a capacidade de acolhimento, assim como o esforço para manter e desenvolver a vida democrática.

Sempre com Maria

Antes de fazer sua exortação final, Francisco explicou que chegou ontem à noite e logo foi à Basílica de Santa Maria Maior rezar.

“ Antes de iniciar uma viagem e ao regressar, vou sempre até Nossa Senhora, da Salus Populi Romani, para que seja Ela a me acompanhar na viagem, como Mãe, a dizer-me o que devo fazer, a custodiar as minhas palavras e os meus gestos. Com Nossa Senhora, viajo seguro. ”

O Papa então concluiu:

“Queridos irmãos e irmãs, peçamos a Deus que as sementes lançadas nesta viagem apostólica levem frutos abundantes para os povos de Moçambique, Madagascar e Maurício.

Fiéis brasileiros

Ao final da Audiência, o Papa saudou os peregrinos de língua portuguesa, em especial os novos estudantes do Colégio Pio Brasileiro de Roma, a associação Unicanto de Londrina, e os grupos de fiéis de Nova Friburgo, Faro e Leça da Palmeira.

“Eu os encorajo a serem em todos os lugares testemunhas de esperança e caridade. E se algumas vezes a vida provoca turbulências espirituais em seu coração, busquem refúgio sob o manto da Santa Mãe de Deus; somente ali encontrarão paz.”

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Existe um aspecto da viagem de Francisco a Moçambique, Madagascar e Maurício que o une a todas as outras viagens dos Papas, sem que isso minimize a sua importância. Porque, ao contrário, o reforça. É a união do povo de Deus à espera do Papa, um aspecto central do ministério petrino que, talvez, nem mesmo as imagens conseguem dar.

Uma quantidade incalculável de pessoas (retratadas nos rostos, nos olhares, nos gestos) que traduz a espera, a alegria, a força de um encontro. O milagre de um povo aglomerado ao longo de quilômetros de estrada, reunido nas esplanadas, acampado ao ar livre, em meio à poeira, só para ver o Papa passar, cruzar o seu olhar e concentrar num instante a sua história pessoal e coletiva, ser visto e abençoado: é o testemunho poderoso do que é a Igreja.

Centenas de milhares de pessoas inclinadas a ser uma coisa só para dizer com alegria a própria fé e ser confirmada pelo sucessor de Pedro. Centenas de milhares de pessoas que encarnam, cada uma, a presença visível de Deus, que espera de ser também Ele visto em cada um desses olhares. Centenas de milhares de pessoas que, por sua vez, restituem ao sucessor de Pedro e à Igreja toda a força do povo de Deus.

Nesse encontro de olhares, de fraquezas e de fé existe o mistério da Igreja que o Senhor confiou a Pedro e aos seus sucessores, e existe também o mistério do munus petrino que o mantém firme apesar das dificuldades que sempre atravessou e atravessa.

Papa Francisco falou sobre isso na coletiva de imprensa durante o voo quando, respondendo a uma pergunta sobre as tentações dos cismas, disse não ter medo e de confiar na oração. Quando falou da fé das populações de Moçambique, Madagascar e Maurício. Quando explicou o que fez o cristianismo se disseminar e crescer: não o proselitismo, mas o ser reconhecidos pelo amor, pelo ser uma coisa só.

Jesus falou sobre isso na última ceia, dirigindo-se a Pedro na dramática situação daquelas horas que precedem a sua morte e ressureição, e seguem com a festa da multidão em Jerusalém que o tinha acolhido como um rei. Ele fez isso explicando que a força de Pedro e dos seus sucessores, o que a preserva das portas do inferno, está na oração para Pedro que o próprio Jesus confiou a Deus Pai.

Como explicou São João Paulo II, as palavras de Jesus (Lc 22, 31-32) “se referem, sem dúvidas, à dimensão escatológica do Reino, quando os Apóstolos serão chamados a ‘julgar as doze tribos de Israel’ (Lc 22,30). Esse, porém, há valor também pela sua fase atual, pelo período da Igreja aqui sobre a terra. E essa é fase de teste” (…). Aquelas palavras servem “também a nós para nos induzir a ver na luz da graça a eleição, a missão e o próprio poder de Pedro. O que Jesus promete e confia vem do Céu e pertence – deve pertencer – ao Reino dos céus” (Audiência Geral de quarta-feira, 2 de dezembro de 1992).

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Com a cerimônia de despedida no aeroporto de Antananarivo, o Papa Francisco concluiu a 31ª Viagem Apostólica de seu Pontificado.

O Pontífice foi saudado pelo presidente da República de Madagascar, Sr. Andry Rajoelina, acompanhado pela primeira-dama, além de autoridades civis e de inúmeros bispos, a quem o Papa cumprimentou um a um.

Um coral à margem da pista do aeroporto acompanhou com cantos tradicionais a despedida de Francisco.

O avião decolou por volta das 08h40 – horário de Roma – e deverá chegar à capital italiana às 19h depois de percorrer quase oito mil quilômetros em 10h30 de voo.
Durante quase uma semana, o Papa esteve em três países: Moçambique, Madagascar e Maurício.

Com esta viagem, o Pontífice já visitou 47 países desde o início do seu pontificado.

Grupo de idosas

Esta manhã, despedindo-se da nunciatura em Madagascar, o Papa Francisco saudou cerca de 10 idosas pobres, representando as pessoas assistidas todas as sextas-feiras pela representação diplomática.

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A 31ª Viagem Apostólica do Papa Francisco chegou nesta segunda-feira à sua terceira e última etapa: a visita à capital de Maurício, Porto Luís.

Depois de duas horas de voo partindo de Antananarivo, o Pontífice foi acolhido no aeroporto pelo primeiro-ministro, Pravind Kumar Jugnauth, e demais autoridades civis e eclesiásticas. Depois da execução dos hinos e do piquete de honra, o Papa se transferiu diretamente para o Monumento de Maria Rainha da Paz.

O Monumento foi inaugurado em agosto de 1940, em agradecimento pela preservação do país durante o primeiro conflito mundial. Construído em forma de ascendentes terraços verdes, intercaladas por flores, o local domina a cidade. No alto, foi colocado um altar com uma imagem de Nossa Senhora em mármore de 3 metros de altura. A Virgem segura em suas mãos o globo terrestre e é meta de peregrinações.

Evangelização não pode ser abstrata e asséptica

Com capacidade para 80 mil pessoas, no Monumento foi celebrada a missa no dia em que a Igreja recorda a memória do Bem-aventurado Jacques-Desiré Laval, conhecido como o “apóstolo da unidade mauriciana”.

Em sua homilia, o Pontífice citou o amor por Cristo e pelos pobres como a marca distintiva da vida do beato francês que morreu na ilha em 1864. Este mesmo amor protegeu o Laval da ilusão de realizar uma evangelização “abstrata e asséptica”. Ele “sabia que evangelizar implica fazer-se tudo para todos: aprendeu a língua dos escravos recém-libertados e anunciou-lhes de maneira simples a Boa Nova da salvação”.

Dinamismo missionário

As pequenas comunidades criadas pelo beato estão na origem das paróquias atuais e o seu dinamismo missionário, afirmou o Papa, deu à Igreja mauriciana uma nova juventude.

“ São precisamente os jovens que, pela sua vitalidade e dedicação, podem dar à Igreja a beleza e o frescor próprios da juventude, quando desafiam a comunidade cristã a renovar-se e nos convidam a partir para novos horizontes. ”

Os jovens, prosseguiu Francisco, são a primeira missão da Igreja. Na ilha, não obstante o crescimento econômico, são eles os que mais sofrem com o desemprego e a falta de perspectivas.

“Um futuro incerto, que os descarta e obriga a conceber a sua vida à margem da sociedade, deixando-os vulneráveis e quase sem pontos de referência perante as novas formas de escravidão deste século XXI.”

Jovens, as primícias da terra

Eis então que a missão da Igreja é convidar os jovens a encontrar a sua felicidade em Jesus.

“ Não deixemos que nos roubem o rosto jovem da Igreja e da sociedade! Não permitamos aos mercadores de morte roubar as primícias desta terra! ”

Para viver o Evangelho, continuou, não podemos esperar que tudo seja favorável ao nosso redor, porque muitas vezes as ambições do poder e os interesses mundanos jogam contra nós.
Mas é justamente nesta situação que a vivência das bem-aventuranças se torna ainda mais urgente.

O que deve preocupar a Igreja não são os números, mas a carência de homens e mulheres que queiram viver a felicidade pelos caminhos da santidade.

“ Rezemos, queridos irmãos e irmãs, pelas nossas comunidades para que, dando testemunho da alegria da vida cristã, vejam florescer a vocação à santidade nas diferentes formas de vida que o Espírito nos propõe. ”

A Nossa Senhora, concluiu o Papa, “peçamos o dom da abertura ao Espírito Santo, da alegria perseverante, a alegria que não se deixa abater nem retroceder, a alegria que sempre nos faz experimentar e afirmar que o Todo Poderoso faz maravilhas, santo é o seu nome”.

Papa saúda os detentos

Ao final da celebração eucarística, Francisco agradeceu ao cardeal Maurice Piat, às autoridades, voluntários e fiéis que vieram de outras ilhas, como Seychelles e Comores, pela oportunidade de visitar Maurício.

Mas a saudação especial do Papa foi reservada aos detentos que participaram do “Percurso Alpha” na prisão. Eles escreveram e Francisco respondeu saudando-os e concedendo-lhes a sua bênção.

Este projeto oferece aos prisioneiros a oportunidade de questionar o significado da vida e descobrir como a fé cristã pode reforça-los na vida de todos os dias. Trata-se de um serviço oferecido pela capelania carcerária.

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O Papa Francisco, no seu segundo pronunciamento oficial deste domingo (8), em Madagascar, se dirigiu aos cerca de 8 mil jovens, na maioria crianças, que vivem na Cidade da Amizade, conhecida como Akamasoa – que na língua local significa “bom amigo”.

No Auditório Manantenasoa, repleto de vozes infantis cheias de amor e alegria que receberam o Pontífice, num momento de festa e gratidão pela sua presença, o sinal de esperança que brota em meio às aldeias das famílias pobres e das pedreiras que dão o trabalho diário à comunidade formada por 25 mil famílias.

Na saudação, o Papa Francisco já iniciou agradecendo pelo encontro promovido “nesta grande obra”, que também é o coração da Cidade da Amizade.

“ Akamasoa é a expressão da presença de Deus no meio do seu povo pobre; não uma presença esporádica, casual: é a presença de um Deus que decidiu viver e permanecer sempre no meio do seu povo. ”

A pobreza não é fatalidade

O Papa então, como o próprio fundador de Akamosoa, Pe. Pedro Opeka, tinha antecipado, levou coragem à comunidade que luta contra a pobreza com o próprio trabalho:

“Vendo os rostos radiantes de vocês, dou graças ao Senhor que ouviu o clamor dos pobres e manifestou o seu amor através de sinais palpáveis como a criação desta aldeia. Os clamores de vocês nascidos do fato de não poderem mais viver sem um teto, de verem os filhos de vocês crescerem malnutridos, de não terem trabalho, nascidos do olhar indiferente – para não dizer desdenhoso – de muitos, transformaram-se em cânticos de esperança para vocês e quem os contempla.”

“ Cada recanto destes bairros, cada escola ou dispensário é um cântico de esperança que recusa e faz calar toda a fatalidade. Vamos dizer com força: a pobreza não é uma fatalidade. ”

O exemplo de se trabalhar em comunidade

A longa história de “coragem e ajuda mútua” que caracteriza Akamasoa foi lembrada pelo Pontífice. “Anos de trabalho duro” para promover a “fé viva que se traduziu em ações concretas, capazes de «mover montanhas» (cf. Mc 11, 23)”, disse o Papa.

“ Uma fé que permitiu ver uma chance onde era visível apenas a precariedade, ver a esperança onde só era visível a fatalidade, ver a vida onde muitos anunciavam morte e destruição. ”

Francisco então falou da importância de realizar obras em benefício dos mais pobres e através do trabalho em comunidade, como aconteceu em Akamasoa. A aventura do Pe. Pedro em fazer das famílias pobres os verdadeiros “protagonistas e artífices desta história”, criou uma rede de “educação para os valores”, disse o Papa, com a transmissão do “enorme tesouro do compromisso, disciplina, honestidade, respeito por si mesmo e pelos outros”.

“E puderam compreender que faz parte do sonho de Deus não apenas o progresso pessoal, mas sobretudo o progresso comunitário, já que não há escravidão pior – como nos lembrou o Pe. Pedro – do que viver cada um só para si.”

A força do trabalho e da fé para o futuro de Akamasoa

A mensagem final do Papa aos jovens e ao futuro de Akamasoa foi pela luta contra a pobreza através do trabalho digno e da força da fé que geram esperança.

“Nunca desistam perante os efeitos nefastos da pobreza, nunca sucumbam às tentações da vida fácil ou do retraimento em vocês mesmos. […] Queridos jovens, cabe a vocês continuar o trabalho feito pelos mais velhos. A força para realizar tudo isso vão encontrar na fé e no testemunho vivo que foi plasmado na vida de vocês. Deixem se desenvolver em vocês os dons que o Senhor concedeu. Peçam para Ele lhes ajudar a servir generosamente os seus irmãos e irmãs. Assim, Akamasoa não será apenas um exemplo para as gerações futuras, mas sobretudo o ponto de partida de uma obra inspirada por Deus, que encontrará o seu pleno desenvolvimento continuando a testemunhar o seu amor às gerações presentes e futuras.”

O Papa Francisco também exortou atitudes concretas para além das fronteiras de Madagascar, através da promoção de modelos de desenvolvimento inspirados em Akamasoa , quando disse:

“ Rezemos para que se difunda, por Madagascar inteiro e em outras partes do mundo, o esplendor desta luz e possamos alcançar modelos de desenvolvimento que privilegiem a luta contra a pobreza e a exclusão social a partir da confiança, da educação, do trabalho e do empenho que são sempre indispensáveis para a dignidade da pessoa humana. ”

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O encontro com os sacerdotes, religiosos, religiosas, consagrados e seminaristas encerrou a visita do Papa Francisco à capital malgaxe, Antananarivo.

No pátio do Colégio São Miguel, o discurso do Pontífice foi antecedido pela saudação da Ir. Suzanne Marianne Raharisoa, presidente da Conferência das Religiosas.

Igreja em saída

Em seu pronunciamento, Francisco recordou os missionários pioneiros na ilha, entre os quais lazaristas e jesuítas, mas também os inúmeros leigos que, em tempos difíceis de perseguição, mantiveram viva a chama da fé nesta terra.

“ Isto convida-nos a recordar o nosso Batismo, como o primeiro e grande sacramento pelo qual recebemos o selo de filhos de Deus. Tudo o mais é expressão e manifestação deste amor inicial que sempre somos chamados a renovar. ”

Como os 72 discípulos de Jesus, os consagrados de Madagascar aceitaram o desafio de ser uma Igreja em saída, não obstante careçam dos serviços essenciais – água, eletricidade, estradas, meios de comunicação – ou dos recursos econômicos para gerir a vida e a atividade pastoral.

O Papa então agradeceu pelo testemunho de quem escolheu ficar, sem fazer da vocação um “trampolim para uma vida melhor”.

“ A pessoa consagrada, no sentido amplo da palavra, é a mulher ou o homem que aprendeu e quer permanecer no coração do seu Senhor e no coração do seu povo. ”

Não perder a bússola

Francisco advertiu os religiosos e consagrados a não perderem a atitude de louvar ao Senhor, pois com frequência, pode-se sucumbir à tentação de passar horas a falar dos “sucessos” ou dos “fracassos”, da “utilidade” das ações, ou da “influência” que se pode ter. Muitas vezes, isto leva a sonhar programas apostólicos cada vez maiores, meticulosos e bem elaborados, mas típicos dos generais derrotados.

“ Louvando, aprendemos a sensibilidade de não ‘perder a bússola’, para não fazer dos meios fins, nem do supérfluo o que é importante. ”

Em nome do Senhor Jesus

Os setenta e dois discípulos, prosseguiu o Papa, estavam conscientes de que o sucesso da missão dependeu do fato de a terem cumprido “em nome do Senhor Jesus”.

Não carregavam panfletos de propaganda com o retrato de Cristo. A alegria dos discípulos nascia da certeza de fazer as coisas em nome do Senhor, de viver o seu projeto, de partilhar a sua vida.

Em seu nome, acrescentou o Pontífice, “vocês são vencedores dando de comer a uma criança, salvando uma mãe do desespero de ficar sozinha a cuidar de tudo, dando trabalho a um pai de família”. É uma luta vitoriosa aquela que se combate contra a ignorância, garantindo uma educação. Grande sinal de vitória sobre o mal é recobrar a saúde a milhares de pessoas.

“Continuem com estas batalhas, mas sempre na oração e no louvor!”, encorajou o Papa.

Profissionais do sagrado

Todavia, está sempre à espreita o risco de se tornar “profissionais do sagrado”, ao invés de ser homens e mulheres de louvor.

“ Vençamos o espírito do mal no seu próprio terreno, ou seja, onde ele nos convida a apegar-nos a garantias econômicas, a espaços de poder e glória humana, respondamos com a disponibilidade e a pobreza evangélica que nos levam a dar a nossa vida pela missão. Não deixemos que nos roubem a alegria missionária! ”

Jesus louva o Pai, disse por fim o Papa, porque revelou estas coisas aos “pequeninos”. Estes pequeninos são os consagrados, porque a sua alegria está precisamente nesta revelação que Ele fez: a pessoa simples “vê e escuta” aquilo que nem os sábios, nem os profetas, nem os reis podem ver e escutar.

“ Feliz Igreja dos pobres e para os pobres, porque vive impregnada do perfume do seu Senhor, vive jubilosa, anunciando a Boa Nova aos descartados da terra, àqueles que são os preferidos de Deus. ”

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O Papa Francisco, no seu segundo discurso oficial em Maputo nesta quinta-feira, 5, encontrou os jovens no Pavilhão do Clube de Desportos do Maxaquene, conhecido como Maxaca – uma sociedade com tradição no futebol, tanto que já ganhou cinco títulos nacionais. Do esporte, porém, hoje o espaço acolheu mais de 4 mil jovens cristãos, muçulmanos e hinduístas para um grande encontro inter-religioso com o Pontífice.

Durante cerca de uma hora intensa com a juventude de Moçambique, o Papa conseguiu conhecer um pouco da realidade local das diferentes confissões religiosas que se apresentaram, através da arte do canto e de coreografias especiais, demonstrando diferentes temas e motivos de preocupação dos jovens do país. Um hino comum às denominações religiosas também foi interpretado na ocasião que precedeu o discurso do Pontífice.

Jovens: vocês são importantes e precisam saber disso!

“O que há de mais importante para um pastor do que encontrar-se com os seus jovens? Vocês são importantes! Precisam saber disso, precisam acreditar nisso: vocês são importantes! Mas com humildade porque não são apenas o futuro de Moçambique ou da Igreja e da humanidade; vocês são o presente de Moçambique! Com tudo o que são e fazem, já estão contribuindo para ele com o melhor que hoje podem dar.”

O Papa iniciou o discurso enaltecendo a expressão tão autêntica da alegria que caracteriza o povo de Moçambique. É uma “alegria que reconcilia e se torna o melhor antídoto capaz de desmentir todos aqueles que querem dividir, fragmentar ou contrapor. Como faz falta, em algumas regiões do mundo, a alegria de viver de vocês!”, sublinhou Francisco.

A presença das diferentes confissões religiosas no local também foi elogiada pelo Pontífice, demonstrando a união familiar através do “desafio da paz”, da esperança e da reconciliação. Com essa experiência, disse ele, é possível perceber que “todos somos necessários: com as nossas diferenças, mas necessários”.

“Vocês, jovens, caminham com dois pés como os adultos, mas, ao contrário dos adultos que os mantêm paralelos, vocês colocam um atrás do outro, pronto a arrancar, a partir. Vocês têm tanta força, são capazes de olhar com tanta esperança! São uma promessa de vida, que traz em si um certo grau de tenacidade (cf. Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit, 139), que não devem perder nem deixar que lhe roubem.”

As inimigas da esperança: resignação e ansiedade

O Papa, então, procurou responder a duas perguntas feitas pelos jovens, em questões interligadas, sobre como realizar os sonhos da juventude e como contribuir para solucionar os problemas que afligem o país. A indicação do Pontífice veio do próprio caminho de riqueza cultural apresentado pelos jovens, através da arte, uma expressão “de parte dos sonhos e realidades”, sempre regada de esperança, mas também de ilusões. Além disso, o Papa voltou a insistir com os jovens para não deixar que “roubem a sua alegria”, para não deixar de cantar e se expressar conforme as tradições de casa.

Francisco também alertou para ter cautela com “duas atitudes que matam os sonhos e a esperança: a resignação e a ansiedade”.

“São grandes inimigas da vida, porque normalmente nos impelem por um caminho fácil, mas de derrota; e a porta que pedem para passar é muito cara… O pedágio que pedem para passar é muito caro! É muito caro. Paga-se com a própria felicidade e até com a própria vida. Resignação e ansiedade: duas atitudes que roubam a esperança. Quantas promessas de felicidade vazias que acabam por mutilar vidas! Certamente conhecem amigos, conhecidos – ou pode mesmo ter acontecido com vocês – que, em momentos difíceis, dolorosos, quando parece que tudo cai em cima de vocês, ficam prostrados na resignação. É preciso estar muito atento, porque essa atitude «faz com que encaminhe pela estrada errada. Quando tudo parece estar parado e estagnante, quando os problemas pessoais nos preocupam, as dificuldades sociais não encontram as devidas respostas, não é bom dar-se por vencido» (Ibid., 141).”

A inspiração do esporte: Eusébio da Silva e Maria Mutola

E para dar um exemplo de inspiração em pleno tempo do futebol, o Papa recordou o jogador Eusébio da Silva, o “pantera negra”, que começou a carreira no clube de Maputo. O atleta não se resignou diante de graves dificuldades econômicas da família e da morte prematura do pai. O futebol o ajudou a perseverar, disse Francisco, “chegando a marcar 77 gols para o Maxaquene!”

O Pontífice então fez a analogia do jogo em equipe para falar da importância de se empenhar pelo país com a tática da união e independentemente daquilo que diferencia as pessoas.

“Como é importante não esquecer que «a inimizade social destrói. E uma família se destrói pela inimizade. Um país se destrói pela inimizade. O mundo se destrói pela inimizade. E a inimizade maior é a guerra porque são incapazes de sentar e falar, de sentar e falar. Sejam capazes de criar a amizade social!”

O Papa lembrou, então, o provérbio africano conhecido e citado mundialmente para “sonhar junto”, que diz: «Se quiser chegar depressa, caminha sozinho; se quiser chegar longe, vai acompanhado». Mas sem que a ansiedade seja inimiga dos sonhos da juventude por um país melhor, alertou o Papa, porque eles são conquistados com “esperança, paciência e determinação, renunciando às pressas”.

O outro exemplo do esporte citado pelo Papa veio do testemunho de Maria Mutola, que aprendeu a perseverar, apesar de perder a medalha de ouro nos três primeiros Jogos Olímpicos que disputou. O tão sonhado título dourado veio na quarta tentativa, quando a atleta dos 800 metros alcançou venceu nas Olimpíadas de Sidney. “A ansiedade não a deixou absorta em si mesma”, ao conseguir nove títulos mundiais”, comentou Francisco.

A importância dos idosos e da Casa Comum

O Papa ainda aconselhou a não esquecer do apoio dos idosos, que podem ajudar a realizar sonhos sem que “o primeiro vento da dificuldade” venha a impedir. Escutar as pessoas mais experientes, valorizando as tradições e fazendo a própria síntese, como aconteceu com a música, o ritmo tradicional de Moçambique: da marrabenta nasceu o pandza, com toque moderno.

O comprometimento com o cuidado da Casa Comum também foi lembrado pelo Papa, num país que tamanha beleza natural, mas que também já sofreu com o embate de dois ciclones. O desafio de proteger o meio ambiente é um forma de permanecer unidos para ser “artesãos da mudança tão necessária”.

O poder da mão estendida e da amizade ao país

Dessa forma explicativa, Francisco procurou encorajar os jovens a encontrar novos caminhos de paz, liberdade, entusiasmo e criatividade, e “com o gosto da solidariedade”, para responder às provações e problemas vividos no país. “Grande é o poder da mão estendida e da amizade”, acrescentou o Papa, para que “a solidariedade cresça entre vocês e se torne na melhor arma para transformar a história. A solidariedade é a melhor arma para transformar a história”. E Francisco finalizou o discurso lembrando os jovens que não esqueçam o quanto Jesus os ama:

“[É o amor do Senhor que se entende mais de levantamentos que de quedas, mais de reconciliação que de proibições, mais de dar nova oportunidade que de condenar, mais de futuro que de passado» (Ibid., 116). Eu sei que vocês acreditam nesse amor que torna possível a reconciliação.] ”

Canção Nova

“Não à violência, sim à paz!” O Papa Francisco repetiu as palavras de São João Paulo II durante seu primeiro discurso em Moçambique, diante das autoridades, representantes da sociedade civil e  corpo diplomático.

A palavra “paz” corre o risco de soar como um slogan vazio, especialmente aos ouvidos daqueles que não conheceram a guerra, a violência, o ódio fratricida, os conflitos dentro de países influenciados pelas grandes potências. Mas aqui em Maputo, o apelo do bispo de Roma toca no mais íntimo de um povo. Um milhão de mortos e três-quatro milhões de deslocados nos países vizinhos. Custou muito a guerra civil entre a Frelimo (Frente de Libertação Moçambicana de inspiração marxista-leninista) e a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana, movimento armado anticomunista). Uma guerra que durou mais de quinze anos, concluída em 1992 com os Acordos de Roma favorecidos pela Comunidade de Santo Egídio, pela Igreja local e pelo governo italiano.

No último quarto de século, o caminho não foi fácil, mas marcado pelo ressurgimento de conflitos que nos fizeram temer o pior. Hoje, a paz parece florescer novamente graças ao novo Acordo assinado em agosto de 2019 entre o presidente Nyusi e o líder da Renamo Ossufo Momade, que prevê o desarmamento de mais de cinco mil combatentes e novas eleições políticas previstas para o próximo dia 15 de outubro.

O Papa quis expressar desde suas primeiras palavras o apreço pelos esforços que estão sendo feitos para que “a paz volte a ser a norma e a reconciliação o melhor caminho para enfrentar as dificuldades e os desafios encontrados como nação”.

A busca da paz, o compromisso com a paz, requer “um árduo trabalho, constante e ininterrupto”. Mas Francisco, no discurso inicial de sua visita a Moçambique, quis recordar que a paz “não é somente ausência de guerra, mas o compromisso incansável – sobretudo daqueles que ocupam um cargo de maior responsabilidade – de reconhecer, garantir e reconstruir concretamente a dignidade, muitas vezes esquecida ou ignorada, de nossos irmãos, para que possam sentir-se protagonistas do destino da própria nação”.

A paz não pode ser separada da justiça e não pode ser alcançada sem perdão e reconciliação, como sempre recordou João Paulo II, mesmo logo após os ataques aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. “Não podemos perder de vista – afirma hoje o seu sucessor – que, sem igualdade de oportunidades, as diferentes formas de agressão e de guerra encontrarão terreno fértil que cedo ou tarde provocará  a explosão. Quando a sociedade – local, nacional ou mundial – abandona uma parte de si na periferia, não haverá programas políticos, nem forças da ordem e de inteligência que possam assegurar de forma ilimitada a tranquilidade”.

As desigualdades sociais, a exploração selvagem dos recursos naturais que deixam as pessoas na pobreza, um sistema econômico-financeiro que coloca no centro o deus dinheiro e não o homem, a incitação ao ódio e à oposição, são sementes de violência e de guerra.

Para fazer florescer a verdadeira paz – esse é o caminho indicado pelo Papa -, é preciso comprometer-se com a justiça, combater as desigualdades, favorecer a cultura de encontro, cuidar da casa comum e não descartar os jovens e os idosos. Um caminho mestre a seguir, não apenas na África.

Radio Vaticano

Uma saudação com muito afeto e um agradecimento pelos preparativos: assim o Papa Francisco se dirige à população de Maurício, no Oceano Índico.

A ilha aguarda a visita do Pontífice na segunda-feira, 9 de setembro, última etapa de sua 31ª viagem apostólica, que o levará também a Moçambique e Madagascar.

“ Será para mim uma alegria anunciar o Evangelho em meio a seu povo, que se distingue por ter sido formado a partir do encontro de diferentes etnias e que, portanto, goza da riqueza de várias tradições culturais e também religiosas. ”

A língua do Evangelho é o amor

Desde a sua origem, prossegue Francisco, a Igreja Católica é enviada a todos os povos e fala todas as línguas do mundo.

“ Mas a língua do Evangelho, como sabem, é o amor. Que o Senhor, por intercessão de Nossa Senhora, me conceda de anunciar o Evangelho com a força do Espírito Santo, de modo que todos possam compreendê-lo e acolhê-lo. ”

Francisco conclui sua mensagem pedindo aos fiéis que intensifiquem a oração nesses dias que antecedem a viagem: “obrigado e até logo!”.

Um dia em Maurício

A etapa em Maurício será feita na capital, Port Loius, e prevê, pela manhã, a celebração da missa. Em seguida, o Pontífice almoça com os bispos da região e realiza uma visita privada ao santuário do Padre Laval.

Na parte da tarde, Francisco se reúne com o presidente da República e com o primeiro-ministro no palácio presidencial. Na sequência, pronuncia seu discurso no encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático. A visita de conclui com a cerimônia de despedida no aeroporto de Port Loius.

Na terça-feira, o Papa regressa a Roma.

Radio Vaticano

Uma oncologia da misericórdia: esta foi a expressão utilizada pelo Papa Francisco ao receber, em audiência no Vaticano, pacientes e médicos da Associação Italiana de Oncologia Médica (AIOM).

Não escolher a morte

A Associação foi criada em 1973 e no final de outubro realizará seu XXI Congresso nacional sobre o tema “O melhor tratamento para cada paciente”.

“É assim que a oncologia de precisão se torna também uma oncologia da misericórdia, porque o esforço para personalizar o tratamento revela uma atenção não somente à doença, mas ao doente e às suas características, ao modo como reage aos remédios, às informações mais dolorosas e ao sofrimento”, afirmou o Pontífice.

Este tipo de oncologia, prosseguiu o Papa, vai além da aplicação dos protocolos e revela uma utilização da tecnologia que se coloca a serviço das pessoas. Isso acontece quando a mesma não reduz o ser humano a uma coisa, quando não distingue entre quem merece ou não ser curado.

“ A prática da eutanásia, que já se tornou legal em vários Estados, somente aparentemente se propõe a incentivar a liberdade pessoal; na realidade, esta se baseia numa visão utilitarista da pessoa, a qual se torna inútil ou pode ser equiparada a um custo se do ponto de vista médico não há esperanças de melhora ou não se pode mais evitar a dor. ”

Pelo contrário, disse ainda o Papa, o doente e seus familiares devem ser acompanhados em todas as fases do decurso através de métodos paliativos e estruturas atentas ao valor de cada pessoa.

Por isso, Francisco encoraja os médicos a não esmorecerem diante da incompreensão ou diante da proposta insistente de caminhos mais radicais e apressados.

“Escolhendo a morte, os problemas num certo sentido estão resolvidos; mas quanto amargura por detrás deste raciocínio e que rejeição da esperança comporta a escolha de renunciar a tudo e romper todo elo!”

Tumores e meio ambiente: duas faces de um mesmo problema

O Papa falou também da importância da prevenção, procurando um estilo de vida saudável e respeitoso do corpo e da nossa casa comum.

“A proteção do meio ambiente e a luta contra os tumores se tornam, assim, duas faces de um mesmo problema, dois aspectos complementares de uma mesma batalha de civilidade e de humanidade.”

O Pontífice encerrou seu discurso propondo aos médicos e doentes o exemplo de Jesus, o maior mestre de humanidade, para que inspire a buscar a força de não interromper os elos de amor, a manter viva a amizade com Deus.

“ Que Jesus inspire cada um a fazer-se próximo de quem sofre, aos pequenos antes de tudo, e a colocar os fracos em primeiro lugar, para que cresçam uma sociedade mais humana e relações marcadas pela gratuidade, mais do que pela oportunidade. ”

Radio Vaticano

Entre os nomes anunciados pelo Papa Francisco para o próximo Consistório de 5 de outubro está o do português Dom José Tolentino Calaça de Mendonça.

O futuro cardeal é natural da ilha da Madeira e era vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa quando foi convidado pelo Pontífice a pregar o retiro de Quaresma para a Cúria Romana em 2018.

Em julho do mesmo ano, o Papa o nomeou arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica, elevando-o à dignidade de arcebispo.

Em entrevista à colega Benedetta Capelli, Dom José Tolentino Calaça de Mendonça explica como recebeu a notícia de seu cardinalato:

“Eu estava a celebrar missa numa pequena capela em Lisboa e no fim da celebração recebi essa notícia através de outras pessoas. O meu primeiro sentimento, que ainda ressoa no meu coração, é aquela frase, aquele imperativo que Jesus dizia no Evangelho de ontem: “procura o último lugar”. E senti isso com muita clareza nesse chamamento que o Santo Padre me faz e que, de fato, é um chamamento para um serviço mais radical e com uma humildade muito grande na colaboração com o Santo Padre e com a unidade de toda a Igreja.”

Radio Vaticano

O Papa Francisco, que começou o Angelus desculpando-se pelo atraso – explicando ter ficado 25 minutos preso no elevador do Palácio Apostólico – destacou em sua alocução a generosidade desinteressada e a humildade indicanda por Jesus.

Sua reflexão foi inspirada no Evangelho de São Lucas que narra a presença de Jesus em um banquete na casa de um chefe dos fariseu. “Jesus olha e observa como os convidados correm, se apressam para conseguir os primeiros lugares”.

Afirmar superioridade sobre os outros

“É um comportamento bastante difundido, também em nossos dias – observou o Papa –  e não somente quando somos convidados para um almoço: habitualmente busca-se o primeiro lugar para afirmar uma suposta superioridade sobre os outros.”

Comportamento prejudicial à comunidade

Mas essa corrida pela busca dos primeiros lugares faz mal à comunidade – afirma Francisco – quer civil como eclesial, porque destrói a fraternidade:

Todos conhecemos estas pessoas: galgadores, que sempre se agarram para subir, subir. Fazem mal à fraternidade, prejudicam a fraternidade”.

Diante dessa cena, Jesus conta duas breves parábolas. O Papa recorda então a primeira, dirigida a uma pessoa convidada para um banquete, e é advertida para não ocupar o primeiro lugar, sob o risco de ser convidada pelo dono da festa a cedê-lo para outra pessoa e ocupar o último lugar, o que seria uma vergonha.

Escolher o último lugar

“Em vez disso – recordou o Santo Padre –  Jesus nos ensina a ter a atitude oposta, a sentar-se no último lugar: “Portanto, não devemos buscar por iniciativa própria a atenção e a consideração de outros, mas sim deixar que sejam os outros a dá-la”:

“Jesus nos mostra sempre o caminho da humildade – devemos aprender o caminho da humildade! –  porque é o mais autêntico, o que também permite ter relações autênticas. A verdadeira humildade, não a humildade fingida, aquela que no Piemonte se chama a “mugna quacia”, não, aquela não. A verdadeira humildade.”

A generosidade humilde é cristã

Já na segunda parábola – continuou Francisco – Jesus se dirige ao dono da festa, sugerindo que na escolha dos convidados, chame os “pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir””:

“Também aqui, Jesus vai completamente contracorrente, manifestando como sempre a lógica de Deus Pai. E também acrescenta a chave para interpretar esse seu discurso. E qual é a chave? Uma promessa: se fizeres assim,  “receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. Isso significa que aquele que assim se comportar, terá a recompensa divina, muito superior à retribuição humana que se espera: eu te faço esse favor esperando que tu me faça outro. Não, isso não é cristão. A generosidade humilde é cristã”.

Jesus convida à generosidade desinteressada

O Papa observa que a retribuição humana, “geralmente distorce os relacionamentos, os torna comerciais, introduzindo o interesse pessoal em uma relação que deveria ser generosa e gratuita”.

Jesus, por sua vez, “convida à generosidade desinteressada, para abrir-nos o caminho em direção a uma alegria muito maior, a alegria de ser partícipes do próprio amor de Deus que nos espera, todos nós, no banquete celeste”.

Ao concluir, Francisco pediu a Virgem Maria que “nos ajude a reconhecer-nos como somos, isto é, pequenos; e a nos alegrarmos em dar, sem esperar recompensa”.

Radio Vaticano

Foi divulgada, nesta sexta-feira (30/08), a videomensagem do Papa Francisco para sua viagem apostólica a Moçambique, que terá início na próxima quarta-feira, 4 de setembro.

Eis o texto da mensagem de vídeo.

Querido povo de Moçambique!

Dentro de poucos dias, terá início a minha visita ao vosso país e, apesar de não poder deslocar-me para além da capital, o meu coração alcança e abraça a todos vós, com um lugar especial para quantos vivem atribulados. Desde já vos queria deixar esta certeza: estais todos na minha oração. Anseio pelo momento de vos encontrar.

Tal como eu recebi (e agradeço!) o convite do senhor Presidente e dos meus irmãos Bispos para ir ter convosco, assim estendo o convite a todos vós, para vos unirdes à minha oração a fim de que o Deus e Pai de todos consolide a reconciliação, reconciliação fraterna em Moçambique e na África inteira, única esperança para uma paz firme e duradoura.

Terei a alegria de partilhar diretamente convosco estas convicções e também de verificar como cresce a sementeira feita pelo meu antecessor São João Paulo II. Esta viagem permitir-me-á encontrar a comunidade católica e confirmá-la no seu testemunho do Evangelho, que ensina a dignidade de cada homem e mulher e exige que abramos os nossos corações aos outros, especialmente aos pobres e necessitados.

Queridos irmãos e irmãs, sei que muitos estão a trabalhar na preparação da minha visita, inclusive com a oferta das suas orações, e de coração lhes agradeço. Sobre vós e sobre o vosso país invoco as bênçãos de Deus e a proteção da nossa Mãe, a Virgem Maria. Até breve!

Radio Vaticano

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral desta quarta-feira (28/08), realizada na Praça São Pedro, que teve como tema “Quando Pedro passava… Pedro, testemunha principal do ressuscitado”.

Segundo Francisco, “a comunidade eclesial, descrita no Livro dos Atos dos Apóstolos, vive da riqueza que o Senhor coloca à sua disposição, experimenta o crescimento numérico e um grande fermento, não obstante os ataques externos. Para nos mostrar essa vitalidade, Lucas, no Livro dos Atos dos Apóstolos, indica alguns lugares significativos, por exemplo, o Pórtico de Salomão, ponto de encontro para os fiéis. Está no Templo. O pórtico é uma galeria que funciona como abrigo, mas também como local de encontro e testemunho”.

São Lucas “insiste nos sinais e prodígios que acompanham a palavra dos Apóstolos e na cura especial dos doentes aos quais se dedicam”.

Para o Papa, no capítulo 5º dos Atos dos Apóstolos, a Igreja nascente aparece como um “hospital de campo” que acolhe os vulneráveis, ou seja, os doentes. O seu sofrimento atrai os Apóstolos, que não possuem «ouro nem prata», conforme Pedro diz ao coxo, mas têm a força do nome de Jesus.

“ Aos seus olhos, como aos olhos dos cristãos de todos os tempos, os doentes são os destinatários privilegiados do alegre anúncio do Reino, são os irmãos em que Cristo está presente de maneira particular, para deixar-se buscar e encontrar por todos nós. Os doentes são privilegiados da Igreja, do coração sacerdotal, de todos os fiéis. Eles não devem ser descartados: pelo contrário. Eles devem ser cuidados, acudidos. Eles são o objeto da preocupação cristã. ”

Francisco ressaltou que “dentre os apóstolos emerge Pedro, que tem preeminência no grupo apostólico por causa da primazia e da missão recebida do Ressuscitado. É ele quem inicia a pregação do kerygma no dia de Pentecostes e desempenhará uma função diretiva no Concílio de Jerusalém”.

Cristo está presente nas chagas dos doentes

Pedro se aproxima das camas e passa entre os doentes, assim como Jesus fez, carregando sobre si as enfermidades. “Pedro passa, e deixa que, a manifestar-se, seja Outro: que seja Cristo vivo e operante! A testemunha, de fato, é aquela que manifesta Cristo, tanto com palavras quanto com a presença corporal, que lhe permite relacionar-se e ser prolongamento do Verbo que se fez carne na história”.

Pedro realiza as obras do Mestre: “Olhando para Ele com fé, vê-se o próprio Cristo. Cheio do Espírito de seu Senhor, Pedro passa e, sem nada fazer, a sua sombra torna-se uma “carícia” que cura, que comunica saúde, que efunde a ternura do Ressuscitado, que se inclina sobre os doentes e lhes restitui vida, salvação e dignidade.”

Desse modo, Deus manifesta a sua proximidade e faz das chagas de seus filhos “o lugar teológico de sua ternura”, ressaltou o Papa. Segundo Francisco, “nas chagas dos doentes, nas enfermidades que são impedimentos para prosseguir na vida, há sempre a presença de Jesus, a chaga de Jesus. Há Jesus que convida cada um de nós a acudir, ajudar e curar os doentes”.

Obedecer antes a Deus do que aos homens

“A ação de cura de Pedro suscita o ódio dos saduceus, a inveja. Eles prenderam os apóstolos e, abalados com sua misteriosa libertação, os proíbem de ensinar. Essas pessoas viram os milagres que os Apóstolos fizeram não através de magia, mas em nome de Jesus; não quiseram aceitar e os colocaram na prisão, os espancaram. Eles foram libertados milagrosamente”. As pessoas tinham “os corações tão endurecidos que não queriam acreditar no que viram”, ressaltou Francisco.

Pedro então responde, oferecendo uma chave da vida cristã: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens”. Obedecer antes a Deus do que aos homens “é a grande resposta cristã”. Isso significa ouvir a Deus sem reservas, sem adiamentos, sem cálculos; aderir a Ele para se tornar capaz de aliança com Ele e com as pessoas que encontramos em nosso caminho”.

Francisco concluiu sua catequese, convidando-nos a pedir ao “Espírito Santo a força de não ter medo diante daqueles que nos mandam ficar calados, nos caluniam e até mesmo atentam contra a nossa vida. Peçamos a Ele para que nos fortaleça interiormente para termos a certeza da presença amorosa e consoladora do Senhor ao nosso lado”.

Radio Vaticano

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos quase 600 jovens do Triênio da Juventude que terminou domingo (25), em Assunção, no Paraguai. A carta do Pontífice assinada pelo secretário de Estado, o Card. Pietro Parolin, foi lida ao final da missa de conclusão do encontro.

O bispo de São Pedro e responsável pela Pastoral Juvenil, Dom Pierre Jubinville, foi quem leu o texto em que o Papa encorajava os jovens “a abraçar Jesus Cristo” que os chamou a serem “seus amigos” para que “permaneçam nEle e possam dar muitos frutos” – como bem indicava o tema deste ano de Triênio, ao incentivar a realização de ações social, pastoral e missionária em favor da juventude.

Ao mesmo tempo, Francisco exortou a juventude “a escutar a voz do Senhor” que envia os jovens, “individualmente e como comunidade”, a serem “discípulos missionários, testemunhas da Boa Nova da salvação entre os mais pobres”. O Papa finalizou a mensagem invocando “a intercessão materna” de Nossa Senhora de Caacupé, conhecida como “Virgem Azul do Paraguai”, a padroeira do país.

O Triênio da Juventude do Paraguai

2019 foi o marco do último ano do Triênio da Juventude que começou em 2017, no Paraguai, para dar prioridade à animação pastoral dos jovens através da experiência de Cristo. De fato, todos foram  chamados a se conectar profundamente a Ele através do lema: “Abraçar-se a Jesus Cristo”.

No evento de conclusão, de 23 a 25 de agosto, em Assunção, o Fórum Nacional dos Jovens reuniu centenas de jovens representantes das dioceses e dos Vicariatos Apostólicos do Paraguai, das menores comunidades até as maiores paróquias, movimentos, congregações religiosas, serviços e grupos.

O Triênio, porém, promoveu durante os últimos anos momentos de escuta, de testemunhos e laboratórios dedicados à centralidade da fé e aos argumentos mais sensíveis aos jovens em nível eclesial e social no país. Além disso, os jovens puderam receber formação integral para contribuir de forma dinâmica e alegre com a Igreja e com a sociedade, favorecendo, assim, uma participação aberta, servidora, missionária e transformadora.

Fazendo “uma bagunça do bem”

Segundo Dom Pierre, os trabalhos do Triênio foram sempre motivados pelo discurso do Papa Francisco aos jovens feito em julho de 2015, às margens do Rio Costanera, em Assunção, durante a viagem apostólica do Pontífice ao Equador, Bolívia e Paraguai:

“ Façam bagunça! Mas também ajudem a arrumar e organizar a bagunça que vocês fazem. Duas coisas: façam bagunça e organizem-na bem. Uma bagunça que nos dê um coração livre, uma bagunça que nos dê solidariedade, uma bagunça que nos dê esperança, uma bagunça que nasça de ter conhecido Jesus e de saber que Deus, a quem conheci, é a minha fortaleza. Essa é a bagunça que devem fazer. ”

Radio Vaticano

“ Estamos todos preocupados com os grandes incêndios que se desenvolveram na Amazônia. Oremos para que, com o empenho de todos, sejam controlados o quanto antes. Aquele pulmão de florestas é vital para o nosso planeta. ”

O apelo do Papa Francisco veio neste domingo (25), depois da oração mariana do Angelus na Praça São Pedro. Depois de chefes de Estado da América e da Europa, e dos bispos das Conferências Episcopais da América Latina se manifestarem a respeito dos incêndios que vêm devastando a região amazônica, o Pontífice também demonstrou a sua preocupação com aquele que é “o pulmão de florestas vital para o planeta”.

Radio Vaticano

Os milhares de peregrinos que acompanharam a Oração Mariana do Angelus com o Papa Francisco neste domingo (25), na Praça São Pedro ou ao redor do mundo, viram a preocupação do Pontífice em relação aos incêndios na Amazônia, mas também meditaram sobre o Evangelho de hoje (cfr Lc 13,22-30).

O trecho de São Lucas “apresenta Jesus que passa ensinando pelas cidades e povoados, até Jerusalém, onde sabe que deve morrer na cruz para a salvação de todos os homens”. Nesse contexto, alguém perguntou a Ele se era verdade que poucos se salvariam, uma questão muito debatida naquele período, devido às diversas maneiras de interpretação das Escrituras. E Jesus respondeu, convidando “a usar bem o tempo presente” e fazendo “todo esforço possível para entrar pela porta estreita”.

“ Com essas palavras, Jesus mostra que não é questão de número, não existe o “número fechado” no Paraíso! Mas se trata de atravessar, desde já, a passagem certa, e essa passagem certa é para todos, mas é estreita. ”

“Esse é o problema. Jesus não quer nos iludir, dizendo: “Sim, fiquem tranquilos, é fácil, existe uma bonita estrada e, lá no final, um grande portão…”. Não fala isso: nos fala da porta estreita. Nos diz as coisas como são: a passagem é estreita. Em que sentido? No sentido que, para se salvar, é preciso amar a Deus e ao próximo, e isso não é confortável! É uma “porta estreita” porque é exigente, o amor é exigente sempre, requer empenho, ou melhor, “esforço”, isto é, uma vontade decidida e perseverante de viver segundo o Evangelho. São Paulo chama isso de “o bom combate da fé” (1Tm 6,12). É preciso o esforço de todos os dias, de cada dia para mar Deus e o próximo.”

O chamado à vida coerente e próxima a Jesus

Jesus usa de uma parábola para se explicar melhor e para insistir em fazer o bem nesta vida, independente do título e do cargo que exerce:

“ O Senhor vai nos reconhecer não pelos nossos títulos. ‘Mas olha, Senhor, que eu participava daquela associação, que eu era amigo de tal monsenhor, de tal cardeal, de tal padre…’. Não, os títulos não contam, não contam. O Senhor vai nos reconhecer somente por uma vida humilde, uma vida boa, uma vida de fé que se traduz nas obras. ”

O Papa, então, continua motivando e nos conduzindo para esse percurso diário.

“Para nós, cristãos, isso significa que somos chamados a instaurar uma verdadeira comunhão com Jesus, rezando, indo na igreja, nos aproximando dos Sacramentos e nos nutrindo da sua Palavra. Isso nos mantêm na fé, nutre a nossa esperança, reaviva a caridade. E, assim, com a graça de Deus, podemos e devemos dedicar a nossa vida pelo bem dos irmãos, lutar contra qualquer forma de mal e de injustiça.”

Maria, Porta do céu

Ao finalizar, o Papa diz que a primeira pessoa a nos ajudar nessa dedicação pelo bem é a Nossa Senhora:

“ Ela atravessou a porta estreita que é Jesus, o acolheu com todo o coração e o seguiu todo todos os dias da sua vida, inclusive quando não entendia, inclusive quando uma espada perfurava a sua alma. Por isso a invocamos como “Porta do céu”: Maria, Porta do céu; uma porta que reflete exatamente a forma de Jesus: a porta do coração de Deus, coração exigente, mas aberto a todos nós. ”

Radio Vaticano

A comunidade internacional também tem se manifestado em defesa da Amazônia que, atualmente, é destaque na imprensa mundial pela emergência ambiental. O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu uma reunião neste final de semana durante o encontro do G7.

O aumento no número de focos de incêndio em florestas tem sido um dos assuntos mais repercutidos, inclusive nas mídias sociais, com a #PrayForAmazonia (em tradução livre, “Reze pela Amazônia”). A repercussão dos internautas, mas também de chefes de Estado, faz referência às imagens e aos dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que mostram um aumento de 82% no número de focos de incêndio florestal entre janeiro e agosto de 2019, em comparação com o mesmo período de 2018. O Mato Grosso é o estado com mais ocorrências. A relação, segundo especialistas, é com o desmatamento e não com uma seca mais forte.

“ Esse círculo vicioso de poluição ambiental, que o Papa Francisco denunciava na Laudato si’, convocando todos a uma verdadeira cruzada contra a poluição e em defesa da nossa Casa Comum, infelizmente é uma consciência que está longe ainda de chacoalhar, de sacudir a consciência mesmo dos cristãos e católicos. ”

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Campo Grande/MS, relata a situação vivida localmente, como a atuação constante dos bombeiros para apagar focos de incêndio. A consciência para o alerta desse “círculo vicioso de poluição ambiental”, comenta Dom Dimas, precisa partir dos cristãos para uma “verdadeira cruzada em defesa da Casa Comum”:

“É com tristeza que a sociedade brasileira e internacional constatam esse permanente e crescente índice da utilização de queimadas como alternativa para limpeza, fins agrários, e isso em todos os campos do Brasil. Aqui em Campo Grande não é diferente. No nosso Estado, os bombeiros já tiveram, nos últimos meses, que apagar focos de incêndio em quase 300 lugares – mas certamente são ações localizadas. Quando essa mentalidade se espalha para o Brasil todo, a gente acaba ficando insensível diante, por exemplo, do que acontece na Amazônia. Afinal de contas, a Amazônia não é um patrimônio privado, nem é só do governo, ela é um patrimônio de todos os brasileiros. E esse círculo vicioso de poluição ambiental, que o Papa Francisco denunciava na Laudato si’, convocando todos a uma verdadeira cruzada contra a poluição e em defesa da nossa Casa Comum, infelizmente é uma consciência que está longe ainda de chacoalhar, de sacudir a consciência mesmo dos cristãos e católicos. Precisamos de novo resgatar a Laudato si’ e a história mesmo da Igreja no Brasil, que já promoveu várias Campanhas da Fraternidade em torno do tema ecológico. Eu me lembro que já em 1979 houve uma Campanha com o título ‘Preserve o que é de todos’. Então, a consciência ecológica é por uma ‘ecologia integral’ que precisa ser assimilada pelo nosso bom povo brasileiro e, particularmente, por aqueles que tem o ofício de cuidar do que é de todos.”

A CNBB pede fiscalização séria

As queimadas fora de controle na Amazônia também “chamam a atenção e preocupam” a CNBB. O vice-presidente, Dom Jaime Spengler, afirma que é necessária uma fiscalização séria por órgãos “que não podem, de forma alguma, ser desautorizados ou desacreditados”.

“Segundo especialistas, o fator que melhor explica o aumento no número de focos de calor naquela região é o desmatamento. Provavelmente há também outras situações que caracterizam crimes ambientais e que merecem atenção. Esses elementos apontam para a sempre necessária fiscalização séria. Papel de destaque, nesse âmbito, possui os órgãos de controle que não podem, de forma alguma, ser desautorizados ou desacreditados. Há vozes, é verdade, que defendem o desenvolvimento da região através da exploração do subsolo, das florestas, do avanço da agricultura,… Certamente tudo isso pode sim cooperar para o desenvolvimento da região, mas a que preço? Pode cooperar para o desenvolvimento da região desde que as iniciativas sejam orientadas por uma ética, digamos, ecológica; pela responsabilidade socioeconômica e ambiental. Além disso, não se pode esquecer a dignidade e a nobreza dos ecossistemas da região. Me recordo que o Papa Francisco, na Encíclica Laudato si’, fala do perverso sistema de propriedade e consumo atual. É impressionante essa expressão. Por isso da necessidade de encontrar novos caminhos para a promoção da ‘ecologia integral’, no respeito ao ambiente, aos povos nativos e à própria terra.” 

“ Pesquisadores renomados têm alertado com insistência sobre a urgência de cuidado sério para os diversos ecossistemas. Não se pode aceitar que expressões de impacto ou opiniões vagas sustentadas ou influenciadas por interesses nebulosos ou escusos, interfiram na vida desse patrimônio extraordinário que é a região pan-amazônica. ”

Radio Vaticano

Todos nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus e temos a mesma dignidade. Vamos acabar com a escravidão! #IDRSTA

Com uma mensagem no Twitter, o Papa Francisco recorda nesta sexta-feira (23/08) a celebração do Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e a sua Abolição.

Ninguém pode lavar as mãos

“A escravidão não é algo de outros tempos”, já repetiu Francisco em inúmeras ocasiões.

“É uma prática que tem raízes profundas e que se manifesta ainda hoje e de muitas formas diferentes: tráfico de seres humanos, exploração do trabalho através de dívidas, exploração de menores, exploração sexual e de trabalhos domésticos forçados são algumas destas numerosas formas. Todas graves e desumanas.”

“Não obstante a falta de informação disponível sobre algumas regiões do mundo, os números são dramaticamente elevados e, com muita probabilidade, subestimados. Segundo estatísticas recentes, haveria mais de 40 milhões de pessoas, homens, mas sobretudo mulheres e crianças, que sofrem por causa da escravidão. Perante esta trágica realidade, ninguém pode lavar as próprias mãos, se não quiser ser, de certa forma, cúmplice deste crime contra a humanidade.” (Videomensagem aos participantes do 2º Fórum Internacional sobre a Escravidão Moderna)

Encontro com as vítimas

O Papa Francisco solicitou que a Pontifícia Academia das Ciências Sociais criasse grupos e promovesse encontros de alto nível para debater linhas de prevenção, envolvendo agentes de polícia, juízes, advogados, psicólogos e agentes de pastoral.]

Além de manifestar sua preocupação a quem pode realmente combater esta chaga, o Pontífice já se encontrou pessoalmente com inúmeras vítimas.
“Na sala em que encontrei as mulheres libertadas do tráfico da prostituição forçada, respirei a dor, a injustiça e o efeito da opressão. Uma ocasião para reviver as feridas de Cristo. Uma pessoa nunca pode ser colocada à venda”, revelou o Papa ao escrever o prefácio do livro Mulheres crucificadas. A vergonha do tráfico contada da rua”.

História

Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, teve início uma revolta em Santo Domingo, hoje Haiti e República Dominicana. O evento teve um papel crucial na abolição do tráfico transatlântico de escravos e por isso que o Dia Internacional é comemorado em 23 de agosto de cada ano.

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Audrey Azoulay, disse que nesta data “se honra a memória dos homens e mulheres que se revoltaram e abriram caminho para o fim da escravidão e da desumanização.” Segundo ela, o dia serve para “honramos a memória deles e de todas as outras vítimas da escravidão.”
A representante afirma que “para extrair lições desta história, é preciso despir o sistema, desconstruir os mecanismos retóricos e pseudocientíficos utilizados para justificá-lo e recusar aceitar qualquer concessão ou apologia que constitua um compromisso.” Para Azoulay, essa “lucidez é o requisito fundamental para a reconciliação da memória.”

Comemoração

Segundo a Unesco, o ano de 2019 é particularmente importante para este dia comemorativo. Para a agência “é hora de fazer um balanço e adotar novas perspectivas.”

Este ano é o ponto médio da Década Internacional dos Afrodescendentes, que acontece entre 2015 e 2024, e também marca o 25º aniversário do projeto da Rota dos Escravos da Unesco.
Além disso, 2019 é o ano em que o Gana celebra o Ano do Retorno e os laços históricos do país com a diáspora africana. O reconhecimento marca o 400º aniversário da chegada dos primeiros escravos africanos à colônia inglesa de Jamestown, hoje território dos Estados Unidos.

Audrey Azoulay afirma que “todas essas comemorações encorajam a continuar lutando para colocar um fim definitivo à exploração humana e garantir que a memória das vítimas e dos combatentes da liberdade continue sendo uma fonte de inspiração para gerações futuras.”

Radio Vaticano

Na Sala Paulo VI, o Papa Francisco acolheu fiéis e peregrinos para a Audiência Geral desta quarta-feira (21/08).

O Pontífice deu prosseguimento ao seu ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos e nesta ocasião falou sobre a “comunhão integral na comunidade dos fiéis”.

A conversão começa no bolso

A comunidade cristã nasce da efusão do Espírito Santo e cresce graças ao fermento da partilha entre os irmãos em Cristo. “Trata-se de um dinamismo de solidariedade que edifica a Igreja como família de Deus, onde a experiência da koinonia é um elemento central”, explicou o Papa. Esta palavra grega, que significa colocar em comum, partilhar, comungar, refere-se, antes de tudo, à participação no Corpo e Sangue de Cristo, que se traduz na união fraterna e também na comunhão dos bens materiais.

“ O sinal de que o seu coração se converteu é quando a conversão chegou ao bolso. Ou seja, ali se vê se uma pessoa é generosa com os outros, se ajuda os mais pobres: quando toca o próprio interesse. Quando a conversão chega ali, está certo de que é verdadeira. ”

Os fiéis têm um só coração e uma só alma e não consideram propriedade própria aquilo que possuem, mas colocam tudo em comum. Por este motivo, nenhum deles passava por dificuldade. Francisco então enalteceu os muitos cristãos que fazem voluntariado, que compartilham o seu tempo com os outros.

Esta koinonia ou comunhão se configura como a nova modalidade de relação entre os discípulos do Senhor. O vínculo com Cristo instaura um vínculo entre irmãos. Ser membro do Corpo de Cristo torna os fiéis corresponsáveis uns pelos outros. Ser indiferente, não preocupar-se com os outros, não é cristão, recordou o Papa.

Por isso, os fortes amparam os fracos e ninguém experimenta a indigência que humilha e desfigura a dignidade humana.

Imbróglio de consequências trágicas

Como exemplo concreto de compartilha e comunhão dos bens, Francisco citou o testemunho de Barnabé: ele possui um campo e o vende para oferecer o dinheiro aos Apóstolos. Mas ao lado do seu exemplo positivo há outro tristemente negativo: Ananias e a sua mulher Safira, ao venderem o terreno, decidem entregar somente uma parte aos Apóstolos e ficar com a outra para eles. Este imbróglio interrompe a cadeia da compartilha gratuita, serena e desinteressada e as consequências são trágicas e fatais.

Turismo espiritual

“A hipocrisia é o pior inimigo desta comunidade cristã, deste amor cristão: fazer de conta de querer bem, mas buscar somente o próprio interesse.” Faltar com a sinceridade da compartilha, acrescentou o Papa, significa cultivar a hipocrisia, afastar-se da verdade, se tornar egoístas, apagar o fogo da comunhão e destinar-se ao gelo da morte interior.

“ Quem se comporta assim transita na Igreja como um turista, há tantos turistas na Igreja que estão sempre de passagem, jamais entram na Igreja: é o turismo espiritual que faz com que pensem ser cristãos, mas são somente turistas de catacumbas. Não devemos ser turistas na Igreja, mas irmãos uns dos outros. ”

Uma vida marcada somente em tirar proveito e vantagem das situações em detrimento dos outros provoca inevitavelmente a morte interior. O Pontífice então concluiu:

“Que o Senhor derrame sobre nós o seu Espírito de ternura, que vence toda hipocrisia e coloca em circulação aquela verdade que nutre a solidariedade cristã, a qual, longe de ser atividade de assistência social, é uma expressão irrenunciável da natureza da Igreja que, como mãe cheia ternura, cuida de todos os filhos, especialmente dos mais pobres.”

Radio Vatican

As Nações Unidas celebram neste 19 de agosto o Dia Mundial de Assistência Humanitária para homenagear pessoas que atuam nessa área e realçar que é preciso apoio para os afetados por crises.

Em 2019, a organização destaca a ação de mulheres em crises em todo o mundo e a elas o Papa Francisco dedicou a sua mensagem no Twitter:

“ Hoje recordamos todas as mulheres corajosas que vão ao encontro dos seus irmãos e irmãs em dificuldade. Cada uma delas é sinal da proximidade e da compaixão de Deus. #WomenHumanitarians ”

Mortos

Entre essas trabalhadoras mencionadas pelo Papa Francisco está a brasileira Karin Manente, cujo primeiro contato com os afetados pelo ciclone Idai em Moçambique marcou sua atuação como diretora do Programa Mundial de Alimentação, PMA, no país.

“Achamos que na nossa resposta é importante alavancar e colocar o papel da mulher na dianteira. Isso com base no facto do papel fundamental que elas têm na sociedade, e também na questão do combate à fome. Então, por exemplo, a nível de comunidades onde nos interagimos, nós trabalhamos com comunidades, seus líderes e com a nossa contraparte do governo para pôr as mulheres na dianteira.”

O fenômeno natural provocou centenas de mortos e afetou mais de 1,8 milhão de pessoas quando passou por Moçambique em março.

Cerimônia

Em mensagem de vídeo sobre a data, a secretário-geral António Guterres disse que desde o apoio a civis em crise à atuação em surtos de doenças, “as mulheres em ações humanitárias estão na linha de frente”.

Segundo António Guterres, a presença feminina “torna as operações de auxílio mais eficazes, aumentando seu alcance. Também melhora a resposta humanitária à violência de gênero, que aumenta durante as emergências.”

Por ocasião do dia, a organização incentiva a partilha de histórias desses personagens e que seja reafirmado “o compromisso de fortalecer o papel das mulheres em operações humanitárias”. Uma campanha nas redes sociais usa a hastag #WomenHumanitarians.

Ataques Guterres disse que líderes mundiais e todas as partes em conflitos devem garantir que os funcionários humanitários sejam protegidos contra danos, como é exigido pela lei internacional.

O chefe da ONU destaca ainda que violações graves do direito internacional humanitário e dos direitos humanos continuam em todo o mundo e “devem ser investigadas e julgadas.”

Ataques

No ano passado ocorreu o segundo maior número de ataques a trabalhadores humanitários, com 405 funcionários atacados, 131 mortos, 144 feridos e 130 sequestrados. No total ocorreram 226 incidentes em 2018.

Desde 19 de agosto de 2003, mais de 4,5 mil funcionários humanitários foram mortos, feridos, detidos, sequestrados ou impedidos de cumprir seus deveres para salvar vidas. As Nações Unidas estimam que uma média de 280 trabalhadores desse setor sofrem ataques por ano, um número que corresponde cinco vítimas por semana.

Este ano, o Dia Mundial de Assistência Humanitária marca 10º aniversário do ataque com um veículo-bomba ao prédio da ONU em Bagdá, que deixou 24 mortos. Entre as vítimas estava o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que era representante máximo das Nações Unidas no Iraque. Outras dezenas de pessoas ficaram feridas no atentado.

Na entrada da ONU, em Nova Iorque, está exposta a bandeira da organização que estava hasteada no prédio do Canal Hotel no momento do ataque em Bagdá. É nesse ponto na sede da organização que vários trabalhadores realizam uma cerimônia para lembrar o pessoal que perdeu a vida na capital iraquiana.

Radio Vaticano

Dizer-se cristão é bom, mas é preciso ser cristão: palavras do Papa Francisco ao se reunir com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para o Angelus dominical.

O Pontífice comentou o trecho de São Lucas, no qual Jesus adverte os discípulos de que chegou o momento da decisão.

“A sua vinda ao mundo, de fato, coincide com o tempo das escolhas decisivas: não se pode adiar a opção pelo Evangelho”, explicou o Papa.

Abandonar a apatia para acolher o fogo do amor

Para exemplificar melhor esse chamado, Jesus utiliza a imagem do fogo que Ele mesmo veio trazer sobre a terra: «Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso ?».
Essas palavras, prosseguiu Francisco, têm a finalidade de ajudar os discípulos a abandonar toda atitude de preguiça, de apatia, de indiferença e de fechamento para acolher o fogo do amor de Deus.

“Jesus revela aos seus amigos, e também a nós, o seu desejo mais ardente: levar sobre a terra o fogo do amor do Pai, que acende a vida e mediante o qual o homem é salvo.”

O fogo do amor, aceso por Cristo no mundo por meio do Espírito Santo, é sem limites, universal, disse ainda o Papa.

“Incêndio benéfico”

Foi o que aconteceu desde os primeiros tempos do Cristianismo: o testemunho do Evangelho se propagou como um “incêndio benéfico, superando toda divisão entre indivíduos, categorias sociais, povos e nações”.

Este testemunho queima toda forma de particularismo e mantém a caridade aberta a todos, com uma preferência pelos mais pobres e excluídos.

Aderir a este fogo significa duas coisas: adorar a Deus e a disponibilidade a servir o próximo. A primeira quer dizer “aprender a oração da adoração, que com frequência esquecemos”, afirmou o Papa, convidando os fiéis a descobrirem a beleza desta oração. Depois, estar disponível a servir o próximo e Francisco manifestou sua admiração a quem se dedica aos mais necessitados mesmo durante o período de férias.

“Para viver segundo o espírito do Evangelho, é preciso que, diante das sempre novas necessidades que aparecem no mundo, haja discípulos de Cristo que saibam responder com novas iniciativas de caridade. Assim, o Evangelho se manifesta realmente como fogo que salva, que transforma o mundo a partir da mudança do coração de cada um.”

Escolhas coerentes com o Evangelho

Assim se compreende outra afirmação de Jesus contida no trecho de Lucas, que numa primeira leitura pode chocar: «Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão».

Isso significa que Jesus veio para “separar com o fogo” o bem do mal, o justo do injusto.

“Neste sentido, Jesus veio para “dividir”, para colocar “em crise” – mas de modo saudável – a vida dos seus discípulos, desfazendo as fáceis ilusões daqueles que acreditam poder conjugar vida cristã e mundanidade, vida cristã e acordos de todo gênero, práticas religiosas e atitudes contra o próximo.” O Pontífice advertiu que recorrer à cartomante é superstição, “não é de Deus”.

A adesão a este fogo requer deixar a hipocrisia de lado e estar dispostos a pagar o preço por escolhas coerentes com o Evangelho. “Esta é a atitude que cada um deve buscar na vida: coerência”, e pagar o preço por ela.

“ É bom dizer-se cristãos, mas é preciso antes de tudo ser cristãos nas situações concretas, testemunhando o Evangelho, que é, essencialmente, amor por Deus e pelos irmãos. ”

Francisco concluiu pedindo a Maria que “nos ajude a deixar-nos purificar o coração pelo fogo trazido por Jesus, para propagá-lo com a nossa vida, mediante escolhas firmes e corajosas”.

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A mensagem do Papa Francisco, assinada pelo secretário de Estado do Vaticano, Card. Pietro Parolin, foi lida ao final da missa desta quinta-feira (15), na Igreja de Saint-Sulpice, em Paris, por ocasião da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora.

Depois de quatro meses do incêndio que devastou parte da Catedral de Notre-Dame, na noite de 15 de abril, a diocese promoveu a tradicional procissão da Virgem Maria com centenas de fiéis, que começou na ponte Saint-Louis. Com os terços em mão, entoaram a Ave Maria e caminharam em direção à Igreja de Saint-Sulpice, onde o arcebispo Michel Aupetit presidiu a missa. Na oportunidade, como sempre, o prelado renovou “os votos” do rei Luís XIII que consagrou a França a Maria, em 10 de fevereiro de 1683.

A proximidade do Papa aos fiéis de Paris

Para a ocasião, o Papa Francisco enviou a mensagem para assegurar “a sua proximidade espiritual” aos fiéis. No texto, que foi lido ao final da celebração eucarística pelo reitor da Catedral de Notre-Dame, Dom Patrick Chauvet, o Pontífice lembrou que, “como uma verdadeira mãe, Maria caminha conosco, luta conosco e dissemina incansavelmente a proximidade do amor de Deus. Compartilha a história de cada povo que recebeu o Evangelho e que agora faz parte da sua identidade histórica”.

“ O Santo Padre pede também a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora, que a reconstrução da sua joia arquitetônica seja um sinal forte do renascimento e da revitalização da fé em seus fiéis. Cheios de esperança, serão para as suas famílias, para as suas comunidades e lugares de vida, construtores de uma nova humanidade enraizada em Jesus Cristo. ”

Radio Vaticano

Peçamos a Nossa Senhora que nos guarde e nos sustente; que tenhamos uma fé forte, alegre e misericordiosa; que nos ajude a ser santos, a encontrar-nos com Ela, um dia, no Paraíso.

Esta é a mensagem do Papa Francisco publicada no Twitter nesta sexta-feira.

A oração feita com fé tem poder!

Ao rezar a oração do Angelus nesta quinta-feira, solenidade da Assunção de Maria no Vaticano e na Itália, o Pontífice abençoou terços destinados à Síria.

“ Hoje, nesta grande festa de Maria, eu os abençoo e, depois, serão distribuídos às comunidades católicas na Síria como sinal da minha proximidade, especialmente para as famílias que perderem alguém por causa da guerra. A oração feita com fé tem poder! Continuemos a rezar o terço pela paz no Oriente Médio e no mundo inteiro. ”

A iniciativa é da Associação “Ajuda à Igreja que Sofre”, no âmbito da campanha ecumênica de oração “Console meu povo”.

Os seis mil terços abençoados pelo Santo Padre foram feitos por artesãos cristãos de Belém e Damasco a fim de serem distribuídos nas paróquias sírias no dia 15 de setembro, por ocasião da festa das Sete Dores da Santíssima Virgem Maria.

Durante as missas e nas procissões, os fiéis vão orar principalmente pelos mortos e suas famílias. Existem cerca de duas mil famílias cristãs que perderam um dos seus entes queridos durante o conflito. Além disso, 800 cristãos foram sequestrados.

Além dos Rosários, Bíblias também serão distribuídas

Além dos terços, serão distribuídas Bíblias em árabe e cruzes feitas com madeira de oliveira da Terra Santa, doadas pela Igreja Ortodoxa. Nesse mesmo dia, o Santo Padre voltará a participar da iniciativa. Ele abençoará, ao final do Angelus, o ícone da “Santíssima Virgem Maria das Dores, consoladora dos sírios”. O ícone também foi doado pela Igreja Ortodoxa.

Antes de se reunir com os fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro, o Papa Francisco recebeu uma delegação de “Ajuda à Igreja que Sofre” na Casa Santa Marta.

O presidente-executivo internacional da Associação, Thomas Heine-Geldern, recordou que “o Santo Padre apoiou nosso compromisso com a Síria e o Oriente Médio em várias ocasiões. Seu apoio a esta nova iniciativa é muito importante para nós. Sua proximidade é um grande consolo para aqueles que perderam entes queridos por causa da guerra”.

Radio Vaticano

O Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis presentes da Praça São Pedro neste dia 15 de agosto, solenidade da Assunção de Maria na Itália.

Antes da oração mariana, o Pontífice comentou as palavras da Virgem narradas no Evangelho de Lucas: “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1,46-47).

Deixar de lado as mesquinhezes da vida

Francisco ressaltou os dois verbos desta frase: engrandecer e alegrar-se. Maria exulta por causa de Deus. “Quiçá se também a nós aconteceu de exultar pelo Senhor: exultamos pelo resultado obtido, por uma bela notícia recebida, mas hoje Maria nos ensina a exultar em Deus, porque Ele faz ‘grandes coisas’”, disse o Papa.

As grandes coisas são evocadas por outro verbo: engrandecer. De fato, engrandecer significa exaltar uma realidade pela sua grandeza. Maria exalta a grandeza do Senhor.

Na vida, é importante buscar coisas grandes, recordou Francisco; do contrário, nos perdemos em muitas pequenezas. Maria nos demonstra que, se quisermos que a nossa vida seja feliz, deve ser colocado Deus em primeiro lugar, porque somente Ele é grande.

“ Quantas vezes, ao invés, vivemos buscando coisas de pouco valor: preconceitos, rancores, rivalidades, invejas, ilusões, bens materiais supérfluos… Quantas mesquinhezes na vida! Maria hoje convida a elevar o olhar para as ‘grandes coisas’ que o Senhor realizou Nela. Também em nós, em cada um de nós, o Senhor faz tantas grandes coisas. É preciso reconhecê-las e exultar.”

Maria, porta do céu

São as “grandes coisas” festejadas na solenidade da Assunção.

Maria foi assumida no céu: pequena e humilde, recebe por primeiro a glória maior. Ela, que é uma criatura humana, uma de nós, alcança a eternidade em alma e corpo. E ali nos espera, como uma mãe espera que os filhos voltem para casa.

De fato, recordou o Papa, o povo de Deus a invoca como “porta do céu”.

“Nós estamos em caminho, peregrinos rumo à casa lá em cima. Hoje, olhamos para Maria e vemos a linha de chegada. Vemos que no paraíso, com Cristo, o Novo Adão, está também ela, Maria, a nova Eva, e isso nos dá conforto e esperança na nossa peregrinação aqui embaixo.”

Um passo rumo à grande meta

Portanto, explicou Francisco, a festa da Assunção de Maria é um chamado para todos, especialmente para aqueles que são afligidos por dúvidas e tristezas, e vivem com o olhar cabisbaixo.

“Olhemos para o alto, o céu está aberto”, exortou o Papa. O céu não provoca temor, porque no limiar há uma mãe que nos espera.

“ Como toda mãe, quer o melhor para os seus filhos e nos diz: ‘Vocês são preciosos aos olhos de Deus; não são feitos para os pequenos prazeres do mundo, mas para as grandes alegrias do céu’. Sim, porque Deus é alegria, não tédio. Deixemo-nos que Nossa Senhora nos pegue pela mão. Toda vez que pegamos o Terço e rezamos, damos um passo adiante rumo à grande meta da vida. ”

Radio Vaticano

“A educação com horizontes abertos à transcendência ajuda os jovens a sonhar e a construir um mundo mais bonito. #IYD2019”

Com um tuíte, o Papa Francisco recorda neste dia 12 de agosto o Dia Internacional da Juventude.

A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1999, 20 anos atrás, com a finalidade de promover o papel dos jovens como parceiros essenciais nos processos de transformação e gerar um espaço para a conscientização sobre os desafios e problemas que a juventude enfrenta.

O tema deste ano é “transformando a educação”, inspirando-se no Objetivo número 4 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: “garantir uma educação de qualidade inclusiva e equitativa e promover oportunidades de aprendizagem no decorrer da vida para todos”.

Atualmente, existem no mundo um bilhão e 800 mil jovens entre 10 e 24 anos. Trata-se da maior população juvenil da história. Todavia, mais da metade das crianças entre 6 e 14 anos não sabe ler nem tem conhecimento básico de matemática, embora a maioria frequente a escola.

Crise de aprendizagem

Em mensagem para a ocasião, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, afirma que “estamos diante de uma crise de aprendizagem. Com demasiada frequência, as escolhas não estão preparando os jovens para fazer frente à revolução tecnológica. Os estudantes não somente necessitam aprender, mas também aprender a aprender”.

Para o português, a educação deve conjugar o conhecimento, a preparação para a vida e o pensamento crítico.

Já o tuíte do Pontífice ressalta a abertura à transcendência como elemento fundamental na educação.

Em seus inúmeros pronunciamentos sobre o tema, o Papa Francisco destaca também a importância do “acolhimento da diversidade” e que as diferenças devem ser consideradas como “desafios, mas desafios positivos, não problemas”. O desafio educativo, segundo Bergoglio, está ligado “ao desafio antropológico”.

Outro tema presente nos pilares educativos do Papa é “a inquietação entendida como motor de educação”. Por isso “o apelo aos educadores para que sejam audaciosos e criativos” e para que nunca se tornem “funcionários fundamentalistas ligados à rigidez de planificações”. Enfim, para Francisco “a educação não é uma técnica, mas uma fecundidade generativa”, “a educação é um fato familiar que implica a relação entre as gerações e a narração de uma experiência”.

Radio Vaticano

O Papa Francisco rezou ao meio-dia deste domingo (11/08) o Angelus com os milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Na sua alocução que precedeu a oração mariana o Santo Padre citou a página evangélica do domingo na qual Jesus chama os seus discípulos à vigilância constante para captar a passagem de Deus na própria vida, porque Deus continuamente passa na nossa vida.

Francisco sublinhou que “a verdadeira fé abre o coração ao próximo e encoraja a comunhão com os irmãos, especialmente com aqueles que estão na necessidade”. Chamou então a atenção a todos os fiéis que se professam cristãos que “ninguém pode retirar-se  intimamente na certeza da sua própria salvação, desinteressando-se dos outros”.

O Pontífice exortou “a não criar raízes em cômodas e tranquilizadoras habitações, mas abandonar-se com simplicidade e confiança à vontade de Deus, que nos guia para a próxima meta.

“O Senhor sempre caminha conosco e tantas vezes nos pega pela mão, para nos guiar, para não errarmos neste caminho tão difícil. De fato, quem confia em Deus sabe bem que a vida de fé não é algo estático, mas é dinâmica: é um caminho contínuo, para ir para etapas sempre novas, que o próprio Senhor indica dia após dia. Porque Ele é o Senhor das surpresas, o Senhor das novidades, mas das verdadeiras novidades”.

E depois – continuou Francisco – nos é pedido para mantermos as “lâmpadas acesas” para sermos capazes de iluminar a escuridão da noite. Somos convidados, isto é, a viver uma fé autêntica e madura, capaz de iluminar as muitas “noites” da vida. “E sabemos, todos nós tivemos dias que eram verdadeiras noites espirituais”. “A lâmpada da fé precisa ser alimentada continuamente, com o encontro coração a coração com Jesus na oração e na escuta da sua Palavra”.

O Papa recordou então o que já dissera várias vezes: “carreguem sempre com vocês um pequeno Evangelho no bolso, na bolsa, para o lê-lo. É um encontro com Jesus, com a Palavra de Jesus. Esta lâmpada do encontro com Jesus na oração e na sua Palavra nos é confiada para o bem de todos”. E sublinhou: “é uma fantasia crer que alguém possa iluminar-se de dentro. Não, é uma fantasia”.

Francisco disse ainda que Jesus, para nos fazer compreender a atitude de espera, conta a parábola dos servos que esperam o retorno do patrão quando regressa de um casamento, apresentando assim outro aspecto da vigilância: estar prontos para o encontro último e definitivo com o Senhor. Cada um de nós vai se encontrar com Ele naquele dia do encontro. Cada um de nós tem a sua própria data para o encontro final.

O Papa observou que “a vida é um caminho em direção à eternidade; por isso, somos chamados a fazer frutificar todos os talentos que temos, nunca esquecendo que não temos aqui a cidade estável, mas estamos à procura da cidade futura”. Nesta perspectiva o Pontífice concluiu, “cada momento se torna precioso”, com vista a “construir um mundo mais justo e fraterno”.

Radio Vaticano

 

 

O Papa Francisco, com um Quirografo publicado neste sábado (10/08), renovou, “ad experimentum” por dois anos, os Estatutos do Instituto para as Obras de Religião, aprovados em 1990 por João Paulo II, que por sua vez, para melhor adaptá-los “às exigências dos tempos”, havia dado uma nova configuração ao IOR, constituído em 1942 por Pio XII. O próprio Papa Pacelli fez as primeiras mudanças em 1944.

Missão do IOR

A finalidade do Instituto permanece inalterada, com a tarefa de “prover à custódia e à administração dos bens móveis e imóveis transferidos ou confiados ao Instituto por pessoas físicas ou jurídicas e destinados a obras de religião ou de caridade”.

O auditor externo

Uma das principais alterações é a introdução de um auditor externo, que pode ser uma pessoa física ou uma empresa. Nos órgãos do Instituto, portanto, não existem mais os três auditores internos, cujos cargos eram sempre renovados. O auditor externo é nomeado pela Comissão de Cardeais sob proposta do Conselho de Superintendência e exerce suas funções por um período de três exercícios consecutivos, renováveis uma única vez. Ele é responsável pela revisão legal das contas: expressa “a sua opinião sobre as demonstrações financeiras do Instituto num relatório especial”, “examina todos os livros e documentos contábeis”, “recebe do Instituto e a ele pode pedir qualquer informação útil para as sua atividade de auditoria”.

A estrutura de governo do Ior: a Comissão dos Cardeais

Os órgãos do Ior tornam-se quatro. A Comissão dos Cardeais, composta por cinco cardeais nomeados pelo Papa por um período de cinco anos que só pode ser confirmada uma vez. Antes eram sempre renováveis.

Conselho de Superintendência

O Conselho de Superintendência, composto por sete membros (anteriormente eram cinco), nomeados por um período de cinco anos pela Comissão de Cardeais, agora só pode ser confirmado uma vez. O Conselho pode instituir no seu interior “comitês consultivos especiais, a fim de receber apoio adequado na tomada de decisões sobre questões específicas”. O presidente do Conselho de Superintendência, nomeado pela Comissão de Cardeais, é o representante legal do Ior.

O prelado

Depois há o prelado, nomeado por cinco anos pela Comissão de Cardeais e agora confirmado apenas uma vez. O novo Estatuto especifica em pormenor a sua tarefa, que consiste em promover a “dimensão ética” dos administradores e funcionários, de modo a que o seu trabalho seja coerente com os princípios católicos e a missão do Instituto, mantendo um intercâmbio constante com todo o pessoal da Ior. Mantém também no seu gabinete o arquivo da Comissão dos Cardeais, mantendo-o à disposição dos purpurados.

A Direção

O quarto órgão do Instituto é a Direção. O Diretor-geral pode ser nomeado por um período determinado (por um período de cinco anos e pode ser confirmado apenas uma vez) ou por um período indeterminado: em qualquer caso, ele deixa de exercer o cargo aos 70 anos de idade. Antes, em casos excepcionais, podia ultrapassar este limiar.

Substituição de membros

De acordo com os novos Estatutos, a substituição de qualquer membro pode ter lugar, não só se venha a falecer, mas também quando “se tornar incapaz ou cessar antecipadamente o seu mandato por qualquer motivo”.

Obrigação de exclusividade de emprego

Além disso, foi inserido um parágrafo sobre os funcionários para preencher uma lacuna do anterior Estatuto. “Todos os funcionários do Instituto, em constante relação de trabalho, são obrigados à exclusividade do emprego. Não podem exercer qualquer outro tipo de trabalho/ou de consultoria, remunerada ou não, nem podem exercer qualquer atividade comercial ou participar, em qualquer qualidade, dentro ou fora do Estado da Cidade do Vaticano”. “Todos os colaboradores devem cumprir o Código de Ética aprovado pelo Conselho de Superintendência”.

O Secretário Único do Conselho e normas relativas às atas

É introduzida a figura do Secretário Único do Conselho, com formação jurídica adequada, que é responsável pela ata das reuniões do Conselho e dos comitês e pela custódia das suas atas. A este respeito são introduzidas normas mais rigorosas sobre as atas das “reuniões”: solicita-se explicitamente que as atas sejam “fiéis, precisas e completas” e que sejam lidas e aprovadas no final de cada encontro. Então, mantidas no arquivo e disponíveis para garantir a memória histórica dos fatos e a rastreabilidade dos documentos em qualquer momento.

Referência ao Direito Canônico

Note-se que o Instituto não possui filiais ou sucursais. A responsabilidade pela custódia e administração dos bens recebidos é regida não só pelas normas do Estado da Cidade do Vaticano, pelo Estatuto e pelo Regulamento de aplicação, mas também pelas normas do Direito Canónico. Em casos de comprovada necessidade, as reuniões do Conselho de Superintendência podem ser realizadas por meio de telecomunicações.

Último relatório IOR

Em junho passado, a Ior publicou o balanço do exercício de 2018, que registou um lucro de 17,5 milhões de euros (contra 31,9 milhões em 2017): um montante doado ao Papa. O resultado, embora muito inferior ao do ano anterior, especificou uma declaração do Instituto, foi alcançado “apesar da forte turbulência dos mercados” e “da persistência das taxas de juro ainda muito baixas”.

Card. Avril: um discurso ético indispensável

Não se deve esquecer, escrevia na ocasião o presidente da Comissão de Cardeais do Ior, Cardeal Santos Abril y Castelló, que o Instituto “se encontrou nos últimos tempos em uma fase de ajuste e esclarecimento que às vezes também envolvem sacrifícios”. Tudo com a firme vontade de criar uma situação em plena sintonia com a prática de uma irrenunciável orientação ética, como deseja o Santo Padre. Deram-se grandes passos nesta direcção”. Foram feitos progressos no contexto de um caminho de transparência financeira para a Santa Sé também reconhecido pela Moneyval, o Comitê de peritos para a avaliação das medidas contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, criado pelo Conselho da Europa.

Seleção das atividades financeiras

Em 2018, o Ior – afirmava o comunicado de imprensa de junho passado – “aperfeiçoou ainda mais a integração de critérios negativos e positivos para a seleção de atividades financeiras nas quais fazer investimentos coerentes com a ética católica, selecionando apenas empresas que realizem atividades em conformidade à Doutrina Social da Igreja Católica”.

Investimentos em favor dos países pobres

O IOR “continuou a realizar investimentos destinados a incentivar o desenvolvimento dos países mais pobres, no respeito de escolhas coerentes com a realização de um futuro sustentável para as gerações futuras” e “contribuiu à implementação de numerosas atividades beneficentes e sociais, tanto por meio de doações de caráter financeiro, como por meio de conceções em locações a uma taxa facilitada ou uso gratuito de imóveis de sua propriedade a entidades com fins sociais”.

Clientes do IOR

Por fim, no que se refere aos ativos patrimoniais detidos pela IOR, de acordo com o relatório de 2018, o Instituto possui 14.953 clientes, divididos da seguinte forma: ordens religiosas (53%), dicastérios da Cúria Romana, escritórios da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano e nunciaturas apostólicas (12%), conferências episcopais, dioceses e paróquias (9%); entidades de direito canônico (8%), cardeais, bispos e clero (8%), funcionários e aposentados do Vaticano (8%); outros sujeitos, incluindo as fundações de direito canônico (2%).

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A Europa deve ser salva porque é um patrimônio que “não pode nem deve se dissolver”. O diálogo e a escuta “a partir da própria identidade” e dos valores humanos e cristãos são o antídoto contra soberanismos e populismos e o motor para “um processo de relançamento”, “que vá em frente sem interrupções”. A entrevista concedida pelo Papa Francisco a Domenico Agasso, especialista em assuntos do Vaticano, do jornal diário “La Stampa” e coordenador do “Vatican Insider”, parte da situação atual da União Europeia e trata de temas como imigração, mudança climática e o próximo Sínodo sobre a Amazônia.

O sonho dos pais fundadores europeus

A esperança é que a Europa volte a ser a do “sonho dos pais fundadores”. Uma visão concretizada pela implementação dessa unidade histórica e cultural, além de geográfica, que caracteriza o Velho Continente. Embora tenha havido “problemas de administração e divergências internas”, explica o Papa Francisco, a nomeação de uma mulher, Ursula von der Leyen, como chefe da Comissão Europeia, “pode ser adequada para reavivar a força dos pais fundadores”, porque “as mulheres têm a capacidade de aproximar e de unir”.

Europa: partir novamente dos seus valores humanos e cristãos

O principal desafio para relançar a Europa nasce do diálogo. “Na União Europeia se deve falar, confrontar, conhecer”, afirma o Papa, explicando como o “mecanismo mental” por trás de cada raciocínio deve ser “primeiro a Europa, depois cada um de nós”. Para isso, reitera, “também precisamos ouvir”, ao passo que, muitas vezes, apenas vemos somente “monólogos de compromisso”.  “O ponto de partida e reinício são os valores humanos, da pessoa humana. Juntamente com os valores cristãos a Europa tem raízes humanas e cristãs, é a história que o diz. E quando digo isto, não separo católicos, ortodoxos e protestantes. Os ortodoxos têm um papel muito precioso para a Europa. Todos temos os mesmos valores fundamentais”.

A identidade não se negocia, mas deve se abrir ao diálogo

O Papa explica: “Cada um de nós” é obviamente importante, não é secundário. De fato todo diálogo deve “partir de sua própria identidade”. Ele faz um exemplo: “Eu não posso fazer ecumenismo se eu não parto do meu ser católico, e o outro que faz ecumenismo comigo deve fazê-lo como protestante, ortodoxo… A própria identidade não se negocia, se integra. O problema dos exageros é que se fecha a própria identidade, não se abre. A identidade é uma riqueza – cultural, nacional, histórica, artística – e cada país tem a sua própria, mas deve ser integrada com o diálogo. Isto é decisivo: a partir da própria identidade abrir-se ao diálogo para receber algo maior da identidade dos outros”.

Preocupado com o soberanismo e o populismo

Neste sentido, o Papa se diz preocupado com o soberanismo: “É uma atitude de isolamento. Estou preocupado porque se ouvem discursos que se assemelham aos de Hitler em 1934. Nós por primeiro. Nós… nós… Estes são pensamentos assustadores. O soberanismo é fechamento. Um país deve ser soberano, mas não fechado. A soberania deve ser defendida, mas também devem ser protegidas e promovidas as relações com outros países, com a Comunidade Europeia. O soberanismo é um exagero que sempre acaba mal: leva a guerras”. O populismo, por sua vez, é uma forma de impor uma atitude que conduz aos soberanismos e não deve ser confundido com o “popularismo” que é a cultura do povo e a possibilidade que ele se expresse.

Migrantes: o direito à vida em primeiro lugar

Receber, acompanhar, promover e integrar são, ao invés, os critérios a serem seguidos quando se fala de imigração e de acolhimento. Em primeiro lugar, reitera o Papa, está o direito à vida, “o mais importante de todos”. Ademais, é preciso recordar as condições de guerra e de fome da qual as pessoas que fogem são provenientes. Igualmente, “os governos devem pensar e agir com prudência”, porque “quem administra é chamado a ponderar sobre quantos migrantes podem ser acolhidos”. Também podem ser adotadas soluções criativas, pensando, por exemplo, quantos Estados têm carência de mão de obra no setor agrícola: “Contaram-me que num país europeu há cidades quase vazias devido à queda demográfica. Algumas comunidades de migrantes poderiam ser transferidas para estas cidades, as quais seriam capazes de reaquecer a economia local”.

Ajudar os países pobres para interromper fluxos migratórios

Francisco acrescenta outra reflexão: “Sobre a guerra, devemos esforçar-nos e lutar pela paz. A fome diz respeito principalmente à África. O continente africano é vítima de uma maldição cruel: no imaginário coletivo parece que tem que ser explorado. Ao invés, uma parte da solução é investir nele para ajudar a resolver seus problemas e interromper assim os fluxos migratórios”.

Amazônia, um “Sínodo urgente”

No mês de outubro próximo vai se realizar no Vaticano o Sínodo sobre a Amazônia, filho da Laudato Si’, ressalta o Papa, acrescentando que quem não a leu jamais entenderá o Sínodo sobre a Amazônia.

Francisco reitera sobre a Laudato Si’: não é uma encíclica verde, mas uma encíclica social baseada no cuidado da Criação. Ao mesmo tempo é um “Sínodo urgente”. Efetivamente, Francisco se diz chocado que em 29 de julho o homem já tenha consumado todos os recursos regeneráveis para o ano em andamento. Isso, junto ao derretimento das geleiras, ao risco de aumento do nível dos oceanos, do incremento do lixo plástico no mar, do desmatamento e de outras situações críticas, faz de modo que o planeta viva numa “situação de emergência mundial”.

Um trabalho de comunhão conduzido pelo Espírito Santo

O Sínodo, todavia, adverte o Papa, “não é uma reunião de cientistas ou de políticos. Não é um parlamento: é outra coisa. Nasce da Igreja e terá missão e dimensão evangelizadora. Será um trabalho de comunhão conduzido pelo Espírito Santo”. Os temas importantes são os que dizem respeito aos “ministérios da evangelização e aos vários modos de evangelizar”, explica Francisco, enquanto a questão dos “viri probati”, a possibilidade de ordenar anciãos e casados onde faltam sacerdotes, não será um dos temas principais do Sínodo, mas é “simplesmente um número do Instrumentum Laboris” (Instrumento de trabalho, ndr).

A Amazônia é decisiva para o futuro do planeta

O Papa explica a escolha de fazer um Sínodo para a Amazônia, uma região que envolve nove Estados: é “um lugar representativo e decisivo… contribui de modo determinante para a sobrevivência do planeta. Grande parte do oxigênio que respiramos é proveniente dali. Eis o motivo porque o desmatamento significa matar a humanidade. Além disso, efetivamente, a Amazônia envolve nove Estados, portanto, não diz respeito a uma única nação. Penso na riqueza da biodiversidade amazônica, vegetal e animal: é maravilhosa”. Francisco diz temer “o desaparecimento da biodiversidade. Novas doenças letais. Uma deriva e uma devastação da natureza que poderiam levar à morte da humanidade”.

A política elimine conivências e corrupções

“A ameaça da vida das populações e do território – ressalta ainda referindo-se à salvaguarda da Amazônia – deriva de interesses econômicos e políticos dos setores dominantes da sociedade.” A política deve “eliminar suas conivências e corrupções. Deve assumir suas responsabilidades concretas, por exemplo, sobre o tema das minas a céu aberto, que envenenam a água provocando muitas doenças”.

Confiança nos jovens

A confiança numa nova atitude em relação à Criação vem dos movimentos juvenis – afirma por fim o Santo Padre –, como o que foi criado por Greta Thunberg: “Vi um cartaz deles que me impressionou: ‘O futuro somos nós!’”. Significa promover uma atenção às pequenas coisas diárias que “incidem” na cultura “porque se trata de ações concretas”.

Radio Vaticano

O Papa Francisco retoma as tradicionais Audiências Gerais das quartas-feiras. Neste dia 7 de agosto, na Sala Paulo VI e devido ao calor forte do verão italiano, os fiéis puderam acompanhar a catequese do Pontífice sobre os Atos dos Apóstolos, em continuidade à reflexão do final de julho quando fez uma pausa de férias.

“Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,3-6): a cura de um paralítico de nascença que agora caminha, anda e louva a Deus. O Papa Francisco refletiu sobre a primeira narração de cura do Livro dos Apóstolos e enalteceu a ação concreta dos Apóstolos Pedro e João que testemunharam a verdade do anúncio do Evangelho, demonstrando como agem em nome de Cristo.

A “relação” com o outro que acontece no amor

Francisco recordou que a lei da época impedia de oferecer sacrifícios a quem tinha algum tipo de deficiência física, em consequência de alguma culpa, e inclusive impedia o acesso ao Templo em Jerusalém. Mas, como narra o Evangelho, o paralítico, “paradigma de tantos exclusos e descartados da sociedade, estava ali para pedir a esmola de todos os dias”, quando os Apóstolos trocaram olhares com ele e Pedro disse: “Não tenho prata, nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,3-6).

Essa foi a relação estabelecida entre o paralítico e os Apóstolos, o mesmo modo em que Deus ama se manifestar, ressaltou Francisco, “na relação”, sempre no diálogo, com a inspiração do coração, através de um encontro real entre as pessoas que pode acontecer só no amor.

Igreja pobre para os pobres

Ao tratar do Templo, onde na frente se encontrava o paralítico, o Papa explicou que, além de ser um centro religioso, era um lugar de trocas comerciais. E por essa dimensão do espaço, Jesus tinha se manifestado contrário várias vezes.

“ Mas quantas vezes eu penso a isso quando vejo alguma paróquia onde se pensa que é mais importante o dinheiro que os sacramentos! Por favor! Igreja pobre: peçamos ao Senhor isso. ”

A Igreja que não fecha os olhos, mas abre o olhar

Aquele mendigo paralítico, encontrando os Apóstolos, não encontrou aquele dinheiro, mas “o Nome que salva o homem: Jesus Cristo, o Nazareno”. Pedro invocou o seu nome e ordenou o paralítico a se levantar e andar, tocou no doente e o ajudou a ficar em pé.

“ E aqui aparece o retrato da Igreja, que vê quem está em dificuldade, não fecha os olhos, sabe olhar a humanidade no rosto para criar relações significativas, pontes de amizade e de solidariedade no lugar de barreiras. Aparece o rosto de ‘uma Igreja sem fronteiras que se sente mãe de todos’ (Evangelii gaudium, 210), que sabe pegar na mão e acompanhar para se levantar – não para condenar. Jesus sempre pega a mão, sempre procura levantar, fazendo com que as pessoas se curem, que sejam felizes, que encontrem Deus. ”

O Papa descreveu essa atitude como “a arte do acompanhamento”, que se caracteriza pela delicadeza com o próximo, dando sinais de proximidade, como a troca respeitosa e cheia de compaixão de olhares.

“E isso fazem os dois Apóstolos com o paralítico: olham ele, dizem ‘olhem para nós’, seguram a sua mão, o fazem se levantar e o curam. Assim faz Jesus com todos nós. Pensemos nisso quando estivermos em momentos ruins, em momentos de pecado, em momentos de tristeza. Aí está Jesus que diz: ‘Olhe para mim: eu estou aqui!’. Vamos pegar na mão de Jesus e deixar que nos levante.”

Estender a mão ao outro: sempre!

Os Apóstolos Pedro e João nos ensinaram a confiar na “verdadeira riqueza que é a relação com Jesus”, afirmou o Papa. Uma tarefa que também cabe a nós, acrescentou o Pontífice, ao finalizar a catequese de hoje:

“ E nós, cada um de nós, o que temos? Qual é a nossa riqueza, o nosso tesouro? Com que coisa podemos tornar ricos os outros? Peçamos ao Pai o dom de uma memória agradecida ao recordar os benefícios do seu amor na nossa, para dar a todos o testemunho de louvor e reconhecimento. Não esqueçamos: sempre a mão estendida para ajudar o outro a se erguer; é a mão de Jesus que, através da nossa mão, ajuda os outros a se levantar. ”

Veja o resumo da catequese de hoje:

O livro dos Atos dos Apóstolos mostra como o anúncio do Evangelho é confirmado pelos milagres e sinais que o acompanham. O primeiro deles é a cura dum paralítico de nascença que, todos os dias, era colocado à porta do Templo de Jerusalém para pedir esmola. Um dia, pelas três da tarde, Pedro e João sobem ao Templo e seus olhos cruzam-se com o olhar daquele mendicante que pede uma esmola. Os apóstolos acolhem aquele olhar, aceitam um encontro real com aquele homem enfermo, ativam uma relação: «Dinheiro, não temos! Mas damos-te o que temos: “Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!” E ele de um salto, pôs-se de pé e começou a andar». Encontrando os Apóstolos, o mendicante não encontra dinheiro, mas o Nome que salva: Jesus Cristo Nazareno. Pedro e João ensinam-nos a confiar, não nos meios materiais – sem dúvida, necessários –, mas na verdadeira riqueza que é a relação com Jesus ressuscitado. De facto, como dirá o apóstolo Paulo, «somos tidos (…) por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). O nosso tudo é o Evangelho, que manifesta o poder do nome de Jesus que realiza prodígios. Prova disto é o paralítico curado: agora caminha, salta e louva a Deus. Pode viver celebrando o Amor de Deus que o criou para a vida e a alegria.

Radio Vaticano

Quarta-feira 7 de agosto, depois da pausa do mês de julho, recomeçam as audiências gerais do Papa: será a 280ª catequese de Francisco, considerando também as audiências jubilares realizadas nos sábados por ocasião do Ano Santo da Misericórdia. A audiência geral é um importante encontro semanal juntamente com o Angelus e as homilias das missas na capela da Casa Santa Marta, além das celebrações do ano litúrgico, e representam o coração espiritual do seu magistério petrino. São encontros com pessoas provenientes de todo o mundo, mesmo não católicos, que dão ocasião ao Papa para fazer uma simples, mas profunda catequese sobre a fé cristã. Trata-se de reflexões ricas de espiritualidade que vale a pena ler ou ouvir novamente de modo integral, recorrendo às fontes vaticanas. Nesses encontros do Papa nunca falta o abraço prolongado aos doentes.

Temas das catequeses

Portanto até agora, o Papa Francisco realizou 279 catequeses. Os temas escolhidos dão uma indicação do caminho da Igreja nestes anos. Desde 2013 foram feitos 12 ciclos de catequeses, além das audiências dedicadas a assuntos específicos como o Advento, o Natal, a Quaresma e a Páscoa: em junho deste ano iniciou o 13º ciclo. Francisco retomou as catequeses do Ano da Fé propostas por Bento XVI, detendo-se no Credo, ao qual dedicou 25 audiências. Os outros 12 ciclos foram: os Sacramentos (9), os Dons do Espírito Santo (7), a Igreja (15), A família (36), a Misericórdia, por ocasião do Jubileu (49), a Esperança cristã (38), a Santa Missa (15), o Batismo (6), a Confirmação (3), os Mandamentos (17), a oração do Pai Nosso (16), os Atos dos Apóstolos (até agora 4).

A Semana Santa

Em 27 de março de 2013, Francisco dedicou a primeira catequese do Pontificado à Semana Santa explicando que viver como ressuscitados significa seguir Jesus no seu caminho da Cruz à Ressurreição para entrar cada vez mais na lógica de Deus: isso exige “sairmos de nós mesmos, de um modo de viver a fé cansado e rotineiro, da tentação de nos fecharmos nos nossos esquemas, que acabam por fechar o horizonte da obra criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir ao meio de nós… para nos trazer a sua misericórdia que salva e dá esperança. Também nós, se quisermos segui-lo… não devemos contentar-nos em permanecer no recinto das noventa e nove ovelhas, mas temos que ‘sair’, procurar com Ele a ovelha tresmalhada, a mais distante…. Recordem bem. Deus pensa sempre com misericórdia: é o Pai misericordioso!”.

O Ano da fé

No primeiro ciclo de catequese dedicado ao Ano da Fé, o Papa afirma que a Morte e a Ressurreição de Jesus são “o coração da nossa esperança”. Infelizmente – sublinha – “muitas vezes procura-se obscurar a fé na Ressurreição de Jesus, e mesmo entre os próprios crentes foram insinuadas dúvidas” por “uma visão apenas horizontal da vida. Mas é justamente a Ressurreição que nos abre à esperança maior, porque abre a nossa vida e a vida do mundo ao futuro eterno de Deus, à felicidade plena, à certeza de que o mal, o pecado, a morte podem ser vencidos. E isso leva a viver com mais confiança as realidades cotidianas… A Ressurreição de Cristo é a nossa força… é o tesouro mais precioso! Como não compartilhar este tesouro com os outros?”.

Os Sacramentos

Os Sacramentos não são ritos formais – recorda o Papa nestas catequeses – mas atos que mudam a nossa vida. A partir do Batismo, que liberta do pecado original e “toca a nossa existência em profundidade” porque nos mergulha “naquela fonte inexaurível de vida que é a morte de Jesus, o maior ato de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma nova vida, não mais à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos”.

Os Dons do Espírito Santo são o centro do terceiro ciclo de catequeses: “O Espírito Santo – sublinha Francisco – constitui a alma, a linfa vital da Igreja e de cada cristão: é o Amor de Deus que faz do nosso coração a sua morada e entra em comunhão com cada um de nós. O Espírito Santo – sublinha Francisco – é o dom de Deus por excelência… e por sua vez, transmite vários dons espirituais a quantos o acolhem. A Igreja identifica sete, número que simbolicamente significa plenitude, totalidade” e nos fazem viver e ver o mundo com o coração de Deus.

A Igreja

Depois o Papa passou às reflexões sobre a Igreja: “Ser Igreja é se sentir nas mãos de Deus, que é Pai e nos ama” e quis “formar um povo abençoado pelo seu amor… que leve a sua bênção a todos os povos da terra”. Recorda as palavras de Bento XVI quando falava do “nós” eclesial: fazer parte da Igreja significa pertencer a este povo, “não vivemos isolados e não somos cristãos a título individual, cada qual por sua própria conta, não… Na Igreja não existe ‘personalizações’, não existem ‘jogadores livres’. De fato, alguns pensam que podem manter uma relação pessoal… com Jesus Cristo fora da comunhão e da mediação da Igreja. São tentações perigosas e prejudiciais”.

A família

As catequeses sobre a família, que se deram entre os dois Sínodos sobre este tema, detêm-se sobre vários aspectos da vida familiar. Francisco reitera as verdades fundamentais do Matrimônio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a abertura à vida. Ao mesmo tempo olha com misericórdia às famílias feridas.

Ano Santo da Misericórdia

O ciclo mais longo de catequeses é dedicado ao Ano Santo da Misericórdia. O conteúdo essencial do Evangelho – afirma o Papa – é Jesus, “a Misericórdia feita carne, que torna visível aos nossos olhos o grande mistério do Amor trinitário de Deus”. Eis o convite de Francisco: “A Igreja aprenda a escolher unicamente o que mais agrada a Deus” que é “perdoar os seus filhos, ter misericórdia deles a fim de que, por sua vez, também eles possam perdoar os irmãos, resplandecendo como tochas da misericórdia de Deus no mundo. É isto que mais agrada a Deus!”.

Esperança cristã

O segundo ciclo mais longo é o da esperança cristã. “O otimismo desilude – explica o Papa – a esperança não! Precisamos muito dela nesta época que parece obscura, na qual às vezes nos sentimos perdidos diante do mal e da violência que nos circundam, perante a dor de tantos irmãos. É necessária a esperança!” que é crer que Deus com o seu amor caminha conosco e não nos deixa sozinhos: “O Senhor Jesus venceu o mal, abrindo-nos a senda da vida… Esperemos confiantes na vinda do Senhor, e qualquer que seja o deserto das nossas vidas…tornar-se á um jardim de flores. A esperança não desilude!”.

A Santa Missa

Em outro ciclo de catequeses o Papa Francisco explica o significado da Santa Missa. Recorda que muitos cristãos, “em dois mil anos de história, resistiram até á morte para defender a Eucaristia”. E ainda hoje, são muitos os que “arriscam a vida para participar da Missa dominical… se não pudéssemos celebrar a Eucaristia… a nossa vida cristã morreria”. De fato, é o mistério central da salvação: “Todas as vezes que celebramos este sacramento participamos do mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo” que derrama “sobre nós toda a sua misericórdia e o seu amor, para assim renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos” fazendo-nos prelibar “desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a face”.

O Pai-Nosso

No ciclo sobre o Pai-Nosso, o Papa convida a jamais deixar de pedir a Jesus “Senhor, ensina-me a rezar”. O primeiro passo para rezar é sermos humildes, reconhecer que somos pecadores. Deus escuta a oração do humilde. O Papa faz um esclarecimento: “Nenhum de nós é obrigado a aceitar a teoria que no passado alguém propôs, isto é, que a oração de pedido seja uma forma tíbia da fé, enquanto que a oração mais autêntica seria o louvor puro, aquele que procura Deus sem o peso de pedido algum. Não, isto não é verdade. A prece de pedido é autêntica… é um ato de fé em Deus que é Pai, que é bom… Ele nos entende e nos ama muito” O terço é a oração que Francisco pede a todos para rezar todos os dias, também para rejeitar os ataques do diabo à Igreja.

Atos dos Apóstolos

O último ciclo de catequeses que o Papa iniciou refere-se aos Atos dos Apóstolos: um livro que fala “da viagem do Evangelho no mundo e mostra-nos a maravilhosa ligação entre a Palavra de Deus e o Espírito Santo que inaugura o tempo da evangelização.

 

Radio Vaticano

O Papa Francisco escreveu uma carta aos sacerdotes, recordando os cento e sessenta anos da morte do Cura d’Ars, padroeiro dos párocos. Uma carta que exprime encorajamento e proximidade aos “irmãos presbíteros, que sem fazer alarde”, deixam tudo para se empenhar na vida diária das suas comunidades; aos sacerdotes que trabalham na “trincheira”; também a todos aqueles que diariamente enfrentam desafios sem pensar em si mesmos, “para que o povo de Deus seja cuidado e acompanhado”.

“Dirijo-me a cada um de vocês – escreve o Papa – que, em muitas ocasiões, de modo inobservado e sacrificado, no cansaço ou na fadiga, na doença ou na desolação, assumem a missão como um serviço a Deus e ao seu povo e, mesmo com todas as dificuldades do caminho, escrevem as páginas mais belas da vida sacerdotal”.

Dor

A carta do Paptem início com um olhar ao escândalo dos abusos: “Nos últimos tempos pudemos ouvir mais claramente o clamor, muitas vezes silencioso e silenciado, de irmãos nossos, vítimas de abusos de poder, de consciência e sexuais por parte dos ministros ordenados”. Mas, explica Francisco, mesmo sem “negar ou ignorar o dano causado”, seria “injusto não reconhecer que tantos sacerdotes que de maneira constante e íntegra, oferecem tudo o que são e que têm pelo bem dos outros”.  Os padres “que fazem da sua vida uma obra de misericórdia em regiões ou situações muitas vezes inóspitas, remotas ou abandonadas, arriscando sua própria vida”.

O Papa agradece todos “pela coragem e constante exemplo” e escreve que os “tempos da purificação eclesial que estamos vivendo, nos tornarão mais alegres e simples e em um futuro não muito distante, serão muito fecundos”.

Convida então a não desencorajar, porque “o Senhor está purificando a sua Esposa e a todos nos está convertendo a Ele. Permite-nos experimentar a prova para que comprendamos que, sem Ele, somos pó”.

Gratidão

A segunda palavra chave é “gratidão”. Francisco recorda que a “vocação, mais do que uma escolha nossa, é resposta de um chamado gratuito do Senhor”. O Papa exorta a “retornar aos momentos luminosos” em que experimentamos o chamado do Senhor para consagrar toda a nossa vida ao seu serviço, voltar “ao sim” crescido no seio de uma “comunidade cristã”.

Em momentos de dificuldade, de fragilidade, de fraqueza, “quando a pior de todas as tentações é a de ficar a ruminar a desolação”, é crucial – explica o Pontífice – “não perder a memória cheia de gratidão da passagem do Senhor na nossa vida” que “nos convidou a apostar n’Ele e pelo seu povo”.

A gratidão “é sempre uma arma poderosa”. Só se formos capazes de contemplar e agradecer por todos os gestos de amor, generosidade, solidariedade e confiança, bem como de perdão, paciência, suportação e compaixão com que fomos tratados, é que deixaremos o Espírito obsequiar-nos com aquele ar puro capaz de renovar (e não remendar) a nossa vida e missão”.

Francisco agradece os irmãos sacerdotes “pela fidelidade aos compromissos assumidos”. É “muito significativo” – observa – que em uma sociedade e em uma cultura que transformou o “gasoso” em valor, a existência de pessoas que apostem na felicidade de doar a vida.

Agradece pela celebração diária da Eucaristia e pelo ministério do sacramento da Reconciliação, vivido “sem rigorismos, nem laxismos”, ocupando-se das pessoas e “acompanhando-as no caminho da conversão”.

Agradece pelo anúncio do Evangelho “feito a todos com ardor”: “Obrigado por todas as vezes que, deixando-se comover por dentro, vocês acolheram os que caíram, curaram suas feridas… Nada é mais urgente do que isso: proximidade, vizinhança, ficar próximo da carne do irmão que sofre”.

O coração do pastor – afirma Francisco – é aquele que “aprendeu o gosto espiritual de se sentir um só com o seu povo, que não esquece que saiu dele… com estilo de vida austero e simples, sem aceitar privilégios que não têm sabor de Evangelho”. Mas o Papa agradece e convida a agradecer também “pela santidade do Povo fiel de Deus”, manifestada “nos pais que criam seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham para levar o pão para casa, nos doentes, nas religiosas idosas que continuam a sorrir”.

Coragem

A terceira palavra é “coragem”. O Papa quer encorajar os sacerdotes: “A missão à qual fomos chamados não significa que devemos ser imunes ao sofrimento, à dor e até mesmo à incompreensão, ao contrário, pede-nos para os enfrentar e assumir a fim de deixar que o Senhor os transforme e nos configure mais a Ele”.

Um bom teste para saber como se encontra o coração do pastor – escreve Francisco – “é perguntar-se como enfrentamos a dor”. De fato, às vezes pode acontecer, de se comportar como o levita ou o sacerdote da parábola do Bom Samaritano, que ignora o homem caído no chão, outras vezes aproxima-se da dor intelectualizando, e refugiando-se em frases comuns (“a vida é assim, não se pode fazer nada”) terminando por dar espaço ao fatalismo. “Ou então aproxima-se com um olhar de preferência seletiva gerando apenas isolamento e exclusão”.

O Papa adverte também o que Bernanos definiu como o “elixir mais precioso do demônio”, isto é, “a tristeza adocicada que os padres do Oriente chamavam acédia. A tristeza que paralisa a coragem de continuar no trabalho, na oração”, que “torna estéril todas as tentativas de transformação e conversão, propagando ressentimento e aversão”.

Francisco convida a pedir “ao Espírito Santo que venha despertar-nos”, para “dar uma sacudida na nossa sonolência”, para desafiar a habitualidade e “nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva do Ressuscitado”.

“Ao longo da nossa vida, pudemos contemplar que com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria”. Uma alegria, afirma o Pontífice, que “não nasce de esforços voluntariosos ou intelectualistas, mas da confiança de saber que continuam eficazes as palavras de Jesus a Pedro”.

Na oração – explica o Papa – “experimentamos aquela nossa bendita precariedade que nos lembra que somos discípulos carecidos do auxilio do Senhor e nos liberta da tendência prometeuca dos que confiam unicamente em suas próprias forças”.

A oração do pastor “nutre-se e encarna-se no coração do Povo de Deus. Traz as marcas da alegria e das feridas do seu povo”. Uma confiança que preserva-nos a todos de procurar ou querer respostas fáceis, rápidas ou pré-fabricadas, permitindo ao Senhor ser Ele (e não as nossas receitas e prioridades) a mostrar-nos um caminho de esperança”. Portanto “reconheçamos a nossa fragilidade, sim, mas deixemos que Jesus a transforme e nos projete sempre de novo para a missão”.

Para manter o coração animado, o Papa observa que não devem ser negligenciadas duas ligações constitutivas da nossa identidade. A primeira com Jesus. É o convite a não esquecer “o acompanhamento espiritual, tendo um irmão com quem falar, confrontar-se, debater e discernir o próprio caminho”.

A segunda ligação é com o povo. “Não se isolem do seu povo e dos presbíteros ou das comunidades. E muito menos não em grupos fechados ou elitistas… um ministro corajoso é um ministro sempre em saída”. O Papa pede aos sacerdotes para “estar perto dos que sofrem, de estar sem vergonha perto das misérias humanas e, porque não, vivê-las como próprias para as tornar Eucaristia”. Para serem “artesãos de relação e comunhão, abertos e confiantes e esperançosos da novidade que o Reino de Deus quer suscitar hoje”.

Louvor

A última palavra proposta na carta é “louvor”. É impossível falar de gratidão e encorajamento sem contemplar Maria que “nos ensina o louvor capaz de abrir o olhar para o futuro e devolver a esperança ao presente”. Porque “olhar Maria é voltar a crer na força revolucionária da ternura e do afeto”.

Por isso – conclui o Papa – “se alguma vez nos sentirmos tentados a isolar-nos e fechar-nos em nós mesmos e nos nossos projetos, protegendo-nos dos caminhos sempre poeirentos da história, ou se o lamento, a queixa, a crítica ou a ironias tomam conta das nossas ações sem vontade de lutar, esperar e amar … olhemos a Maria para que purifique os nossos olhos de todos os “ciscos” que nos possa impedir de estarmos atentos e despertos para contemplar e celebrar a Cristo que vive no meio do seu Povo”.

“Irmãos – são as palavras no final da carta – digo mais uma vez, não cesso de dar a graças a Deus por todos vocês… deixemos que seja a gratidão a suscitar o louvor e que nos encoraje mais uma vez na missão de ungir os nossos irmãos na esperança. A ser homens que testemunhem com a sua vida a compaixão e a misericórdia que só Jesus nos pode dar”.

Radio Vaticano